Quem foi
Romancista, contista e dramaturgo italiano, nascido na Sicília em 1867 e morto em 1936, autor de O Falecido Matias Pascal, Seis Personagens à Procura de um Autor e Um, Nenhum e Cem Mil. Nobel de Literatura de 1934, fez da identidade humana o assunto único de uma obra que vai do romance regional siciliano ao teatro e ao romance moderno.
Vida e obra
Filho de uma família que vivia de uma mina de enxofre, estudou letras e filosofia em Roma e na Alemanha, casou por arranjo, viu a mina inundar e a família empobrecer e passou a viver de jornalismo e de aulas em Roma. Escreveu contos e romances sicilianos, entre eles O Falecido Matias Pascal, e se consagrou no teatro com Seis Personagens à Procura de um Autor (1921). Um, Nenhum e Cem Mil, o último romance, o ocupou entre 1916 e 1926.
Por que ler
Pirandello tem um assunto só, a pergunta sobre quem somos, e a refaz em cada forma que usa. Continua o naturalismo siciliano de Verga até o ponto em que o personagem deixa de ter ficha de identidade, e por isso se diz que destruiu o état civil que Balzac introduzira na literatura. Em Um, Nenhum e Cem Mil a pergunta se faz com humor e sem saída: a vida inteira de um homem se desfaz numa frase da mulher sobre o nariz dele.
A mina de enxofre e a formação
Nasceu em 1867 num povoado da Sicília chamado Caos, numa família de classe média que vivia de uma mina de enxofre. O pai o queria sucessor no negócio, mas Pirandello não tinha vocação alguma para isso, convenceu a família de que era inútil insistir e foi estudar letras e filosofia, primeiro em Roma e depois na Alemanha, para onde se transferiu com uma carta de apresentação, depois de um desentendimento com um professor romano. Na Alemanha construiu a formação que o marcaria, traduziu para o italiano as elegias de Johann Wolfgang von Goethe e começou a escrever.
O casamento, o desastre e o ofício
De volta à Itália, casou por arranjo, à moda siciliana, com uma mulher que nunca tinha visto antes das núpcias, Maria Antonietta, e teve três filhos, nenhum dos quais seguiu a literatura. Pouco depois uma enchente inundou a mina e a inutilizou para sempre, o pai foi à falência e a família empobreceu de repente. A mulher, que já tinha uma fragilidade mental, piorou com o desastre. Pirandello passou a viver de jornalismo e do magistério, ensinando língua e estilística italiana numa faculdade feminina de Roma, o Istituto Superiore di Magistero Femminile, e escrevendo nas horas que sobravam.
Da Sicília de Verga ao teatro
Os primeiros contos e romances, como A Excluída e O Turno, contam casos regionais com tipos sicilianos, no caminho aberto por Verga, e os personagens que importam neles são os desajustados e solitários, os que aprendem cedo a se ver vivendo. Dessa fase vem O Falecido Matias Pascal, em que um homem dado como morto abandona o próprio nome e tenta viver sob outro, sem sucesso. O prestígio literário só chegou depois dos cinquenta anos, e foi o teatro que o consagrou: Seis Personagens à Procura de um Autor estreou em 1921, provocou reação hostil da plateia e se firmou como clássico nas apresentações seguintes, em Milão. O último romance, Um, Nenhum e Cem Mil, foi elaborado entre 1916 e 1926.
O fascismo e os últimos anos
Aproximou-se do regime de Mussolini, que lhe prometera um teatro em Roma, e se filiou ao partido fascista por conveniência; a fama de simpatizante do regime o acompanhou depois, embora na obra não haja defesa de ideologia alguma. Em dezembro de 1927, de passagem pelo Rio de Janeiro com a turnê do Teatro d'Arte de Roma, disse numa entrevista que não era autor de farsas, mas de tragédias. Recebeu o Nobel de Literatura em 1934 e morreu em 1936.