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Símbolo

A caveira de Yorick

O que é

A caveira que o coveiro tira da terra ao cavar a cova de Ofélia, na cena 1 do Ato V. É de Yorick, o bobo da corte do rei Hamlet, pai do príncipe, enterrado havia vinte e três anos; o coveiro a reconhece porque Yorick, uma vez, lhe derramou uma garrafa de vinho do Reno na cabeça. Hamlet, que conheceu Yorick quando menino, toma a caveira nas mãos e fala com ela diante de Horácio.

Onde aparece

Na cena 1 do Ato V, antes de saber para quem é a cova, Hamlet vê o coveiro jogar caveiras para fora e imagina de quem eram: de um político, de um cortesão, de um advogado. Quando sabe que uma delas é de Yorick, a morte deixa de ser assunto e vira lembrança de alguém que o carregou nas costas mil vezes.

Oh, pobre Yorick! Eu o conheci, Horácio, um sujeito de graça infinita e imaginação fabulosa. (V.1)
Ato V: Cemitério e duelo

Logo depois, ainda com a caveira na mão, ele leva o raciocínio de Yorick a Alexandre, o Grande.

Alexandre morreu, Alexandre foi enterrado, Alexandre retornou ao pó; o pó é a terra; da terra se faz argila; por que essa argila em que foi convertido não poderia ser usada para tapar um barril de cerveja? (V.1)
Ato V: Cemitério e duelo

O que significa

A caveira é a morte vista de perto, com rosto e nome. Durante a peça, Hamlet pensou na morte como ideia, no monólogo do "ser ou não ser" e diante do corpo de Polônio; no cemitério, ela vem na forma de um osso que ele beijou quando vivo. A caveira do bobo e a de Alexandre igualam o riso e a glória: ambos acabam no mesmo pó. Ao mandar a caveira ir dizer à rainha que, por mais grossa a pintura, ela chegará àquela aparência, Hamlet estende a lição a quem se enfeita para disfarçar o fim.

A cena das caveiras vem logo antes do enterro de Ofélia e do duelo. Hamlet sai dela sem medo da morte, e é esse homem, que já segurou a morte nas mãos, que dirá na cena seguinte que estar pronto é tudo. A caveira não o paralisa: tira dele a pressa de entender e o deixa entregue ao que vier.

Relações