Gabarito
Gabarito
As respostas vêm do guia da obra no Clavis Libri. Nas questões abertas, o gabarito mostra o que se espera encontrar, não a única resposta possível. As perguntas "para discutir" e "E você?" não têm gabarito.
Semana 1
1.1O que aconteceu.
Livro I, capítulo 1: Uma cidadezinhaO romance abre pela cidade, não pelo herói: Verrières, no Franco-Condado, com suas casas brancas de telhado vermelho, o Doubs, as serrarias e a fábrica de pregos que ensurdece quem sobe a rua principal, propriedade do prefeito, o
Monsieur de Rênal, homem cujo talento se resume a cobrar pontualmente o que lhe devem e a pagar o mais tarde possível. Para completar o jardim de muros em terraço (quanto mais muros, mais respeito dos vizinhos), Rênal comprou a peso de ouro o terreno onde ficava a serraria do velho Sorel, que mudou a usina de lugar e ainda arrancou dele seis mil francos (ver
Sorel pai). A troca foi criticada na cidade, e o prefeito passou a achar que poderia ter pago menos desde o domingo em que viu Sorel sorrir para ele, de longe, rodeado pelos filhos.
Livro I, capítulo 2: Um prefeitoRênal imortaliza a própria administração com um muro de arrimo para o passeio público, a Alameda da Fidelidade, obra que lhe custou três viagens a Paris, e manda podar duas vezes por ano os plátanos da comuna. Ao velho cirurgião-mor que reclama da poda, responde que gosta de sombra e que, ao contrário da útil nogueira, uma árvore que não dá lucro não tem razão de ser. Num dia de outono ele passeia na alameda com a mulher e os três filhos e se queixa do "fulano de Paris", o sr. Appert, que dois dias antes entrou na prisão, no asilo de mendicidade e no hospital de Verrières. A
Madame de Rênal pergunta que mal esse senhor pode fazer a quem administra o bem dos pobres com probidade, e o marido responde que ele veio só para lançar censuras que a imprensa liberal vai publicar, e que nunca perdoará o cura.
Livro I, capítulo 3: Um curaO cura
Abade Chélan, velho de oitenta anos que tem o direito de visitar a prisão, o hospital e o asilo a qualquer hora, leva o sr. Appert, recomendado pelo
Marquês de La Mole, aos três estabelecimentos e lhe pede que não emita opinião diante do carcereiro e dos inspetores; o carcereiro, que recebera ordem de barrar Appert, cede diante do direito do cura, mas lembra que depende do emprego. Rênal e
Valenod vão ao presbitério expressar descontentamento, e Chélan, que se diz pronto a ser o terceiro cura de oitenta anos destituído na região, responde com os cinquenta e seis anos que passou na cidade: é a única figura de Verrières que não mede as coisas em dinheiro, e é por isso que perde o cargo. De volta ao passeio, a travessura do segundo filho, que sobe no parapeito do muro, muda o rumo da conversa, e Rênal resolve contratar como preceptor Sorel, o filho do serrador que estuda teologia há três anos: trezentos francos e comida. O argumento é de prestígio, não de afeto: Valenod acaba de comprar dois cavalos normandos e não tem preceptor para os filhos.
Livro I, capítulo 4: Um pai e um filhoNo dia seguinte, às seis da manhã, Rênal desce à serraria e propõe ao
Sorel pai o filho Julien como preceptor: trezentos francos por ano, comida e roupa; o camponês esconde a satisfação sob um ar de tristeza insatisfeita, e Rênal, que o supõe cortejado por outra oferta, o vê pedir para consultar o filho.
Julien Sorel é encontrado a cinco ou seis pés de altura, montado numa viga do telhado, lendo, surdo ao chamado do pai por causa do livro, e leva um golpe que derruba no riacho o
Memorial de Santa Helena (ver
O Memorial de Santa Helena), o livro que mais preza. A cena fixa de saída a hierarquia da casa: o pai camponês, rude e calculista, despreza no filho exatamente o que o distingue, a inteligência aplicada à leitura em vez do trabalho braçal. O narrador descreve o rapaz frágil de dezoito ou dezenove anos, desprezado pelos irmãos, que idolatrou o velho cirurgião-mor que lhe ensinou latim e história e lhe deixou a condecoração da Legião de Honra e os livros; o capítulo termina com o pai agarrando-o para interrogá-lo.
Livro I, capítulo 5: Uma negociaçãoO pai interroga
Julien Sorel sobre o que ele sabe da
Madame de Rênal, conclui que há tratativa e lhe comunica a proposta; Julien recusa ser criado e pergunta com quem comerá, o que desconcerta o velho. Depois de duas horas de negociação, em que o camponês regateia até chegar a quatrocentos francos por ano, pagos adiantados no primeiro dia de cada mês, Rênal recolhe os cem francos que dera para o traje preto e decide ir ele mesmo com o rapaz à loja do sr. Durand. Julien, que pusera a salvo na casa do amigo Fouqué os livros e a condecoração, passa pela igreja de Verrières a caminho da casa de Rênal e, ao sair, vence o terror e segue para lá. No meio desse percurso o narrador recua para explicar a formação do rapaz e como ele chegou ao projeto de ser padre.
Livro I, capítulo 6: O tédioA
Madame de Rênal, que esperava um padre sujo e malvestido, encontra à porta um rapaz ainda quase criança, pálido, que acabou de chorar e tem dezenove anos em breve, e logo se encanta com ele; ao jurar que jamais baterá nos filhos dela,
Julien Sorel ousa beijar-lhe a mão. Rênal fala com Julien numa sala, retendo a mulher, entrega-lhe os trinta e seis francos do primeiro mês, exige que deixe de ver parentes e o leva à loja do sr. Durand para vesti-lo de preto. Apresentado às crianças, Julien recita de cor a Bíblia em latim diante dos criados maravilhados e do
Valenod e do subgovernador Maugiron, e a cena lhe vale o título de senhor; à noite, Verrières em peso vai à casa do prefeito ver a maravilha. Poucos dias depois ele recusa o contrato de dois anos que Rênal lhe propõe.
Livro I, capítulo 7: As afinidades eletivasPreceptor frio, justo e impassível, mas amado porque sua chegada expulsou o tédio da casa,
Julien Sorel sente ódio pela sociedade que o admite na outra ponta da mesa, sobretudo por
Valenod, e é espancado pelos irmãos no bosque do Belvedere, onde a
Madame de Rênal o julga morto. Comovida com a pobreza dele, ela quer dar-lhe roupas; o marido responde que não se presenteia quem serve direito, e quando ela oferece alguns luíses ao próprio Julien, ele os recusa, ofendido, e se diz pronto a mostrar a Rênal o livro de despesas. Rênal chama Julien de criado e lhe dá cem francos, que Julien relata à sra. de Rênal com um sorriso amargo, e ela compensa comprando, em dez luíses, os livros que ele deseja para os filhos; aos poucos Julien consegue que o prefeito aceite uma assinatura do livreiro em nome do mais baixo criado. Sozinhos, os dois mergulham num silêncio embaraçado, e a sra. de Rênal, que nunca sentira nada que se parecesse com o amor, não se faz censura alguma.
Livro I, capítulo 8: Pequenos acontecimentosElisa, a criada, recebe uma herança e conta ao cura
Abade Chélan que quer casar com
Julien Sorel; Chélan adverte o rapaz de que, sendo padre, terá de escolher entre fazer fortuna neste mundo ou no outro, e Julien, para recusar a moça, inventa uma calúnia contra ela. Ao ouvir de Elisa que Julien a rejeita, a
Madame de Rênal quase perde a razão de tanta felicidade, defende a causa da rival por uma hora e, depois de passar mal, pergunta-se se ama Julien. Em Vergy, onde Rênal instala a família na primavera, ela e Julien abrem um caminho de areia sob as nogueiras, caçam borboletas com as crianças e recebem a prima, a sra. Derville. Nas noites de calor sob a tília, Julien toca a mão da sra. de Rênal, que a retira depressa, e decide que é seu dever fazer com que ela não a retire mais.
Livro I, capítulo 9: Uma noite no campoNo dia seguinte ao toque na tília,
Julien Sorel decide que naquela noite a
Madame de Rênal lhe entregará a mão e se impõe um prazo: quando soarem as dez horas no relógio do castelo, ou executa o que prometeu, ou sobe ao quarto para estourar os miolos. Ele toma a mão dela, que a retira, toma de novo e a mão por fim fica, e a sra. de Rênal, de mãos dadas com ele sob a tília, não pensa em nada e se deixa viver. Na manhã seguinte, Rênal, que voltou de Verrières, repreende Julien por passar a manhã sem ocupar-se das crianças; Julien responde com desprezo, rejeita o braço da sra. de Rênal e encara com frieza a sra. Derville, que lhe pede que se controle. Em seguida pede à sra. de Rênal que busque no colchão dele uma caixinha de papelão preto com um retrato, sem olhar; ela supõe o retrato da mulher que ele ama e sofre de ciúme ao trazê-la, e Julien queima a caixa, que guardava um retrato de Napoleão e linhas escritas por ele.
Livro I, capítulo 10: Um grande coraçãoRênal entra no quarto das crianças com os criados que carregam os colchões, e
Julien Sorel, fora de si, o enfrenta: pergunta se outro preceptor teria feito os filhos progredirem tanto, diz que pode viver sem ele e que, saindo daquela casa, sabe para onde ir. Rênal, que logo imagina Julien instalado na casa de
Valenod, concede cinquenta francos por mês, e as crianças correm a contar à mãe. Julien avisa que precisa falar de consciência com o cura
Abade Chélan e sobe pelos bosques até uma rocha isolada: ali, longe dos homens, diz a si mesmo que ganhou uma batalha e se pergunta de que o homem poderoso teve medo. Observando um gavião, inveja-lhe a força e o isolamento e pergunta-se se o destino de Napoleão será o seu.
Livro I, capítulo 11: Uma noiteAo sair do presbitério,
Julien Sorel encontra
Valenod e se apressa em contar-lhe o aumento de salário. À noite, no jardim, tenta pegar a mão da
Madame de Rênal, que a retira, mas, ao ouvir Rênal aproximar-se falando de política com raiva, resolve tomar a mão dela diante do próprio marido e beija-lhe o braço e a mão, que ela, assustada, acaba entregando. A sra. de Rênal, que passara o dia atormentada pela suspeita de que Julien amasse outra, descobre que está apaixonada e, de volta ao quarto, é tomada pelo terror da palavra adultério, a ponto de gritar e acordar Elisa; resolve tratá-lo com perfeita frieza. Julien, no quarto, resolve aproveitar a vitória, que chama de puro Napoleão, e pedir ao patrão uma folga de três dias para visitar Fouqué.
Livro I, capítulo 12: Uma viagemÀs cinco da manhã
Julien Sorel obtém de Rênal a folga de três dias; a
Madame de Rênal o recebe com uma frieza forçada, ele responde com altivez e parte sem lhe falar da viagem, e ela só fica sabendo da partida pelo filho e vai para a cama, desolada. Julien sobe a grande montanha, passa o fim da tarde numa gruta onde escreve seus pensamentos, que queima antes de partir, e chega à uma da manhã à casa de Fouqué, jovem comerciante de madeira. Fouqué lhe propõe sociedade no negócio, com quatro mil francos por ano, e Julien, depois de pesar a proposta, recusa dizendo que a vocação para o santo ministério não lhe permite aceitar, o que o amigo não consegue entender.
Livro I, capítulo 13: As meias rendadasAo voltar,
Julien Sorel nota que desde a antevéspera não pensara uma vez na
Madame de Rênal; ela, que passou a ausência em suplícios e adoeceu, ouve o relato da viagem com extrema perturbação e aparece de meias rendadas, sapatinhos de Paris e vestido novo, o que a sra. Derville lê como sinal de que a amiga está amando. Quando ela, com voz trêmula, pergunta se ele vai deixar os alunos por outra colocação, Julien responde que talvez seja necessário e, ao dizer "tão bem-nascidos", sente que aos olhos dela não é bem-nascido. À noite, no jardim, depois de largar distraído a mão dela e vê-la retomá-la, ele decide por vaidade e por dever ser seu amante, e à meia-noite lhe diz que precisa partir porque a ama com paixão; ela resolve que Julien será apenas um amigo.
Livro I, capítulo 14: A tesoura inglesaPara
Julien Sorel a oferta de Fouqué acabou com a felicidade, e ele, sem decidir nada, redige um plano de sedução detalhado. Quando a
Madame de Rênal lhe pergunta se não tem outro nome além de Julien, ele não sabe responder, tenta reparar o fracasso beijando-a numa passagem de um aposento a outro, quase sendo visto, e ela, assustada e lembrada do
Valenod, passa a manter sempre um dos filhos ao lado. Depois do almoço, diante do subgovernador Maugiron, Julien adianta a bota e toca o pé da sra. de Rênal, que deixa cair a tesoura inglesa, a qual se quebra, e ela lhe diz: "Seja prudente, é uma ordem!". À noite Julien vai a Verrières e encontra o cura
Abade Chélan arrumando a mudança, destituído e substituído pelo vigário Maslon, e aproveita o episódio para escrever a Fouqué que a injustiça talvez torne mais vantajoso que sua salvação não dependa de nenhuma ordem religiosa.
1.2Temas da semana: Ambição, Classe social, Aparência e realidade, Amor, Política, Orgulho, Felicidade.
1.3o narrador, Livro I, capítulo 1: Uma cidadezinha.
A frase aparece na abertura do livro, quando o narrador ainda descreve Verrières e seu prefeito e nem sabe do herói. Ele acaba de explicar como se ganha consideração na cidade: construindo muitos muros e recusando qualquer projeto trazido da Itália pelos pedreiros, porque as pessoas "sensatas e moderadas" que distribuem a estima pública castigam quem inova com a fama de cabeça-dura. Para quem conheceu Paris, diz o texto, viver numa cidadezinha dessas é insuportável, e é nesse ponto que cai a comparação com os Estados Unidos: a tirania da opinião é tão burra ali quanto lá.
O que a frase deixa pronto para o resto do romance é o terreno em que Julien vai se mover. Em Verrières, o que pesa é o que os vizinhos vão achar, mais do que o que cada um pensa ou sente, e o próprio prefeito vive refém desse olhar: basta o velho Sorel sorrir para ele, de longe, e ele passa a achar que poderia ter pago menos pelo terreno. Para quem não tem nome nem dinheiro para impor a própria opinião, aprender a administrar a dos outros pode ser questão de sobrevivência, e é por aí que a hipocrisia de Julien deixa de parecer só defeito de caráter e passa a parecer também ferramenta. Pode-se ler também a ironia do narrador como um primeiro aviso de que o livro vai tratar a aparência como poder: o que a cidade pensa de um homem vale, em Verrières, mais que o que ele é.
1.4o narrador, Livro I, capítulo 14: A tesoura inglesa.
De volta da casa de Fouqué, Julien decidira, por vaidade e por dever, tornar-se amante da sra. de Rênal. O narrador diz que o orgulho dele não queria deixar nada ao acaso nem à inspiração do momento e que, a partir do que ouviu de Fouqué e do pouco que leu sobre o amor na Bíblia, ele traçou um plano de campanha detalhado. O resultado é o oposto do que ele espera: quando ela lhe pergunta se não tem outro nome além de Julien, ele não sabe responder, o beijo que ensaia é quase surpreendido, e ela passa a manter um dos filhos sempre ao lado.
