Cena I: As sentinelas veem o Espectro
Resumo da seção
Na muralha, à meia-noite, Bernardo rende Francisco e espera Horácio e Marcelo. Marcelo e Bernardo já viram duas vezes uma aparição, e Horácio não acredita. Surge O Espectro, com o rosto e a armadura do rei morto, e some sem responder a Horácio. Ele explica os preparativos de guerra: o jovem Fortimbrás quer reaver as terras que o pai perdeu. O Espectro volta, o galo canta e ele se vai. Decidem contar tudo ao príncipe.
Análise
Quem está aí?
(I.1)
Cena II: A corte e o luto de Hamlet
Resumo da seção
No Salão do Trono, Cláudio anuncia o casamento com Gertrudes, envia emissários à Noruega e deixa Laertes voltar à França. Pede a Hamlet que abandone o luto e fique em Elsinore, sem regressar a Wittenberg, e a rainha insiste. Hamlet cede só à mãe. Sozinho, lamenta a pressa do casamento. Horácio e as sentinelas lhe contam da aparição, e ele resolve vigiar à noite.
Análise
Tenho dentro de mim o que vai além da aparência; / Estes são apenas os trapos e anúncios da decência
(I.2)
Para discutir Por que Cláudio faz questão de que Hamlet não volte a Wittenberg, enquanto deixa Laertes partir para a França?
Cena III: Conselhos a Laertes e a Ofélia
Resumo da seção
Prestes a embarcar, Laertes avisa Ofélia de que o amor do príncipe é passageiro e de que um herdeiro não escolhe por si. Polônio entrega ao filho uma lista de preceitos de conduta. Depois interroga a filha sobre Hamlet, chama as juras do príncipe de moeda falsa e proíbe qualquer nova conversa com ele. Ofélia obedece.
Análise
Isto acima de tudo: Sê verdadeiro contigo mesmo, / E por força seguir-se-á, como a noite segue ao dia, / Que não serás falso a homem algum
(I.3)
Para discutir O que cada um, Laertes e Polônio, parece querer proteger ao mandar Ofélia se afastar de Hamlet?
Cena IV: Hamlet segue o Espectro
Resumo da seção
Perto da meia-noite, Hamlet, Horácio e Marcelo esperam na muralha, ao som de trombetas e canhões da festa do rei, costume que o príncipe julga melhor quebrado do que cumprido. O Espectro aparece e acena ao príncipe. Os amigos tentam retê-lo, e ele puxa a espada para ser deixado livre e vai atrás. Marcelo comenta que algo vai mal no reino, e os dois amigos vão atrás do príncipe.
Análise
Há algo de podre no reino da Dinamarca
(I.4)
Cena V: A revelação e o juramento
Resumo da seção
A sós com Hamlet, O Espectro diz ser o pai, preso a tormentos até purgar seus crimes, e pede vingança: foi morto por Cláudio, que lhe despejou veneno no ouvido enquanto dormia no pomar, e seduziu Gertrudes. Pede que ela seja poupada e some. Hamlet jura lembrar. Horácio e Marcelo voltam, e ele os faz jurar silêncio sobre a espada, com a voz do Espectro ecoando do subterrâneo, e pede que não denunciem o seu fingimento futuro.
Análise
Tempos fora do eixo. Oh, maldito fado, / Eu ter de corrigir o que está errado!
(I.5)
Para discutir Hamlet promete apagar da memória tudo o que não seja a ordem do pai: o que se perde quando alguém decide viver por um único mandamento?
Tema central
Análise
Lacerda lê a primeira pergunta da peça, "Quem está aí?", feita na escuridão a um vigia que também não se vê, como um mote que muitos críticos veem percorrer o texto todo.
O ato vive disso: o Espectro tem o rosto do rei, mas não se sabe o que traz, e o próprio Hamlet, diante dele, admite que pode ser um espírito bom ou um diabólico.
Lacerda lê a Cena II como a primeira das três reuniões da corte, com Cláudio em vantagem: discurso medido, Conselho do seu lado, e o sobrinho mantido no castelo, perto e vigiado, à maneira do chefe de máfia que prefere o inimigo ao alcance da mão. Ele também mostra como Hamlet se prende à coerência entre o que sente e o que parece, ao dizer que o luto é o que há dentro, e o resto, trapos de decência.
Lacerda lê a frase de Marcelo sobre o podre no reino como síntese de uma ideia que volta ao longo da peça: a doença que apodrece o corpo é o equivalente físico das falhas morais.
As imagens do ato vão nessa linha, do jardim abandonado à serpente que usa a coroa e ao veneno que coalha o sangue.
O ato monta duas pressões paralelas sobre filhos. Laertes e Hamlet recebem ordens de quem tem poder sobre eles, e Ofélia, a mais frágil, obedece sem discutir, enquanto Hamlet, ao jurar apagar o passado das tábuas da memória, parece abrir mão do que o ligava a ela. O fingimento que ele anuncia no fim nasce desse aperto: é a resposta de quem não pode falar nem agir ainda.