Clavis Libri · Caderno de estudos
William Shakespeare
Um caderno para ler o livro em 2 semanas: o que aconteceu, os temas, as citações, as questões e as perguntas para pensar.
Leia os capítulos da semana e depois responda à seção dela. Cada exercício tem um número; no fim do caderno, o gabarito traz a resposta com o mesmo número.
As perguntas "para discutir" não têm resposta certa: servem para pensar e conversar. As questões de múltipla escolha e a identificação das citações têm.
Semana 1 · Ato I: O Espectro e a ordem de vingança a Ato III: A Ratoeira e a morte de Polônio
Ao ler, observe: Repare em como Hamlet hesita, e em como finge para descobrir a verdade.
Quem está aí?
Ora essa! Um rato?
Por que Cláudio faz questão de que Hamlet não volte a Wittenberg, enquanto deixa Laertes partir para a França?
Por que a rainha não vê o Espectro, que Hamlet vê tão claramente neste quarto?
Semana 2 · Ato IV: Exílio, loucura e armadilha a Ato V: Cemitério e duelo
Ao ler, observe: Repare no que as escolhas de cada um acabam custando aos outros.
O corpo está com o rei, mas o rei não está com o corpo.
Que quatro capitães Carreguem Hamlet, como soldado, à tribuna; Pois ele prometia, se posto no trono, Provar-se digno de reinar.
Hamlet diz que o rei é uma coisa feita de nada: de que rei ele está falando?
O que muda entre o que Hamlet diz de si na planície, no Ato IV, e o que diz a Horácio antes do duelo?
Depois de ler o livro inteiro
Para cada personagem, diga quem é e como muda do começo ao fim do livro.
| Personagem | Quem é | Como muda |
|---|---|---|
| P1 Hamlet | ||
| P2 Cláudio | ||
| P3 Gertrudes | ||
| P4 Polônio | ||
| P5 Ofélia | ||
| P6 Laertes |
Para cada tema, anote dois ou três momentos do livro em que ele aparece e escreva, em poucas linhas, o que o livro diz sobre ele.
Perguntas sobre a obra inteira. Escolha uma e responda num texto de 20 a 30 linhas.
O que o texto estabelece sobre a natureza do Espectro, e o que a peça deixa em aberto de propósito?
Se a fala final é de Fortimbrás, o que muda no julgamento sobre o heroísmo de Hamlet?
Ofélia mudaria o veredito sobre Hamlet? Rompida com ele por ordem do pai, é rejeitada por ele na cena 1 do Ato III e perde o pai, morto pelo príncipe, e a peça não encena a morte dela, só a narra pela boca de Gertrudes.
Horácio sobrevive e recebe o encargo de contar a história de Hamlet: o que o texto mostra dele que explique essa escolha?
Palavras do livro que podem travar a leitura, explicadas. Para consultar quando aparecerem.
Elsinore. Nome inglês de Helsingør, cidade da Dinamarca no extremo nordeste da ilha da Zelândia, junto ao estreito de Øresund. A fortaleza da cidade é o castelo de Kronborg, reconstruído entre 1574 e 1585 sob Frederico II. Shakespeare dá ao castelo da peça o nome da cidade, que o público inglês já associava à Dinamarca.
Wittenberg. Cidade alemã cuja universidade foi fundada em 1502 por Frederico, o Sábio, eleitor da Saxônia, para difundir o humanismo renascentista. Lutero foi professor ali, e a instituição se tornou um centro da Reforma Protestante. Na peça, é a universidade que Hamlet frequenta, longe da corte dinamarquesa.
Melancolia. Na medicina antiga, que ainda dominava o pensamento médico no tempo de Shakespeare, o corpo tinha quatro humores: sangue, bile amarela, bile negra e fleuma, segundo Hipócrates e Galeno. A palavra vem do grego "bile negra". O temperamento melancólico era descrito como sério, introvertido e cauteloso, e propenso à depressão e a oscilações de humor.
Arrás. Tapeçaria imensa e pesada, pendurada do teto ao chão, com desenhos coloridos, usada nas paredes de pedra dos castelos para isolar o frio. Entre a parede e o tecido sobrava espaço para caber uma pessoa. O nome vem de Arras, cidade francesa famosa no século XIV por suas tapeçarias, e passou a designar tapeçarias em geral.
