Clavis Libri
ContextoA época, a origem da história e o texto. EnredoO livro inteiro, do começo ao fim. Resumo e análise9 blocos de capítulos, um a um. Personagens14 personagens. Temas7 temas e onde aparecem. Pilar dos temasOs temas bloco a bloco. Símbolos5 símbolos e o que significam. CitaçõesAs passagens que decidem a história. Termos10 termos de época, explicados. Recursos literários15 recursos, com as passagens em que aparecem. MapaA obra num só desenho. DiscussõesPara discutir em aula, em grupo ou sozinho. PerguntasAs dúvidas mais comuns sobre o livro, respondidas. QuizTeste a leitura, capítulo a capítulo. InfográficoA obra numa página. Cronograma de leituraSemanas de leitura sugeridas. Caderno de estudosExercícios por semana, com gabarito. Guia em PDFO guia completo para baixar e imprimir. AutorAluísio Azevedo.

Ficha da obra

Publicação
Em livro em 1890, no Rio de Janeiro
Gênero
Romance naturalista
Cenário
Botafogo, no Rio de Janeiro
Época
O Segundo Reinado, nos anos que antecedem a abolição da escravatura
Narrador
Terceira pessoa, onisciente e distante, que observa o cortiço como um organismo
Protagonista
João Romão, vendeiro português, e o próprio cortiço

Sobre o autor

Romancista maranhense, nome central do naturalismo brasileiro, autor de O Mulato, Casa de Pensão e O Cortiço. Ler o perfil de Aluísio Azevedo

Tema central

Um vendeiro português de Botafogo junta dinheiro privando-se de tudo, toma para si as economias de uma quitandeira escrava, levanta com pedra furtada e trabalho alheio uma estalagem de casinhas e tinas para lavadeiras, e o livro acompanha, ao mesmo tempo, a subida dele e a vida da multidão que mora no cortiço: lavadeiras, cavouqueiros, capoeiras, uma moça que espera a puberdade para casar, um colono português que a terra transforma. O que faz o livro durar é o modo como o narrador olha essa gente, como um organismo que acorda, fermenta, se arma, arde e se refaz, e como o dinheiro do dono corre por baixo de tudo, da água das tinas ao aluguel dos cômodos. No fim, o cortiço virou avenida, o vendeiro vai casar com a filha do vizinho rico e a mulher que o ajudou a subir é devolvida ao antigo senhor no mesmo instante em que chega a ele um diploma de abolicionista.

A ação se passa no Rio de Janeiro, no bairro de Botafogo, a partir dos anos 1870, quando a escravidão ainda era legal e o movimento abolicionista, diz o narrador, começava a se formar em torno da Lei do Ventre Livre, de 1871 (capítulo II). Ao lado da venda de João Romão fica o sobrado de Miranda, negociante português que despreza o vizinho e o inveja (capítulo II), e entre os dois cresce a estalagem que dá nome ao livro.

O fio que atravessa a obra

Três fios atravessam o romance de ponta a ponta, e cada um se acompanha pelos capítulos em que aparece.

O primeiro é a subida de João Romão. Ele vive de privações, apropria-se das economias de Bertoleza e lhe lê uma carta de liberdade que ele mesmo forjou (capítulo I); levanta as casinhas com pedra furtada e aluga casinhas e tinas às lavadeiras (capítulo I); recusa-se a pagar o dote que prometera a Florinda (capítulo X). O título do vizinho lhe mostra o que lhe falta (capítulo X), e ele muda de roupa, de hábitos e de ambição, ajustando com Botelho o caminho até Zulmira (capítulo XIII). O incêndio lhe dá as garrafas de dinheiro de Libório e um cortiço segurado (capítulo XVIII), e o sobrado mais alto que o de Miranda (capítulo XIX, capítulo XX). Com o casamento decidido, Bertoleza é o que sobra do passado (capítulo XXI), e ele a devolve ao antigo senhor (capítulo XXIII).

Aquilo já não era ambição, era uma moléstia nervosa, uma loucura, um desespero de acumular; de reduzir tudo a moeda
Capítulos I a II: O cortiço de João Romão e a casa de Miranda

O segundo é o cortiço como um organismo vivo. Nasce da lama como larvas no esterco (capítulo I), acorda às cinco da manhã com as portas e janelas abrindo-se como olhos (capítulo III), une-se num círculo de ferro contra a polícia (capítulo X, capítulo XI), divide-se em carapicus e cabeças-de-gato (capítulo XIII), arma-se numa batalha que o fogo interrompe (capítulo XVII) e se refaz, limpo e caiado, como Avenida São Romão (capítulo XX), até se aristocratizar e empurrar a pobreza para o cortiço rival (capítulo XXII).

E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, e multiplicar-se como larvas no esterco
Capítulos I a II: O cortiço de João Romão e a casa de Miranda

O terceiro é a transformação de Jerônimo. O cavouqueiro chega de Portugal sério, econômico, com a alma de desterrado voltada para a aldeia (capítulo V), e é o chorado de Rita Baiana que lhe revela a terra que o acolhe (capítulo VII). Doente, é tratado por ela (capítulo VIII) e, aos poucos, troca os hábitos de aldeão pelos da terra (capítulo IX), até matar Firmo para ficar com a mulata (capítulo XV) e deixar Piedade, que desce de lavadeira cuidadosa a bêbada da roda (capítulo XX, capítulo XXII).

pouco a pouco, se foram reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão português: e Jerônimo abrasileirou-se
Capítulos VIII a IX: Jerônimo, Leocádia e o escândalo de Florinda