A frase mostra o erro de método: o plano que deveria dar a Julien o controle é justamente o que o deixa desajeitado. Pode-se ler aí que quem planeja o sentimento perde o sentimento. Por trás está o orgulho: ele não admite fracassar, e por isso não se permite improvisar. O toque no pé durante o almoço, que faz a sra. de Rênal quebrar a tesoura inglesa, nasce desse mesmo roteiro, e a resposta dela é a ordem seca de ser prudente.
O capítulo seguinte confirma a lição. Quando Julien chega ao quarto dela tremendo, esquece o plano e cai aos pés da sra. de Rênal em lágrimas, e é então que ela o aceita. O livro sugere, com essa troca, que no amor o que funciona é o que não foi calculado, algo que Julien parece admitir só na prisão.
1.5B. O narrador avisa que não foram as serrarias que enriqueceram a cidade: a prosperidade se deve à fábrica de tecidos pintados, ditos de Mulhouse, que permitiu reconstruir a fachada de quase todas as casas.
1.6D. Em vez de estar ao lado da serra, Julien estava cinco ou seis pés acima, montado numa viga, absorvido na leitura. O pai derruba o livro no riacho com um golpe e quase o faz cair em meio às alavancas da máquina.
1.7B. A inveja desses trabalhadores grosseiros foi atiçada pelo traje preto, pelo extremo asseio do irmão e pelo desprezo que ele tinha por eles; deixaram-no desmaiado e ensanguentado. A sra. de Rênal, que passeava com o sr. Valenod e o subgovernador, chega por acaso e o julga morto; sua aflição provoca o ciúme de Valenod.
1.8C. Julien ainda guarda as palavras grosseiras da manhã e pensa que tomar posse da mão da mulher justamente na presença do prefeito seria uma forma de zombar dele. Importa porque, mais uma vez, o gesto de Julien nasce da vontade de se vingar e vencer, e não do desejo de uma carícia; a sra. de Rênal é quem vive o gesto como amor.
1.9B. O plano de campanha, redigido às pressas e escondido de si mesmo, o torna desajeitado, e ele exagera na falta de jeito. A sra. de Rênal, porém, vê ali candura. Fica a pergunta para pensar: por que o cálculo estraga justamente o que nele era natural?
1.10 a 1.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Semana 2
2.1O que aconteceu.
Livro I, capítulo 15: O canto do galoA ausência fizera esquecer os disparates do dia anterior, mas à noite
Julien Sorel, sem esperar escurecer, diz ao ouvido da
Madame de Rênal que irá ao quarto dela às duas horas, e ela responde com indignação verdadeira. Ele passa a noite infeliz e, quando as duas badaladas o acordam como o canto do galo acordou são Pedro, vai descalço pelo corredor, trêmulo, e abre a porta do quarto, onde ardia uma lamparina. Ela salta da cama e o chama de desgraçado; Julien, esquecendo os planos, cai a seus pés e desfaz-se em lágrimas, e a sra. de Rênal, que se julga condenada, o afasta e logo se atira nos braços dele. De volta ao seu quarto, Julien repassa a própria conduta como o soldado ao voltar da parada.
Livro I, capítulo 16: O dia seguinteNo dia seguinte à primeira noite,
Madame de Rênal mal consegue olhar para
Julien Sorel sem corar, e Julien, que estuda cada gesto como um papel, conduz o almoço com uma prudência de obra-prima. Alarmada com o único olhar que ele lhe dirige, ela teme já não ser amada por ter dez anos a mais, enquanto a sra. Derville tenta lhe pintar o perigo que corre. Julien só aparece no quarto dela à uma hora da manhã, fiel ao dever que se impôs, e dessa vez pensa menos no papel e encontra maior felicidade. Em poucos dias está perdidamente apaixonado, embora o amor dele ainda seja, em boa parte, ambição, e a proposta de Fouqué continua a perturbá-lo quando fica sozinho.
Livro I, capítulo 17: O primeiro-adjuntoNum fim de tarde no pomar,
Julien Sorel sonha com a dificuldade de conseguir uma boa colocação e solta um arroubo a favor de Napoleão, e a
Madame de Rênal franze as sobrancelhas e adota um ar frio, porque para ela aquilo soa a pensamento de criado. Ele se salva atribuindo a frase ao raciocínio dos ímpios que ouviu na viagem à casa do amigo comerciante de madeira, mas sente no franzir o primeiro revés da ilusão. Com a educação que recebe dela, Julien enfim entende as intrigas de Verrières, onde se tenta fazer do devoto Moirod o primeiro-adjunto do prefeito, e a própria sra. de Rênal chega a vê-lo papa ou primeiro-ministro como Richelieu.
Livro I, capítulo 18: Um rei em VerrièresEm 3 de setembro um guarda anuncia que o rei de *** visitará Verrières no domingo, e o prefeito trata de conseguir o comando da guarda de honra para o devoto e medroso Moirod, enquanto a sra. de Rênal obtém que
Julien Sorel seja nomeado guarda de honra no lugar de filhos de fabricantes ricos e manda confeccionar o uniforme dele em Besançon. Julien desfila a cavalo, num dos cavalos normandos de
Valenod, sob a indignação da cidade, e por um instante se sente ordenança de Napoleão. Depois troca a farda pela batina e acompanha o padre Chélan a Bray-le-Haut, onde o jovem bispo de Agde, sobrinho do
Marquês de La Mole, mostra ao rei a relíquia de são Clemente, e Julien o surpreende ensaiando bênçãos diante do espelho. A cerimônia tem o Te Deum e termina com as moças de Verrières prometendo ódio ao ímpio, e o marquês distribui dez mil garrafas de vinho aos camponeses.
Livro I, capítulo 19: Pensar faz sofrerAo arrumar o quarto onde dormiu o marquês de La Mole,
Julien Sorel encontra a petição servil de um tal Cholin, que pede a agência de loteria de Verrières, e a cidade passa oito dias indignada por ele ter sido guarda de honra. Quando o caçula Stanislas adoece, a
Madame de Rênal é tomada de remorso, lê a febre como castigo de Deus pelo adultério e pede a Julien que vá embora; uma noite quase confessa tudo ao marido, que a toma por romanesca. Julien parte e é chamado de volta dois dias depois, e a crise muda o amor deles, que fica mais intenso e sombrio. A criada Elisa, que Julien recusou como marido, conta tudo a
Valenod, e o
Monsieur de Rênal recebe uma longa carta anônima.
Livro I, capítulo 20: As cartas anônimasPerto da meia-noite
Julien Sorel avisa à
Madame de Rênal que o marido deve ter lido uma carta anônima e que não se verão naquela noite; ela, pensando que o aviso é pretexto para evitá-lo, ainda vai à porta dele à hora de sempre. Na manhã seguinte a cozinheira lhe entrega um livro com a inscrição em italiano que manda ver a página 130, onde está uma carta dela, escrita às pressas e cheia de erros de ortografia. Nela a sra. de Rênal diz que dirá ao marido ter recebido ela mesma uma carta anônima, propõe que Julien se instale em Verrières e faça amizade com todos, e dita o plano: a carta anônima será dele, feita de palavras recortadas de um livro e coladas em papel azulado vindo da casa de
Valenod, para que o marido acredite que o autor da primeira é o rival. Combina ainda um sinal, um lenço branco no pombal.
Livro I, capítulo 21: Diálogo com um mestreJulien Sorel passa uma hora recortando palavras para a carta anônima, e a
Madame de Rênal a recebe dele com uma calma que o assusta e lhe entrega um estojo de joias para enterrar na montanha, caso tudo dê errado. O
Monsieur de Rênal passa a noite em claro, imaginando matar a mulher, expulsá-la ou fingir que nada sabe, e conclui que o escândalo lhe sairia caro, entre a herança da tia dela em Besançon e a zombaria de Verrières. De manhã ela o aborda no jardim, entrega a segunda carta como se um desconhecido a tivesse dado, exige a partida de Julien e, insinuando um amorzinho platônico de
Valenod por ela e as cartas galantes dele, desvia a fúria do marido para o diretor do asilo, até ele constatar que as cartas e o anônimo estão no mesmo papel. Ela amarra o lenço branco no pombal e, à noite, comunica que Julien terá quinze dias de licença em Verrières, que o marido, a contragosto, reduz a uma semana.
Livro I, capítulo 22: Maneiras de agir em 1830Em Verrières,
Julien Sorel se arrepende de ter sido injusto com a
Madame de Rênal e, para mostrar à cidade o que é um padre, constrói com as próprias mãos uma estante para os livros do
Abade Chélan, que a destituição afastou do presbitério. O subgovernador Maugiron lhe faz, em nome de um funcionário que não nomeia, a oferta de oitocentos francos pagos por trimestre, e
Valenod o convida para almoçar: Julien recita o Novo Testamento em latim diante dos convidados e vira moda, mas chora ao ouvir o diretor do asilo dizer que mandou calar o preso que cantava. O
Monsieur de Rênal e Valenod passam a disputar o preceptor, o primeiro humilhado por ter o nome na última linha das coletas das confrarias, o segundo dependente do vigário-geral
Abade de Frilair desde que pediu a destituição de Chélan. A sra. de Rênal vem à cidade e desperta Julien com as mãos nos olhos, e o caçula Stanislas, ainda doente, quer vender os talheres de prata e dar o valor a Julien, para que ele não saia perdendo ao ficar com eles.
Livro I, capítulo 23: Dissabores de um funcionárioA casa grande do município, que o
Monsieur de Rênal manda pôr em leilão, intriga
Julien Sorel, que a visita e assiste ao pregão: é tomado por espião do prefeito quando a casa é alugada por nove anos, por trezentos e trinta francos, ao sr. de Saint-Giraud, tido como da Congregação. À noite chega o cantor napolitano signor Geronimo, que transforma a casa triste numa festa e conta como driblou o severo Zingarelli para cantar no teatro San Carlino. A criada Elisa confessa os amores de Julien aos dois curas, e
Abade Chélan lhe ordena que em três dias parta para o seminário (ver
O seminário de Besançon) de Besançon ou para a casa de Fouqué; o sr. de Rênal ameaça se bater com
Valenod por uma nova carta anônima, e a mulher, para evitar o duelo, o leva a oferecer seiscentos francos a Julien para um ano de seminário. Julien recusa o dinheiro e parte, mas volta no terceiro dia para uma noite de despedida em que a
Madame de Rênal, gelada, parece um cadáver vivo.
Livro I, capítulo 24: Uma capitalCom roupas civis,
Julien Sorel chega a Besançon e, antes de se fechar no seminário (ver
O seminário de Besançon), percorre as muralhas e a fortaleza, sonhando com a farda de subtenente. No grande café do bulevar a moça do balcão, Amanda Binet, o acolhe, marca com ele um desjejum para o dia seguinte e lhe ensina a se dizer primo da mãe dela, de Genlis; Julien lhe recita a Nova Heloísa de cor, mas quase se bate com um dos amantes dela, que Amanda apresenta como cunhado. Ele guarda o traje civil na estalagem da hoteleira dos Embaixadores e se dirige ao seminário.
2.2Temas da semana: Ambição, Classe social, Aparência e realidade, Amor, Política, Felicidade.
2.3Julien Sorel (em pensamento), Livro I, capítulo 15: O canto do galo.
Às duas horas da madrugada, Julien vai descalço ao quarto da sra. de Rênal. Ela salta da cama e o chama de desgraçado, ele esquece os planos, cai a seus pés e desfaz-se em lágrimas, e ela, que se julgava condenada, o afasta e logo se atira nos braços dele. De volta ao quarto, Julien repassa a própria conduta como o soldado que volta da parada, e a pergunta que lhe ocorre é a frase em questão: ser feliz, ser amado, é só isto?
Era a maior vitória que ele tinha obtido, e a primeira coisa que sente é um desapontamento. A pergunta sugere que a ambição de Julien não sabe o que fazer diante do próprio sucesso: o narrador diz que a alma, 'acostumada a desejar, não sabe mais o que desejar'. Pode-se ler que o que a move é conquistar, não possuir. A cena não termina em êxtase, mas em autoavaliação: no momento seguinte ele se pergunta que papel acaba de desempenhar, o de homem acostumado a ser brilhante com as mulheres. Pode-se ler que, mesmo no amor correspondido, Julien continua atuando para uma plateia que só existe na cabeça dele.
Vista do fim do livro, a frase ganha outro peso. Na prisão, sem nada a conquistar, Julien dirá que nunca terá sido tão feliz como nos dois meses que lhe restam ao lado da sra. de Rênal, e lembrará que, nos bosques de Vergy, uma ambição impetuosa o levava a regiões imaginárias quando poderia ter sido feliz. A pergunta do capítulo 15 e a resposta do fim são, lidas juntas, a mesma pergunta feita cedo demais.
2.4Julien Sorel (em pensamento), Livro I, capítulo 24: Uma capital.
Julien chega a Besançon em roupas civis e, antes de se fechar no seminário, percorre as muralhas e a fortaleza, sonhando com a farda de subtenente. Passa pelo grande café do bulevar, onde a moça do balcão, Amanda Binet, o acolhe, e quase se bate com um dos amantes dela por orgulho. Ao guardar o traje civil na estalagem e seguir para o seminário, pensa, com a frieza de quem se sabe sem apoio, que para um pobre-diabo sem padrinhos e sem dinheiro não deve haver muita diferença entre o seminário e a prisão.
A frase tem o tom de uma piada amarga, e o livro vai fazê-la voltar com outra voz. No seminário, o que o espera é de fato uma cela: espionagem entre colegas, vigilância sobre cada gesto, o dever de parecer devoto. No fim do romance, porém, a prisão verdadeira, a cela de condenado, será o lugar em que ele dirá ter conhecido a arte de gozar a vida. Pode-se ler nesse contraste entre a prisão que ele teme e a que o liberta uma das ironias da trama.
O capítulo também cumpre uma função de respiro. Besançon parece o último lugar em que Julien ainda aparece como rapaz, flertando e se exibindo, antes de a batina o obrigar a calcular cada movimento. Pode-se ler a cena do café como uma despedida do vermelho: vê-se a farda, só que de longe, e logo em seguida a porta do seminário se fecha.
2.5C. Sem esperar que escurecesse, correndo o risco de comprometê-la, Julien faz o pedido por uma ideia 'ridícula'. Ela responde com indignação verdadeira, e ele acha que ouviu desprezo. A frase é o que o obriga, horas depois, a cumprir o que disse.
2.6B. Para Julien, Napoleão foi 'o homem enviado por Deus para os jovens franceses': com ele, o talento bastava. Sem ele, a carreira se compra, e quem só tem educação fica de fora. Fica a pergunta para pensar: o que é uma sociedade em que o mérito já não abre caminho sem dinheiro?
2.7A. Julien encontra a petição ao arrumar o quarto que o marquês ocupou e pensa: 'até aquele imbecil do Cholin me aponta o caminho das pedras'. Importa porque ele aprende, em letra de doméstico, como se pedem cargos: exibindo religião e lealdade ao poder.
2.8B. Julien carrega as tábuas pela rua principal para mostrar a Verrières o que é um padre. O velho chora de alegria e diz que achava que ele estivesse corrompido pela vaidade mundana.