Primeiro Quarto. Quarto é o formato de livro em que a folha de impressão é dobrada duas vezes, dando quatro folhas e oito páginas, comum na época elisabetana para publicar peças avulsas. Hamlet saiu em 1603 no Primeiro Quarto, bem mais curto, e em 1604 no Segundo Quarto, de quase o dobro do tamanho e base das edições modernas.
Fólio. Formato de livro em que a folha de impressão é dobrada uma só vez, formando duas folhas e quatro páginas, caro e usado em edições de prestígio. O Primeiro Fólio, de 1623, reuniu 36 peças de Shakespeare, organizadas por dois ex-sócios, John Heminges e Henry Condell, sete anos após a morte dele. Traz uma versão de Hamlet que difere da dos quartos.
Enterro cristão. Sepultamento com os ritos da Igreja. A doutrina cristã via no suicídio um pecado, porque a vida pertence a Deus, e quem se matava podia ser privado do enterro cristão e da missa. Na Inglaterra de Shakespeare, o suicida podia perder também os bens, o que gerou disputas judiciais, como a de 1561.
Providência. Na teologia cristã, o cuidado e o governo de Deus sobre o mundo, de modo que nada acontece sem a vontade divina. A imagem do pardal vem do Evangelho de Mateus (10:29): nenhum pardal cai na terra sem a vontade do Pai. A passagem é citada na teologia reformada para afirmar que nada no mundo ocorre à margem de Deus.
Gabarito
A peça abre com uma pergunta, feita no escuro das muralhas de Elsinore, à meia-noite, por uma sentinela que chega para assumir o turno. Em volta há frio e medo. Bernardo e Marcelo já viram duas vezes uma aparição, e Horácio, trazido para conferir, não acredita nela. Pouco depois surge o Espectro, com o rosto e a armadura do rei morto, e some sem responder a Horácio. Em sentido literal, a frase é só o chamado de um vigia que não enxerga quem se aproxima.
Mesmo assim ela funciona como um programa. Antes de qualquer enredo, a peça coloca em cena o problema que vai sustentá-la: ninguém ali sabe ao certo quem é quem, nem o que cada figura quer. O Espectro tem o rosto do rei, mas não se sabe o que ele traz. Mais adiante, no Ato II, o próprio Hamlet dirá que o espírito pode ser o demônio com um rosto querido, e a dúvida sobre a verdade da acusação segura a ação por muito tempo.
Pode-se ler a pergunta como um mote que volta sob outras formas. Cláudio se apresenta como um rei sereno e esconde um crime, Hamlet vai fingir uma loucura, os amigos de infância farão papel de espiões, e a corte inteira vive de aparências. Quem está aí, de fato, por trás de cada rosto? A frase é dita à noite e não tem resposta imediata, e essa falta de resposta é o clima em que o primeiro ato inteiro acontece.
No quarto da rainha, Polônio se esconde atrás da tapeçaria para ouvir a conversa de mãe e filho. Hamlet confronta Gertrudes até ela gritar por socorro. Ao ouvir Polônio se agitar atrás da cortina, o príncipe saca a espada e diz esta frase curta. Atravessa o pano com um golpe, convencido de que acabou de matar o rei. O que cai é o corpo de Polônio, o velho conselheiro, que não conseguiu sair do esconderijo.
Quando Hamlet enfim age sem pensar, o resultado é a morte de alguém que não era o culpado. A frase mostra a diferença entre o príncipe que hesitava e o que, de repente, ataca sem checar nada. Depois de poupar Cláudio rezando, ele mata a pessoa errada. A peça junta a hesitação e a precipitação no mesmo personagem, e a ironia é amarga: o gesto que deveria cumprir a vingança produz um novo crime e uma nova vítima.
A palavra rato liga a cena à armadilha da peça encenada. A Ratoeira prendeu o rei, mas o primeiro bicho apanhado é o espião que se escondia. Pode-se ler que a imagem do rato resume a vigilância em cadeia que domina o ato: todos escondidos, todos observando, e quem morre é o espião. A morte de Polônio também tem consequências adiante: Cláudio, que já planejava a viagem, passa a ter pressa em embarcar Hamlet para a Inglaterra, Laertes volta da França e Ofélia perde o pai pela mão do homem que ela amava.
