Clavis Libri · Caderno de estudos · Gabarito do professor
William Shakespeare
As respostas de cada exercício do caderno, tiradas do guia da obra.
Gabarito
As respostas vêm do guia da obra no Clavis Libri. Nas questões abertas, o gabarito mostra o que se espera encontrar, não a única resposta possível. As perguntas "para discutir" e "E você?" não têm gabarito.
A peça abre em trovões e relâmpagos, com as bruxas combinando onde vão se encontrar com Macbeth depois da batalha. Elas respondem ao chamado de seus bichos, o gato cinzento e o sapo que coaxa, e a cena termina com este verso dito em coro. Antes de qualquer personagem humano falar, a peça já sugere que aqui as coisas não são o que parecem.
O verso troca de lugar o belo e o podre, o bem e o mal, e deixa o espectador sem saber de que lado cada coisa está. É uma boa chave para o que vem depois. Quando Macbeth entra, na cena 3, suas primeiras palavras repetem o mesmo jogo: "Tão feio e tão lindo, dia assim eu nunca tinha visto". Ele ainda não falou com as bruxas, mas já fala a língua delas, e a frase sugere que o terreno em que vai se perder estava preparado antes de ele chegar.
A inversão volta várias vezes ao longo da peça: o Barão de Cawdor, que parecia nobre e era traidor; o rei que diz não haver arte de ler o caráter no rosto e entra de braços abertos na casa de quem planeja matá-lo; as promessas que soam como garantias e funcionam como armadilhas. Pode-se ler esse coro como a regra do jogo da peça inteira: aqui, o que se vê quase nunca diz o que a coisa é. As bruxas ainda não mandam ninguém fazer nada, mas já definem o território em que Macbeth vai errar.
No pântano, entre trovões, Hécate repreende as três bruxas por terem tratado com Macbeth sem a chamar, e por servirem alguém que ama os próprios fins, e não a elas. Marca novo encontro ao amanhecer, no Aqueronte, e promete preparar ilusões que o levem a desprezar o Destino e a confiar demais em si mesmo. A frase fecha a explicação do plano.
A passagem é curta, mas organiza o que vem em seguida. Hécate não promete matar Macbeth nem derrotá-lo diretamente. Promete deixá-lo seguro demais. É o que se vê no Ato IV, quando as três aparições lhe dão garantias que ele lê como impossibilidades e que acabam se cumprindo pela letra. A frase pode ser lida como comentário sobre a própria peça: o perigo de Macbeth não é o inimigo, é a certeza de que não existe inimigo possível.
Vale notar também o que a cena diz da relação entre Macbeth e o sobrenatural. Hécate acusa as bruxas de servir alguém que não as ama, o que sugere que Macbeth usa o poder delas sem lealdade a elas. A cena, que se passa longe do rei, muda o ponto de vista: enquanto ele acredita controlar o tempo, o mundo ao redor já se organiza contra ele, entre o sobrenatural e a política. A confiança excessiva que Hécate promete não vem só de fora, vem de quem já se julga invulnerável depois de tantos crimes.
1.10 a 1.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Numa caverna do pântano, as bruxas preparam o caldeirão e Macbeth chega exigindo respostas. A primeira aparição que se levanta é uma cabeça armada, que chama o nome dele três vezes e o manda temer Macduff, o Barão de Fife. Em seguida desce e desaparece, sem responder a mais nada: dispensem-me, isso é tudo. Macbeth agradece o bom aviso, porque ela acertou em cheio o que ele temia.
O aviso é o único que Macbeth pode combater. As outras promessas, como se verá, soam a ele como garantias. Este soa como nome de inimigo, e é com um nome que um tirano sabe lidar. Macduff já tinha chamado a atenção por faltar ao banquete, e agora Macbeth recebe a confirmação sobrenatural de que a desconfiança tinha motivo. Pode-se ler que ele não procura saber o futuro, procura confirmar o que já suspeita.
As aparições funcionam como espelho: respondem a quem pergunta. Macbeth quer saber de quem deve ter medo, e a primeira resposta é um nome. Quando Lennox vem avisar que Macduff fugiu para a Inglaterra, o aviso se junta à notícia, e o massacre da casa de Macduff, em Fife, nasce exatamente dessa soma. A aparição não manda matar ninguém, mas dá a Macbeth o alvo que ele já procurava, e é ele quem decide o que fazer com isso.