2.9A. O narrador contrapõe o provinciano ao colegial de Paris, que aos quinze anos já sabe entrar num café de maneira distinta, mas aos dezoito se torna vulgar. A timidez, quando vencida, é que ensina a querer. Fica a pergunta para pensar: por que o texto dá mais valor ao que custou esforço do que à desenvoltura que vem de berço?
2.10 a 2.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Semana 3
3.1O que aconteceu.
Livro I, capítulo 25: O seminárioJulien Sorel toca à porta do seminário (ver
O seminário de Besançon) de Besançon, é conduzido por um porteiro de olhar de gato a uma sala nua e fica de pé, sem ser notado, diante do abade Pirard, que escreve em quadradinhos de papel. Quando o diretor o encara e lhe pergunta o nome, Julien desmaia; ao voltar a si, ouve a carta de recomendação do
Abade Chélan e é submetido a um exame de teologia em latim, que revela conhecimento largo da Escritura, ignorância dos Padres da Igreja e todo o livro de Maistre sobre o papa recitado de cor. Pirard o proíbe de entrar em qualquer sociedade secreta sem o consentimento dele, manda anotar o uso dos trinta e cinco francos que Julien tem e lhe dá a cela 103, onde ele adormece e perde o jantar.
Livro I, capítulo 26: O mundo ou o que falta ao ricoJulien Sorel chega atrasado ao primeiro dia no seminário (ver
O seminário de Besançon), responde à repreensão com um Peccavi, pater optime! e passa a tratar os trezentos e vinte e um colegas como inimigos; escolhe o
Abade Pirard por confessor sem saber que isso o põe contra o vice-diretor Castanède. Aos poucos descobre que ali ser o primeiro nos estudos é pecado e que uma cara de fé cega vale mais do que saber, e se dedica a compor uma personalidade nova, até no modo de olhar e de comer. Fouqué o visita e lhe diz que a
Madame de Rênal virou devota, enquanto Pirard, sem que ele saiba, intercepta as cartas de Dijon em que a paixão luta com o remorso. Por fim Pirard o convoca por causa de um endereço de Amanda Binet escrito numa carta de baralho que a polícia de Castanède tirou da mala dele, acredita no relato e o previne de que guardar aquilo foi imprudência.
Livro I, capítulo 27: Primeira experiência da vidaO narrador avisa que dirá pouco desta época sombria.
Julien Sorel, que mal progride na hipocrisia de gestos, passa pela maior provação de sua vida, cogitando alistar-se ou virar professor de latim, e descobre que diferença gera ódio quando um aluno em olor de santidade o repele ao primeiro trovão. O padre Castanède ensina que o governo só tem poder legítimo por delegação do papa, os colegas só falam de curatos gordos e de coelhos dados a criadas de curas velhos, e Julien, que tenta tirar partido do livro de Maistre sobre o papa, ganha o apelido de Martinho Lutero por sua lógica. Isolado como ovelha sarnenta, chega a se armar de um compasso de ferro contra os colegas mais fortes que queriam espancá-lo.
Livro I, capítulo 28: Uma procissãoJulien Sorel percebe que nenhum professor aprecia sua humildade, exceto o padre Chas-Bernard, diretor do cerimonial da catedral, que lhe fala por horas dos paramentos e da velha presidenta de Rubempré; na véspera do Corpus Domini,
Abade Pirard o manda ajudá-lo a ornamentar a catedral. Julien trabalha nas escadas, sobe ao dossel do altar-mor para pôr os buquês de plumas onde os tapeceiros parisienses não se atreveram e divide com ele uma refeição alegre. Durante a procissão, vigiando a ala norte da igreja vazia, reconhece a
Madame de Rênal, que desmaia ao ouvir seus passos, e a sra. Derville o expulsa com dureza. Chas-Bernard, ao ver Julien pálido, desiste de apresentá-lo ao bispo.
Livro I, capítulo 29: A primeira promoçãoCom uma carta de Chas-Bernard em favor de
Julien Sorel na mão,
Abade Pirard, prestes a deixar o seminário (ver
O seminário de Besançon) depois de quinze anos, nomeia-o explicador do Novo e do Velho Testamento e o previne de que a inveja o perseguirá; Julien passa a jantar sozinho, ganha o respeito dos colegas quando Fouqué manda um cervo e um javali em nome de seus pais e brilha nos exames, mas um examinador nomeado por
Abade de Frilair lhe arma uma cilada com Horácio, e o vigário-geral escreve de próprio punho o número 198 ao lado do nome dele. Chega uma letra de câmbio de quinhentos francos, que Julien julga ser da
Madame de Rênal e que na verdade vem do
Marquês de La Mole, em processo contra Frilair por um terreno e a quem Pirard serve. Quando o marquês o chama a Paris, Pirard escreve a própria demissão e manda Julien levá-la ao bispo; Julien conquista o prelado recitando Horácio e sai com um Tácito de presente. Pirard deixa o seminário depois de uma severa alocução aos alunos e é nomeado para uma rica paróquia a quatro léguas de Paris.
Livro I, capítulo 30: Um ambiciosoO
Marquês de La Mole recebe
Abade Pirard em Paris sem cerimônia e lhe oferece o posto de secretário, que ele recusa; Pirard sugere então
Julien Sorel, rapaz de coração altivo que será perseguido no seminário (ver
O seminário de Besançon), e o marquês aceita fazer dele companheiro do filho e manda mil francos de viático. Julien recebe a carta de Châlons com a folha de árvore, o sinal combinado com Pirard, o bispo o cumprimenta pelo destino que o espera em Paris e o prefeito traz um passaporte em branco, enquanto Fouqué desaprova. Em Verrières o
Abade Chélan o recebe com severidade, só fala de teologia e o faz deixar a cidade a cavalo sem ver ninguém; Julien dispensa o cavalo, compra uma escada de um camponês e entra de madrugada no quarto da
Madame de Rênal, que o repele com horror religioso mas cede quando ele anuncia, com frieza calculada, que parte para sempre. Passa o dia escondido no quarto da sra. Derville, quase descoberto pelo criado e pelo marido, e na noite seguinte foge pela janela sob tiros, rumo à estrada de Genebra.
Livro II, capítulo 1: Os prazeres do campoNa diligência para Paris,
Julien Sorel escuta o bonapartista Falcoz e o filósofo Saint-Giraud, que vende suas terras e foge da província: o vigário o persegue porque ele recusa donativos, e os liberais, porque recusa o voto. Em Paris, Julien chora diante de Malmaison e só no terceiro dia se apresenta ao
Abade Pirard.
Livro II, capítulo 2: Ingresso na sociedadeAbade Pirard apresenta
Julien Sorel ao
Marquês de La Mole, um homenzinho magro de peruca loira, e lhe dá dois dias livres em Paris: Julien perde o relógio para um liberal prestativo no cemitério e vê o sapateiro registrá-lo como sr. Julien de Sorel. O marquês o instala numa mansarda e manda que compre mais vinte e duas camisas, e Julien fica deslumbrado com a biblioteca. Mas o marquês desanima ("É tempo perdido toda essa experiência") ao ver que ele escreve "isso" com um só s.
Livro II, capítulo 3: Os primeiros passosNa biblioteca,
Mathilde de La Mole entra por uma porta secreta escondida entre as lombadas, procurando um volume de Voltaire, e se contraria ao encontrar
Julien Sorel. Norbert o leva a cavalgar, e Julien cai em plena Rue du Bac; no jantar conta a queda com tanta simplicidade que diverte o
Marquês de La Mole e faz Mathilde rir e pedir detalhes. O jovem Tanbeau, sobrinho do acadêmico, tenta dividir a biblioteca com Julien e é repreendido pelo marquês.
3.2Temas da semana: Ambição, Classe social, Aparência e realidade, Amor, Política, Felicidade.
3.3o narrador, Livro I, capítulo 26: O mundo ou o que falta ao rico.
No primeiro dia no seminário, Julien chega atrasado, responde à repreensão com um Peccavi, pater optime! e passa a tratar os trezentos e vinte e um colegas como inimigos, o mais perigoso deles o abade Pirard. Poucos dias depois, quando lhe apresentam uma lista para escolher um confessor, pensa "Será que acham que não sei onde estou pisando?" e escolhe justamente Pirard. Sem que o suspeite, a escolha o põe contra o vice-diretor Castanède, inimigo de Pirard e suspeito de jansenismo, como lhe conta um seminarista de Verrières.
A passagem mostra Julien aplicando ao seminário as máximas que impôs a si mesmo: desconfiar de todos, calcular o efeito de cada gesto. O narrador chama de equivocados todos os primeiros passos dele, "tão equivocados como a escolha do confessor", porque o rapaz se achava prudente e se julgava um hipócrita consumado. O resultado, porém, é irônico. O homem que ele elege tomando-o por perigoso é quem o trata com lealdade: Pirard o protege, o promove a explicador e, mais tarde, o recomenda ao marquês de La Mole, em Paris.
Pode-se ler a cena como um primeiro exemplo de como o cálculo de Julien acerta por acaso e erra por método. Ele escolhe bem sem entender por quê, e muitas vezes, quando ganha algo, é por causa de alguém que não tinha interesse em enganá-lo. O seminário, que o narrador vai tratar como lugar de sistema, tem aqui o seu primeiro contraexemplo, e o rapaz só o percebe depois.
3.4Abade Pirard (em pensamento), Livro II, capítulo 3: Os primeiros passos.
Julien está há pouco na mansão de La Mole. Cavalgou com Norbert e caiu em plena Rue du Bac, contou a queda no jantar com tanta simplicidade que divertiu o marquês, e viu o jovem Tanbeau ser repreendido ao tentar dividir a biblioteca com ele. Apesar de tanta bondade, sente-se logo isolado no meio da família, e os criados riem de suas trapalhadas. É nesse momento que o padre Pirard parte para a paróquia a que foi nomeado, e o narrador registra o que ele pensa ao deixá-lo: se Julien for um frágil caniço, que se quebre, se for um homem de caráter, que se arranje sozinho.
A frase é fria e justa ao mesmo tempo. Pirard, que o protegeu desde o seminário, não vai segurá-lo pela mão: a frase sugere que, para ele, o mundo em que Julien entra tem de ser atravessado por conta própria. É uma forma de confiança que parece indiferença, e mostra que a lealdade que Julien conheceu no abade tem limites claros. Pirard ajuda, aconselha, avisa, mas não decide.
Julien vai de fato se arranjar sozinho, e o preço é pesado. Sem padrinho e sem os hábitos da casa, aprende a ler o ambiente pelos detalhes e anota os nomes do salão. O livro não diz se ele é caniço ou homem de caráter, e uma leitura possível é que ele é as duas coisas: dobra-se diante do vento até o momento em que decide não mais se dobrar, e então se quebra.
3.5A. Pirard responde que isso é o efeito das vãs pompas mundanas: Julien está acostumado a rostos risonhos, verdadeiros teatros da mentira, e a verdade é austera. Também o previne contra a demasiada sensibilidade perante as graças vãs da aparência. Fica a pergunta para pensar: uma fisionomia austera diz mais verdade do que uma risonha?
3.6B. O texto diz que Chélan lhe incutiu o hábito de raciocinar corretamente sem avisar que, em quem não é muito considerado, ele é um crime: todo bom raciocínio ofende. Por isso a capacidade de expressão de Julien é um novo crime e os colegas o apelidam de Martinho Lutero. Fica a pergunta para pensar: por que a lógica ofende mais em quem não tem posição?
3.7C. Pirard diz que há uma inveja e uma calúnia que perseguem quem ofende o vulgo; contra isso só há um remédio: recorrer a Deus e manter a conduta pura, apegado à verdade num abraço invencível. Fica a pergunta para pensar: o homem que tantas vezes fingiu no seminário consegue seguir um conselho que lhe pede o contrário?
3.8C. Saint-Giraud conta que a paz dos campos virou para ele um inferno de hipocrisias e encrencas: o vigário, os liberais, a pequena nobreza. Vende Monfleury com prejuízo e vai buscar a solidão no único lugar onde, diz, ela existe na França: num quarto andar dando para o Champs-Élysées. Fica a pergunta para pensar: por que um homem que foge da política acha mais silêncio na multidão de Paris do que num vale perto do Ródano?
3.9D. Mathilde busca o segundo volume de A princesa da Babilônia, de Voltaire, digno complemento de uma educação eminentemente monárquica e religiosa, obra-prima do Sacré-Coeur, e sabe roubar livros do pai sem deixar rastros. O narrador comenta que, aos dezenove anos, ela já precisava de um romance forte para se interessar por um livro. Fica a pergunta para pensar: o que uma educação que ensina a obedecer produz numa moça que lê Voltaire às escondidas?
3.10 a 3.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Semana 4
4.1O que aconteceu.
Livro II, capítulo 4: A mansão de La MolePara se orientar no
O salão de La Mole,
Julien Sorel anota os nomes e o caráter dos frequentadores: aduladores da marquesa, dois viscondes e cinco barões que conduzem a conversa, tudo regido pela regra de não falar de política nem de nada que seja estabelecido. Atrás da poltrona da marquesa,
Mathilde de La Mole preside uma roda onde Croisenois, Caylus, Luz e Norbert zombam de quem chega, como Descoulis, Sainclair e o barão Bâton, enquanto Julien assiste de uma cadeira de palha. Passam o conde Chalvet, o barão de Tolly, que fraudou uma eleição, e o jovem Tanbeau, que pede dez anos de prisão para o poeta Béranger.
Livro II, capítulo 5: A sensibilidade e uma grande piedadeMeses depois,
Julien Sorel fiscaliza as terras do
Marquês de La Mole na Bretanha e na Normandia, redige a correspondência do processo
Abade de Frilair, estuda teologia e ganha um cavalo do marquês.
Abade Pirard o leva a sociedades de jansenistas, onde conhece o conde Altamira, liberal condenado à morte em seu país e, ao mesmo tempo, devoto. Em casa, a amabilidade graduada do salão lhe dá um tédio mortal, as relações com Norbert esfriam e ele se impõe nunca dirigir a palavra a
Mathilde de La Mole. O marquês lhe confia os negócios mais difíceis, e a marquesa só se anima quando anunciam o barão de La Joumate, que sonharia ter como genro.
Livro II, capítulo 6: Modo de pronunciarNum café da Rue Saint-Honoré, um homem de sobrecasaca insulta
Julien Sorel e lhe atira cartões de visita, e Julien, com o tenente Liévin como testemunha, vai à casa do cavalheiro Charles de Beauvoisis, cujo nome está nos cartões, e encontra um janota que não é o homem do café. Ao sair, reconhece no cocheiro de Beauvoisis o insultador (ele roubara os cartões), derruba-o a chicotadas, e o duelo acontece: Julien leva uma bala no braço e volta na carruagem do adversário, achando a conversa deles mais divertida que a do salão. Para fugir do ridículo, Beauvoisis espalha que Julien é filho natural de um amigo do
Marquês de La Mole, boato que o marquês decide tornar consistente e que o manda à Ópera para livrá-lo dos modos provincianos.
