Clavis Libri · Caderno de estudos · Folha do aluno
William Shakespeare
Um caderno para ler o livro em 2 semanas: o que aconteceu, os temas, as citações, as questões e as perguntas para pensar.
Leia os capítulos da semana e depois responda à seção dela. Cada exercício tem um número; o gabarito fica com o professor.
As perguntas "para discutir" não têm resposta certa: servem para pensar e conversar. As questões de múltipla escolha e a identificação das citações têm.
Semana 1 · Ato I: A profecia e a tentação a Ato III: O rei dominado pelo medo
Ao ler, observe: Repare no que Macbeth e sua mulher dizem um ao outro antes de cada decisão.
O belo é podre, e o podre, belo sabe ser; / Ambos pairam na cerração e na imundície do ar.
…a excessiva confiança é o maior inimigo do homem
A peça abre com as bruxas falando de Macbeth antes de ele aparecer: o que isso muda na maneira como o encontramos depois?
Lennox elogia Macbeth em frases que dizem o contrário: o que ele consegue dizer assim, e o que não poderia dizer abertamente?
Semana 2 · Ato IV: Profecias enganosas e massacre a Ato V: Sonambulismo, Birnam e a queda
Ao ler, observe: Repare em como o medo e a culpa aparecem nos gestos e no sono.
Macbeth, Macbeth, Macbeth! Acautele-se contra Macduff, acautele-se contra o Barão de Fife.
Eu carrego uma vida enfeitiçada, e a ela não dará fim nenhum homem nascido de mulher. [...] Do ventre de sua mãe Macduff foi arrancado à força, antes do tempo [...] Amaldiçoada seja a língua que me diz tal coisa, pois fez acovardar-se minha parte mais humana.
Depois de ouvir que nenhum nascido de mulher poderá vencê-lo, Macbeth ainda decide matar Macduff: o que essa decisão mostra sobre como ele lê uma promessa de segurança?
Macduff oferece a Macbeth a vida em troca de ser exibido como um monstro raro, e Macbeth prefere lutar: o que ele não suporta perder?
Depois de ler o livro inteiro
Para cada personagem, diga quem é e como muda do começo ao fim do livro.
| Personagem | Quem é | Como muda |
|---|---|---|
| P1 Macbeth | ||
| P2 Lady Macbeth | ||
| P3 Banquo | ||
| P4 Duncan | ||
| P5 Macduff | ||
| P6 Malcolm |
Para cada tema, anote dois ou três momentos do livro em que ele aparece e escreva, em poucas linhas, o que o livro diz sobre ele.
Perguntas sobre a obra inteira. Escolha uma e responda num texto de 20 a 30 linhas.
As bruxas preveem ou determinam? Se Macbeth já estava destinado ao trono, o que a morte de Duncan acrescenta, e o que ainda cabia a ele decidir?
Lady Macbeth empurra o marido no Ato I e, depois do banquete do Ato III, só reaparece sonâmbula no Ato V. O que a peça faz com ela nesse intervalo?
Só Macbeth vê o punhal e o fantasma de Banquo. O que muda na peça se são visões da culpa, e o que muda se são obra das bruxas?
Em que ponto Macbeth poderia ter lido as aparições de outro modo?
Macbeth chega a rei, elimina rivais e exerce poder absoluto, e perto do fim descreve a vida como uma história contada por um idiota. O que ele esperava que a coroa lhe desse?
Palavras do livro que podem travar a leitura, explicadas. Para consultar quando aparecerem.
Barão. Na tradução em português, é o título que verte o thane escocês: funcionário local da Coroa na Escócia medieval, que respondia por uma região em nome do rei. O título leva o nome do lugar, como Glamis, Cawdor ou Fife. Segundo a Wikipédia inglesa, o rei David I introduziu os thanes para substituir o antigo tòiseach gaélico. Não é o barão feudal do continente.
Príncipe de Cumberland. Título com que, na peça, o rei Duncan marca o filho como herdeiro, como hoje Príncipe de Gales faz na Inglaterra. Cumberland é uma região do noroeste da Inglaterra, cedida em 945 ao rei escocês Malcolm I. Na Escócia gaélica o sucessor era escolhido entre os parentes do rei, e em 1005 Malcolm II tentou impor a sucessão hereditária.
Camareiro. Servidor da casa do rei ligado à câmara, o quarto onde ele dorme. A palavra vem do latim camerarius, e o dicionário a define como fidalgo ao serviço de pessoas reais. Entre as funções de quem servia no quarto do monarca estavam ajudá-lo a vestir-se e guardar o acesso aos aposentos, o que exigia plena confiança do rei.
Scone. Localidade da Escócia central, o mais próximo que o reino primitivo teve de uma capital e lugar das inaugurações dos reis. No século IX, Kenneth MacAlpin teria levado para lá a Pedra de Scone, central nos rituais de coroação. A cerimônia tinha uma parte cristã na abadia e outra gaélica na Colina do Juramento. A última coroação ali foi a de Carlos II, em 1651.
Hécate. Deusa da religião grega antiga ligada à magia, à feitiçaria, às fronteiras e à passagem entre mundos. Aparece pela primeira vez na Teogonia de Hesíodo, por volta de 700 a.C., e costuma ser representada com tochas, chave ou serpentes, ou acompanhada de cães. Sua ligação com a feitiçaria se reforçou por volta do século I e chegou à literatura renascentista, inclusive a Shakespeare.
Aqueronte. Um dos cinco rios do mundo subterrâneo na mitologia grega, às vezes chamado de rio do lamento. Segundo as fontes clássicas, é a entrada do Hades, e o barqueiro Caronte leva por ele as almas dos mortos. Existe também um rio real de mesmo nome, com cerca de 52 quilômetros, na região do Épiro, no noroeste da Grécia, onde havia um santuário dos mortos.
Mal do Rei. Nome antigo da escrófula, hoje descrita como tuberculose dos gânglios do pescoço. Acreditava-se que o toque do rei a curava, rito de monarcas ingleses e franceses que incluía uma moeda de ouro e orações. Na Inglaterra, o dom era atribuído a Eduardo, o Confessor, rei de 1042 a 1066. Como a doença costuma regredir sozinha, o toque parecia eficaz. O último toque inglês foi em 1714.
Conde. Título de nobreza acima do visconde e abaixo do marquês, que no inglês é earl, do antigo inglês eorl. Na Escócia, os condados mais antigos nasceram do cargo de mormaer, oficial regional gaélico, e conservaram grande poder durante a Idade Média. Com o tempo, o conde escocês passou a equivaler ao inglês.