No campo de batalha, Macbeth enfrenta Macduff e diz carregar uma vida enfeitiçada, que nenhum homem nascido de mulher poderá acabar. Macduff responde que foi arrancado do ventre da mãe antes do tempo. É o instante em que a segunda promessa do Ato IV se mostra inteira: era verdadeira, e Macbeth a leu errado. Macbeth então amaldiçoa a língua que lhe diz isso e afirma que ela acovardou a sua parte mais humana. O primeiro e o terceiro trechos são dele, o segundo é de Macduff.
A reação seguinte é a que mais revela. Macbeth acusa os demônios de brincar com as palavras, de dar promessas ambíguas e depois frustrá-las. Mas a ambiguidade estava ali desde o início: a promessa dizia nascido de mulher, e o sentido que ele lhe deu foi qualquer homem. Ele se recusa a combater e depois a se render. Prefere lutar, mesmo sabendo que está vencido, a ser exibido como o monstro raro do reino.
A cena fecha o arco da profecia. Nada foi milagre: o bosque andou por mão de soldados, e Macduff nasceu como nasceu. Macbeth culpa os demônios, mas pode-se ler que o que mais o fere é perceber que foi ele quem leu como impossibilidade o que a promessa deixava em aberto. A palavra acovardar tem aqui um peso especial: no Ato I, ele foi empurrado ao crime por medo de parecer covarde, e agora é a verdade que lhe tira a coragem. Ainda assim, o fim é de luta, e a peça não lhe nega esse último gesto.
2.10 a 2.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Barão de Glamis, capitão do rei Duncan e seu parente, herói da guerra contra o rebelde Macdonwald e os noruegueses, e o homem que, depois de ouvir três bruxas, mata o rei que dorme em sua casa para ocupar o trono. É o protagonista da peça, e a peça o acompanha por dentro: quase tudo o que sabemos dele vem dos apartes e dos solilóquios em que ele pensa o crime antes de cometê-lo, vê um punhal no ar, ouve a voz que condena o sono e, já rei, descobre que a coroa só se mantém com mais sangue. Termina sem a mulher, sem amigos e sem obediência, cercado e morto por Macduff.
Como muda
Antes de entrar em cena, Macbeth é só glória: na cena 2 do Ato I, o Capitão ferido conta que ele e Banquo derrotaram o rebelde Macdonwald e resistiram aos noruegueses, e Duncan, ao condenar à morte o Barão de Cawdor, traidor, passa o título a Macbeth.
Na cena 3 do Ato I, as bruxas o saúdam como Barão de Glamis, de Cawdor e futuro rei, e Ross e Angus confirmam a segunda promessa logo em seguida, nomeando-o Cawdor. Banquo avisa que o mal às vezes diz verdades pequenas para trair nas grandes. Macbeth, perturbado, já imagina um assassinato e se pergunta se a Sorte poderia coroá-lo sem que ele precisasse agir: a profecia não manda matar ninguém, e o pensamento do crime é dele.
Na cena 4 do Ato I, Duncan nomeia Malcolm Príncipe de Cumberland e anuncia que irá a Inverness. Em aparte, Macbeth vê no título do príncipe um degrau que precisa galgar e pede às estrelas que escondam a luz.
Na cena 5 do Ato I, a carta que ele mandou à mulher conta o encontro com as bruxas, e é Lady Macbeth quem assume o plano da noite: ele deve parecer inocente e deixar o resto com ela. Na cena 7 do Ato I, sozinho, pesa o crime: Duncan é seu parente, seu rei e seu hóspede, e nada o empurra senão a própria ambição. Quando a mulher chega, ele recua, diz que não vão prosseguir porque o rei o honrou, e é envergonhado: ela contesta sua virilidade e expõe o plano de embebedar os camareiros e pôr neles a culpa. Ele cede e decide cobrir o que sabe o coração falso com uma cara serena.
Na cena 1 do Ato II, à meia-noite, Banquo conta que sonhou com as bruxas, e Macbeth responde que nem pensa nelas, enquanto oferece honra em troca do apoio de Banquo, que só aceita se a honra e a consciência ficarem intactas. Sozinho, ele vê no ar uma adaga com gotas de sangue e segue para o quarto do rei. Na cena 2 do Ato II, volta com o crime feito e abalado: não conseguiu dizer amém e ouviu uma voz anunciar que Glamis matou o Sono e que Macbeth não dormirá mais. Trouxe as adagas consigo, em vez de deixá-las no quarto, e não ousa voltar; é a mulher quem as leva.