Livro II, capítulo 7: Uma crise de gotaCom o
Marquês de La Mole preso em casa por uma crise de gota e
Mathilde de La Mole e a mãe em Hyères,
Julien Sorel vira companhia de leitura do velho fidalgo, que lhe dá um traje azul: vestido assim, à noite, é tratado como irmão caçula do conde de Chaulnes, filho do velho duque, e de manhã, de preto, volta a ser secretário. Julien reorganiza a contabilidade dos negócios do marquês e recusa, de traje preto, dividir com ele os ganhos da Bolsa. Mandado a Londres por dois meses, aprende o dandismo com o príncipe Korasoff e visita o filósofo Philip Vane, preso, e ao voltar recebe do marquês uma condecoração. Ela traz a Paris o barão de
Valenod, nomeado prefeito de Verrières no lugar de Rênal: Julien pede ao marquês a direção do asilo de mendicidade para o pai e dá a loteria de Verrières ao velho Cholin, sem saber que o posto era pedido para o geômetra Gros.
Livro II, capítulo 8: Qual a condecoração mais honrosaJulien Sorel volta da propriedade de Villequier, que pertencera a Boniface de La Mole, e encontra a marquesa e
Mathilde de La Mole, chegadas de Hyères; já dândi, é de frieza absoluta com ela, que o convida ao baile do duque de Retz. No baile, Mathilde, rodeada de admiradores, discute Rousseau com Julien e se entedia com Croisenois. Ao ver o conde Altamira, condenado à morte, ela formula a máxima de que só a condenação à morte honra um homem e passa a medir os pretendentes por ela, até concluir que a origem nobre tira a força de caráter.
Livro II, capítulo 9: O baileMathilde de La Mole ouve
Julien Sorel dizer a Altamira "Sim, Danton é que era homem!" e passa a seguir a conversa dos dois: Altamira conta que o embaixador Araceli pediu sua extradição, que o Tosão de Ouro de Araceli custou a vida de trinta liberais afogados, e que a própria irmã dançou ao saber da execução do marechal Ney. Julien responde que quem quer o fim quer os meios, e Altamira lhe dá o diagnóstico da sociedade que pune o pensamento. Na volta, Julien passa a noite lendo a história da Revolução e, na biblioteca, no dia seguinte, perguntas de Mathilde o levam a perguntar se o homem que quer expulsar a ignorância e o crime deveria passar como a tempestade.
Livro II, capítulo 10: A rainha MargaridaJulien Sorel chega ao jantar e vê
Mathilde de La Mole de luto fechado, a única de preto na família. O acadêmico lhe conta que é 30 de abril, dia em que Boniface de La Mole e Coconasso foram decapitados na Place de Grève, em 1574, e que a rainha Margarida de Navarra, amante de La Mole, teria enterrado ela mesma a cabeça dele. Nas semanas seguintes, Mathilde passeia com Julien no jardim, lê Brantôme e D'Aubigné e confessa amar o século das guerras da Liga Santa, enquanto Julien oscila entre suspeitar de uma mistificação e achar que ela o corteja.
Livro II, capítulo 11: O império de uma moçaMathilde de La Mole reina sobre o salão por epigramas e se entedia com as cartas todas iguais que recebe de Croisenois, Caylus e dos outros, e as compara, desfavoravelmente, aos atos de grandeza do tempo do Império. Ao se divertir passeando com
Julien Sorel, decide, num lampejo de alegria, que está amando, e conclui que só um amor heroico a livrará do tédio de sua classe.
Livro II, capítulo 12: Será um DantonMathilde de La Mole imagina o amor por
Julien Sorel como o de Margarida de Valois por La Mole, sem contrato nem tabelião, e conclui que, se ele fosse nobre, seria apenas uma aliança desigual. No dia seguinte, ao elogiá-lo para Croisenois e Norbert, ouve do irmão que, se a revolução recomeçar, Julien os mandará à guilhotina; depois do susto, ela decide que é o maior dos elogios ("Será um Danton!"). Quando Caylus e os outros atacam Julien, ela os desmonta, e a incerteza se ama ou não passa a ocupar seus dias e a expulsar o tédio.
Livro II, capítulo 13: Uma conspiraçãoJulien Sorel volta a surpreender Norbert e
Mathilde de La Mole falando dele e suspeita de uma mistificação; descobre, com fios de crina sobre os volumes de Voltaire, que alguém na casa os lê às escondidas, e passa a ver em Mathilde uma Catarina de Médici. Decidido a partir para o Languedoc, recebe dela, na véspera, uma declaração de amor, e a alegria de ter vencido Croisenois não o impede de temer uma armadilha: adia a viagem, manda copiar a carta e envia o original, escondido numa Bíblia, a um empregado de Fouqué. Responde a Mathilde com a prudência de um diplomata e vai à Ópera.
Livro II, capítulo 14: Pensamentos de uma moçaMathilde de La Mole escreveu depois de lutar contra o orgulho e contra o medo da desonra, e teme sobretudo desagradar a
Julien Sorel. Para forçar o desfecho, ele manda descer à noite uma mala pesada; de manhã entrega a resposta, e ela se recusa a ouvi-lo e foge. Julien escreve então uma segunda resposta, zombeteira, anunciando a partida, que Mathilde recebe na escada de olhos risonhos. Às cinco horas ela lhe atira um bilhete: "Preciso falar-lhe: devo lhe falar esta noite [...] Pegue a grande escada do jardineiro perto do poço; coloque-a contra minha janela e suba até meu quarto."
Livro II, capítulo 15: Será uma conspiraçãoJulien Sorel lê o bilhete como possível armadilha e oscila ao longo da tarde: recusar seria uma covardia aos olhos de
Mathilde de La Mole e aos seus. Copia as duas últimas cartas, esconde as cópias num volume de Voltaire, leva os originais ao correio e escreve a Fouqué instruções para publicar um relato se lhe acontecer algo. No jantar, com medo, estuda o rosto dos criados e a palidez de Mathilde; examina o peso da escada e passa uma noite horrível.
4.2Temas da semana: Ambição, Classe social, Aparência e realidade, Amor, Política, Orgulho, Felicidade.
4.3o narrador, Livro II, capítulo 4: A mansão de La Mole.
Para se orientar no salão da marquesa, Julien anota nomes e caráter dos frequentadores: aduladores, viscondes, barões, uma roda de jovens em torno de Mathilde que zomba de quem chega, e tudo regido pela regra de não falar de política nem de nada que seja estabelecido. Passa o jovem Tanbeau, que pede dez anos de prisão para o poeta Béranger; o abade Pirard, que chama aquilo de covil, avisa que o marquês não gosta de escrevinhadores, e Julien queima um manuscrito seu. O narrador resume a lei da casa: não há cem mil escudos de renda nem condecoração que possa lutar contra essa norma de salão, e uma ideia viva, mínima que fosse, parecia uma grosseria.
Pode-se ler o tédio, aqui, como regra de proteção, não como falha do salão. Uma ideia obriga a tomar posição, e tomar posição é o único luxo que essa gente não pode se permitir em público. A conversa se reduz a maledicência e boas maneiras, e quem cuida da conversa cuida do medo: o do ridículo, o dos jacobinos, o de qualquer palavra que possa parecer perigo.
A frase importa para Julien porque indica o que lhe falta e o que ele terá de aprender. Em Verrières, ter ideias, memória e latim fazia dele uma maravilha; aqui, seria um defeito. Pode-se ler também que o salão tem um avesso: o mesmo marquês que não gosta de escrevinhadores confia a Julien, no capítulo 21, a tarefa de anotar uma reunião secreta de doze pessoas em que se discutem tropas e governo. O vazio da conversa e o zelo dos conspiradores são duas faces da mesma classe.
4.4Julien Sorel (em pensamento), Livro II, capítulo 15: Será uma conspiração.
Julien lê o bilhete de Mathilde como possível armadilha e oscila ao longo da tarde. Copia as duas últimas cartas, esconde as cópias num volume de Voltaire, leva os originais ao correio e escreve a Fouqué instruções para publicar um relato caso lhe aconteça algo. No jantar, com medo, estuda o rosto dos criados e a palidez de Mathilde, examina o peso da escada e passa uma noite horrível. A razão pela qual decide ir, apesar de tudo, é puro orgulho: se recusar, se desprezará depois, e pensará na história por toda a vida com alguma dúvida, que para ele é a mais humilhante das desgraças.
A frase é de uma coerência curiosa. Julien sabe que pode estar caindo numa cilada e, mesmo assim, o que o empurra escada acima parece ser menos o desejo do que o medo de se desprezar depois. Ele chega a dizer que se perdoaria mais facilmente um crime claro, que, uma vez confessado, não o preocuparia mais. A lógica de honra que ele despreza no salão, a do duelo, a do nome, a do que se deve fazer, é a que o conduz.
O trecho sugere que, nos momentos decisivos, o orgulho move Julien mais do que a ambição. Pode-se ler a noite do capítulo 15 como o ensaio, em tom menor, de decisões posteriores, como a de recusar com fúria, na prisão, a sugestão do advogado de alegar ciúme: fazer o que pede a própria imagem, e só depois pensar no resto.
4.5B. O narrador diz que, apesar do bom-tom, da polidez perfeita e da vontade de agradar, o tédio estava impresso em todas as fisionomias, e os jovens, com receio de trair uma leitura proibida, se calavam depois de algumas palavras elegantes sobre Rossini e o clima. Fica a pergunta para pensar: o que um salão perde quando nada que pareça uma ideia pode ser dito?
4.6A. À noite, de traje azul, o marquês o trata como igual; de manhã, de preto, com a pasta e as cartas para assinar, Julien volta a ser recebido à maneira antiga, como secretário. Importa porque é assim que a relação passa a funcionar: a franqueza e o afeto cabem no traje azul, o trabalho no preto.
4.7B. O acadêmico conta a história e lembra que Mathilde se chama Mathilde-Marguerite; uma criada confirma que o luto não é afetação, tem raízes profundas no caráter dela. Importa porque Mathilde constrói sua ideia de amor sobre essa lenda e despreza o irmão por não guardar o luto.
4.8A. No primeiro momento ela fica horrorizada; depois pensa: Será um Danton! Importa porque o medo que os outros têm de Julien se torna, para ela, razão de admiração, e o nome ouvido no baile volta ligado ao dele.
4.9B. Julien pensa que, depois de tentarem pegá-lo com as cartas, que se mostraram prudentes, agora querem uma ação mais clara que o dia, e vê no convite uma armadilha de Croisenois, Caylus e companhia. Importa porque é essa desconfiança que o leva a subir de pistola na mão e com as cartas postas a salvo, e é ela que ele confessa a Mathilde no capítulo seguinte.
4.10 a 4.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Semana 5
5.1O que aconteceu.
Livro II, capítulo 16: Uma hora da manhãDesconfiado de uma emboscada,
Julien Sorel faz um reconhecimento militar do jardim e, à uma e cinco da madrugada, sobe a escada até o quarto de
Mathilde de La Mole, de pistola na mão, mais assustado que apaixonado. A cena é friíssima: Mathilde negocia a escada e a corda com sangue-frio de estrategista, e Julien não sente ternura: percebe que não triunfa sobre Croisenois, apenas o sucede, e só chega, pela razão, à alegria do amor-próprio. Ela cumpre a resolução que tomara, a de pertencer a ele inteiramente se ele ousasse chegar até ali, e a noite termina sem queixa nem ternura. Julien só escapa depois de esperar de pé num armário de acaju, quando a mãe de Mathilde se levanta, e cavalga pela floresta mais espantado que feliz.
Livro II, capítulo 17: Uma velha espadaMathilde de La Mole não aparece ao jantar e, nos dias seguintes, finge não ver
Julien Sorel, que procura o motivo e conclui que não é escrúpulo religioso, é interesse de casta.
Livro II, capítulo 18: Momentos cruéisEncantada por ter estado a ponto de ser morta,
Mathilde de La Mole procura
Julien Sorel depois do jantar e o leva a passear no jardim, onde passa a lhe fazer confidências sobre os rapazes por quem sentiu entusiasmo, Croisenois, Caylus e Luz. Não é só confissão, é prazer de vê-lo sofrer: ao falar, ela redescobre em si um resto de inclinação por eles, e Julien a ouve na mesma alameda onde esperara soar uma hora para entrar no quarto dela. A intimidade cruel dura oito dias.
Livro II, capítulo 19: A Ópera BouffeSozinha,
Mathilde de La Mole reconstrói para si mesma, com argumentos, por que valeu a pena ter cedido: não foram o bigode nem a elegância de
Julien Sorel a cavalo, foram as ideias dele sobre o futuro da França e a revolução inglesa de 1688.
Livro II, capítulo 20: O vaso japonêsÀ noite,
Mathilde de La Mole recompõe a roda de Croisenois, Luz e Caylus em torno do canapé azul e evita o jardim, que lhe lembra
Julien Sorel, a quem ninguém dirige a palavra no salão. Uma manhã, às sete, ela entra na biblioteca depois de saber que ele queria lhe falar e declara que não o ama mais, humilhando-o com um desprezo calculado enquanto ele tenta em vão se justificar.
Livro II, capítulo 21: A nota secretaO
Marquês de La Mole, rejuvenescido, testa a memória de
Julien Sorel e lhe dá uma missão: decorar o resumo do que for dito numa reunião secreta e levá-lo, em quatro páginas, a uma figura importante, sem ser notado por ninguém. Julien prova a memória recitando a primeira página do La Quotidienne e se veste de modo antiquado para a ocasião.
Livro II, capítulo 22: A discussão
Livro II, capítulo 23: O clero, os bosques, a liberdadeNa continuação da reunião, um cardeal sustenta que não se forma na França um partido armado sem o clero, ao qual é preciso conceder tudo, a começar pelos bosques.
Livro II, capítulo 24: EstrasburgoObrigado a esperar oito dias em Estrasburgo,
Julien Sorel só encontra em sua alma
Mathilde de La Mole, senhora de sua felicidade e de sua imaginação. Passeando a cavalo perto de Kehl, reencontra o príncipe Korasoff, o amigo de Londres que o iniciara nas regras da fatuidade, e, ao confessar estar apaixonado e rejeitado, recebe dele a receita: ver a amada todos os dias sem parecer frio nem zangado, cortejar uma mulher das relações dela sem dar sinal de paixão e reservar a paixão ardente para as cartas, que Korasoff lhe fornece prontas.
Livro II, capítulo 25: O ministério da virtudeDe volta a Paris,
Julien Sorel relata a missão ao
Marquês de La Mole e corre à casa do conde Altamira, que o leva a d. Diego Bustos, ex-pretendente da marechala de Fervaques. Os dois liberais, Altamira e o espanhol Bustos, descrevem-na como vingativa e jesuítica, e Bustos empresta a Julien quatro cartas escritas por ela, para que conheça seu estilo.
Livro II, capítulo 26: O amor moralA marechala estranha o encanto da família com o padrezinho deles, que só sabe prestar atenção, e
Julien Sorel vê nela um exemplo de calma patrícia, incapaz de emoção viva. Quando
Mathilde de La Mole, intrigada com a constância com que ele se esconde dela, se muda para uma mesinha ao lado da poltrona de Fervaques, Julien fala muito bem, mas só para atingir a alma de Mathilde, e a marechala nem o acompanha. Mathilde, irritada, jura não ouvi-lo mais.
Livro II, capítulo 27: Os melhores cargos da IgrejaPela primeira vez a ideia de bispado se associa ao nome de
Julien Sorel, na cabeça de uma mulher que um dia distribuirá os melhores cargos da Igreja. Julien copia a segunda carta sem pensar no sentido e percebe que as cartas da própria marechala, que Bustos lhe emprestara, são igualmente vagas: só enxerga ali um medo abominável do ridículo. Durante quinze dias repete o ritual de transcrever, entregar a carta e recolher o cavalo na esperança de ver o vestido de
Mathilde de La Mole, enquanto suas frases pitorescas e sentimentais ganham torneado mais refinado.
