Clavis Libri
ContextoA época, a origem da história e o texto. EnredoO livro inteiro, do começo ao fim. Resumo e análise7 partes, uma a uma. Personagens11 personagens. Temas7 temas e onde aparecem. Pilar dos temasOs temas parte a parte. Símbolos6 símbolos e o que significam. CitaçõesAs passagens que decidem a história. Termos11 termos de época, explicados. Recursos literários14 recursos, com as passagens em que aparecem. MapaA obra num só desenho. DiscussõesPara discutir em aula, em grupo ou sozinho. PerguntasAs dúvidas mais comuns sobre o livro, respondidas. QuizTeste a leitura, capítulo a capítulo. InfográficoA obra numa página. Cronograma de leituraSemanas de leitura sugeridas. Caderno de estudosExercícios por semana, com gabarito. Guia em PDFO guia completo para baixar e imprimir. AutorFiódor Mikhailovitch Dostoiévski.

Ficha da obra

Título original
Преступление и наказание (Prestuplénie i nakazánie)
Publicação
1866, em folhetim no Mensageiro Russo; em livro em 1867
Gênero
Romance psicológico e filosófico
Cenário
São Petersburgo, em volta da praça Siénnaia, num julho da década de 1860; no epílogo, um presídio na Sibéria
Narrador
Terceira pessoa, colado a Raskólnikov e, por trechos, a outras personagens
Estrutura
Seis partes e um epílogo, 41 capítulos
Protagonistas
Raskólnikov e Sônia

Sobre o autor

Cristão ortodoxo, condenado à morte e indultado no cadafalso, voltou da Sibéria crítico do socialismo que tinha abraçado e escreveu os romances em que as ideias são postas à prova na vida de quem as defende. Ler o perfil de Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

Tema central

Um ex-estudante pobre de São Petersburgo, Rodion Românovitch Raskólnikov, mata a machadadas uma velha penhorista e a irmã dela, que chega na hora errada, para provar a si mesmo uma teoria: a de que os homens extraordinários têm o direito de transpor a lei moral quando a ideia deles o exige. O livro não pergunta se ele vai ser pego, pergunta o que o crime faz com quem o cometeu. A polícia não tem prova, e o cerco é feito pela consciência dele, pelo juiz de instrução que o entende antes de qualquer evidência e por uma moça que se prostitui para sustentar a família e lê para ele a ressurreição de Lázaro. A teoria cai antes do castigo, e o castigo verdadeiro não é a Sibéria.

A história se passa num mês de julho de calor sufocante, em meados da década de 1860, nas ruas em volta da praça Siénnaia, o bairro mais pobre da capital, e termina num presídio às margens de um rio siberiano. Em volta de Raskólnikov estão a família que se sacrifica por ele (a mãe e a irmã Dúnia, prometida a um advogado que a quer pobre para tê-la grata), o amigo Razumíkhin, a família de um funcionário bêbado, Marmieládov, cuja filha é Sônia, e um proprietário de má fama, Svidrigáilov, que persegue Dúnia e se descobre parecido demais com ele.

O fio que atravessa a obra

O romance não pergunta se Rodion Românovitch Raskólnikov vai ser pego, pergunta o que decide um homem a agir, e responde que não é a razão sozinha. Ele chega à primeira página com a teoria pronta e o crime ruminado na cabeça há um mês, e mesmo assim precisa de uma cadeia de coincidências para que o corpo execute o que a razão já havia decidido.

Точно он попал клочком одежды в колесо машины, и его начало в нее втягивать., Era como se tivesse prendido um pedaço da roupa na roda de uma máquina, e ela começasse a puxá-lo para dentro.
Primeira Parte: O crime

Da segunda parte em diante a ordem se inverte: o corpo entrega o que a mente ainda defende. Ele esconde os objetos, delira o crime em voz alta, volta ao lugar onde matou, e escapa por acaso, não por método.

A terceira parte é onde a teoria enfim se enuncia em público, no artigo e no interrogatório, e o teste já contém o veredito: ele sustenta a tese em abstrato, com Napoleão e Licurgo, e recua diante da consequência concreta. Antes disso, Razumíkhin já tinha dito contra os socialistas o que o livro inteiro vai mostrar:

Живая душа жизни потребует, живая душа не послушается механики, живая душа подозрительна, живая душа ретроградна!, A alma viva vai pedir vida, a alma viva não vai se submeter à mecânica, a alma viva é desconfiada, a alma viva é retrógrada!
Terceira Parte: A teoria

A quinta parte desfaz a leitura fácil de que a confissão nasce de arrependimento. Ele confessa porque não aguenta mais estar sozinho com a teoria, e o que pede a Sófia Semeónovna Marmieládova não é perdão.

мне надо было узнать тогда, и поскорей узнать, вошь ли я, как все, или человек? Смогу ли я переступить или не смогу! Осмелюсь ли нагнуться и взять или нет? Тварь ли я дрожащая или право имею…, eu precisava saber então, e saber depressa: sou um piolho, como todos, ou um homem? Vou conseguir transpor ou não vou! Ouso me abaixar e pegar ou não? Sou uma criatura trêmula ou tenho o direito…
Quinta Parte: A confissão

A sexta parte põe as duas respostas possíveis lado a lado, e é o desenho mais limpo do livro: Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov, que nunca teve teoria nenhuma e só apetite, e Sônia, que nunca teve teoria e só o outro. O primeiro se mata; o segundo caminho leva à praça.

O cerco que atravessa a metade do livro é conduzido por Porfiri Pietróvitch sem uma única prova material, e é essa escassez deliberada que impede o romance de resolver a própria pergunta por via policial.

Contra a leitura de que a miséria explica o crime, o livro mantém em cena, desde a Primeira Parte, Dmitri Prokófitch Razumíkhin, que tem a mesma pobreza e a mesma faculdade interrompida e não chega à mesma conclusão.

E o epílogo não resolve a teoria, suspende. Até a penúltima página Raskólnikov não se arrepende do assassinato: ele se envergonha de ter falhado.

он не раскаивался в своем преступлении, ele não se arrependia de seu crime.
Epílogo: A ressurreição

Os três degraus da mesma escada, que as fichas de personagem separam: Piotr Pietróvitch Lújin tem a teoria sem grandeza nenhuma, Raskólnikov tem a teoria e a grandeza, e Svidrigáilov não tem teoria alguma, só apetite.