Clavis Libri · Caderno de estudos · Folha do aluno

Otelo

William Shakespeare

Um caderno para ler o livro em 2 semanas: o que aconteceu, os temas, as citações, as questões e as perguntas para pensar.

NomeTurmaData

Como usar

Leia os capítulos da semana e depois responda à seção dela. Cada exercício tem um número; o gabarito fica com o professor.

As perguntas "para discutir" não têm resposta certa: servem para pensar e conversar. As questões de múltipla escolha e a identificação das citações têm.

Semana 1 · Ato I: Veneza, a denúncia noturna e o juízo do senado a Ato III: A tentação e o lenço

Semana 1

Ao ler, observe: Repare em como Iago fala de cada um, e no que ele diz quando está sozinho.

1.1O que aconteceu nesta semana? Conte com as suas palavras, na ordem dos acontecimentos.
1.2Quais destes temas aparecem nos capítulos da semana? Marque.
CiúmePreconceitoVerdade e mentiraHonra e reputaçãoInvejaAmor
1.3Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
... Eu não sou o que sou.
1.4Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
O lenço!
1.5Na rua, Iago diz a Rodrigo que odeia Otelo. Que motivo ele dá? (Ato I: Veneza, a denúncia noturna e o juízo do senado)
1.6Sozinho, no fim do ato, Iago planeja enganar Otelo. Que traço do caráter de Otelo ele pretende explorar? (Ato I: Veneza, a denúncia noturna e o juízo do senado)
1.7Em Chipre, Montano e os fidalgos olham o mar em fúria. Que notícia o terceiro fidalgo traz sobre os turcos? (Ato II: Chipre, a tempestade e a queda de Cássio)
1.8Iago pergunta quem dirá que ele é um vilão, se o conselho que deu a Cássio é gratuito e bom. Com que compara o que faz? (Ato II: Chipre, a tempestade e a queda de Cássio)
1.9Cássio pede a Iago acesso a Desdêmona, de manhã cedo. O que Iago promete? (Ato III: A tentação e o lenço)
1.10Para discutir. (Ato I: Veneza, a denúncia noturna e o juízo do senado)

Por que Iago confessa a Rodrigo que serve a Otelo por interesse e não por lealdade?

1.11Para discutir. (Ato III: A tentação e o lenço)

Desdêmona insiste no caso de Cássio justamente quando Otelo só quer saber do lenço. O que cada um escuta do que o outro diz?

1.12E você? Por que é tão fácil acreditar no pior sobre alguém?

Semana 2 · Ato IV: A humilhação e o canto do salgueiro a Ato V: A emboscada, o assassinato e a revelação

Semana 2

Ao ler, observe: Repare em como uma suspeita cresce até parecer certeza.

2.1O que aconteceu nesta semana? Conte com as suas palavras, na ordem dos acontecimentos.
2.2Quais destes temas aparecem nos capítulos da semana? Marque.
CiúmePreconceitoVerdade e mentiraHonra e reputaçãoInvejaAmor
2.3Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
Um homem com chifres é um monstro, é uma besta.
2.4Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
Eu te beijei, depois te matei: só o que deixo, / Matar a mim mesmo e morrer com um beijo.
2.5Iago diz a Otelo que vai conversar com Cássio e que isso provará tudo. O que manda Otelo fazer enquanto os dois falam? (Ato IV: A humilhação e o canto do salgueiro)
2.6Ludovico chega de Veneza com uma carta para Otelo. Que ordem ele supõe que a carta traga? (Ato IV: A humilhação e o canto do salgueiro)
2.7Antes de se deitar, Desdêmona fala dos lençóis nupciais. O que ela pede a Emília? (Ato IV: A humilhação e o canto do salgueiro)
2.8Em aparte, Iago pensa na luta entre Rodrigo e Cássio. O que ele conclui? (Ato V: A emboscada, o assassinato e a revelação)
2.9Depois de pedir que falem dele como é, o que Otelo faz? (Ato V: A emboscada, o assassinato e a revelação)
2.10Para discutir. (Ato IV: A humilhação e o canto do salgueiro)

No Ato III (ver Ato III: A tentação e o lenço), Iago leva Otelo da insinuação à exigência de prova. O que Iago ainda faz neste ato, e o que Otelo faz sem ele?