1.10 a 1.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Hamlet escondeu o corpo de Polônio e não diz onde. Rosencrantz e Guildenstern, os amigos de infância que viraram espiões do rei, o interpelam e querem levá-lo à presença de Cláudio. Ele responde por enigmas, diz que misturou o corpo ao pó de onde veio e chama Rosencrantz de esponja que o rei espreme quando precisa. A frase sobre o corpo e o rei é uma das mais enigmáticas da peça, e o diálogo segue com Hamlet chamando o rei de uma coisa feita de nada.
A sentença é intencionalmente ambígua. O corpo de que se fala é, em primeiro nível, o de Polônio, e os dois amigos não percebem o resto. Mas Hamlet usa a frase como plataforma para outra ideia, e nada no texto resolve qual. Pode-se ler que ele chama de rei o próprio Deus, com quem o morto estaria, ou que fala de Cláudio: o corpo do usurpador ocupa o trono, mas a realeza de verdade não está nele, e por isso o rei seria uma coisa feita de nada. O texto aceita leituras diferentes, e esse é o modo de Hamlet falar quando finge loucura.
O que a cena mostra com clareza é a postura dele diante dos espiões. Ele os trata com desprezo, recusa-se a ser instrumento e transforma a conversa em jogo de palavras. A loucura calculada dá a ele a licença de dizer o que não poderia dizer de outro modo, e Rosencrantz e Guildenstern não têm como responder. Na segunda leitura, a frase liga a cena à corrupção do trono: o rei que deveria zelar pelo reino aparece como uma figura vazia. Quanto à resposta exata, a peça deixa que o espectador escolha.
Hamlet morreu, e o salão do castelo está cheio de corpos: a rainha, Laertes, o rei, o príncipe. Chega Fortimbrás, conquistador de volta da Polônia, e reclama direitos sobre o reino. Horácio se oferece para contar o que aconteceu, e Fortimbrás concorda em ouvir. Em seguida manda que quatro capitães levem Hamlet, como soldado, à tribuna, e justifica: se tivesse subido ao trono, ele teria se mostrado digno de reinar. Ordena também música militar e ritos de guerra para honrá-lo.
A fala final da peça é de Fortimbrás, e isso pesa no julgamento sobre Hamlet. Quem o elogia é o outro filho com um pai a vingar, aquele que agiu sem hesitar e que agora reivindica a Dinamarca. O elogio tem um ar de respeito, mas vem de quem chega como vencedor, e a peça mostra o preço: a família real morreu inteira e o trono parece ir para um estrangeiro. Pode-se ler que a justiça foi alcançada a um custo enorme, e a homenagem ao príncipe soa também como um balanço do que se perdeu.
Pode-se ler que a frase diz uma coisa sobre Hamlet que ele mesmo não teve tempo de provar. A peça mostra um príncipe que hesita, erra, mata Polônio por engano, e ainda assim, para quem chega de fora, prometia ser um bom rei. Isso mantém aberta a pergunta sobre o heroísmo dele. Se Fortimbrás tem razão, a tragédia é também a de um governante que a Dinamarca não chegou a conhecer. Se o elogio é só cortesia de quem reivindica o trono, a pergunta fica ainda mais difícil de responder.
2.10 a 2.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Hamlet é o príncipe da Dinamarca, filho do rei morto e de Gertrudes, sobrinho e enteado de Cláudio. É estudante em Wittenberg, que o rei quer manter em Elsinore, e está de luto pelo pai quando a corte já festeja o casamento da mãe. Ao receber de O Espectro a ordem de vingar o assassinato, passa a peça entre o fingimento de loucura, a dúvida sobre o que o espectro realmente é, a busca de uma prova e o adiamento do golpe, até que a vingança se cumpre quando a sua própria vida já está perdida. Morre no duelo, depois de matar Cláudio, e deixa a Fortimbrás o trono e a Horácio o encargo de contar a sua história.
