Clavis Libri
EnredoO livro inteiro, do começo ao fim. Resumo e análise17 capítulos, um a um. Personagens9 personagens. Temas6 temas e onde aparecem. Pilar dos temasOs temas capítulo a capítulo. Símbolos4 símbolos e o que significam. CitaçõesAs passagens que decidem a história. MapaA obra num só desenho. DiscussõesPara discutir em aula, em grupo ou sozinho. InfográficoA obra numa página. Guia em PDFO guia completo para baixar e imprimir. AutorMachado de Assis.

Ficha da obra

Publicação
Em folhetim na revista A Estação (1886-1891); em livro em 1891
Gênero
Romance realista
Cenário
Barbacena, em Minas Gerais, e o Rio de Janeiro
Época
O Segundo Reinado, de 1867 ao começo da década de 1870
Narrador
Terceira pessoa, com um narrador que comenta e conversa com o leitor
Protagonista
Pedro Rubião de Alvarenga, professor de Barbacena

Sobre o autor

O menino pobre do Morro do Livramento que, quase sem sair do Rio, escreveu os romances em que o Brasil do Império se vê por dentro, com ironia e sem consolo. Ler o perfil de Machado de Assis

Tema central

Um professor de província herda uma fortuna e uma filosofia que não entende, e o livro mostra o que o dinheiro faz com ele: dá-lhe uma casa na Corte, comensais que jantam à sua mesa, uma paixão pela mulher do amigo que o guiou, uma ambição política que nunca tivera e, por fim, o delírio de ser Napoleão III. O que faz o livro durar é o modo como a doutrina do filósofo acompanha o herdeiro: Rubião não a entende quando a ouve, entende-a ao herdar e a repete sem sentido ao morrer, e entre uma ponta e outra quem se serve dele (o sócio, a mulher do sócio, o político, os comensais) o larga quando o dinheiro e o juízo se vão, e só o cão o acompanha até o fim. O narrador ri dessa gente com uma graça que não poupa ninguém, e o último capítulo manda o leitor escolher entre chorar e rir.

O fio que atravessa a obra

Três fios atravessam o romance de ponta a ponta, e cada um se acompanha pelos capítulos em que aparece.

O primeiro é Humanitas e o lema "ao vencedor, as batatas". Quincas Borba expõe a doutrina pela morte da avó, atropelada por uma sege cujo dono tinha fome, e Rubião aceita ser discípulo sem entendê-la (capítulo VI). Só ao herdar compreende a alegoria das tribos famintas e se vê como vencedor, a ponto de pensar num sinete com o lema (capítulo XVIII). No fim o lema volta sem a alegoria: Rubião o grita ao chegar a Barbacena (capítulo CXCV), repete-o na manhã de sol depois da tempestade (capítulo CXCVIII) e morre com as últimas palavras deixando-o pela metade (capítulo CC).

Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas
Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo

O segundo é o dinheiro de Rubião passando aos Palha. A herança chega pelo testamento (capítulo XIV), e Palha, que ouve a confidência no trem e, ao saber da soma, reflete, pede discrição (capítulo XXI). Rubião entra com cinco contos na Atalaia (capítulo LXI), vira sócio de Palha (capítulo LXIX), pede dez contos a Palha, que guarda seus títulos e cede (capítulo CVIII), e vê Palha desfazer a sociedade alegando um banco que não existia (capítulo CXXVIII, capítulo CXXIX). Quando está internado, Palha apura três contos e duzentos dos bens dele (capítulo CXCI), e Sofia inaugura os salões de Botafogo com um colar dos primeiros presentes de Rubião (capítulo CXCII).

assistia aos rombos feitos na caravela, sem temporal, mar de leite
Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos

O terceiro é o desejo por Sofia virando delírio imperial. A tentação começa no jardim de Botafogo (capítulo XXVIII) e chega à declaração sob a lua de Santa Teresa (capítulo XXXIX, capítulo XL). Rubião sonha com uma carruagem triunfal ao lado de Sofia (capítulo CIX), e Sofia lembra a frase em que ele prometia fazê-la imperatriz (capítulo CXXV). Com a barba de Napoleão III (capítulo CXLVI), ele entra no coupé de Sofia, fala-lhe como amante e pede que o chame de Luís (capítulo CL, capítulo CLIII). O desejo termina na rua, onde passa gesticulando para uma imperatriz invisível (capítulo CLXXXII), e na morte, com a coroa que só ele vê (capítulo CC).

espere que ainda a farei imperatriz
Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido