Clavis Libri · Caderno de estudos · Folha do aluno
O Vermelho e o Negro
Stendhal
Um caderno para ler o livro em 6 semanas: o que aconteceu, os temas, as citações, as questões e as perguntas para pensar.
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Como usar
Leia os capítulos da semana e depois responda à seção dela. Cada exercício tem um número; o gabarito fica com o professor.
As perguntas "para discutir" não têm resposta certa: servem para pensar e conversar. As questões de múltipla escolha e a identificação das citações têm.
Semana 1 · Livro I, capítulo 1: Uma cidadezinha a Livro I, capítulo 14: A tesoura inglesa
Semana 1
Ao ler, observe: Repare em como cada pessoa de Verrières se mede pelo dinheiro e pela opinião dos vizinhos.
1.1O que aconteceu nesta semana? Conte com as suas palavras, na ordem dos acontecimentos.
1.2Quais destes temas aparecem nos capítulos da semana? Marque.
AmbiçãoClasse socialAparência e realidadeAmorPolíticaOrgulhoFelicidade
1.3Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
…tirania da opinião, e que opinião!, é tão burra nas cidadezinhas da França quanto nos Estados Unidos da América.
1.4Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
Seu orgulho não queria deixar nada ao acaso, nem à inspiração do momento. De acordo com as confidências de Fouqué e com o pouco que lera sobre o amor em sua Bíblia, traçou um plano de campanha bastante detalhado.
1.5Segundo o narrador, a que se deve a prosperidade geral de Verrières desde a queda de Napoleão? (Livro I, capítulo 1: Uma cidadezinha)
- AÀs serrarias movidas pela torrente que atravessa a cidade
- BÀ fábrica de tecidos pintados, ditos de Mulhouse
- CÀ fábrica de pregos do prefeito e ao comércio de ferro
- DAo comércio de tábuas de pinho, vendidas à beira do Doubs
1.6Onde o velho Sorel encontra Julien quando vai chamá-lo na serraria? (Livro I, capítulo 4: Um pai e um filho)
- AAo lado da serra, de olho no mecanismo, como lhe cabia
- BÀ beira do Doubs, medindo toras de madeira com os irmãos
- CNo pátio de casa, rachando lenha com os irmãos mais velhos
- DMontado numa viga do telhado, lendo, em vez de vigiar a máquina
1.7Por que os irmãos de Julien o espancam no bosque do Belvedere? (Livro I, capítulo 7: As afinidades eletivas)
- APorque ele lhes devia o dinheiro da serraria e se recusava a pagar
- BPor inveja do belo traje preto, do asseio e do desprezo que ele tinha por eles
- CPorque o pai os mandou castigá-lo por ler em vez de trabalhar na serraria
- DPorque acharam que ele os delatara ao prefeito por causa das toras no rio
1.8Por que Julien resolve tomar a mão da sra. de Rênal justamente na presença do marido? (Livro I, capítulo 11: Uma noite)
- APara provar coragem à sra. Derville, que o achava desajeitado como criança
- BPara obrigar a sra. de Rênal a escolher entre ele e o marido, ali mesmo, naquela noite
- CPara zombar do homem inflado das vantagens da fortuna, que o desprezara pela manhã
- DPara provocar o prefeito a um duelo e ser expulso da casa de uma vez
1.9A pergunta da sra. de Rênal sobre o nome de Julien o deixa sem resposta, porque a situação não estava no plano. O que o narrador diz que teria acontecido sem a tolice de fazer um plano? (Livro I, capítulo 14: A tesoura inglesa)
- AEle teria sido recusado, porque ela desconfiaria
- BO espírito vivo de Julien teria se saído muito bem
- CEle teria desistido da sedução e partido com Fouqué
- DEla o teria beijado antes que ele falasse
1.10Para discutir. (Livro I, capítulo 1: Uma cidadezinha)
Stendhal abre o romance por uma cidade e só depois chega ao herói. O que o retrato de Verrières, com suas serrarias, a fábrica de pregos do prefeito e o jardim de muros em terraço, já diz sobre o tipo de mundo em que Julien terá de abrir caminho?