Livro II, capítulo 28: Manon LescautAs instruções de Korasoff mandam nunca contradizer de viva voz a pessoa a quem se escreve. Numa noite na Ópera, no camarote de Fervaques,
Julien Sorel elogia o balé de Manon Lescaut só porque o acha insignificante, e a marechala, que costuma professar desprezo pelos romances, diz que o balé é bem inferior ao livro do abade Prévost, antes de lembrar que Bonaparte o julgou escrito para os lacaios. Julien deduz que alguém quis comprometê-lo junto à marechala, falando-lhe de seu entusiasmo por Napoleão, e na despedida ouve o recado.
Livro II, capítulo 29: O tédioDepois de ler sem prazer as longas cartas de
Julien Sorel, a sra. de Fervaques começa a se envolver, e o narrador dá a razão: o tédio de uma vida que só ambiciona o efeito sobre o público.
Livro II, capítulo 30: Um camarote na Ópera BouffeMais surpreso que feliz,
Julien Sorel aplica a política russa, falar pouco e agir pouco, e deita
Mathilde de La Mole de volta no divã sem dizer palavra. Ela, chorando, lhe pergunta se a marechala lhe roubou o coração e implora uma resposta. Julien diz que também tem orgulho, que pode amar a marechala e que nada lhe garante que a posição agora restituída sobreviva mais de dois dias, e ela responde oferecendo o excesso do seu amor e do seu sofrimento. Ele já ia ceder quando percebe uma verdade que o narrador nomeia.
5.2Temas da semana: Ambição, Aparência e realidade, Amor, Política, Orgulho.
5.3o narrador, Livro II, capítulo 16: Uma hora da manhã.
Desconfiado de uma emboscada, Julien faz um reconhecimento militar do jardim e, à uma e cinco da madrugada, sobe a escada até o quarto de Mathilde, de pistola na mão. A cena é friíssima: ela negocia a escada e a corda com sangue-frio de estrategista, e ele não sente ternura, percebe que não triunfa sobre Croisenois, apenas o sucede. O narrador marca a diferença com a noite de Verrières: não era aquela volúpia da alma que Julien encontrara algumas vezes junto da sra. de Rênal; nada havia de terno em seus sentimentos nesse primeiro momento, era a alegria mais viva da ambição, e Julien era sobretudo ambicioso.
A frase é o eixo dos capítulos que seguem. O amor com a sra. de Rênal, apesar da mistura com a ambição que o narrador notou no Livro I, tinha momentos de volúpia da alma. Aqui nada disso existe: há uma conquista de classe, um desafio vencido e uma recompensa de vaidade. O narrador não censura, só descreve, e o leitor percebe que Julien conseguiu o que queria sem sentir o que esperava.
Do lado dele, o resultado é uma felicidade de amor-próprio. Do lado dela, há um dever, o de pertencer inteira a quem ousasse chegar até ali. A cena termina sem queixa e sem ternura, e Julien se esconde num armário de acaju quando a mãe de Mathilde se levanta. Pode-se ler a noite como o oposto exato da primeira noite com a sra. de Rênal: lá, o cálculo desmoronou diante de um sentimento que o rapaz não esperava, aqui o sentimento nem chega.
5.4o narrador, Livro II, capítulo 30: Um camarote na Ópera Bouffe.
Mais surpreso que feliz, Julien aplica a política russa, falando pouco e agindo pouco, e deita Mathilde de volta no divã sem dizer palavra. Ela, chorando, lhe pergunta se a marechala lhe roubou o coração e implora uma resposta. Julien diz que também tem orgulho e que nada lhe garante que a posição agora restituída sobreviva mais de dois dias, e ela responde oferecendo o excesso do seu amor e do seu sofrimento. Ele já ia ceder quando percebe uma verdade que o narrador nomeia: a sra. de Rênal encontrava razões para fazer o que seu coração lhe ditava, e essa moça da alta sociedade só deixa o coração se comover depois de encontrar boas razões para que se comova.
A frase é o contraste central dos dois amores do livro, dito sem rodeios. A sra. de Rênal ama primeiro, e depois acha argumentos que expliquem o que já fez. Mathilde percorre o caminho inverso, precisa de motivo, e pode-se ler que é por isso que a cada capítulo busca outro: orgulho, coragem, ameaça, ciúme. O que o narrador mostra como amor de coração, em um caso, e como amor cerebral, no outro, pode ser lido como diferença de método, não como escala de sinceridade.
Pode-se ler a passagem como a explicação do que se passou desde o capítulo 16: todas as idas e vindas de Mathilde nascem da necessidade de uma justificativa. A frase sugere também o que Julien quer, sem saber: a espontaneidade que reconhece na sra. de Rênal. Quando, perto do fim, ele ficar com a sra. de Rênal e não com Mathilde, a razão pode ser lida aqui.
5.5B. Julien entra sem sentir amor algum e, achando que precisa ousar, tenta o beijo; Mathilde o afasta, tomada pela timidez e pelo pudor que voltaram a reinar. Os dois ficam embaraçados, e ele aproveita para olhar ao redor, à procura de homens escondidos.
5.6B. Mathilde, com o culto da amizade fraterna, retomara as conveniências: evita o jardim, associado à lembrança de Julien, e mantém o grupo em torno do canapé azul, junto da mãe. Julien aproveita para observar os rivais: Luz começa a conversa sempre com o tio indo a Saint-Cloud, e Croisenois atribui tudo a causas ocultas.
5.7B. O cardeal expõe em pontos: a Inglaterra não paga, duas campanhas não bastam, é preciso um partido armado, e esse partido é impossível sem o clero, a quem é preciso conceder tudo. Importa porque estabelece a disputa da reunião: os nobres querem uma tropa leiga, e a Igreja quer ser ela própria a força do povo.
5.8A. O texto diz que, para a marechala, a sensibilidade seria uma espécie de embriaguez moral que causa vergonha e compromete a dignidade. É esse o salão que Julien passa a frequentar. Fica a pergunta para pensar: o que acontece com uma mulher que faz da calma uma obrigação quando alguém começa a lhe escrever cartas ardentes?
5.9B. A única resposta de Julien é um silêncio morno: ele acha que ela não tem direito de lhe pedir uma indiscrição indigna de um homem honrado. Ao mesmo tempo, Mathilde, em lágrimas, não consegue ler as cartas da marechala. A cena prepara a conversa em que ele pede garantias.
5.10 a 5.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Semana 6
6.1O que aconteceu.
Livro II, capítulo 31: Amedrontá-laNo camarote da Ópera Bouffe,
Mathilde de La Mole chora e pede "garantias" a
Julien Sorel, que se obriga ao silêncio para não trair a própria emoção. Em casa, depois de duas horas forçando a leitura das Memórias de Santa Helena, ele decide amedrontá-la, e no dia seguinte só aparece à biblioteca às nove horas, quando ela o espera desde as oito. Mathilde se oferece para partir com ele para Londres e se perder, e Julien responde em tom glacial que não há garantia de que ela o amará por oito dias. A frieza cede junto às madressilvas do jardim, onde a lembrança do desespero passado o faz chorar, e ele disfarça o deslize dizendo que aquelas frases ternas foram elaboradas antes, para uma mulher que o amava e o aborrecia. Mathilde ri do gosto dele pela sra. de Fervaques, e o único aborrecimento dela é que ele continue copiando as cartas russas para a marechala.
Livro II, capítulo 32: O tigreJulien Sorel só se entrega à felicidade quando
Mathilde de La Mole não pode ler seu olhar, e cumpre a regra de lhe dizer de vez em quando uma palavra dura; ela, que pela primeira vez ama, é submissa com ele e cada vez mais altiva com todos os outros. Descobre-se grávida e, por honra, quer contar ao pai, e Julien, assustado, consegue com uma ordem que ela adie a carta até a terça seguinte. Ele confessa a Mathilde que o que mais teme é ser afastado dela, e ela fica feliz por julgar que, dos dois, é quem mais ama. Na terça, o
Marquês de La Mole encontra à meia-noite uma carta de oito páginas, escrita para um homem impulsivo, em que a filha assume a culpa por ter seduzido o rapaz e propõe viver com ele na Suíça como sra. Sorel. Enquanto Julien se pergunta o que o marquês escreveria para prescrever sua conduta, o criado de quarto o chama às pressas: o senhor marquês está fora de si.
Livro II, capítulo 33: O inferno da fraquezaO
Marquês de La Mole, furioso e torturado pela ideia de que a filha vai se chamar sra. Sorel e não será duquesa, cobre
Julien Sorel de insultos, e Julien responde ao modo de Tartufo. Julien escreve um bilhete de suicídio, oferece ao marquês o trabalho de matá-lo e vai ao jardim, onde descobre que ama a vida e deve mantê-la por seu filho. Na manhã seguinte, confessa tudo ao
Abade Pirard, a quem expõe três saídas possíveis, a morte, o duelo ou o exílio, enquanto
Mathilde de La Mole, que viu o bilhete, jura ao pai que será publicamente a viúva Sorel, manda Julien para Villequier por prudência e rejeita todos os planos de um parto clandestino. Pirard, que nesse tempo se torna o aliado mais útil de Mathilde, convence o marquês de que só um casamento público é prudente. Num momento de enternecimento o marquês manda à filha um título de dez mil libras de renda para Julien, mas a alma dele ainda não se acostuma a desistir do título de duquesa para a filha.
Livro II, capítulo 34: Um homem de espíritoUm mês passa sem que a negociação avance, porque o
Marquês de La Mole alterna entusiasmos de três dias e não consegue perdoar; num deles, escreve doando as terras do Languedoc, que rendem vinte mil e seiscentos francos, para a filha e para
Julien Sorel. Escondido no presbitério do
Abade Pirard, Julien vê
Mathilde de La Mole quase todo dia, e a fortuna inesperada o torna ambicioso, enquanto ela, impaciente, ameaça deixar a casa paterna e se casar pelas mãos de Pirard. Depois de pensar em fazer Julien desaparecer e, no mesmo dia, em dar-lhe uma fortuna e até o pariato, o marquês envia uma patente de tenente dos hussardos para o cavaleiro Julien Sorel de La Vernaye, com ordem de partir em vinte e quatro horas para Estrasburgo. Mathilde exige que o casamento seja público dentro de um mês, mas o pai responde que se retrata de tudo se não for obedecido, e ela cede e esconde a carta de Julien. Ao saber que é tenente e que mudou de nome, Julien conclui que seu romance está terminado.
Livro II, capítulo 35: Uma tormentaO
Abade Pirard entrega a
Julien Sorel vinte mil francos do
Marquês de La Mole e uma versão da origem dele em que o pai verdadeiro fica de fora. Em Estrasburgo, tenente do décimo quinto regimento de hussardos, Julien impõe respeito pela impassibilidade, já calcula o posto seguinte e manda quinhentos francos ao
Abade Chélan para os pobres. Um bilhete de
Mathilde de La Mole ("Tudo está perdido") o faz correr até Paris, onde ela lhe mostra a carta do marquês, que recusa o casamento com quem seduz uma moça por ser rica, e a carta da
Madame de Rênal, escrita em resposta ao pedido de informações. Julien diz que o marquês é justo, deixa Mathilde na rua e parte para Verrières. Julien não responde por carta: compra pistolas, entra na igreja de Verrières (ver
A igreja de Verrières) durante a missa e atira duas vezes na mulher que mais amou, errando o primeiro tiro; no segundo, ela cai.
Livro II, capítulo 36: Detalhes tristesPreso na própria igreja,
Julien Sorel é levado à prisão e dorme; a
Madame de Rênal, cuja primeira bala atravessou o chapéu e a segunda quebrou o ombro, sobrevive, e manda a criada Elisa subornar o carcereiro para que ele trate Julien com humanidade. Ao juiz, Julien declara a premeditação e diz merecer a morte; depois escreve a
Mathilde de La Mole uma carta de despedida em que lhe proíbe responder e a manda casar-se com Croisenois um ano após sua morte. Só quando o carcereiro Noiroud lhe conta que a sra. de Rênal não morreu, Julien cai de joelhos, chorando, e começa a se arrepender. Transferido à noite para Besançon, é alojado no alto de um torreão gótico, onde, sem ambição, pensa na sra. de Rênal e descarta por ora o suicídio, porque Napoleão viveu.
Livro II, capítulo 37: Um torreãoNo torreão de Besançon,
Julien Sorel recebe o
Abade Chélan, trazido da montanha de Liveru, tão envelhecido que mal consegue falar e que devolve os quinhentos francos dos pobres; a visita mergulha Julien numa tristeza em que ele vê a morte em toda a sua feiura. Depois vem Fouqué, que quer vender todos os bens para subornar o carcereiro e fazer o amigo fugir, e a dedicação dele devolve a Julien a força que a aparição de Chélan amortecera. Os interrogatórios se multiplicam sem que as respostas de Julien, que repete ter matado com premeditação, os encurtem, porque o juiz é antes de tudo um formalista. Fouqué procura o vigário-geral, o
Abade de Frilair, que recusa o dinheiro das missas e pensa em fazer de Julien um mártir e em se reconciliar por esse meio com o
Marquês de La Mole. A única coisa que Julien teme entre ele e a morte é a visita do pai.
Livro II, capítulo 38: Um homem poderosoJulien Sorel espera o pai, mas quem entra no torreão é
Mathilde de La Mole, vestida de camponesa e viajando sob o nome de sra. Michelet; ele lhe descreve o futuro que imagina para ela, casada com Croisenois, e ela, que subornou um secretário de juiz para entrar, propõe que morram juntos. Mathilde conclui que em Besançon tudo depende do
Abade de Frilair e, depois de oito dias de pedidos, consegue vê-lo, confessa que é filha do
Marquês de La Mole e pergunta se é possível fazer Julien fugir. O vigário-geral, ao ler as cartas do ministro da Guerra para o sr. de La Vernaye e ao perceber que Mathilde é amiga da marechala de Fervaques, enxerga uma via rápida para o episcopado. Frilair diz que, entre os trinta e seis jurados sorteados, contaria com oito ou dez amigos e poderia fazer com que absolvam, e depois a tortura sugerindo que o tiro nasceu de ciúme da
Madame de Rênal. Dá a entender que dispõe do ministério público e que trabalhará pessoalmente pelo menos trinta jurados.
Livro II, capítulo 39: A intrigaAo sair do palácio episcopal,
Mathilde de La Mole envia um mensageiro à sra. de Fervaques, pedindo à rival que consiga do bispo uma carta de próprio punho para o vigário-geral e que venha pessoalmente a Besançon, gesto heroico de uma criatura orgulhosa e ciumenta. Sua devoção sem medida, feita de projetos extravagantes, ouro esbanjado e carcereiros comprados, cansa
Julien Sorel, que sente remorso por não retribuí-la, e Fouqué acaba por achá-la inconstante. A ambição morre em Julien e a lembrança de Vergy e de Verrières ocupa o lugar dela, e Mathilde, que adivinha em parte o que se passa, torna-se ainda mais apaixonada e passa a pensar em suicídio. Julien lhe pede que deixe o filho com uma ama em Verrières, sob a vigilância da
Madame de Rênal, e, para suavizar o pedido, aconselha-a a se casar um dia com o marquês de Croisenois. Para de repente, ao pensar que a sra. de Rênal vai adorar seu filho daqui a quinze anos, quando Mathilde já o tiver esquecido.
