Clavis Libri · Caderno de estudos · Folha do aluno
William Shakespeare
Um caderno para ler o livro em 2 semanas: o que aconteceu, os temas, as citações, as questões e as perguntas para pensar.
Leia os capítulos da semana e depois responda à seção dela. Cada exercício tem um número; o gabarito fica com o professor.
As perguntas "para discutir" não têm resposta certa: servem para pensar e conversar. As questões de múltipla escolha e a identificação das citações têm.
Semana 1 · Ato I: Veneza, a denúncia noturna e o juízo do senado a Ato III: A tentação e o lenço
Ao ler, observe: Repare em como Iago fala de cada um, e no que ele diz quando está sozinho.
... Eu não sou o que sou.
O lenço!
Por que Iago confessa a Rodrigo que serve a Otelo por interesse e não por lealdade?
Desdêmona insiste no caso de Cássio justamente quando Otelo só quer saber do lenço. O que cada um escuta do que o outro diz?
Semana 2 · Ato IV: A humilhação e o canto do salgueiro a Ato V: A emboscada, o assassinato e a revelação
Ao ler, observe: Repare em como uma suspeita cresce até parecer certeza.
Um homem com chifres é um monstro, é uma besta.
Eu te beijei, depois te matei: só o que deixo, / Matar a mim mesmo e morrer com um beijo.
No Ato III (ver Ato III: A tentação e o lenço), Iago leva Otelo da insinuação à exigência de prova. O que Iago ainda faz neste ato, e o que Otelo faz sem ele?
Otelo decidiu o método e o momento da morte de Desdêmona no Ato IV (ver Ato IV: A humilhação e o canto do salgueiro), mas neste ato hesita (vv. 1-22), ouve a súplica dela (vv. 79-84) e depara com a virada de Emília. O que cada um desses momentos muda na decisão?
Depois de ler o livro inteiro
Para cada personagem, diga quem é e como muda do começo ao fim do livro.
| Personagem | Quem é | Como muda |
|---|---|---|
| P1 Otelo | ||
| P2 Iago | ||
| P3 Desdêmona | ||
| P4 Cássio | ||
| P5 Emília | ||
| P6 Rodrigo |
Para cada tema, anote dois ou três momentos do livro em que ele aparece e escreva, em poucas linhas, o que o livro diz sobre ele.
Perguntas sobre a obra inteira. Escolha uma e responda num texto de 20 a 30 linhas.
Que cenas da peça sustentam cada leitura, e o que ela faz com a palavra "ciumento"?
A peça autoriza aproximar Iago do Satã de Milton, como faz Harold Bloom? O que, no texto, aproxima os dois, e o que os separa?
Iago diz a Rodrigo (I.1, I.3) e, em apartes, ao público que não é o que é, e só os apartes ficam sem ouvinte em cena. O que muda na peça por o público saber o que Otelo não sabe?
Desdêmona e Emília respondem de modos opostos ao que se deve ao marido. O que cada uma das duas respostas faz acontecer na peça?
Otelo aceita o lenço como prova sem dar crédito a Desdêmona. O que ele precisaria ver para duvidar de Iago?
Palavras do livro que podem travar a leitura, explicadas. Para consultar quando aparecerem.
Mouro. Palavra de origem latina (Mauri), usada na Europa medieval e moderna, sem rigor, para árabes, berberes, muçulmanos europeus e pessoas negras. Aplicou-se aos habitantes muçulmanos da Península Ibérica depois da conquista de 711. Em inglês, desde o século XIV, também era um termo racial para pessoas de pele escura. A Britannica de 1911 já observava que o termo não tinha valor etnológico real.
Tenente. Posto militar de quem auxilia e substitui o capitão no comando de uma unidade, o imediato logo abaixo dele. O português tirou a palavra do francês lieutenant, que significa literalmente 'aquele que ocupa o lugar de outro', e a raiz latina é tenere, 'ter, segurar'. Era, portanto, o segundo na cadeia de comando.
Duque. Na Veneza da peça, o Duque é o doge, chefe da República de Veneza, cargo que existiu de 697 a 1797. Doge vem do latim dux, a mesma raiz de duque. Era eleito para a vida toda, por um processo complexo de votação. Com o tempo seu poder real diminuiu e o cargo passou a ser sobretudo representativo, com decisões entregues a outros órgãos.
Feitiçaria. Crença de que alguém podia, com ervas, poções (os chamados filtros de amor) ou encantamentos, dobrar a vontade alheia e provocar paixão. Na Idade Média, bruxas e herboristas preparavam essas misturas, às vezes com plantas tóxicas como a beladona. Na época de Shakespeare, a lei inglesa de 1604 punia com a morte quem invocasse espíritos malignos ou tivesse trato com espíritos familiares.
Senado. Principal órgão legislativo da República de Veneza, criado por volta de 1229 com o nome de Consiglio dei Pregadi, 'Conselho dos Convidados'. O nome Senado só lhe foi dado no fim do século XIV. Tratava de impostos, comércio, política externa e operações militares. Por volta de 1500 reunia cerca de 300 nobres, e o doge participava dele por direito próprio.
Frota turca. Armada do Império Otomano, potência que dominava o Mediterrâneo oriental e disputava o mar com Veneza. Em 27 de junho de 1570, uma força de centenas de navios partiu rumo a Chipre, então posse veneziana. A guerra terminou em março de 1573, com um tratado pelo qual Chipre virou província otomana e Veneza pagou uma indenização de 300 mil ducados.
Chipre. Ilha do Mediterrâneo oriental que Veneza passou a controlar em 1489, quando a rainha Caterina Cornaro abdicou. Para a República era sobretudo uma base militar, e suas cidades, como Nicósia e Famagusta, receberam muralhas e bastiões pensados para resistir à artilharia, diante da ameaça dos otomanos, que atacavam a ilha com frequência.
Sibila. Profetisa da Antiguidade grega e romana, que anunciava mensagens divinas em estado de transe extático. A mais importante para os romanos era a Sibila de Cumas, perto de Nápoles, que segundo a lenda vendeu os livros sibilinos a Tarquínio, o Soberbo, último rei de Roma. Os romanos reconheciam dez sibilas, listadas pelo estudioso Varrão no século I a.C.
Chifres. No imaginário europeu da época moderna, o marido traído era o cornudo, de quem se dizia que usava chifres. A imagem vem do cervo que, vencido por um rival, perde suas fêmeas. Era motivo de zombaria pública contra o marido. A expressão existe em várias línguas: cornuto em italiano, porter des cornes em francês, corno em português.
Canção do salgueiro. Balada popular inglesa, conservada num manuscrito da Biblioteca Britânica (Add. MS 15117), em oito estrofes. O salgueiro era, na tradição, emblema de luto e de amor rejeitado. Na versão antiga, quem canta é um homem que sofre com a crueldade e a infidelidade da amada. Shakespeare adaptou a balada, trocando o cantor por uma mulher.