1.11Para discutir. (Livro I, capítulo 14: A tesoura inglesa)
A sra. de Rênal pergunta se ele não tem outro nome além de Julien, e ele não sabe o que responder; mais tarde ela lhe diz "Seja prudente, é uma ordem!". O que as duas cenas mostram sobre quem conduz a relação nesse momento, e sobre o que Julien não sabe fazer?
1.12E você? Quanto a opinião dos outros pesa nas suas escolhas?
Semana 2 · Livro I, capítulo 15: O canto do galo a Livro I, capítulo 24: Uma capital
Semana 2
Ao ler, observe: Repare em como a vaidade em público convive com a culpa e a suspeita em particular.
2.1O que aconteceu nesta semana? Conte com as suas palavras, na ordem dos acontecimentos.
2.2Quais destes temas aparecem nos capítulos da semana? Marque.
AmbiçãoClasse socialAparência e realidadeAmorPolíticaOrgulhoFelicidade
2.3Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
Meu Deus! Ser feliz, ser amado, é só isto?
2.4Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
Para um pobre-diabo como eu, pensou Julien, sem padrinhos e sem dinheiro, não deve haver muita diferença entre o seminário e a prisão
2.5No jardim, ao ouvido da sra. de Rênal, o que Julien diz? (Livro I, capítulo 15: O canto do galo)
- AQue partirá no dia seguinte e quer se despedir dela em segredo
- BQue a ama e pede um sinal para saber se é correspondido, antes de partir
- CQue irá ao quarto dela às duas da madrugada, porque tem algo a lhe dizer
- DQue Fouqué lhe escreveu e que precisa de conselho dela sobre a proposta
2.6Sonhando no pomar, Julien exclama sobre Napoleão e lamenta os jovens que, como ele, têm só o que basta para uma boa educação. O que lhes falta? (Livro I, capítulo 17: O primeiro-adjunto)
- AA coragem de lutar nas guerras como os soldados de Napoleão, em campo aberto
- BO dinheiro para comprar um homem aos vinte anos e se lançar numa carreira
- CO apoio de um protetor poderoso na corte, que fale ao rei em seu favor
- DA fé inabalável que sustenta os padres e os bispos, e que ele fingia ter
2.7O que Cholin alega ao marquês de La Mole, na petição, para obter a agência de loteria de Verrières? (Livro I, capítulo 19: Pensar faz sofrer)
- ASua religião, e que o titular está doente e vota mal nas eleições
- BSua amizade com o bispo de Agde, sobrinho do marquês de La Mole
- CSua fortuna, com que pagaria à Coroa o dobro do que paga o titular
- DSeus serviços como guarda de honra na visita do rei a Verrières
2.8O que o padre Chélan diz a Julien ao ver a biblioteca que ele construiu com tábuas carregadas nas costas? (Livro I, capítulo 22: Maneiras de agir em 1830)
- AQue ele é um bom carpinteiro, mas será um mau seminarista, pela vaidade
- BQue aquilo o redime da criancice do uniforme reluzente de guarda de honra
- CQue devia ter pedido licença ao sr. de Rênal antes de usar as tábuas
- DQue as tábuas de pinho não resistirão ao peso de tantos livros de teologia
2.9Segundo o narrador, o que acontece quando a timidez apaixonada da província é vencida? (Livro I, capítulo 24: Uma capital)
- AÉ então ela que ensina o rapaz a querer
- BVira arrogância, difícil de curar depois
- CDesaparece para sempre e nunca mais volta
- DFaz o rapaz fugir daquilo que deseja
2.10Para discutir. (Livro I, capítulo 15: O canto do galo)
Se nem a conquista da sra. de Rênal, o primeiro grande sucesso do livro, dá a Julien a felicidade que ele esperava, o que isso antecipa sobre o tipo de ambição que o move: ele quer alguma coisa em si, ou só quer não perder?
2.11Para discutir. (Livro I, capítulo 24: Uma capital)
Em Besançon, Julien recita a Nova Heloísa de cor para seduzir Amanda, quase se bate com um dos amantes dela e logo pensa que entre o seminário e a prisão "não deve haver muita diferença". Que mundo ele sente que deixa para trás, e o que ele teme encontrar?