Na cena 3 do Ato II, indica o quarto do rei a Macduff e, descoberto o corpo, mata os camareiros, dizendo que o fez num rompante de amor ao rei. Malcolm e Donalbain fogem, e na cena 4 do Ato II Macduff conta que Macbeth foi eleito e partiu para Scone para ser coroado.
Na cena 1 do Ato III, já rei, diz que carregar a coroa não é nada e que o importante é carregá-la em segurança, e que seu medo tem raízes em Banquo: as bruxas lhe deram uma coroa infrutífera, para ser arrancada por descendência alheia. Convence dois assassinos ressentidos a matar Banquo e Fleance naquela noite. Na cena 2 do Ato III, o casal admite que a coroa não trouxe paz, ele diz que só feriram a serpente e que já não dorme sem pesadelos, e esconde da mulher o plano, anunciando só um ato terrível antes do fim do dia.
Na cena 3 do Ato III, um terceiro assassino, mandado por ele mesmo, se junta aos outros dois, e Banquo morre, mas Fleance escapa. Na cena 4 do Ato III, avisado à porta do salão, Macbeth volta à mesa e vê o fantasma de Banquo sentado em seu lugar, que os convidados não enxergam. Perde o controle diante da corte, e Lady Macbeth despacha os nobres. Sozinho com ela, nota a ausência de Macduff e decide procurar as bruxas de novo, pelos piores meios. Na cena 5 do Ato III, Hécate repreende as bruxas por servirem alguém que ama os próprios fins e promete ilusões que o levem a desprezar o Destino, e Macbeth não sabe de nada disso.
Na cena 1 do Ato IV, ele exige respostas na caverna e recebe três aparições: uma cabeça armada o manda temer Macduff, uma criança ensanguentada diz que nenhum nascido de mulher poderá feri-lo, e uma criança coroada, com uma árvore na mão, diz que ele só cairá quando o bosque de Birnam marchar contra Dunsinane. Pede ainda para ver os descendentes de Banquo e vê oito reis, com Banquo ao fim. Lennox traz a notícia de que Macduff fugiu para a Inglaterra, e Macbeth decide que os impulsos do coração serão também os do braço: na cena 2 do Ato IV, os assassinos chegam ao castelo de Fife, matam o filho e perseguem Lady Macduff, cuja morte Ross confirma na cena 3.
Na cena 3 do Ato V, em Dunsinane, despreza a fuga dos barões, confiando na promessa sobre Birnam, humilha o Criado que traz a notícia do exército inglês, pede a armadura a Seyton e exige do Médico uma cura para a rainha. Na cena 5 do Ato V, zomba do cerco até ouvir gritos de mulheres e saber que a rainha morreu, e responde com o discurso sobre o amanhã.
Um Mensageiro jura ver Birnam avançar, e Macbeth, abalado, passa a duvidar das palavras que o iludiram e corre às armas. Na cena 7 do Ato V, cercado, mata o jovem Siward. Diante de Macduff, diz que carrega uma vida enfeitiçada que nenhum nascido de mulher pode acabar, e ouve que Macduff foi arrancado do ventre da mãe antes do tempo. Amaldiçoa a língua que lhe diz isso e acusa os demônios de jogar com palavras ambíguas, mas recusa render-se para ser exibido como o Tirano num mastro e luta até o fim. Macduff volta com a cabeça dele e saúda Malcolm como rei.
Mulher de Macbeth e senhora do castelo de Inverness, onde o rei Duncan vai dormir. É quem dá nome ao que o marido deseja: lê a carta em que ele conta o encontro com as bruxas, conclui que a natureza dele é boa demais para o caminho curto até a coroa e toma para si o plano da noite. Fala em nome da crueldade, invoca espíritos para que a esvaziem de piedade e responde a cada hesitação dele com a acusação de covardia. Mas é também a que cobra o preço mais surpreendente: o crime lhe custa o sono e, ao que se diz, a vida, e a peça a devolve ao palco sonâmbula, esfregando uma mancha que ninguém mais vê.
