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Personagem

Polônio

Quem é

Polônio é o conselheiro do rei, pai de Laertes e de Ofélia. Perde-se no meio das próprias instruções, e a peça o mostra sempre num esconderijo: manda espionar o filho em Paris, se esconde para ouvir a filha com o príncipe e acaba atrás da tapeçaria do quarto da rainha, onde morre, golpeado por Hamlet, que o toma por Cláudio.

Trajetória

Na cena 3 do Ato I, despede-se de Laertes com uma lista de preceitos de conduta, e depois interroga a filha sobre o príncipe: chama as juras dele de moeda falsa e proíbe qualquer nova conversa. Ofélia obedece.

Isto acima de tudo: Sê verdadeiro contigo mesmo, / E por força seguir-se-á, como a noite segue ao dia, / Que não serás falso a homem algum (I.3)
Ato I: O Espectro e a ordem de vingança

Na cena 1 do Ato II, dá dinheiro a Reinaldo e o manda a Paris investigar Laertes por meio de pequenas calúnias, e se perde no meio das próprias instruções. Ofélia entra assustada, contando o aspecto do príncipe, e Polônio conclui que é loucura de amor, lamenta ter desconfiado dele e corre a contar ao rei.

Vedes como, com a isca da mentira, / Pescastes o peixe da verdade? (II.1)
Ato II: A loucura fingida e a armadilha do teatro

Na cena 2 do Ato II, anuncia os mensageiros da Noruega, traz a Cláudio e a Gertrudes uma carta de amor do príncipe e propõe espiá-lo com Ofélia. Hamlet zomba dele. Na cena 1 do Ato III, esconde-se com o rei para ouvir Hamlet e Ofélia e sugere que a rainha o confronte depois da peça. Na cena 2 do Ato III, confirma o chamado dela. Na cena 3 do Ato III, avisa que vai se esconder no quarto da rainha.

Na cena 4 do Ato III, é o esconderijo que o mata: ao ouvi-lo se agitar atrás do arrás, Hamlet atravessa a cortina com a espada, convencido de que mata o rei. Na cena 3 do Ato IV, Hamlet diz que ele está numa ceia, comido por vermes. Na cena 5 do Ato IV, Cláudio admite que ele foi enterrado em segredo e que Laertes voltou da França.

Temas que encarna

Lacerda lê o Ato II como um jogo de vigilância em cadeia: Polônio espiona o filho em Paris, o rei e a rainha pagam amigos de infância para espiar Hamlet, e Polônio ainda planeja esconder-se para ouvir o príncipe com a própria filha. O castelo vira uma casa onde todos vigiam todos, e as tramas de pai e filho se espelham: Laertes espionado pelo pai, Hamlet pelo padrasto.

O Ato III é feito de cenas armadas para um observador: Cláudio e Polônio se escondem para ver Hamlet e Ofélia, Hamlet encomenda uma peça para vigiar o rosto do rei, e Polônio se esconde de novo atrás da tapeçaria. É esse último esconderijo que termina em morte, e quem morre é o próprio espião.

Relações

  • Laertes: o filho, a quem aconselha e manda espionar; a morte do pai o traz de volta a Elsinore.
  • Ofélia: a filha, a quem proíbe de ver Hamlet e a quem usa de isca no encontro armado.
  • Hamlet: o príncipe que ele acredita louco de amor e que o mata sem saber quem é.
  • Cláudio: o rei a quem serve de espião e conselheiro.
  • Gertrudes: a rainha, em cujo quarto ele se esconde.