2.12E você? É possível guardar um segredo sem que ele nos pese?
Semana 3 · Livro I, capítulo 25: O seminário a Livro II, capítulo 3: Os primeiros passos
Semana 3
Ao ler, observe: Repare em como o rapaz aprende as regras não ditas de um lugar novo para sobreviver nele.
3.1O que aconteceu nesta semana? Conte com as suas palavras, na ordem dos acontecimentos.
3.2Quais destes temas aparecem nos capítulos da semana? Marque.
AmbiçãoClasse socialAparência e realidadeAmorPolíticaOrgulhoFelicidade
3.3Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
Seguindo as máximas que se impusera, considerou seus trezentos e vinte e um colegas inimigos, sendo o mais perigoso de todos o abade Pirard. Poucos dias depois, Julien precisou escolher um confessor e lhe apresentaram uma lista. Ah, meu Deus! Por quem me tomam?, ele pensou. Será que acham que não sei onde estou pisando? Escolheu o abade Pirard.
3.4Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
Se Julien for um frágil caniço, que se quebre; se for um homem de caráter, que se arranje sozinho
3.5Quando Julien explica que caiu porque o rosto do porteiro o enregelou, Pirard diz que ele deve estar acostumado a rostos risonhos. O que são esses rostos, segundo Pirard? (Livro I, capítulo 25: O seminário)
- AVerdadeiros teatros da mentira, pois a verdade é austera
- BSinais de bondade que o seminário deveria saber imitar
- CFrutos da boa educação dos nobres e da gente da corte
- DReflexos da vaidade dos jovens da cidade e de suas mães
3.6Segundo o narrador, o que o padre Chélan não teve o cuidado de avisar a Julien, depois de lhe ensinar a raciocinar corretamente? (Livro I, capítulo 27: Primeira experiência da vida)
- AQue a lógica só vale quando se fala em latim, e nunca diante de um superior
- BQue, em quem não é considerado, raciocinar é um crime, pois todo bom raciocínio ofende
- CQue raciocinar é pecado mortal para quem ainda não é padre ordenado de fato
- DQue o bom raciocínio desagrada ao papa e aos bispos de toda a França
3.7Ao se despedir, Pirard diz a Julien que seus companheiros jamais o olharão sem odiá-lo. Qual é, segundo ele, o único remédio contra isso? (Livro I, capítulo 29: A primeira promoção)
- AFingir amizade por quem o odeia e esperar que o ódio passe
- BEsconder o talento para não provocar a inveja dos colegas
- CRecorrer a Deus e manter a conduta pura, apegando-se à verdade
- DProcurar a proteção do vigário-geral de Frilair, que o conhece
3.8Saint-Giraud diz que deixa a província fugindo da política. Onde afirma que vai buscar a solidão e a paz campestre? (Livro II, capítulo 1: Os prazeres do campo)
- ANuma casa de campo perto do Ródano, mais barata que a atual
- BNuma paróquia afastada, onde serviria como vigário leigo
- CNum quarto andar dando para o Champs-Élysées, em Paris
- DNum castelo na Inglaterra, longe de padres e liberais
3.9O narrador comenta que Mathilde procurava um romance de Voltaire na biblioteca do pai. O que diz dela? (Livro II, capítulo 3: Os primeiros passos)
- AQue lia os livros do pai com a avidez de uma erudita, sem pedir licença a ninguém na casa
- BQue fugia dos livros e preferia o piano e os bailes, como as moças da sua classe
- CQue só lia obras religiosas, como mandava o Sacré-Coeur, e detestava romances de qualquer espécie
- DQue, aos dezenove anos, já precisava de um romance forte para se interessar por um livro
3.10Para discutir. (Livro I, capítulo 25: O seminário)
Julien desmaia quando o abade Pirard o encara e pergunta o nome, e o narrador cita a explicação de um filósofo, "a violenta impressão da feiura sobre uma alma feita para amar o que é belo", acrescentando que o filósofo talvez se engane. Que outra explicação o texto permite para o desmaio?
