Clavis Libri
ContextoA época, a origem da história e o texto. EnredoO poema inteiro, do começo ao fim. Linha do tempoOs acontecimentos na ordem do poema. Resumo e análise24 cantos, um a um. Personagens18 personagens. Temas6 temas e onde aparecem. Pilar dos temasOs temas canto a canto. Símbolos6 símbolos e o que significam. CitaçõesAs passagens que decidem a história. Termos10 termos de época, explicados. Recursos literários14 recursos, com as passagens em que aparecem. MapaA obra num só desenho. DiscussõesPara discutir em aula, em grupo ou sozinho. PerguntasAs dúvidas mais comuns sobre o livro, respondidas. QuizTeste a leitura, capítulo a capítulo. InfográficoA obra numa página. Cronograma de leituraSemanas de leitura sugeridas. Caderno de estudosExercícios por semana, com gabarito. Guia em PDFO guia completo para baixar e imprimir. AutorHomero.

Ficha da obra

Autor
Homero
Título original
Ἰλιάς (Ilías)
Publicação
Poema de tradição oral, fixado por escrito por volta do século VIII a.C.
Gênero
Poema épico, em vinte e quatro cantos de hexâmetros gregos
Cenário
A planície diante de Troia, o acampamento grego junto às naus, a cidade de Troia e o Olimpo
Época
Algumas semanas do décimo ano da Guerra de Troia
Narrador
Terceira pessoa, um narrador que invoca a Musa
Protagonista
Aquiles

Sobre o autor

A história e o seu mundo

A Ilíada se passa no décimo ano da guerra que os gregos, chamados no poema de aqueus, argivos e dânaos, travam contra Troia, a cidade da Ásia Menor governada pelo velho Príamo. A causa da guerra vem de antes do poema: Páris, filho de Príamo, levou de Esparta Helena, mulher do rei Menelau, e os chefes gregos, comandados por Agamêmnon, irmão de Menelau, atravessaram o mar para trazê-la de volta. O poema não conta nem o começo nem o fim da guerra: não narra o rapto, nem o cavalo de madeira, nem a queda da cidade. A ação cobre algumas semanas e começa com uma briga dentro do próprio acampamento grego.

A briga é entre Agamêmnon, o rei que comanda o maior contingente, e Aquiles, o melhor guerreiro do exército, filho da deusa Tétis e do mortal Peleu. Num mundo em que o valor de um homem se mede pelo prêmio que os companheiros lhe dão diante de todos, Agamêmnon toma de Aquiles a cativa Briseida, e Aquiles se retira do combate. O resto do poema mostra o preço dessa retirada: os troianos, comandados por Heitor, filho de Príamo, chegam até as naus gregas; Pátroclo, o companheiro mais próximo de Aquiles, entra na luta com as armas dele e morre pelas mãos de Heitor; Aquiles volta ao campo para vingá-lo.

Os deuses estão em toda parte. Zeus decide o curso geral da guerra, Hera e Atena favorecem os gregos, Apolo e Afrodite protegem os troianos, e todos descem ao campo, disfarçados ou visíveis, para salvar um protegido ou desviar uma lança. Mesmo assim o poema não tira dos homens o peso das próprias escolhas: os deuses empurram, mas são os homens que decidem, e são eles que morrem.

O argumento que atravessa o poema

A primeira palavra do poema é "ira", e o arco da Ilíada é o arco dessa ira. Ela nasce de uma ofensa à honra, cresce até custar a vida do amigo, muda de alvo quando Aquiles volta a lutar contra Heitor e só se apaga no último canto, quando Príamo atravessa sozinho o acampamento inimigo e beija as mãos do homem que matou os seus filhos para pedir o corpo de Heitor. Os dois choram juntos, cada um os seus mortos, e Aquiles devolve o corpo.

Entre a ira do primeiro canto e a piedade do último, o poema pergunta o que vale uma vida curta. Aquiles sabe que tem dois destinos possíveis: se ficar diante de Troia, morrerá jovem e com glória; se voltar para casa, viverá muito e sem fama. A honra é a única compensação que ele espera por essa escolha, e é justamente ela que Agamêmnon lhe tira. Do outro lado, Heitor luta sabendo que a cidade vai cair, e se despede da mulher, Andrômaca, e do filho pequeno antes de voltar ao combate.

A Ilíada não tem vilões. Gregos e troianos morrem do mesmo modo, e o poema dá a cada morto um nome, uma origem e às vezes um pai que não o verá voltar. Por isso a guerra aparece ao mesmo tempo como o lugar da glória e como uma máquina de destruição, e o último canto não celebra a vitória de ninguém: termina com o funeral de Heitor.

O arco

A desonra de Aquiles por Agamêmnon, sua retirada, a morte de Pátroclo por Heitor, a vingança de Aquiles e, no fim, a devolução do corpo de Heitor ao velho Príamo, a piedade que reencontra a humanidade em meio à guerra.

O recorte é o que a Poética elogia em Homero, e o motivo que dá para chamá-lo de divino entre os poetas: não tentou compor a guerra inteira, embora ela tivesse começo e fim.

διὸ ὥσπερ εἴπομεν ἤδη καὶ ταύτῃ θεσπέσιος ἂν φανείη Ὅμηρος παρὰ τοὺς ἄλλους, τῷ μηδὲ τὸν πόλεμον καίπερ ἔχοντα ἀρχὴν καὶ τέλος ἐπιχειρῆσαι ποιεῖν ὅλον (1459a), por isso Homero pareceria divino em comparação aos outros, por não tentar compor a guerra inteira, embora ela tivesse começo e fim.
Aristóteles, Poética