Como muda
Na cena 5 do Ato I, Lady Macbeth lê a carta do marido, acha-o pleno demais do leite da bondade humana: não lhe falta ambição, falta-lhe a maldade que deveria acompanhá-la. Ao saber que Duncan dormirá ali, invoca espíritos que a livrem do sexo e a preencham de crueldade. Quando Macbeth chega, assume o comando: ele deve parecer inocente e deixar com ela o plano da noite.
Na cena 6 do Ato I, recebe o rei com palavras de humildade e serviço, e ele, que pergunta pelo anfitrião, deixa-se conduzir por ela para dentro. Na cena 7 do Ato I, é ela quem desfaz o recuo de Macbeth: acusa-o de covardia, desafia sua virilidade, lembra que foi ele quem lhe falou do plano e o expõe, embebedar os camareiros e pôr neles a culpa. Ele recua dizendo que o rei o honrou (as outras razões, parente, súdito e anfitrião, ele as pesa sozinho, antes de ela entrar), e ela responde com um único argumento: recuar é ser covarde.
Na cena 1 do Ato II, Banquo conta a Macbeth que o rei mandou um brilhante a ela, nomeando-a graciosíssima anfitriã, na mesma noite em que ela prepara o crime. Na cena 2 do Ato II, espera aflita, depois de drogar os camareiros e deixar as adagas à vista, e confessa que teria feito ela mesma o ato, não lembrasse o rei tanto o seu pai quando dormia. Quando Macbeth volta abalado, é ela quem leva as adagas, suja de sangue os camareiros e o manda lavar as mãos, dizendo que um pouco de água os limpará. Na cena 3 do Ato II, pede socorro quando o crime é descoberto e é retirada de cena.
Na cena 2 do Ato III, os dois admitem que a coroa não trouxe paz. Ela repete que o que está feito está feito, e perde o lugar que tinha: Macbeth já decide sozinho e lhe pede que seja inocente até aplaudir. Na cena 4 do Ato III, tenta acobertar o ataque no banquete, o repreende por covardia diante do fantasma de Banquo, com a mesma pergunta de que se serviu na cena 7 do Ato I, e despacha os nobres.
Na cena 1 do Ato V, ela reaparece sonâmbula, com uma vela, esfregando as mãos e murmurando sobre sangue, Duncan, Banquo e a esposa de Macduff. O Médico, que a observa com uma Dama, conclui que o caso foge à medicina.
Na cena 5 do Ato V, Macbeth ouve gritos de mulheres e Seyton lhe diz que a rainha morreu. Na cena 7 do Ato V, Malcolm menciona de passagem a diabólica Rainha, que, como se acredita, tirou a própria vida com as próprias mãos.
Companheiro de armas de Macbeth, capitão do rei Duncan e pai de Fleance. Ouve as bruxas junto com Macbeth, mas a promessa dele é outra, a de filhos reis, e ele ouve tudo como aviso: desconfia de que os instrumentos do mal digam verdades pequenas para trair nas grandes. É o duplo de Macbeth, o homem que viu o mesmo e não agiu, e é por isso que sua descendência, prometida rei pelas bruxas, vira a obsessão do novo rei. Morre numa vala, a mando de Macbeth, depois de mandar o filho fugir, e continua na peça como fantasma e como linhagem.
Como muda
Na cena 3 do Ato I, ele e Macbeth encontram as bruxas na charneca. Elas prometem a Macbeth os títulos de Glamis, de Cawdor e de rei, e a Banquo filhos reis, embora ele não o seja. Quando Ross e Angus confirmam a nomeação de Cawdor, Banquo desconfia da verdade parcial e diz que, para nos conduzir à destruição, os instrumentos do mal nos contam verdades. Vendo Macbeth absorto, comenta que honras novas aderem ao corpo à semelhança de roupas novas, por causa do uso e não do molde.
Na cena 4 do Ato I, Duncan o recebe junto com Macbeth, com agradecimentos e promessas. Na cena 6 do Ato I, diante do castelo de Inverness, é ele quem nota as andorinhas que fazem ninho ali, sinal de ar delicado, num elogio a um lugar onde o rei vai ser assassinado.