3.11Para discutir. (Livro II, capítulo 3: Os primeiros passos)
Julien se sente "totalmente isolado" numa família que o trata com bondade, e suas trapalhadas fazem a alegria dos criados. O que torna a bondade de todos insuficiente para que ele se sinta acolhido?
3.12E você? O que é preciso para se sentir em casa num lugar novo?
Semana 4 · Livro II, capítulo 4: A mansão de La Mole a Livro II, capítulo 15: Será uma conspiração
Semana 4
Ao ler, observe: Repare no peso que a roupa, o modo de falar e as honrarias têm no palácio de La Mole.
4.1O que aconteceu nesta semana? Conte com as suas palavras, na ordem dos acontecimentos.
4.2Quais destes temas aparecem nos capítulos da semana? Marque.
AmbiçãoClasse socialAparência e realidadeAmorPolíticaOrgulhoFelicidade
4.3Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
Não há cem mil escudos de renda nem condecoração que possa lutar contra essa norma de salão. Uma ideia viva, mínima que fosse, parecia uma grosseria.
4.4Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
…se recusar, eu mesmo vou me desprezar depois. Por toda a vida pensarei nessa história com alguma dúvida e, para mim, uma dúvida assim é a mais humilhante das desgraças. Não foi o que passei por causa do amante de Amanda? Acho que me perdoaria mais facilmente um crime bem claro; uma vez confessado, não pensaria mais nisso.
4.5O narrador diz que nem cem mil escudos de renda nem condecoração alguma lutam contra a norma desse salão. O que ele diz de uma ideia viva, mínima que fosse? (Livro II, capítulo 4: A mansão de La Mole)
- AEra vista como prova de lealdade ao rei
- BParecia uma grosseria
- CEra admitida só depois da meia-noite, com o champanhe
- DEra privilégio dos viscondes e barões que conduziam a conversa
4.6O marquês dá a Julien um traje azul. O que diz que Julien será aos olhos dele sempre que o vestir? (Livro II, capítulo 7: Uma crise de gota)
- AO irmão caçula do conde de Chaulnes, filho do velho duque
- BUm primo pobre da marquesa, recém-chegado do Franco-Condado
- CUm sobrinho do bispo de Agde, recém-saído do seminário
- DO filho natural de um velho fidalgo do Franco-Condado
4.7Por que Mathilde se veste de luto fechado no dia 30 de abril? (Livro II, capítulo 10: A rainha Margarida)
- APorque nesse dia morreu o pai de Mathilde, em batalha, a serviço do rei
- BPorque nesse dia foi decapitado Boniface de La Mole, amante da rainha Margarida
- CPorque nesse dia a família perdeu a propriedade de Villequier, por confisco
- DPorque nesse dia o rei Carlos IX mandou banir a família da corte
4.8Norbert avisa que, se a revolução recomeçar, Julien os mandará à guilhotina. Como Mathilde passa a ver essa frase no dia seguinte? (Livro II, capítulo 12: Será um Danton)
- AComo o maior dos elogios, pois a energia dele assusta os outros
- BComo prova de que o irmão sente ciúme dela e de Julien
- CComo razão para o marquês afastar Julien da casa dela
- DComo sinal de que Julien é um hipócrita a serviço dos jesuítas
4.9Ao receber de Mathilde o convite para subir pela escada, o que Julien suspeita? (Livro II, capítulo 15: Será uma conspiração)
- AQue o marquês quer testar a lealdade dele à família
- BQue querem arruiná-lo ou, pelo menos, zombar dele
- CQue Mathilde pretende fugir com ele naquela mesma noite
- DQue Norbert descobriu as cartas e prepara um duelo
4.10Para discutir. (Livro II, capítulo 4: A mansão de La Mole)
Julien anota o nome e o caráter dos frequentadores do salão para se orientar, e o narrador diz que ali uma ideia viva, mínima que fosse, "parecia uma grosseria". Que tipo de sociedade precisa proibir a ideia, e o que ela protege com isso?