Livro II, capítulo 40: A tranquilidadeJulien Sorel vive no torreão numa tranquilidade que o deixa indiferente até à presença de
Mathilde de La Mole: diz ao juiz e ao advogado que houve crime com premeditação e recusa com fúria a sugestão do advogado de alegar ciúme. Pede que não lhe falem do processo e passa os últimos dias fumando charutos no terraço e pensando em Vergy, enquanto Mathilde, pela correspondência da marechala de Fervaques com o vigário-geral, faz chegar até lá a palavra "bispado" e uma anotação do bispo, à margem de uma carta da sobrinha, favorável a Julien. O
Abade de Frilair, na véspera do sorteio dos trinta e seis jurados, lamenta a lei jacobina que os multiplicou e, no dia seguinte, conta cinco congregados da cidade e os srs.
Valenod, Moirod e Cholin, por quem responde. A
Madame de Rênal, que prometera ao marido não deixar a cama, vai a Besançon e escreve a cada um dos trinta e seis jurados uma carta em que lhes pede que declarem não incontestável a premeditação.
Livro II, capítulo 41: O julgamentoNa véspera do julgamento,
Mathilde de La Mole leva ao
Abade de Frilair a carta em que o bispo pede a absolvição, e ele garante um veredicto de absolvição, porque conta com ela para chegar ao bispado, citando seis amigos devotados entre os doze jurados, o barão Valenod e os dois administrados deste, e um industrial rico que aspira a um fornecimento do Ministério da Guerra.
Julien Sorel, decidido a deixar só o advogado falar, desce da prisão no meio de uma multidão que lhe inspira, para sua surpresa, uma terna compaixão, e entra num tribunal onde as mulheres ocupam as tribunas, entre elas a sra. Derville. O advogado comove a plateia, e Julien só retém as lágrimas ao surpreender um olhar insolente de Valenod. Passada a meia-noite, quando o presidente lhe pergunta se tem algo a acrescentar, ele se levanta e, num discurso que faz a plateia chorar, assume a premeditação, nega ser julgado por seus pares e diz que querem puni-lo por sua origem; a sra. Derville desmaia. Perto das duas da manhã,
Valenod lê a declaração unânime de culpa por homicídio com premeditação, a pena de morte é pronunciada, e Julien só gostaria de dizer à
Madame de Rênal que se julga justamente condenado.
Livro II, capítulo 42Levado a uma cela de condenados,
Julien Sorel ensaia o que diria à
Madame de Rênal se a visse antes do fim, imagina o Deus dos cristãos e o de Fénelon, ri da própria saída sobre ser guilhotinado em três dias e lembra o verso de Venceslas sobre o cadafalso. De manhã,
Mathilde de La Mole o acorda furiosa porque
Abade de Frilair a traiu, e Julien trata o caráter dela com o sangue-frio de um pianista habilidoso e se recusa a apelar, porque agora se sente com coragem para morrer sem provocar risos e não sabe se a terá dentro de dois meses. Mathilde, ofendida, o cobre de imprecações, e ele a escuta pensando na sra. de Rênal chorando ao ler a notícia da execução. A srta. de La Mole chama o advogado Félix Vaneau, antigo capitão do Exército da Itália, que combate a resolução por formalidade e lembra a Julien que ele tem dois dias inteiros para apelar. Julien lhe aperta a mão e sente mais amizade pelo advogado do que por Mathilde.
Livro II, capítulo 43Uma hora depois,
Julien Sorel acorda com lágrimas escorrendo por sua mão e julga que é
Mathilde de La Mole de novo, mas é a
Madame de Rênal, que vem suplicar que ele apele; ele se atira a seus pés, os dois se perdoam e Julien condiciona a apelação ao juramento de que ela não atentará contra a própria vida. No reencontro contam um ao outro o que cada um ignorava, e a carta ao
Marquês de La Mole se esclarece: foi escrita pelo jovem padre conselheiro espiritual dela e depois copiada por ela. Ao cabo de três dias, o
Monsieur de Rênal manda a carruagem e ordena que a mulher volte a Verrières. Um padre intrigante e malsucedido entre os jesuítas de Besançon se instala na rua, à porta da prisão, reza ladainhas ajoelhado na lama diante de uma multidão que lhe responde, e Julien, humilhado com a ideia de que o nome dele está sendo repetido, recebe-o. No quarto de hora seguinte, sente medo da morte pela primeira vez e se livra do padre pedindo-lhe uma missa de quarenta francos.
Livro II, capítulo 44Livre do padre,
Julien Sorel chora porque vai morrer e lamenta que a
Madame de Rênal não esteja em Besançon para ouvir a confissão de sua fraqueza.
Mathilde de La Mole lhe conta o que o
Abade de Frilair disse sobre
Valenod e sobre o discurso, e ele a manda embora, e depois Fouqué, porque precisa ficar sozinho. No dia seguinte o velho carpinteiro,
Sorel pai, chega com as censuras, e Julien o desarma ao falar de suas economias e do testamento, e o pai ainda apresenta a conta das despesas de educação. Depois da visita, Julien faz entrar na cela dois galerianos e champanhe, conclui que não existe direito natural e que os salões vivem de crimes iguais aos dos galerianos, e, numa noite em que pensa em se matar, passa em revista a religião e a hipocrisia até concluir que o que o isola é a ausência da sra. de Rênal, e ri como Mefistófeles. Quando Fouqué chega, Julien está forte e resoluto, como um homem que vê claro em sua alma.
Livro II, capítulo 45Julien Sorel pede a Fouqué um confessor jansenista inacessível à intriga, e a
Madame de Rênal volta a Besançon, consegue autorização para vê-lo duas vezes por dia e o encontra sem amor-próprio algum, contando-lhe todas as suas fraquezas.
Mathilde de La Mole, enciumada, atormenta Julien com cenas quase diárias, e a morte de Croisenois em duelo faz Julien tentar convencê-la a aceitar o sr. de Luz. Julien recusa a conversão com alarde que o confessor lhe aconselha como meio de obter clemência e proíbe a sra. de Rênal de ir a Saint-Cloud atirar-se aos pés do rei. Na manhã da execução, sob um lindo sol, ele morre sem afetação, tendo pedido a Fouqué que ponha Mathilde e a sra. de Rênal na mesma carruagem, e tendo exigido da sra. de Rênal o juramento de que viveria para o filho de Mathilde. Fouqué compra o corpo para a gruta da montanha que domina Verrières, e Mathilde beija a cabeça de Julien, acompanha o enterro e manda adornar a gruta com mármores italianos. A sra. de Rênal cumpre o juramento e não atenta contra a própria vida, mas morre três dias depois, abraçada aos filhos.
6.2Temas da semana: Ambição, Classe social, Aparência e realidade, Amor, Política, Orgulho, Felicidade.
6.3Julien Sorel, Livro II, capítulo 31: Amedrontá-la.
Depois da cena na Ópera, em que Mathilde chega a chorar e a pedir garantias, Julien se obriga ao silêncio para não trair a própria emoção. Em casa, abre as Memórias de Santa Helena de Napoleão e passa duas longas horas forçando a leitura, apenas com os olhos, sem que lhe importe o que lê. Então a frase lhe sai de repente, em letras maiúsculas, enquanto joga o livro ao longe: amedrontá-la, o inimigo só obedece à medida que se o amedronta, e então não se atreve a desprezá-lo. No dia seguinte, só aparece à biblioteca às nove horas, quando ela o espera desde as oito.
A frase expõe o método antes de qualquer sentimento. Pode-se ler que Julien trata o próprio amor como campo de batalha porque nunca aprendeu outra gramática de vínculo, e a palavra "inimigo" aplicada à mulher que o ama é o último estágio de uma série que começou com "ganhei uma batalha", dita no bosque, e atravessou o namoro com a sra. de Rênal. O livro que ele joga longe é o Memorial, o mesmo que o pai derrubou no riacho, e o gesto de arremessá-lo é também o de usar uma lição de Napoleão contra uma mulher.
O resultado, no entanto, é frágil. Na cena seguinte, junto às madressilvas do jardim, a lembrança do desespero passado o faz chorar, e ele precisa disfarçar o deslize dizendo que aquelas frases ternas foram elaboradas antes, para outra mulher. Pode-se ler aí o limite da estratégia: o amor de Julien aparece quando ele esquece o método, e o método só funciona enquanto ele não ama.
6.4o narrador, Livro II, capítulo 45.
Antes de morrer, Julien exigiu da sra. de Rênal o juramento de que viveria para o filho de Mathilde, e pediu a Fouqué que pusesse as duas mulheres na mesma carruagem. O narrador conclui a história das duas: a sra. de Rênal se manteve fiel à sua promessa, não tentou de modo algum atentar contra a própria vida, mas, três dias depois, morreu abraçada aos filhos.
Pode-se ler o fim como um espelho invertido das duas mulheres. Mathilde, que orna a gruta com mármores e faz do enterro uma cerimônia de lenda, sobrevive. A sra. de Rênal cumpre a letra do juramento e morre de qualquer forma, sem cena e sem fala solene, entre os filhos. A frase é seca, sem adjetivo, e a morte é narrada com a mesma simplicidade com que ela amou.
O que a frase deixa de dizer é tão importante quanto o que diz. O narrador não explica a causa, não consola, não faz da morte um castigo. Pode-se ler que a sra. de Rênal morre do amor que sempre sentiu sem calcular, e que o livro a deixa ir como a personagem que menos representou. A última imagem de Julien é a gruta, a de Mathilde é a cerimônia, e a dela é a de uma mulher entre os filhos, que talvez seja onde a felicidade, no romance, estava.
6.5B. A única palavra que Mathilde consegue dizer, quase sufocada pelas lágrimas, é Garantias. Ela retoma o que Julien lhe exigira na biblioteca. Julien, comovido, decide não responder, com medo de que o som de sua voz o traia.
6.6B. Julien se pergunta se não é o filho natural de algum grande senhor, e a ideia lhe parece, a cada instante, menos improvável: seu ódio pelo pai seria uma prova, e ele deixaria de ser um monstro. Fica a pergunta para pensar: por que um homem que despreza o pai sente alívio em duvidar de que seja mesmo o seu?
6.7A. Mathilde chega a Besançon como sra. Michelet, nome do passaporte que a criada de quarto tirou para si, e logo corre pela cidade a notícia de uma jovem modista de Paris, louca de amor, vinda consolar o jovem padre Julien Sorel. Julien, ao ver o risco que ela correu, teme pelo marquês de La Mole.
6.8D. Frilair diz contar com seis amigos devotados entre os doze jurados, com Valenod, que dispõe de mais dois, e com um industrial que aspira a um fornecimento do Ministério da Guerra. Julien será julgado por homens cujo voto foi trabalhado de antemão, e para absolver. Importa porque o veredicto que sair do júri vai ser lido contra esse cálculo.
6.9D. O narrador conta que ela foi boa e encantadora com ele. É o oposto do que Julien fazia diante de Mathilde e de Fouqué, de quem disfarçava o próprio abatimento. Fica a pergunta para pensar: por que só diante dela ele pode se mostrar fraco?
6.10 a 6.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Personagens
P1Julien Sorel. Filho de carpinteiro em Verrières, memória prodigiosa, latinista de cor e leitor clandestino de Napoleão. É o protagonista, e o romance existe para acompanhar o cálculo dele por dentro, sem absolver e sem condenar.
Como muda
No capítulo 4 do Livro I, Julien aparece montado numa viga da serraria, lendo, surdo ao chamado do pai, que o derruba com um golpe e faz o livro cair no riacho. É o Memorial de Santa Helena, o livro que ele mais preza, e a cena mostra de saída o que a família despreza nele: a leitura em vez do trabalho braçal.
No capítulo 5 do Livro I, Julien recusa ser tratado como criado na casa do prefeito e, no caminho, o narrador explica como o filho do carpinteiro chegou ao projeto de ser padre: ao ver que a carreira das armas deixou de estar aberta a um pobre, ele troca a admiração por Napoleão pela vocação fingida.
No capítulo 10 do Livro I, Julien enfrenta Rênal diante dos criados, diz que pode viver sem o emprego e arranca um aumento de cinquenta francos por mês. Sozinho no bosque, dá a isso o nome de batalha ganha e se pergunta se o destino de Napoleão será o seu.
No capítulo 15 do Livro I, Julien avisa à sra. de Rênal que irá ao quarto dela às duas horas, passa a noite infeliz e vai descalço pelo corredor. Diante dela, esquece os planos, cai de joelhos e chora, e ela o recebe. De volta ao quarto, ele repassa a própria conduta como um soldado depois da parada.
No capítulo 16 do Livro I, Julien conduz o almoço com a prudência de quem estuda um papel e, na segunda noite, pensa menos na encenação e encontra mais felicidade. Em poucos dias está apaixonado, embora o amor dele ainda seja em boa parte ambição.
No capítulo 23 do Livro I, Julien recebe do cura Abade Chélan a ordem de partir em três dias, para o seminário de Besançon ou para a casa de Fouqué, recusa os seiscentos francos que Rênal lhe oferece e parte para o seminário. Volta no terceiro dia para uma última noite com a sra. de Rênal, que o recebe gelada, como um cadáver vivo.
No capítulo 25 do Livro I, Julien chega ao seminário de Besançon, fica dez minutos de pé diante do abade Pirard sem ser notado e desmaia quando o diretor o encara. Aceito depois do exame de teologia, recebe a cela 103.
No capítulo 26 do Livro I, Julien trata os colegas como inimigos e descobre que ali ser o primeiro nos estudos é pecado, e que uma cara de fé cega vale mais do que saber. Passa a compor uma personalidade nova, até no modo de olhar e de comer.
No capítulo 29 do Livro I, Julien vira explicador do Novo e do Velho Testamento por escolha de Pirard e brilha nos exames, mas o abade de Frilair escreve de próprio punho o número 198 ao lado do nome dele, por vingança contra Pirard. Ao fim, Julien leva ao bispo a demissão de Pirard, conquista o prelado recitando versos do poeta latino e é chamado a Paris pelo marquês de La Mole.
No capítulo 30 do Livro I, Julien é indicado por Pirard como secretário do marquês. Antes de partir, passa por Verrières, entra de madrugada no quarto da sra. de Rênal por uma escada e, com frieza calculada, a faz ceder ao anunciar que parte para sempre. Foge pela janela sob tiros.
No capítulo 2 do Livro II, Julien é apresentado ao marquês de La Mole, ganha dois dias livres em Paris, é instalado numa mansarda e fica deslumbrado com a biblioteca do palácio.
No capítulo 7 do Livro II, Julien vira companhia de leitura do marquês, que, quando ele veste o traje azul, o recebe como a um igual, o filho caçula do duque de Chaulnes, e pensa consigo que o trata como a um filho, e passa a cuidar da contabilidade dos negócios dele. Mandado a Londres, aprende com o príncipe Korasoff a regra de fazer sempre o contrário do que esperam, e volta com uma condecoração.
No capítulo 13 do Livro II, Julien, decidido a partir para o Languedoc, recebe de Mathilde uma declaração de amor. A alegria de ter vencido o marquês de Croisenois não o impede de temer uma armadilha: manda copiar a carta e guarda o original, escondido numa Bíblia, com um empregado de Fouqué.
