Ficha da obra
- Autor
- William Shakespeare
- Título original
- The Tragedy of Macbeth
- Publicação
- Escrita por volta de 1606; impressa em 1623, no Primeiro Fólio
- Gênero
- Tragédia em cinco atos
- Cenário
- A Escócia e, numa cena, a Inglaterra
- Época
- A Escócia do século XI
- Narrador
- Não há: peça de teatro
- Protagonistas
- Macbeth e Lady Macbeth
Sobre o autor
O ator de província que, em Londres, escreveu as tragédias pelas quais o Ocidente ainda mede a ambição, o ciúme, a vingança e o amor. Ler o perfil de William Shakespeare
Tema central
Macbeth, general escocês, ouve de três bruxas que será rei, e a peça acompanha o que ele faz com a promessa: mata o rei Duncan para apressar o que lhe foi dito, e cada crime pede outro, até que o medo, a culpa e o vazio da conquista o deixam sem sono, sem aliados e sem sentido para o que ganhou. As aparições dizem coisas verdadeiras, e é a leitura que Macbeth faz delas que as torna enganosas.
- O que acontece quando alguém tenta forçar o destino em vez de esperar que ele se cumpra?
Argumento que valida a ideia
- Ao ver Duncan nomear o filho herdeiro, Macbeth passa a ver nele um obstáculo; a decisão de matar o rei só vem na cena 7 do Ato I, depois de recuar.
Rei Duncan:estabeleceremos o nosso Estado nos braços de nosso primogênito, Malcolm, a quem nomeamos doravante Príncipe de Cumberland.
Contra argumento que invalida a ideia
- Se realmente Macbeth está predestinado a herdar o trono, ele tinha a necessidade de matar o Rei?
Consequências
Já na cena 2 do Ato III é esperado que a situação em que se coloca Macbeth seja algo desesperador e sem volta.
Macbeth:Coisas pérfidas, depois de paridas, só fazem crescer, cada vez mais fortes, alimentadas pelo mal.
Macbeth manda matar toda a família de Macduff, e Macduff, ao final, mata Macbeth. A última profecia se cumpre por uma letra que Macbeth não previu: nenhum homem nascido de mulher poderia feri-lo, e Macduff, como ele mesmo diz na cena 7 do Ato V, foi arrancado do ventre da mãe antes do tempo. A promessa que soava a Macbeth como garantia não o protege.
O fio que atravessa a obra
Os fios que atravessam os cinco atos: o problema do livre-arbítrio, a culpa, a imaginação, a masculinidade e o poder, o tempo e o destino, e o vazio da conquista.
O problema do livre-arbítrio
As bruxas preveem ou determinam? Essa é uma das maiores discussões da crítica shakespeariana. Muitos críticos argumentam que as bruxas apenas revelam possibilidades. O crime nasce da decisão de Macbeth. Harold Bloom insistia que a tragédia está justamente no fato de Macbeth ser autor de sua própria ruína.
As bruxas preveem ou elas determinam? Após darem a notícia a Macbeth, cabem duas leituras: ou ele já estava predestinado a herdar o trono e matar o rei não alteraria o resultado, ou as bruxas o manipulam para que ele mesmo cometa o crime. Fica em aberto se Macbeth teve livre-arbítrio.
A culpa
Talvez nenhum tema seja mais importante após o assassinato de Duncan. Antes do crime, Macbeth vê o punhal imaginário, na cena 1 do Ato II. Depois, vê o fantasma de Banquo, na cena 4 do Ato III. E Lady Macbeth vê sangue que não existe, na cena 1 do Ato V. A culpa torna-se uma força psicológica mais poderosa que qualquer exército.
Esta relação de culpa lembra o livro Crime e Castigo
A imaginação
Harold Bloom considerava Macbeth uma das personagens mais imaginativas de Shakespeare. Ele sofre não apenas pelos crimes que comete, mas pelas imagens mentais que cria. Sua imaginação antecipa horrores, produz visões e amplia seus medos. Em certo sentido, Macbeth é destruído tanto pela imaginação quanto pela espada.
O crime nasce primeiro como imagem: na cena 3 do Ato I, logo depois do título de Cawdor, Macbeth já pensa num assassínio ainda fantasioso.
Masculinidade e poder
Muitos críticos modernos analisam a relação entre Macbeth e Lady Macbeth. Ela questiona sua coragem, na cena 7 do Ato I. Ele tenta provar sua masculinidade através da violência. A peça investiga como certas ideias distorcidas de honra e virilidade podem levar à destruição.
Tempo e destino
Macbeth vive tentando acelerar o futuro. Ele não aceita esperar: na cena 4 do Ato I, ao ver Malcolm nomeado herdeiro, passa a ver nele um obstáculo no caminho. Por isso, vários críticos enxergam a peça como uma reflexão sobre a tentativa humana de controlar aquilo que deveria seguir seu curso natural.
O vazio da conquista
Este é um dos temas favoritos de Harold Bloom. Macbeth alcança exatamente aquilo que desejava:
- torna-se rei;
- elimina rivais;
- exerce poder absoluto.
Mas por que ele gostaria de se tornar rei? Macbeth descobre que o poder não produz felicidade.
Perto do final, na cena 5 do Ato V, ele descreve a vida como uma sombra que caminha, um pobre ator repleto de som e fúria e vazio de significado.
Macbeth:Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. [...] A vida não passa de uma sombra que caminha, um pobre ator que se pavoneia e se aflige sobre o palco – faz isso por uma hora e, depois, não se escuta mais sua voz. É uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria e vazia de significado.
Essa passagem é frequentemente vista como o momento em que Macbeth percebe que ganhou o mundo e perdeu a si mesmo.