4.11Para discutir. (Livro II, capítulo 15: Será uma conspiração)
Julien compara o risco da noite a um duelo: "há defesa para tudo, como diz meu mestre de armas; mas Deus [...] faz com que um dos dois se esqueça de se defender". O que essa imagem diz de como ele entende o amor?
4.12E você? Por que damos tanto valor a títulos e distinções?
Semana 5 · Livro II, capítulo 16: Uma hora da manhã a Livro II, capítulo 30: Um camarote na Ópera Bouffe
Semana 5
Ao ler, observe: Repare em como o orgulho de cada um atrapalha o que ambos parecem sentir.
5.1O que aconteceu nesta semana? Conte com as suas palavras, na ordem dos acontecimentos.
5.2Quais destes temas aparecem nos capítulos da semana? Marque.
AmbiçãoClasse socialAparência e realidadeAmorPolíticaOrgulhoFelicidade
5.3Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
Não era, é verdade, aquela volúpia da alma que encontrara algumas vezes junto da sra. de Rênal. Nada havia de terno em seus sentimentos nesse primeiro momento. Era a alegria mais viva da ambição, e Julien era sobretudo ambicioso.
5.4Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
A sra. de Rênal encontrava razões para fazer o que seu coração lhe ditava; essa moça da alta sociedade só deixa o coração se comover depois de encontrar boas razões para que se comova.
5.5Quando Julien entra no quarto e tenta beijar Mathilde, o que acontece? (Livro II, capítulo 16: Uma hora da manhã)
- AEla o beija, mas lhe pede silêncio por causa da mãe dela
- BEla o afasta, e ele fica contente por ter sido repelido
- CEle recua sozinho, ao ver luz acesa no corredor
- DEla chama a criada, que o põe para fora do quarto
5.6Na noite do jantar, como Julien é tratado pelos amigos de Mathilde no salão? (Livro II, capítulo 20: O vaso japonês)
- AZombam dele abertamente, repetindo o que Mathilde dissera
- BNinguém lhe dirige a palavra, e sua presença passa despercebida
- CConvidam-no para o jogo de cartas, por simples cortesia
- DO marquês o apresenta de novo aos convidados, e todos o saúdam
5.7Por que o cardeal diz que não se forma na França um partido armado sem o clero? (Livro II, capítulo 23: O clero, os bosques, a liberdade)
- APorque o clero guarda o ouro que a Inglaterra se recusa a mandar
- BPorque o povo, que dá os soldados, se comove com a voz dos padres
- CPorque os bispos já comandam os regimentos de cada departamento
- DPorque Roma pagaria as campanhas dos reis da Europa contra a França
5.8A marechala de Fervaques admira a calma patrícia e desconfia de qualquer emoção viva. Segundo o narrador, o que o menor sinal de sensibilidade seria aos olhos dela? (Livro II, capítulo 26: O amor moral)
- AUma espécie de embriaguez moral, que compromete a dignidade
- BUma prova de piedade sincera, digna de elogio entre os bons
- CUm defeito próprio dos jovens, que a idade costuma corrigir
- DUm recurso dos provincianos para obter favores nos salões
5.9Mathilde pergunta se a marechala teria feito por ele todos os sacrifícios que o amor a levou a fazer. Como Julien responde? (Livro II, capítulo 30: Um camarote na Ópera Bouffe)
- ADizendo que a marechala fez por ele muito mais do que ela
- BCom um silêncio morno, julgando indigna a indiscrição pedida
- CNegando que tenha jamais amado a marechala de verdade
- DPedindo-lhe que se cale e deixe a biblioteca em seguida
5.10Para discutir. (Livro II, capítulo 16: Uma hora da manhã)
Se os dois sabem, cada um a seu modo, que estão representando um papel, o que resta para chamar aquilo de amor, e por que o texto ainda insiste em chamar?
5.11Para discutir. (Livro II, capítulo 30: Um camarote na Ópera Bouffe)
Depois de resistir a Mathilde, Julien se culpa: "Como pude resistir-lhe?". Por que o amor dele cresce à medida que se afasta do momento da batalha, e o que isso diz sobre o que ele ama nela?