Como muda
Na cena 2 do Ato I, Cláudio lhe pede que abandone o luto e fique em Elsinore, sem voltar a Wittenberg, e a rainha insiste. Hamlet cede só à mãe, e sozinho lamenta a pressa do casamento. A distância entre o que sente e o que mostra já está no que ele responde à corte:
Na cena 4 do Ato I, na muralha, ele segue o Espectro, e puxa a espada para que os amigos o deixem livre. Na cena 5 do Ato I, ouve o pai revelar o veneno despejado no ouvido no pomar e jura lembrar. Faz Horácio e Marcelo jurarem silêncio sobre a espada, com a voz do Espectro ecoando do subterrâneo, e pede que não denunciem o seu fingimento futuro.
Na cena 1 do Ato II, aparece a Ofélia desgrenhado, aperta-lhe o pulso, suspira e sai sem tirar os olhos dela. Na cena 2 do Ato II, zomba de Polônio, arranca de Rosencrantz e Guildenstern a confissão de que foram chamados, pede aos atores a fala sobre Pirro e Príamo e a peça O assassinato de Gonzago. Sozinho, censura a própria inação e decide testar o rei pelo teatro.
Na cena 1 do Ato III, fala sozinho sobre viver e morrer e depois trata Ofélia com dureza, mandando-a para um convento. Na cena 2 do Ato III, pede a Horácio que vigie o rosto do rei durante a cena do envenenamento, e a reação de Cláudio o convence da culpa. Na cena 3 do Ato III, encontra o rei de joelhos, ergue a espada e desiste: matá-lo rezando seria mandá-lo ao céu. Na cena 4 do Ato III, atravessa a cortina com a espada, convencido de que mata o rei, e mata Polônio. Depois censura a mãe diante dos retratos dos dois maridos, vê o Espectro, que só ele vê, e sai arrastando o corpo.
No Ato IV ele está sempre a caminho de outro lugar. Na cena 2 do Ato IV e na cena 3 do Ato IV, responde por enigmas sobre o corpo de Polônio e é embarcado para a Inglaterra. Na cena 4 do Ato IV, encontra o exército de Fortimbrás e se censura a sós:
Na cena 6 do Ato IV, a carta a Horácio conta que um navio pirata atacou o seu, que ele foi o único tomado prisioneiro e que os piratas o trataram com generosidade.
Na cena 1 do Ato V, no cemitério, pensa na morte que iguala poderosos e mendigos e, ao saber pelo coveiro que uma das caveiras é a de Yorick, o bobo do pai, fica abalado. Quando Laertes salta na cova de Ofélia, revela-se e pula atrás dele, e os dois lutam. Na cena 2 do Ato V, conta a Horácio que trocou no navio a carta que ordenava a sua morte por outra, que condena Rosencrantz e Guildenstern. Ao responder a Horácio antes do duelo, a posição é outra:
Ferido pela espada envenenada, Hamlet crava a lâmina em Cláudio e o faz beber o vinho, pede a Horácio que conte a sua história, ouve os canhões de Fortimbrás, indica-o como sucessor, diz que o resto é silêncio e morre.
Cláudio é o rei da Dinamarca, irmão do rei morto, casado com a viúva Gertrudes e tio e padrasto de Hamlet. Segundo O Espectro, matou o irmão com veneno despejado no ouvido no pomar e seduziu a rainha. Reina com discurso medido e o Conselho a seu lado, mantém o sobrinho perto e vigiado, e confessa o crime em cena só quando está sozinho e tenta rezar.
Como muda
Na cena 2 do Ato I, anuncia o casamento com Gertrudes, envia emissários à Noruega e deixa Laertes voltar à França. Pede a Hamlet que abandone o luto e fique em Elsinore, e a rainha insiste. Lacerda lê essa cena, a corte reunida do Ato I, cena 2, com Cláudio em vantagem: o sobrinho mantido no castelo, perto e vigiado.
Na cena 2 do Ato II, chama Rosencrantz e Guildenstern, com Gertrudes, para sondar Hamlet, e ouve de Voltimand e Cornélio as notícias da Noruega e de Polônio a tese de que o príncipe enlouqueceu de amor. Na cena 1 do Ato III, esconde-se com Polônio para espiar o encontro de Hamlet com Ofélia, vê que não é amor e decide enviá-lo à Inglaterra.