No capítulo 16 do Livro II, Julien sobe de pistola na mão a escada até o quarto de Mathilde, desconfiado de uma emboscada, e percebe que não vence Croisenois, apenas o sucede. A noite é fria: o que Julien sente não é a volúpia da alma que conheceu junto da sra. de Rênal, é a alegria da ambição.
No capítulo 21 do Livro II, o marquês testa a memória de Julien e lhe dá uma missão: anotar o que for dito numa reunião secreta e levar um resumo a uma figura importante. É a primeira vez que o marquês lhe confia uma missão política, e sem pedir juramento de segredo, por confiar nele.
No capítulo 23 do Livro II, a reunião termina de madrugada: a nota secreta que o marquês redige a partir da ata de vinte e seis páginas escrita por Julien só fica pronta às quinze para as cinco, e Julien a decora para levá-la.
No capítulo 24 do Livro II, Julien, rejeitado por Mathilde, encontra em Estrasburgo o príncipe Korasoff, que lhe passa a receita para reconquistá-la: ver Mathilde todos os dias sem parecer frio nem zangado, mostrar-se o contrário do que ela espera, cortejar sem sinal de paixão uma mulher das relações dela e reservar a paixão ardente para as cartas a essa outra mulher, que o príncipe fornece prontas. O alvo escolhido é a marechala de Fervaques, dama devota e viúva que frequenta a casa de La Mole.
No capítulo 26 do Livro II, de volta a Paris, Julien põe em prática o plano de Korasoff: passa a frequentar a marechala de Fervaques e, nas conversas na casa de La Mole, fala bem, mas só para atingir a alma de Mathilde.
No capítulo 31 do Livro II, Julien decide amedrontar Mathilde e a faz esperar na biblioteca. Quando ela se oferece para partir com ele, responde em tom glacial que não há garantia de que o amará por oito dias.
No capítulo 33 do Livro II, o marquês, ao saber da gravidez, cobre Julien de insultos. Julien deixa um bilhete de suicídio, vai ao jardim e descobre que ama a vida e deve mantê-la pelo filho.
No capítulo 34 do Livro II, Julien vê Mathilde quase todo dia, escondido no presbitério de Pirard, enquanto o marquês resiste. Recebe então uma patente de tenente dos hussardos em nome do cavaleiro Julien Sorel de La Vernaye, e conclui que o romance dele está terminado.
No capítulo 35 do Livro II, Julien, tenente em Estrasburgo, já calcula o posto seguinte. Chamado a Paris por Mathilde, lê a carta em que a sra. de Rênal o denuncia como pobre e ambicioso, deixa Mathilde na rua, vai a Verrières e atira duas vezes na sra. de Rênal durante a missa.
No capítulo 36 do Livro II, preso na própria igreja, Julien declara ao juiz que premeditou o crime e merece a morte. Só quando o carcereiro lhe conta que a sra. de Rênal não morreu é que ele cai de joelhos, chorando, e começa a se arrepender.
No capítulo 39 do Livro II, na prisão, a ambição de Julien morre e a lembrança de Vergy e de Verrières ocupa o lugar dela. A devoção extravagante de Mathilde o cansa, e ele pede que ela deixe o filho dos dois com uma ama de leite em Verrières, sob a vigilância da sra. de Rênal.
No capítulo 40 do Livro II, Julien vive no torreão numa tranquilidade que o deixa indiferente até à presença de Mathilde. Recusa alegar ciúme como defesa e passa os últimos dias fumando charutos no terraço e pensando em Vergy.
No capítulo 41 do Livro II, Julien deixa o advogado falar e, no fim da sessão, levanta-se e faz ao júri um discurso em que assume a premeditação e diz que querem puni-lo por sua origem. O júri o declara culpado por unanimidade, e ele é condenado à morte.
No capítulo 42 do Livro II, levado à cela dos condenados, Julien recusa apelar da sentença, porque agora se sente com coragem para morrer sem provocar risos e não sabe se a terá dentro de dois meses.
No capítulo 43 do Livro II, Julien acorda com lágrimas na mão e descobre que é a sra. de Rênal, que vem suplicar que ele apele. Os dois se perdoam, e ele aceita apelar se ela jurar que não atentará contra a própria vida. Três dias depois, o marido a chama de volta a Verrières. Julien, humilhado pelo padre intrigante que reza na rua, à porta da prisão, acaba por recebê-lo e, um quarto de hora depois da entrada dele, sente medo da morte pela primeira vez.
No capítulo 45 do Livro II, Julien recusa a conversão que o confessor lhe aconselha como meio de obter clemência, passa os dias com a sra. de Rênal sem amor-próprio algum e morre sem afetação, sob um lindo sol. Antes, exige dela o juramento de que viverá pelo filho de Mathilde.
P2Madame de Rênal. Mulher do prefeito de Verrières, mãe de três filhos, devota e sem nenhum treino de sociedade. Recebe em casa Julien, que o marido contrata como preceptor dos filhos, e é o primeiro amor dele, o mais verdadeiro dos dois, e o que decide o fim do livro.
Como muda
No capítulo 6 do Livro I, espera um padre sujo e malvestido e encontra à porta um rapaz quase menino, pálido, que acabou de chorar. Encanta-se com ele na hora.
No capítulo 7 do Livro I, comovida com a pobreza de Julien, quer dar-lhe roupas e o marido recusa. Ela ainda não reconhece o que sente, porque nunca viu nem sentiu nada parecido com o amor.
No capítulo 9 do Livro I, deixa a mão sob a de Julien, na tília, e não pensa em nada. No dia seguinte, diante da grosseria do marido com Julien, sente pela primeira vez vontade de se vingar dele.
No capítulo 11 do Livro I, depois de um dia atormentada pela suspeita de que Julien ame outra, descobre que está apaixonada. No quarto, o terror da palavra adultério é tamanho que ela grita e acorda a criada Elisa, e resolve tratá-lo com perfeita frieza.
No capítulo 15 do Livro I, responde com indignação verdadeira quando Julien anuncia que irá ao quarto dela e, quando ele chega, o chama de desgraçado. Julien cai aos pés dela em lágrimas. Ela se julga condenada, afasta-o e logo se atira nos braços dele.
No capítulo 19 do Livro I, quando o filho caçula adoece, lê a febre como castigo de Deus pelo adultério e pede a Julien que vá embora. Numa noite quase confessa tudo ao marido, que a toma por romanesca.
No capítulo 20 do Livro I, depois que o marido recebe uma carta anônima, ela passa a conduzir o caso. Escreve a Julien o plano: a segunda carta anônima será feita de palavras recortadas e coladas em papel vindo da casa de Valenod, para que o marido culpe o rival. No capítulo seguinte, aplica o plano ao marido e ele cai.
No capítulo 23 do Livro I, para evitar um duelo entre o marido e Valenod, leva o marido a oferecer seiscentos francos a Julien para um ano de seminário. Julien volta no terceiro dia para uma noite de despedida em que ela, gelada, parece um cadáver vivo.
No capítulo 26 do Livro I, Fouqué, em visita ao seminário, conta a Julien que a sra. de Rênal virou devota.
No capítulo 30 do Livro I, Julien entra de madrugada no quarto dela, e ela o repele com horror religioso. Cede só quando ele anuncia, com frieza calculada, que parte para sempre.
No capítulo 35 do Livro II, responde ao marquês de La Mole, que lhe pediu informações sobre Julien, com a carta que desfaz o casamento dele com Mathilde. Julien compra pistolas e atira nela na igreja de Verrières, durante a missa.
No capítulo 36 do Livro II, sobrevive: a primeira bala atravessou o chapéu e a segunda quebrou o ombro. Manda a criada Elisa subornar o carcereiro para que ele trate Julien com humanidade. É quando Julien sabe que ela está viva que começa a se arrepender.
No capítulo 40 do Livro II, tendo prometido ao marido não deixar a cama, vai a Besançon. Escreve a cada um dos trinta e seis jurados pedindo que declarem não incontestável a premeditação.
No capítulo 43 do Livro II, entra na cela para suplicar que Julien apele. Os dois se perdoam, e ele condiciona o recurso ao juramento de que ela não atentará contra a própria vida. Contam um ao outro o que ignoravam, e a carta ao marquês se esclarece. Três dias depois, o marido manda a carruagem e a chama de volta a Verrières.
No capítulo 45 do Livro II, volta a Besançon e obtém licença para ver Julien duas vezes por dia. Ele a proíbe de ir a Saint-Cloud atirar-se aos pés do rei e lhe arranca o juramento de viver para o filho de Mathilde. Ela cumpre o juramento e morre três dias depois da execução dele.
P3Mathilde de La Mole. Filha do Marquês de La Mole, jovem, riquíssima, entediada e leitora. É o segundo amor de Julien, e o oposto exato do primeiro: onde a senhora de Rênal ama sem saber, ela decide amar.
Como muda
No capítulo 3 do Livro II, entra na biblioteca por uma pequena porta secreta, disfarçada entre as lombadas, à procura de um volume de Voltaire, e se contraria ao encontrar Julien ali. À noite, ri da queda de cavalo que ele conta com simplicidade e lhe pede os detalhes.
No capítulo 8 do Livro II, no baile do duque de Retz, entediada entre os pretendentes, vê o conde Altamira, condenado à morte, e formula a máxima de que só a condenação à morte honra um homem. A partir dela, passa a medir os pretendentes e conclui que a origem nobre tira a força de caráter.
No capítulo 10 do Livro II, aparece de luto fechado, a única de preto na família, no dia em que seu antepassado Boniface de La Mole foi decapitado. Passeia com Julien no jardim, lê os cronistas do século XVI e confessa amar o tempo das guerras da Liga Santa, quando um amante decapitado ainda era amado como se deve.
No capítulo 11 do Livro II, cansada das cartas todas iguais dos pretendentes, decide num arroubo de alegria que está amando, e conclui que só um amor heroico a livrará do tédio da própria classe.
No capítulo 14 do Livro II, o narrador mostra o custo da carta que Mathilde escreveu a Julien: a luta contra o orgulho e o medo da desonra, e o temor sobretudo de desagradá-lo. Ela lhe joga nova carta pedindo resposta definitiva; ele responde zombando e anunciando a partida, e ela lhe atira um bilhete para que suba a escada do jardineiro até a janela dela.
No capítulo 16 do Livro II, recebe Julien no quarto e cumpre a resolução que tomara: pertencer a ele inteiramente se ele ousasse chegar até ali. O narrador diz que o entusiasmo dela era um pouco deliberado e que o amor apaixonado, mais do que uma realidade, ainda era um modelo que se imitava.
No capítulo 17 do Livro II, diz a Julien que tem horror de ter se entregado ao primeiro que apareceu. Quando ele se lança sobre uma velha espada da biblioteca e depois recua, ela o fita sem ódio, encantada por ter estado a ponto de ser morta pelo amante.
No capítulo 19 do Livro II, depois de desprezá-lo ao ter certeza de que era amada, reconstrói sozinha, com argumentos, por que valeu a pena ter cedido. Rabiscando distraída, desenha sem querer o perfil de Julien e o toma como milagre do amor, e o narrador chama o que ela sente de amor cerebral.
No capítulo 20 do Livro II, uma manhã, na biblioteca, declara a Julien que não o ama mais e o humilha com desprezo calculado, enquanto ele tenta em vão se justificar.
No capítulo 29 do Livro II, encontra sobre a mesa de Julien a carta que o porteiro acabara de trazer, exige explicações e chora. Ao abrir a gaveta dele, descobre oito ou dez cartas da marechala de Fervaques sem abrir, cai a seus pés e diz que não pode mais viver sem o amor dele.
No capítulo 30 do Livro II, oferece a Julien o excesso do amor e do sofrimento dela, e ele resiste até o limite do que suporta. O narrador compara as duas amantes: a sra. de Rênal encontrava razões para fazer o que o coração ditava, e Mathilde só deixa o coração se comover depois de encontrar boas razões. À noite, convence a mãe a ir à Ópera só para saber se ele passará a noite com a marechala.
No capítulo 32 do Livro II, pela primeira vez ama de verdade: é submissa com Julien e cada vez mais altiva com todos os outros. Ao descobrir-se grávida, escreve ao pai uma carta de oito páginas em que assume a culpa de ter seduzido o rapaz e propõe viver com ele na Suíça como senhora Sorel.
No capítulo 33 do Livro II, diante da fúria do marquês, que a vê como sra. Sorel e não duquesa, Mathilde, que viu o bilhete de suicídio de Julien, jura ao pai que será publicamente a viúva Sorel, manda Julien para Villequier por prudência e rejeita todos os planos de um parto clandestino.
No capítulo 35 do Livro II, um bilhete dela ("Tudo está perdido") faz Julien correr de Estrasburgo a Paris, onde ela lhe mostra a carta do marquês, que recusa o casamento com quem seduz uma moça por ser rica, e a carta da sra. de Rênal.
No capítulo 38 do Livro II, entra no torreão de Besançon vestida de camponesa e propõe a Julien que morram juntos. Depois de oito dias de pedidos, consegue falar com o abade de Frilair, confessa ser filha do marquês e pergunta se é possível fazer Julien fugir.
No capítulo 39 do Livro II, pede à própria rival, a marechala de Fervaques, uma carta do bispo para o vigário-geral. Sua devoção, feita de projetos extravagantes, ouro esbanjado e carcereiros comprados, cansa Julien, que sente remorso por não retribuí-la.
No capítulo 41 do Livro II, na véspera do julgamento, leva a Frilair a carta do bispo, e ele lhe garante a absolvição, porque conta com ela para chegar ao bispado. Julien é condenado à morte mesmo assim.
No capítulo 42 do Livro II, acorda Julien na cela furiosa porque Frilair a traiu e o cobre de imprecações quando ele se recusa a apelar; chama o advogado Félix Vaneau para combater a recusa.
No capítulo 44 do Livro II, conta a Julien que, no dia do julgamento, o barão de Valenod, com a nomeação de governador no bolso, ousou zombar de Frilair e se deu o prazer de condená-lo à morte.
No capítulo 45 do Livro II, atormenta Julien na prisão com cenas de ciúme quase diárias. Depois da execução, põe a cabeça dele diante de si, beija-a na testa, acompanha o enterro e manda adornar com mármores esculpidos na Itália a gruta da montanha sobre Verrières, onde Julien quis ser enterrado.
P4Monsieur de Rênal. Prefeito de Verrières, dono da fábrica de pregos, que fez fortuna com o comércio de ferro, e marido de Madame de Rênal. No capítulo 2 do Livro I, a grandeza dele é medida em muros construídos e plátanos podados duas vezes por ano, dentro da régua que o narrador escreve em maiúsculas nesse capítulo.
Como muda
No capítulo 3 do Livro I, a decisão de contratar Julien Sorel como preceptor nasce da disputa de prestígio com Valenod.
Na negociação do salário do filho, quem leva a melhor é Sorel pai.
No primeiro encontro tenta examinar o latim do preceptor com um verso de Horácio, e Julien se esquiva pela vocação.
Recusa a ideia da mulher de dar roupas a Julien. Mais adiante no mesmo capítulo, quando ela conta que Julien recusou os luíses que ela lhe oferecera, ele a repreende por tolerar a recusa de um criado e cita uma frase atribuída ao príncipe de Condé sobre as Memórias de Besenval: "Toda essa gente são nossos criados".