5.12E você? O orgulho ajuda ou atrapalha quem ama?
Semana 6 · Livro II, capítulo 31: Amedrontá-la a Livro II, capítulo 45
Semana 6
Ao ler, observe: Repare em como os poderosos resolvem os problemas pelos bastidores, longe dos olhos do público.
6.1O que aconteceu nesta semana? Conte com as suas palavras, na ordem dos acontecimentos.
6.2Quais destes temas aparecem nos capítulos da semana? Marque.
AmbiçãoClasse socialAparência e realidadeAmorPolíticaOrgulhoFelicidade
6.3Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
AMEDRONTÁ-LA, exclamou de repente, jogando o livro ao longe. O inimigo só vai me obedecer à medida que eu o amedrontar, então não vai se atrever a me desprezar.
6.4Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
A sra. de Rênal se manteve fiel a sua promessa. Não tentou de modo algum atentar contra sua vida; mas, três dias depois morreu abraçada aos filhos.
6.5No camarote da sra. de La Mole, sufocada pelas lágrimas, Mathilde pousa a mão na de Julien. Que palavra lhe diz? (Livro II, capítulo 31: Amedrontá-la)
- APerdoe-me
- BGarantias
- CEscute-me
- DMisericórdia
6.6O padre Pirard transmite as condições do marquês e o novo nome de Julien. Depois, Julien pensa em seu verdadeiro pai. Que ideia lhe ocorre? (Livro II, capítulo 35: Uma tormenta)
- AQue o pai o amava em segredo e o protegia de longe
- BQue talvez seja filho natural de algum grande senhor
- CQue o pai o deserdara por ele não ter sido um bom filho
- DQue o pai tinha se arrependido e queria vê-lo antes de morrer
6.7Mathilde chega ao torreão vestida de camponesa. Sob que nome fez a viagem? (Livro II, capítulo 38: Um homem poderoso)
- ASra. Michelet, com o passaporte da criada de quarto
- BSra. de La Vernaye, o nome que o marquês dera a Julien
- CSra. Derville, amiga da sra. de Rênal
- DSra. de Dubois, viúva de um oficial
6.8Na véspera do julgamento, o padre de Frilair garante a Mathilde a absolvição. Em que se apoia? (Livro II, capítulo 41: O julgamento)
- ANuma carta do rei, que Mathilde obtivera em Saint-Cloud
- BNa influência pessoal do presidente do tribunal sobre os doze jurados
- CNo apoio dos liberais de Besançon, que odeiam o promotor
- DEm seis jurados amigos, a quem fez crer que o bispado dependia deles
6.9Na prisão, diante da sra. de Rênal, como Julien se comporta, segundo o narrador? (Livro II, capítulo 45)
- ACom a altivez de quem não pede perdão a ninguém
- BRepresentando a coragem que quer mostrar a Besançon
- CCalando o medo da morte para não afligi-la demais
- DSem amor-próprio, contando-lhe todas as suas fraquezas
6.10Para discutir. (Livro II, capítulo 31: Amedrontá-la)
Depois de forçar a leitura das Memórias de Santa Helena, Julien exclama: "O inimigo só vai me obedecer à medida que eu o amedrontar". Por que ele chama Mathilde de inimigo, e o que a escolha da palavra mostra sobre como ele ama?
6.11Para discutir. (Livro II, capítulo 45)
Mathilde entra no quarto onde Fouqué vela o corpo, põe a cabeça de Julien numa pequena mesa de mármore e a beija na testa. Isso é amor, teatro ou as duas coisas, e o que muda no modo de lembrar Julien conforme se responde?
6.12E você? Como você gostaria de ser lembrado?
Depois de ler o livro inteiro
Personagens
Para cada personagem, diga quem é e como muda do começo ao fim do livro.
| Personagem | Quem é | Como muda |
| P1 Julien Sorel | | |
| P2 Madame de Rênal | | |
| P3 Mathilde de La Mole | | |
| P4 Monsieur de Rênal | | |
| P5 Marquês de La Mole | | |
| P6 Abade Chélan | | |
Temas
Para cada tema, anote dois ou três momentos do livro em que ele aparece e escreva, em poucas linhas, o que o livro diz sobre ele.