Na cena 2 do Ato III, na Ratoeira, vê reproduzido o seu crime: o ator derrama o veneno no ouvido do rei adormecido. Levanta-se, manda acender as luzes e sai. Na cena 3 do Ato III, sozinho, confessa o assassinato do irmão e tenta rezar, mas não consegue enquanto conserva a coroa e a rainha.
Na cena 1 do Ato IV, ouve de Gertrudes a morte de Polônio, vê na liberdade do enteado uma ameaça a todos e decide embarcá-lo. Na cena 3 do Ato IV, explica aos conselheiros que não pode puni-lo pela lei, porque o povo o ama, e revela, sozinho, que as cartas ao rei inglês exigem a morte do príncipe. Na cena 5 do Ato IV, acalma Laertes, que invade o castelo à frente de uma turba que o aclama rei.
Na cena 7 do Ato IV, chega uma carta de Hamlet anunciando a volta, e o rei conduz Laertes ao plano do duelo: uma espada sem proteção, à qual o próprio Laertes acrescenta o veneno da ponta, e um cálice envenenado de reserva, que é ideia de Cláudio. Para isso o rei usa esta lógica:
Na cena 2 do Ato V, o desafio chega por Osric. Gertrudes bebe o vinho envenenado, Laertes é ferido pela própria lâmina e acusa o rei, e Hamlet crava a lâmina nele e depois o faz beber o vinho envenenado.
Gertrudes é a rainha da Dinamarca, mãe de Hamlet, viúva do rei morto e esposa de Cláudio, irmão dele. É a figura sobre a qual a peça diz menos e, por isso, mais se discute: o quanto ela sabe do crime fica em aberto. O Espectro pede a Hamlet que a poupe, e ela atravessa a peça entre o marido e o filho, e Lacerda a vê protegendo o filho, até beber, no fim, o cálice que o rei preparou para ele.
Como muda
Na cena 2 do Ato I, aparece ao lado de Cláudio na corte e insiste com Hamlet para que fique em Elsinore. Na cena 5 do Ato I, o Espectro, ao pedir vingança, pede também que ela seja poupada: Cláudio, diz o Espectro, a seduziu, mas o filho não deve tocá-la.
Na cena 2 do Ato II, chama Rosencrantz e Guildenstern com Cláudio para sondar o príncipe. Na cena 1 do Ato III, ouve dos dois que não descobriram a causa do estado dele. Polônio sugere que a rainha o confronte depois da peça, e na cena 2 do Ato III os mesmos amigos trazem o chamado dela, que Hamlet recebe zombando.
Na cena 4 do Ato III, no quarto, Hamlet a confronta até ela gritar por socorro, e ao ouvir Polônio se agitar atrás da tapeçaria atravessa a cortina. Depois a censura diante dos retratos dos dois maridos, e o Espectro reaparece, visível só para o filho.
Na cena 1 do Ato IV, transtornada, conta a Cláudio que Hamlet matou Polônio ao golpear o arrás, e diz que o filho chora pelo que fez, o que Lacerda lê como proteção a ele. Na cena 5 do Ato IV, recebe Ofélia enlouquecida, a pedido de Horácio. Na cena 7 do Ato IV, é ela quem entra e conta que Ofélia se afogou num riacho, ao cair de um galho. Na cena 2 do Ato V, bebe o vinho envenenado no duelo.
Polônio é o conselheiro do rei, pai de Laertes e de Ofélia. Perde-se no meio das próprias instruções, e a peça o mostra sempre num esconderijo: manda espionar o filho em Paris, se esconde para ouvir a filha com o príncipe e acaba atrás da tapeçaria do quarto da rainha, onde morre, golpeado por Hamlet, que o toma por Cláudio.
Como muda
Na cena 3 do Ato I, despede-se de Laertes com uma lista de preceitos de conduta, e depois interroga a filha sobre o príncipe: chama as juras dele de moeda falsa e proíbe qualquer nova conversa. Ofélia obedece.
Na cena 1 do Ato II, dá dinheiro a Reinaldo e o manda a Paris investigar Laertes por meio de pequenas calúnias, e se perde no meio das próprias instruções. Ofélia entra assustada, contando o aspecto do príncipe, e Polônio conclui que é loucura de amor, lamenta ter desconfiado dele e corre a contar ao rei.
