Quem é
O Espectro tem o rosto e a armadura do rei morto, pai de Hamlet. Aparece às sentinelas na muralha, depois ao filho, e diz estar preso a tormentos até purgar os seus crimes. Revela que foi morto por Cláudio, que lhe despejou veneno no ouvido enquanto dormia no pomar, e pede vingança. Pede também que Gertrudes seja poupada. A peça nunca resolve se o que o filho vê é de fato o pai: o próprio Hamlet admite que pode ser um espírito bom ou um diabólico.
Trajetória
Na cena 1 do Ato I, surge duas vezes às sentinelas e a Horácio, e some sem responder, quando o galo canta. A primeira fala da peça é a pergunta que a sentinela faz no escuro:
Quem está aí?(I.1)
Na cena 4 do Ato I, acena a Hamlet e o leva para longe dos amigos.
Na cena 5 do Ato I, a sós com o filho, diz que foi morto por Cláudio com veneno no pomar e que o irmão seduziu a rainha, e pede vingança sem ferir Gertrudes. Quando Hamlet faz os amigos jurarem silêncio, a voz do Espectro ecoa do subterrâneo. Na cena 4 do Ato III, reaparece no quarto da rainha, visível só para o filho.
Temas que encarna
Para muitos críticos, diz Lacerda, a primeira pergunta da peça, "Quem está aí?", é um mote que percorre o texto todo. O ato I vive disso: o Espectro tem o rosto do rei, mas não se sabe o que traz.
O Espectro entra por dois lados ao mesmo tempo, o do dever e o da dúvida. A ordem que dá é clara, e a natureza de quem a dá, não, e é dessa distância que nasce a necessidade de prova que leva Hamlet ao teatro.