Fechamento
Perguntas sobre a obra inteira. Escolha uma e responda num texto de 20 a 30 linhas.
Pergunta. Julien troca uma arena onde media tudo por dinheiro e voto por outra onde nada disso conta: o que muda, de fato, na natureza da guerra que ele trava, e o que continua sendo exatamente a mesma guerra com um vocabulário novo?
Pergunta. O Marquês de La Mole perdoa a falta de ortografia e não perdoa a falta de maneiras: por que a forma pesa mais que o conteúdo exatamente na classe que se define pela posse do conteúdo (livros, latim, história)?
Pergunta. Se o salão pune qualquer ideia viva com a pecha de mau gosto, que lugar sobra para uma convicção como a de Altamira, que já custou uma sentença de morte? O salão a tolera, a ignora ou precisa dela como espetáculo?
Pergunta. O marquês compara o afeto por Julien ao afeto por um cão de estimação bonito e original, dito com carinho genuíno: até que ponto essa comparação é também a medida exata do teto que Julien nunca vai furar nessa casa?
Pergunta. Mathilde decide que só a condenação à morte prova caráter, e ninguém no salão, exceto Altamira, pagou esse preço: o que significa fundar um ideal de grandeza sobre uma prova que a própria condição social de quem o formula torna quase impossível de cumprir?
Pergunta. Se Mathilde já amava a lenda antes de amar Julien, o que ela ama nele: o homem, ou o papel de Boniface de La Mole que ele, sem querer, começa a preencher?
Pergunta. Mathilde despreza o irmão e os pretendentes por não suportarem "o perigo solitário, singular, imprevisto"; mas ela mesma nunca correu risco nenhum além do risco social de uma carta indiscreta: até que ponto seu ideal de coragem é sincero, e até que ponto é mais um adorno de classe, como a fita do Tosão de Ouro do príncipe de Araceli?
Pergunta. Julien só se permite alegria depois de reler a vitória sobre Croisenois como uma pesagem de méritos, nunca como afeto correspondido: o que isso revela sobre o que ele efetivamente busca em Mathilde, o amor dela ou a prova de que pode vencer o nascimento dela?
Pergunta. Depois de nove blocos vendo Julien recusar, item por item, o valor que a aristocracia dá a si mesma (o nascimento, o duelo ritual, a fita de condecoração), ele decide agir por honra, a moeda mais aristocrática de todas: ele venceu o jogo do faubourg, ou foi absorvido por ele?
- O romance está descrevendo como o amor de fato funciona na aristocracia parisiense de 1830, ou está fazendo uma caricatura para valorizar por comparação o episódio de Verrières?
- Até que ponto Julien está genuinamente apaixonado por Mathilde, e até que ponto ele está apaixonado pela vitória sobre uma classe que o despreza?
Se a ambição de Julien nunca foi por dinheiro nem por título, como o próprio texto insiste, o que exatamente ele venceu ao virar La Vernaye? E por que essa vitória, no instante em que se completa, já soa a despedida?
Por que um homem que planeja cada gesto da própria vida escolhe, na única vez em que age sem plano, um ato que o condena? O tiro liberta Julien de quê?
Abade de Frilair ajuda Julien por cálculo de carreira, não por justiça. Isso torna a ajuda menos real, ou o romance está dizendo que, nesse mundo, não existe ajuda que não seja interessada?
Julien diz aos jurados que o crime deles é puni-lo por classe, não pelo tiro. O discurso é verdade sobre o julgamento, ou é a última e maior construção retórica de um homem que a vida inteira construiu personagens de si mesmo?
Se a felicidade de Julien só aparece quando o futuro (ambição, cálculo, plano de vida) é retirado da equação, o que isso diz sobre o preço que ele pagou, ao longo de todo o romance, por perseguir esse futuro?
A sra. de Rênal não se mata, mas morre em três dias de qualquer forma. Ela cumpriu o juramento a Julien, ou o próprio corpo dela discordou do juramento que a cabeça fez?