A mulher gosta dele sobretudo quando ele fala dos projetos para os três filhos.
A ameaça que pesa sobre ele é de cargo, e ele fala de política com raiva.
Diante de uma grosseria dele, a mulher sente pela primeira vez desejo de vingança.
No capítulo 19 do Livro I, quando o filho Stanislas adoece, a mulher se lança aos pés dele para confessar tudo, e é detida só porque ele a acha "romanesca" e vai dormir. No capítulo 21 do Livro I, depois da carta anônima, passa a noite com uma faca de caça na mão, deliberando entre matar a mulher, expulsá-la ou fingir não saber de nada, e vence o cálculo de fortuna e reputação.
No capítulo 21 do Livro I descarrega a raiva sobre a mulher.
A mulher dita a Julien como fabricar uma segunda carta anônima, com palavras recortadas de livro e coladas em papel do próprio Valenod, para que o marido acredite que o autor da primeira é o rival.
No capítulo 1 do Livro II, já fora da ação, o nome dele volta na diligência para Paris: Julien o propõe como exemplo, Falcoz o comenta, e Saint-Giraud o põe no começo de uma sucessão de reinos de província.
No Livro II reaparece de longe: a mulher lhe prometera não deixar a cama e vai a Besançon assim mesmo (capítulo XL), e três dias depois do reencontro na prisão ele manda a carruagem e ordena que ela volte a Verrières (capítulo XLIII).
P5Marquês de La Mole. Fidalgo de Paris, pai de Mathilde de La Mole e de Norbert, em cuja mansão Julien Sorel vive no Livro II como secretário. O ancestral que dá nome à família é Boniface de La Mole, decapitado em 1574 (ver A cabeça cortada).
Como muda
No capítulo 19 do Livro I, antes de aparecer, ele já é destinatário: depois da visita do rei, um súdito de Verrières lhe escreve pedindo um emprego pela lealdade demonstrada.
Corre em paralelo o processo dele contra Abade de Frilair por uma herança de terras, no qual Abade Pirard o defendia havia anos. É Pirard, já em Paris a serviço do marquês, quem sugere Julien como secretário. Os quinhentos francos que Julien atribuía à sra. de Rênal vieram, na verdade, do marquês.
No capítulo 1 do Livro II, Pirard descreve a família a Julien: o marquês paga bem e por capricho, e o filho é descrito assim.
O nome da família está gravado em mármore negro na porta da mansão, e Julien lê nisso medo.
Recebe Julien, manda arrumar vinte e duas camisas ("Eis o primeiro quarto de seu ordenado") e desanima ("É tempo perdido toda essa experiência") quando Julien escreve "isso" com um só s. Segundo Pirard, o marquês não gosta de escrevinhadores.
No capítulo 7 do Livro II a gota o prende em casa, e Julien vira sua companhia exclusiva; à noite, de traje azul, Julien é tratado como irmão caçula do conde de Chaulnes, e de manhã, de traje preto, volta a ser secretário.
No baile, Mathilde compara Julien ao pai.
No capítulo 17 do Livro II, na cena da espada, Julien recua ao lembrar do marquês, seu benfeitor. Nos capítulos XXI a XXIII o marquês recruta Julien para levar uma nota conspiratória a um duque, e propõe ele mesmo, na reunião, um exército privado de fidalgos.
No capítulo 32 do Livro II, Mathilde lhe escreve uma carta de oito páginas sobre a gravidez. No capítulo 33 do Livro II, ele reage com a fúria de quem vê arruinado o sonho de dez anos de ver a filha duquesa, e no capítulo 34 do Livro II cede em etapas: doa terras e depois dá a Julien uma patente e um nome.
É a ele que chega a carta da sra. de Rênal, e depois dela ele some.
P6Abade Chélan. Cura de Verrières, com oitenta anos no começo do livro, ameaçado de destituição por ter recebido na prisão um inspetor liberal. No capítulo 3 do Livro I ele é descrito como a única figura da cidade que não mede as coisas em dinheiro, e é por isso que perde o cargo.
Como muda
No capítulo 3 do Livro I, o retrato de abertura vem com a resposta dele ao sr. de Rênal e ao Valenod, que vão à casa dele expressar descontentamento: ele se mede pelos anos de batismos e casamentos na cidade.
No capítulo 7 do Livro I ele aparece de novo, de lado, na formação da Madame de Rênal: como confessor, foi o único que lhe falou de amor, e falou para pintá-lo como libertinagem.
No capítulo 18 do Livro I, o padre Maslon recusa recebê-lo no cortejo da visita do rei.
Avisado por Elisa, ordena a Julien Sorel que deixe Verrières em três dias, para o seminário (ver O seminário de Besançon) ou para a casa do amigo Fouqué. No seminário, Abade Pirard aceita Julien por causa dele e lhe atribui a formação bíblica do rapaz.
No capítulo 1 do Livro II, Saint-Giraud põe o nome dele ao lado do de Rênal.
No capítulo 37 do Livro II, já muito velho, visita Julien na prisão, e a cena o põe ao lado de Fouqué como forma de afeto sem cálculo, que Julien mal sabe receber. Ele vem retirado da montanha, devolve os quinhentos francos que Julien mandara aos pobres de Verrières e quase não consegue falar.
Temas
T1Ambição: a tese da obra, e a carreira de Julien entre a batina e a farda, nos capítulos 16 a 30 do Livro I e nos capítulos 31 a 45 do Livro II. Aparece em: Livro I, capítulo 4: Um pai e um filho; Livro I, capítulo 5: Uma negociação; Livro I, capítulo 8: Pequenos acontecimentos; Livro I, capítulo 10: Um grande coração; Livro I, capítulo 12: Uma viagem; Livro I, capítulo 16: O dia seguinte; Livro I, capítulo 17: O primeiro-adjunto; Livro I, capítulo 18: Um rei em Verrières; Livro I, capítulo 24: Uma capital; Livro I, capítulo 25: O seminário; Livro I, capítulo 26: O mundo ou o que falta ao rico; Livro I, capítulo 27: Primeira experiência da vida; Livro I, capítulo 28: Uma procissão; Livro I, capítulo 29: A primeira promoção; Livro I, capítulo 30: Um ambicioso; Livro II, capítulo 9: O baile; Livro II, capítulo 27: Os melhores cargos da Igreja; Livro II, capítulo 34: Um homem de espírito; Livro II, capítulo 35: Uma tormenta; Livro II, capítulo 36: Detalhes tristes; Livro II, capítulo 38: Um homem poderoso; Livro II, capítulo 39: A intriga.
T2Classe social: a régua da província, que mede por dinheiro, contra a de Paris, que mede por nascimento, e o discurso ao júri no
capítulo 41 do Livro II.
Aparece em: Livro I, capítulo 1: Uma cidadezinha; Livro I, capítulo 2: Um prefeito; Livro I, capítulo 4: Um pai e um filho; Livro I, capítulo 5: Uma negociação; Livro I, capítulo 6: O tédio; Livro I, capítulo 7: As afinidades eletivas; Livro I, capítulo 10: Um grande coração; Livro I, capítulo 13: As meias rendadas; Livro I, capítulo 17: O primeiro-adjunto; Livro I, capítulo 18: Um rei em Verrières; Livro I, capítulo 19: Pensar faz sofrer; Livro I, capítulo 22: Maneiras de agir em 1830; Livro I, capítulo 24: Uma capital; Livro II, capítulo 1: Os prazeres do campo; Livro II, capítulo 2: Ingresso na sociedade; Livro II, capítulo 3: Os primeiros passos; Livro II, capítulo 4: A mansão de La Mole; Livro II, capítulo 6: Modo de pronunciar; Livro II, capítulo 7: Uma crise de gota; Livro II, capítulo 8: Qual a condecoração mais honrosa; Livro II, capítulo 9: O baile; Livro II, capítulo 12: Será um Danton; Livro II, capítulo 13: Uma conspiração; Livro II, capítulo 32: O tigre; Livro II, capítulo 33: O inferno da fraqueza; Livro II, capítulo 34: Um homem de espírito; Livro II, capítulo 41: O julgamento; Livro II, capítulo 44.
T3Aparência e realidade: a hipocrisia como método nos capítulos 1 a 15 do Livro I e como sistema no seminário nos capítulos 16 a 30 do Livro I. Aparece em: Livro I, capítulo 1: Uma cidadezinha; Livro I, capítulo 5: Uma negociação; Livro I, capítulo 6: O tédio; Livro I, capítulo 9: Uma noite no campo; Livro I, capítulo 12: Uma viagem; Livro I, capítulo 15: O canto do galo; Livro I, capítulo 16: O dia seguinte; Livro I, capítulo 18: Um rei em Verrières; Livro I, capítulo 20: As cartas anônimas; Livro I, capítulo 21: Diálogo com um mestre; Livro I, capítulo 22: Maneiras de agir em 1830; Livro I, capítulo 25: O seminário; Livro I, capítulo 26: O mundo ou o que falta ao rico; Livro I, capítulo 27: Primeira experiência da vida; Livro I, capítulo 30: Um ambicioso; Livro II, capítulo 2: Ingresso na sociedade; Livro II, capítulo 4: A mansão de La Mole; Livro II, capítulo 5: A sensibilidade e uma grande piedade; Livro II, capítulo 6: Modo de pronunciar; Livro II, capítulo 7: Uma crise de gota; Livro II, capítulo 16: Uma hora da manhã; Livro II, capítulo 24: Estrasburgo; Livro II, capítulo 25: O ministério da virtude; Livro II, capítulo 26: O amor moral; Livro II, capítulo 27: Os melhores cargos da Igreja; Livro II, capítulo 28: Manon Lescaut; Livro II, capítulo 29: O tédio; Livro II, capítulo 31: Amedrontá-la; Livro II, capítulo 32: O tigre; Livro II, capítulo 35: Uma tormenta; Livro II, capítulo 43; Livro II, capítulo 44.
T4Amor: os dois amores como experimento central, e o amor de Mathilde nos capítulos 16 a 30 do Livro II. Aparece em: Livro I, capítulo 7: As afinidades eletivas; Livro I, capítulo 8: Pequenos acontecimentos; Livro I, capítulo 9: Uma noite no campo; Livro I, capítulo 11: Uma noite; Livro I, capítulo 13: As meias rendadas; Livro I, capítulo 14: A tesoura inglesa; Livro I, capítulo 15: O canto do galo; Livro I, capítulo 16: O dia seguinte; Livro I, capítulo 19: Pensar faz sofrer; Livro I, capítulo 20: As cartas anônimas; Livro I, capítulo 23: Dissabores de um funcionário; Livro I, capítulo 28: Uma procissão; Livro I, capítulo 30: Um ambicioso; Livro II, capítulo 10: A rainha Margarida; Livro II, capítulo 11: O império de uma moça; Livro II, capítulo 12: Será um Danton; Livro II, capítulo 13: Uma conspiração; Livro II, capítulo 14: Pensamentos de uma moça; Livro II, capítulo 15: Será uma conspiração; Livro II, capítulo 16: Uma hora da manhã; Livro II, capítulo 17: Uma velha espada; Livro II, capítulo 18: Momentos cruéis; Livro II, capítulo 19: A Ópera Bouffe; Livro II, capítulo 20: O vaso japonês; Livro II, capítulo 24: Estrasburgo; Livro II, capítulo 26: O amor moral; Livro II, capítulo 29: O tédio; Livro II, capítulo 30: Um camarote na Ópera Bouffe; Livro II, capítulo 31: Amedrontá-la; Livro II, capítulo 32: O tigre; Livro II, capítulo 35: Uma tormenta; Livro II, capítulo 36: Detalhes tristes; Livro II, capítulo 39: A intriga; Livro II, capítulo 40: A tranquilidade; Livro II, capítulo 42; Livro II, capítulo 43; Livro II, capítulo 44; Livro II, capítulo 45.
T5Política: a parte mais política do romance, nos capítulos 1 a 15 do Livro II, e o diálogo entre autor e editor no
capítulo 22 do Livro II.
Aparece em: Livro I, capítulo 2: Um prefeito; Livro I, capítulo 3: Um cura; Livro I, capítulo 5: Uma negociação; Livro I, capítulo 14: A tesoura inglesa; Livro I, capítulo 17: O primeiro-adjunto; Livro I, capítulo 18: Um rei em Verrières; Livro I, capítulo 21: Diálogo com um mestre; Livro I, capítulo 22: Maneiras de agir em 1830; Livro I, capítulo 23: Dissabores de um funcionário; Livro I, capítulo 27: Primeira experiência da vida; Livro I, capítulo 29: A primeira promoção; Livro II, capítulo 1: Os prazeres do campo; Livro II, capítulo 4: A mansão de La Mole; Livro II, capítulo 5: A sensibilidade e uma grande piedade; Livro II, capítulo 7: Uma crise de gota; Livro II, capítulo 9: O baile; Livro II, capítulo 21: A nota secreta; Livro II, capítulo 22: A discussão; Livro II, capítulo 23: O clero, os bosques, a liberdade; Livro II, capítulo 37: Um torreão; Livro II, capítulo 38: Um homem poderoso; Livro II, capítulo 40: A tranquilidade; Livro II, capítulo 41: O julgamento.
T6Orgulho: o amor como guerra de vaidades, nos capítulos 16 a 30 do Livro II. Aparece em: Livro I, capítulo 3: Um cura; Livro I, capítulo 7: As afinidades eletivas; Livro I, capítulo 9: Uma noite no campo; Livro I, capítulo 10: Um grande coração; Livro I, capítulo 11: Uma noite; Livro I, capítulo 13: As meias rendadas; Livro I, capítulo 14: A tesoura inglesa; Livro II, capítulo 5: A sensibilidade e uma grande piedade; Livro II, capítulo 6: Modo de pronunciar; Livro II, capítulo 8: Qual a condecoração mais honrosa; Livro II, capítulo 10: A rainha Margarida; Livro II, capítulo 11: O império de uma moça; Livro II, capítulo 12: Será um Danton; Livro II, capítulo 13: Uma conspiração; Livro II, capítulo 14: Pensamentos de uma moça; Livro II, capítulo 15: Será uma conspiração; Livro II, capítulo 16: Uma hora da manhã; Livro II, capítulo 17: Uma velha espada; Livro II, capítulo 18: Momentos cruéis; Livro II, capítulo 19: A Ópera Bouffe; Livro II, capítulo 20: O vaso japonês; Livro II, capítulo 29: O tédio; Livro II, capítulo 30: Um camarote na Ópera Bouffe; Livro II, capítulo 31: Amedrontá-la; Livro II, capítulo 33: O inferno da fraqueza; Livro II, capítulo 39: A intriga; Livro II, capítulo 42; Livro II, capítulo 45.
T7Felicidade: a descoberta, na prisão, de que só foi feliz quando não calculava, nos capítulos 31 a 45 do Livro II. Aparece em: Livro I, capítulo 9: Uma noite no campo; Livro I, capítulo 12: Uma viagem; Livro I, capítulo 15: O canto do galo; Livro I, capítulo 30: Um ambicioso; Livro II, capítulo 8: Qual a condecoração mais honrosa; Livro II, capítulo 11: O império de uma moça; Livro II, capítulo 36: Detalhes tristes; Livro II, capítulo 39: A intriga; Livro II, capítulo 40: A tranquilidade; Livro II, capítulo 43; Livro II, capítulo 45.
Fechamento: perguntas abertas, sem gabarito.