Clavis Libri
ContextoA época, a origem da história e o texto. EnredoA novela inteira, do começo ao fim. Resumo e análiseQuatro noites e uma manhã, uma a uma. Personagens6 personagens. Temas5 temas e onde aparecem. Pilar dos temasOs temas noite a noite. Símbolos6 símbolos e o que significam. CitaçõesAs passagens que decidem a história. Termos10 termos de época, explicados. Recursos literários14 recursos, com as passagens em que aparecem. MapaA obra num só desenho. DiscussõesPara discutir em aula, em grupo ou sozinho. PerguntasAs dúvidas mais comuns sobre o livro, respondidas. QuizTeste a leitura, capítulo a capítulo. InfográficoA obra numa página. Cronograma de leituraSemanas de leitura sugeridas. Caderno de estudosExercícios por semana, com gabarito. Guia em PDFO guia completo para baixar e imprimir. AutorFiódor Mikhailovitch Dostoiévski.

Ficha da obra

Título original
Белые ночи (Biélye nótchi)
Publicação
1848, na revista Anais da Pátria (Otiétchestvennye zapíski)
Gênero
Novela sentimental, com o subtítulo «Romance sentimental. Das lembranças de um sonhador»
Cenário
São Petersburgo, nas noites brancas do começo do verão, no cais de um canal da parte mais afastada da cidade e no quarto do Sonhador
Narrador
Primeira pessoa: o Sonhador, que conta as quatro noites e a manhã em que viveu o encontro
Estrutura
Quatro noites e uma manhã
Protagonistas
O Sonhador e Nástienka

Sobre o autor

Cristão ortodoxo, condenado à morte e indultado no cadafalso, voltou da Sibéria crítico do socialismo que tinha abraçado e escreveu os romances em que as ideias são postas à prova na vida de quem as defende. Ler o perfil de Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

Tema central

Um homem de vinte e seis anos, sem nome, que mora há oito em São Petersburgo sem ter feito um só conhecido e vive de devaneio num quarto de teto coberto de teias, encontra numa noite de começo de verão uma moça que chora encostada à grade de um canal. Durante quatro noites os dois se veem no mesmo banco do cais: ele conta a ela a vida que não viveu, ela conta a ele o amor que espera há um ano, por um inquilino que partiu para Moscou prometendo voltar. Ele a ajuda a chamar o outro de volta, apaixona-se contra a condição que ela impôs na primeira noite, é aceito por algumas horas e perde tudo quando o outro aparece na rua. O livro não pergunta se ele vai ser amado, pergunta quanto vale um minuto de felicidade para quem só conheceu a imaginada.

A história se passa nas noites claras do começo do verão, quando a cidade se esvazia rumo às casas de campo, e é contada pelo próprio Sonhador, que escreve já sabendo o fim. Em volta dele estão Nástienka, de dezessete anos, presa ao vestido da avó cega por um alfinete; a avó, que vive dos velhos tempos; o inquilino, que só existe pela voz de Nástienka até o fim da quarta noite; Matriona, a criada sem imaginação; e, num só parágrafo, o velhinho da Fontanka, o desconhecido que o Sonhador encontra todo dia sem nunca lhe falar.

O fio que atravessa a obra

O livro não pergunta se o Sonhador vai ficar com Nástienka, pergunta o que um homem que vive de devaneio faz com um encontro real, e responde que ele o transforma em lembrança antes que termine. Na Primeira Noite, o encontro mal começou e ele já pede para voltar ao lugar só para lembrar:

Я мечтатель; у меня так мало действительной жизни, что я такие минуты, как эту, как теперь, считаю так редко, что не могу не повторять этих минут в мечтаньях, Eu sou um sonhador; tenho tão pouca vida real que momentos como este, como agora, conto-os tão raramente que não posso deixar de repeti-los em devaneio.
Primeira Noite: O encontro

Na Segunda Noite ele faz o diagnóstico de si mesmo, em terceira pessoa e com ironia, e chega ao ponto em que até a memória perdeu substância:

я уже принужден справлять годовщину своих ощущений, годовщину того, что было прежде так мило, чего в сущности никогда не бывало, já me vejo obrigado a comemorar o aniversário das minhas sensações, o aniversário do que antes era tão querido e que, no fundo, nunca aconteceu.
Segunda Noite: O sonhador e a história de Nástienka

O diagnóstico não o cura. Na Terceira Noite ele toma por ternura dirigida a ele a alegria de quem espera outro, e se diz sozinho logo depois de ela lhe prometer companhia:

О! Настенька, Настенька! Если б ты знала, в каком я теперь одиночестве!, Oh, Nástienka, Nástienka! Se você soubesse em que solidão eu estou agora!
Terceira e Quarta Noites e a Manhã: A espera e o desfecho

A Quarta Noite dá a ele, por algumas horas, a vida que só imaginava, com aluguel, pensão e criadas, e a desfaz com um homem que passa na rua e diz um nome. Nástienka também sonhava, presa ao vestido da avó pelo alfinete, mas o sonho dela tinha um rosto que podia chegar pela rua, e é a diferença entre os dois devaneios que decide o fim.

A Manhã devolve o Sonhador ao quarto e à criada, e o último devaneio dele não inventa um palácio, repete o presente:

я увидел себя таким, как я теперь, ровно через пятнадцать лет, постаревшим, в той же комнате, так же одиноким, с той же Матреной, eu me vi tal como sou agora, daqui a exatamente quinze anos, envelhecido, no mesmo quarto, tão sozinho quanto agora, com a mesma Matriona.
Terceira e Quarta Noites e a Manhã: A espera e o desfecho

E o livro termina numa pergunta, não numa sentença:

Боже мой! Целая минута блаженства! Да разве этого мало хоть бы и на всю жизнь человеческую?.., Meu Deus! Um minuto inteiro de bem-aventurança! Será isso pouco, mesmo para uma vida humana inteira?...
Terceira e Quarta Noites e a Manhã: A espera e o desfecho

A epígrafe e a última frase são a mesma pergunta feita duas vezes, um instante na vizinhança de um coração, e as duas admitem a queixa e o consolo. O livro inteiro é a lembrança escrita desse instante, e por isso não pode condenar o devaneio sem condenar a si mesmo: o Sonhador faz com as quatro noites o que fazia com tudo, e desta vez o que ele lembra aconteceu.