Termos
Palavras do livro que podem travar a leitura, explicadas. Para consultar quando aparecerem.
Restauração. Período entre 1814 e 1830 em que a dinastia dos Bourbon voltou ao trono da França depois da queda de Napoleão, com Luís XVIII e, a partir de 1824, Carlos X. Foi uma monarquia constitucional de poderes limitados, bem diferente da monarquia absoluta anterior à Revolução, e terminou com a Revolução de Julho de 1830.
Prefeito. Tradução do francês maire, a autoridade que preside a administração de uma comuna, seja cidade ou vilarejo. Na época do romance, a Restauração tinha prefeitos e conselheiros municipais nomeados, e não eleitos pelos moradores. Hoje o maire é escolhido pelo conselho municipal, mas na França de Carlos X o cargo dependia de nomeação.
Asilo de mendicidade. Abrigo público para mendigos, instituição de assistência que a Revolução extinguiu e Napoleão fez voltar em 1808. Foi abolido aos poucos durante a Restauração, e em 1830, ano de publicação do romance, restavam apenas seis em toda a França. Em Verrières, o asilo tem diretor próprio e funciona ao lado da prisão e do hospital.
Cura. Tradução do francês curé: o padre encarregado de uma paróquia, o pároco, que cuida dos fiéis dali. Em português é substantivo masculino (o cura), sem relação com a cura de curar. Nomeado pelo bispo, de quem é o representante na paróquia, ele é diferente do bispo, que governa a diocese, formada por várias paróquias.
Legião de Honra. Ordem de mérito criada por Napoleão Bonaparte em 1802 para recompensar os méritos prestados à nação francesa. A primeira concessão foi em 14 de julho de 1804, em cerimônia no Hôtel des Invalides, em Paris, e as condecorações foram para marechais, soldados, inválidos de guerra, cientistas, artistas e escritores.
Congregação. Associação católica de leigos e eclesiásticos, fundada em 1801 pelo padre jesuíta Bordier-Delpuits para a piedade e a caridade. Na Restauração reunia tradicionalistas e ultrarrealistas e favorecia a carreira de seus membros. Os jornais da oposição, em 1830, falavam em camarilha, ou governo da sombra, de jesuítas, congregação e fanáticos.
Ultrarrealista. Também chamado de ultra: partidário da facção que, na Restauração, defendia o catolicismo como religião do Estado, a monarquia dos Bourbon, a hierarquia tradicional entre as classes e o voto restrito aos mais ricos. Reunia nobres, grandes proprietários e antigos emigrados. Seu chefe era o futuro Carlos X, e em 1824 os ultras ganharam 413 das 430 cadeiras da Câmara.
Jansenista. Seguidor do jansenismo, corrente católica nascida das ideias de Cornelius Jansen, bispo de Ypres, cuja obra Augustinus saiu em 1640. Defendia uma leitura rigorosa de Santo Agostinho sobre a graça e a predestinação, foi condenado pela Igreja em várias bulas e se opunha ao laxismo moral, que associava aos jesuítas.
Jacobino. Membro do Clube dos Jacobinos, fundado em 1789 e dominado por Robespierre na fase mais radical da Revolução, a do Terror. O clube foi fechado em novembro de 1794. Depois da Revolução, os conservadores passaram a usar a palavra como xingamento contra qualquer político que lhes parecesse revolucionário.
Primeiro-adjunto. Adjunto do prefeito de uma comuna francesa: substitui o prefeito quando ele está impedido, até que volte ou se escolha um sucessor. Na Restauração, prefeitos e conselheiros municipais eram nomeados, e não eleitos. Hoje os adjuntos são eleitos pelo conselho municipal entre os seus membros.
Vigário-geral. Principal auxiliar do bispo na administração de uma diocese: depois do bispo, é a mais alta autoridade da diocese e exerce em nome dele o poder executivo sobre todo o território. Precisa ser padre, bispo auxiliar ou bispo coadjutor, e o bispo pode nomear mais de um vigário-geral. Em francês, vicaire général.