Na cena 1 do Ato II, à meia-noite, sem sono, cruza com Macbeth no pátio e lhe conta que sonhou com as bruxas. Macbeth responde que nem pensa nelas e oferece honra em troca de seu apoio, e Banquo só aceita se não perder a honra ao buscar aumentá-la, se o coração continuar sem culpa e se permanecer um súdito leal. Na cena 3 do Ato II, descoberto o crime, propõe investigar a obra sangrenta e se coloca nas mãos de Deus contra as pretensões ainda não reveladas da traição.
Na cena 1 do Ato III, sozinho, nota que Macbeth tem agora tudo o que as bruxas prometeram e teme que ele tenha jogado sujo para chegar lá. E se pergunta, mesmo assim, se as bruxas, tendo acertado quanto a Macbeth, não podem ser oráculos dele também. Convidado para o banquete, avisa que cavalga com Fleance.
Na cena 3 do Ato III, chega a pé com o filho, que leva uma tocha, e comenta que vai chover. Os assassinos o atacam, e ele morre depois de mandar o filho fugir.
Na cena 4 do Ato III, o primeiro assassino avisa Macbeth à porta do salão de que ele está morto numa vala e de que Fleance escapou. De volta à mesa, Macbeth vê o fantasma de Banquo sentado em seu lugar, que os convidados não enxergam. Na cena 1 do Ato IV, entre as aparições das bruxas, vê oito reis passando, com Banquo ao fim, com um espelho na mão: a linhagem prometida na cena 3 do Ato I.
Rei da Escócia, pai de Malcolm e de Donalbain, generoso com quem o serve e confiante a ponto de ser enganado por quem ele mesmo honrou. Honra Macbeth pela vitória sobre os rebeldes, promete cuidar do crescimento dele como quem planta, nomeia o filho herdeiro e escolhe passar a noite no castelo do homem que o vai matar. É o rei cujas virtudes o próprio assassino admite antes do crime, e cuja morte, fora de cena, rompe a ordem do reino e da natureza.
Como muda
Na cena 2 do Ato I, no acampamento perto de Forres, ouve de um Capitão ferido que Macbeth e Banquo derrotaram os rebeldes e os noruegueses. Descobre que o Barão de Cawdor traiu o reino, condena-o à morte e dá o título a Macbeth.
Na cena 4 do Ato I, aprende que Cawdor morreu arrependido e diz que não existe arte pela qual se adivinhe o caráter de um homem observando-lhe o rosto: ele fora um cavalheiro em quem depositava absoluta confiança. Nesse instante entra Macbeth, a quem agradece com promessas, e a quem diz que começou o plantio e vai vê-lo crescer. Nomeia Malcolm Príncipe de Cumberland e anuncia que irá a Inverness.
Na cena 6 do Ato I, diante do castelo, elogia o lugar, e deixa-se conduzir por Lady Macbeth, que o recebe com palavras de humildade e serviço.
Na cena 7 do Ato I, o próprio Macbeth lista o que o protege: Duncan é seu rei, seu parente e seu hóspede, e sempre vestiu o manto real com tanta humildade que as virtudes dele defenderiam como anjos contra o crime. Na cena 1 do Ato II, já se recolheu feliz, e mandou um brilhante à anfitriã. Na cena 2 do Ato II, é morto fora de cena, com as adagas dos camareiros, e na cena 3 do Ato II o corpo é descoberto por Macduff.
Na cena 4 do Ato II, Ross e um Velho comentam a noite fora do natural, o dia que parece noite, o falcão morto por uma coruja, os cavalos de Duncan que enlouqueceram e se devoraram. Na cena 2 do Ato III, Macbeth, já rei, diz que Duncan está em seu túmulo e que, depois da febre espasmódica da vida, dorme bem.
Barão de Fife, nobre escocês que descobre o corpo de Duncan, não acompanha o novo rei, foge para a Inglaterra para se unir a Malcolm e perde, em Fife, a esposa e os filhos num massacre ordenado por Macbeth. É o homem que a primeira aparição manda Macbeth temer, e a peça lhe dá o papel de executor: depois da dor, é ele quem enfrenta o tirano e volta ao palco com a cabeça dele. O dado do nascimento dele, tirado do ventre da mãe antes do tempo, é o que desfaz a promessa que protegia Macbeth.
