Clavis Libri
ContextoA época, a origem da história e o texto. EnredoA novela inteira, do começo ao fim. Resumo e análise3 blocos de capítulos, um a um. Personagens7 personagens. Temas5 temas e onde aparecem. Pilar dos temasOs temas bloco a bloco. Símbolos6 símbolos e o que significam. CitaçõesAs passagens que decidem a história. Termos12 termos de época, explicados. Recursos literários14 recursos, com as passagens em que aparecem. MapaA obra num só desenho. DiscussõesPara discutir em aula, em grupo ou sozinho. PerguntasAs dúvidas mais comuns sobre o livro, respondidas. QuizTeste a leitura, capítulo a capítulo. InfográficoA obra numa página. Cronograma de leituraSemanas de leitura sugeridas. Caderno de estudosExercícios por semana, com gabarito. Guia em PDFO guia completo para baixar e imprimir. AutorLiev Tolstói.

Ficha da obra

Título original
Смерть Ивана Ильича (Smiert Ivana Ilitchá)
Publicação
1886
Gênero
Novela
Cenário
Cidades de província e a cidade, sem nome, da Câmara Judiciária, na Rússia das décadas de 1850 a 1880, nos tribunais e na casa de um juiz
Narrador
Terceira pessoa, que abre no velório e volta à vida de Ivan Ilitch até a morte
Estrutura
Doze capítulos
Protagonistas
Ivan Ilitch e Gerássim

Sobre o autor

Conde e latifundiário, escreveu os dois grandes romances da Rússia imperial, rompeu com a Igreja Ortodoxa e com a própria ficção, e passou as últimas décadas da vida tentando viver o cristianismo sem Igreja que pregava. Ler o perfil de Liev Tolstói

Tema central

Ivan Ilitch Golovin, membro da Câmara Judiciária, morre aos quarenta e cinco anos depois de alguns meses de doença, e o livro começa pelo velório. Os colegas leem o aviso fúnebre pensando nas promoções que a vaga abre, um deles vai à missa de corpo presente e termina a noite no carteado, e só então o narrador volta ao começo e conta a vida do morto, que chama de a mais simples, a mais comum e a mais terrível. O livro não pergunta se o homem vai morrer, porque o leitor já viu o caixão: pergunta o que a morte faz ver da vida que a precedeu.

A vida contada é a de um juiz que fez tudo como os de cima consideravam correto: estudou na Escola de Jurisprudência, subiu na carreira, casou-se pelo agradável e pelo decoroso, mobiliou a casa nova como as pessoas que querem parecer ricas. A doença começa, ao que ele mesmo acredita, com uma queda banal ao pendurar cortinas. Em volta dele estão a mulher, Prascóvia Fiódorovna, a filha, Lisa, que vai casar, o filho ginasiano, Vássia, os colegas Piotr Ivánovitch e Schwartz, os médicos que discutem rim e apêndice, e o criado de copa Gerássim, o único que não mente sobre o que está acontecendo.

O fio que atravessa a obra

A novela não pergunta se Ivan Ilitch Golovin vai morrer, pergunta o que a vida correta tem a ver com a morte, e responde devagar, na ordem em que narra. O velório do primeiro capítulo mostra os vivos tratando a morte com o mesmo decoro com que o morto tratou a vida, e o narrador generaliza o que eles sentem, sem exceção. O segundo capítulo dá o juízo antes da biografia:

Прошедшая история жизни Ивана Ильича была самая простая и обыкновенная и самая ужасная, A história passada da vida de Ivan Ilitch foi a mais simples, a mais comum e a mais terrível.
Capítulos I a III: O velório e a vida

Da doença em diante, a mentira muda de lado. A técnica que Ivan Ilitch usava no tribunal, excluir o que é vivo e tratar o caso, é a do médico que discute rim e apêndice diante dele, e o decoro a que serviu a vida toda é o que transforma a agonia num incômodo a ser contornado:

Главное мучение Ивана Ильича была ложь, — та, всеми почему-то признанная ложь, что он только болен, а не умирает, O principal tormento de Ivan Ilitch era a mentira, aquela mentira, por algum motivo aceita por todos, de que ele estava apenas doente, e não morrendo.
Capítulos IV a VII: A doença e a mentira

A única exceção é Gerássim, que leva o urinol, segura as pernas do patrão noites inteiras e diz que todos vão morrer. A pergunta decisiva nasce na noite em que ele manda Gerássim sair e chora sozinho, e Ivan Ilitch a afasta por três capítulos com a mesma régua que está em julgamento:

«Может быть, я жил не так, как должно?» — приходило ему вдруг в голову. «Но как же не так, когда я делал все как следует?», Talvez eu tenha vivido não como se devia? vinha-lhe de repente à cabeça. Mas como não, se eu fiz tudo como se deve? dizia a si mesmo.
Capítulos VIII a XII: A morte

No último capítulo a defesa vira obstáculo: o que o prende no saco preto é a certeza de que a vida foi boa, e ele só passa quando a larga e sente pena do filho e da mulher.

Пролезть же ему мешает признанье того, что жизнь его была хорошая., O que o impede de passar é o reconhecimento de que a sua vida foi boa.
Capítulos VIII a XII: A morte
Он искал своего прежнего привычного страха смерти и не находил его. Где она? Какая смерть? Страха никакого не было, потому что и смерти не было. Вместо смерти был свет., Ele procurou o seu medo habitual da morte, o de antes, e não o encontrou. Onde ela está? Que morte? Não havia medo nenhum, porque também não havia morte. Em lugar da morte havia luz.
Capítulos VIII a XII: A morte

A queda da escada do capítulo III pode ser lida como eco da primeira queda do Gênesis.

Os três tempos da mentira: Ivan Ilitch mente aos outros e a si do capítulo II ao capítulo III, sofre a mentira dos outros do capítulo IV ao capítulo VIII, e deixa de mentir a si mesmo no capítulo XI e no capítulo XII. A pena dos outros, que ele queria receber como criança no capítulo VII, só o liberta quando ele a dá.