Na cena 2 do Ato II, anuncia os mensageiros da Noruega, traz a Cláudio e a Gertrudes uma carta de amor do príncipe e propõe espiá-lo com Ofélia. Hamlet zomba dele. Na cena 1 do Ato III, esconde-se com o rei para ouvir Hamlet e Ofélia e sugere que a rainha o confronte depois da peça. Na cena 2 do Ato III, confirma o chamado dela. Na cena 3 do Ato III, avisa que vai se esconder no quarto da rainha.
Na cena 4 do Ato III, é o esconderijo que o mata: ao ouvi-lo se agitar atrás do arrás, Hamlet atravessa a cortina com a espada, convencido de que mata o rei. Na cena 3 do Ato IV, Hamlet diz que ele está numa ceia, comido por vermes. Na cena 5 do Ato IV, Cláudio admite que ele foi enterrado em segredo e que Laertes voltou da França.
Ofélia é a filha de Polônio e irmã de Laertes, e a moça que Hamlet cortejou. Obedece ao pai e ao irmão sem discutir, devolve as cartas e recusa as visitas por ordem de Polônio, é usada como isca no encontro armado e perde o pai, morto pelo príncipe. Enlouquece, canta e distribui flores no Ato IV, e morre afogada num riacho, ao cair de um galho.
Como muda
Na cena 3 do Ato I, Laertes lhe diz que o amor do príncipe é passageiro e que um herdeiro não escolhe por si, e Polônio, o pai, chama as juras de moeda falsa e proíbe qualquer nova conversa. Ofélia obedece.
Na cena 1 do Ato II, entra assustada para contar ao pai que o príncipe apareceu desgrenhado, apertou-lhe o pulso, suspirou e saiu sem tirar os olhos dela. Diz que, por ordem dele, devolveu as cartas e recusou as visitas. Na cena 1 do Ato III, é posta diante de Hamlet com o rei e Polônio escondidos, ouve dele a dureza e a ordem de ir para um convento, e Cláudio conclui que não é amor.
Na cena 5 do Ato IV, semanas depois, é recebida por Gertrudes, enlouquecida, cantando sobre o pai morto e o amor perdido. Reaparece com flores e canções, e Laertes, abalado, aceita ouvir o rei.
Na cena 7 do Ato IV, Gertrudes conta que ela se afogou num riacho, ao cair de um galho. Na cena 1 do Ato V, dois coveiros discutem se um suicídio merece enterro cristão, e o cortejo chega sem os ritos plenos. Laertes salta na cova, e Hamlet se revela.
Laertes é o filho de Polônio e irmão de Ofélia. Parte para a França com a licença do rei e, quando a morte do pai o traz de volta, reúne uma turba que o aclama rei e invade o castelo, e é em seguida enredado por Cláudio num duelo com a espada envenenada. É o filho que também quer vingar o pai, e a peça o faz espelho de Hamlet.
Como muda
Na cena 2 do Ato I, Cláudio o deixa voltar à França. Na cena 3 do Ato I, antes de embarcar, avisa Ofélia de que o amor do príncipe é passageiro e de que um herdeiro não escolhe por si, e recebe do pai a lista de preceitos de conduta. Na cena 1 do Ato II, é objeto da vigilância de Polônio, que manda Reinaldo investigá-lo em Paris.
Na cena 5 do Ato IV, invade o castelo à frente de uma turba que o aclama rei e exige o pai. O rei o acalma, mas Ofélia reaparece com flores e canções e Laertes, abalado, aceita ouvi-lo. Na cena 7 do Ato IV, deixa-se conduzir por Cláudio ao plano do duelo: uma espada sem proteção, à qual ele mesmo acrescenta o veneno da ponta.
Na cena 1 do Ato V, no cemitério, salta na cova de Ofélia, e Hamlet se revela e pula atrás dele; os dois lutam até serem separados. Na cena 2 do Ato V, fere Hamlet com a espada envenenada e, trocadas as armas, é ferido pela própria lâmina. Acusa o rei antes de morrer.
Fechamento: perguntas abertas, sem gabarito.