Como muda
Na cena 3 do Ato II, depois de esperar que o Porteiro abra a porta, vai, por ordem do próprio Duncan, ao quarto do rei, cuja porta Macbeth lhe mostra, e volta gritando que Duncan foi assassinado. Na cena 4 do Ato II, conta a Ross e a um Velho que os camareiros foram tidos por subornados, que os filhos do rei sumiram e levantam suspeita, e que Macbeth foi eleito e partiu para Scone para ser coroado. Macduff não o acompanha e segue para Fife.
Na cena 4 do Ato III, Macbeth, no banquete, nota a ausência dele. Na cena 6 do Ato III, Lennox conta a outro lorde que Macduff caiu em desgraça por faltar ao banquete, e o lorde responde que ele foi à Inglaterra pedir ao rei Eduardo apoio a Malcolm.
Na cena 1 do Ato IV, a primeira aparição, a cabeça armada, manda Macbeth temer Macduff, e Lennox traz a notícia da fuga dele. Na cena 2 do Ato IV, em Fife, Lady Macduff o acusa de covardia por ter fugido, e Ross tenta defendê-lo; os assassinos chegam, e o filho, que chama o primeiro de mentiroso, é apunhalado.
Na cena 3 do Ato IV, na Inglaterra, Malcolm o testa fingindo ser dominado pela luxúria e pela avareza e só revela a mentira quando Macduff o condena com indignação. Ross conta por fim que a esposa e os filhos dele foram mortos.
Macduff diz então que o pecador é ele, por cujos erros a família foi morta, e Malcolm pede que a dor vire raiva.
Na cena 4 do Ato V, ao lado de Malcolm e de Siward, pede foco na campanha diante do bosque de Birnam. Na cena 7 do Ato V, enfrenta Macbeth, que diz ter evitado justamente a ele e carregar uma vida que nenhum nascido de mulher pode acabar, e responde que foi arrancado do ventre da mãe antes do tempo. Macbeth se recusa a lutar e depois a se render, e Macduff volta com a cabeça do tirano e saúda Malcolm como rei.
Filho mais velho de Duncan, nomeado Príncipe de Cumberland e herdeiro do trono. Foge para a Inglaterra, com o irmão Donalbain indo para a Irlanda, quando o pai é assassinado e a suspeita recai sobre os dois, e volta como chefe do exército que derruba Macbeth. É o rei que a peça entrega no fim, e o que o distingue do pai é a desconfiança: Malcolm só aceita um aliado depois de testá-lo.
Como muda
Na cena 2 do Ato I, no acampamento perto de Forres, apresenta ao pai o Capitão ferido que relata a batalha. Na cena 4 do Ato I, conta a Duncan que o antigo Cawdor morreu arrependido, e é nomeado Príncipe de Cumberland, título que Macbeth vê em seguida como um degrau em seu caminho.
Na cena 3 do Ato II, ao saber da morte do pai, decide com Donalbain fugir, sem confiar em ninguém: diz que mostrar uma tristeza que não se sente é fácil para quem é falso, e parte para a Inglaterra, enquanto Donalbain vai para a Irlanda. Na cena 4 do Ato II, Macduff conta que os camareiros foram tidos por subornados, e que a fuga dos príncipes levanta suspeita sobre eles.
Na cena 6 do Ato III, um lorde conta a Lennox que Macduff foi à Inglaterra pedir ao rei Eduardo apoio a Malcolm. Na cena 3 do Ato IV, na corte inglesa, Malcolm e Macduff lamentam a Escócia. Desconfiado, Malcolm finge ser dominado pela luxúria e pela avareza, e só revela a mentira quando Macduff o condena com indignação.
Os dois combinam a guerra com os dez mil homens de Siward. Quando Ross conta a Macduff que sua família foi morta, Malcolm pede que a dor vire raiva.
Na cena 4 do Ato V, diante de Birnam, manda cada soldado levar um galho à frente para esconder o número da tropa.
Na cena 6 do Ato V, manda largar os galhos e dá as ordens de ataque, com Siward e o filho à frente. Na cena 7 do Ato V, depois do duelo, é saudado rei por Macduff, dá aos barões os primeiros títulos de Conde que a Escócia nomeia, promete chamar de volta os exilados que fugiram da tirania e convida todos para a coroação em Scone.
Fechamento: perguntas abertas, sem gabarito.