2.11Para discutir. (Ato V: A emboscada, o assassinato e a revelação)

Otelo decidiu o método e o momento da morte de Desdêmona no Ato IV (ver Ato IV: A humilhação e o canto do salgueiro), mas neste ato hesita (vv. 1-22), ouve a súplica dela (vv. 79-84) e depara com a virada de Emília. O que cada um desses momentos muda na decisão?

2.12E você? O que o ciúme diz sobre quem o sente?

Depois de ler o livro inteiro

Personagens

Para cada personagem, diga quem é e como muda do começo ao fim do livro.

PersonagemQuem éComo muda
P1 Otelo
P2 Iago
P3 Desdêmona
P4 Cássio
P5 Emília
P6 Rodrigo

Temas

Para cada tema, anote dois ou três momentos do livro em que ele aparece e escreva, em poucas linhas, o que o livro diz sobre ele.

T1Ciúme
T2Preconceito
T3Verdade e mentira
T4Honra e reputação
T5Inveja
T6Amor

Fechamento

Perguntas sobre a obra inteira. Escolha uma e responda num texto de 20 a 30 linhas.

Que cenas da peça sustentam cada leitura, e o que ela faz com a palavra "ciumento"?

A peça autoriza aproximar Iago do Satã de Milton, como faz Harold Bloom? O que, no texto, aproxima os dois, e o que os separa?

Iago diz a Rodrigo (I.1, I.3) e, em apartes, ao público que não é o que é, e só os apartes ficam sem ouvinte em cena. O que muda na peça por o público saber o que Otelo não sabe?

Desdêmona e Emília respondem de modos opostos ao que se deve ao marido. O que cada uma das duas respostas faz acontecer na peça?

Otelo aceita o lenço como prova sem dar crédito a Desdêmona. O que ele precisaria ver para duvidar de Iago?

Termos

Palavras do livro que podem travar a leitura, explicadas. Para consultar quando aparecerem.

Mouro. Palavra de origem latina (Mauri), usada na Europa medieval e moderna, sem rigor, para árabes, berberes, muçulmanos europeus e pessoas negras. Aplicou-se aos habitantes muçulmanos da Península Ibérica depois da conquista de 711. Em inglês, desde o século XIV, também era um termo racial para pessoas de pele escura. A Britannica de 1911 já observava que o termo não tinha valor etnológico real.

Tenente. Posto militar de quem auxilia e substitui o capitão no comando de uma unidade, o imediato logo abaixo dele. O português tirou a palavra do francês lieutenant, que significa literalmente 'aquele que ocupa o lugar de outro', e a raiz latina é tenere, 'ter, segurar'. Era, portanto, o segundo na cadeia de comando.

Duque. Na Veneza da peça, o Duque é o doge, chefe da República de Veneza, cargo que existiu de 697 a 1797. Doge vem do latim dux, a mesma raiz de duque. Era eleito para a vida toda, por um processo complexo de votação. Com o tempo seu poder real diminuiu e o cargo passou a ser sobretudo representativo, com decisões entregues a outros órgãos.

Feitiçaria. Crença de que alguém podia, com ervas, poções (os chamados filtros de amor) ou encantamentos, dobrar a vontade alheia e provocar paixão. Na Idade Média, bruxas e herboristas preparavam essas misturas, às vezes com plantas tóxicas como a beladona. Na época de Shakespeare, a lei inglesa de 1604 punia com a morte quem invocasse espíritos malignos ou tivesse trato com espíritos familiares.

Senado. Principal órgão legislativo da República de Veneza, criado por volta de 1229 com o nome de Consiglio dei Pregadi, 'Conselho dos Convidados'. O nome Senado só lhe foi dado no fim do século XIV. Tratava de impostos, comércio, política externa e operações militares. Por volta de 1500 reunia cerca de 300 nobres, e o doge participava dele por direito próprio.

Frota turca. Armada do Império Otomano, potência que dominava o Mediterrâneo oriental e disputava o mar com Veneza. Em 27 de junho de 1570, uma força de centenas de navios partiu rumo a Chipre, então posse veneziana. A guerra terminou em março de 1573, com um tratado pelo qual Chipre virou província otomana e Veneza pagou uma indenização de 300 mil ducados.

Chipre. Ilha do Mediterrâneo oriental que Veneza passou a controlar em 1489, quando a rainha Caterina Cornaro abdicou. Para a República era sobretudo uma base militar, e suas cidades, como Nicósia e Famagusta, receberam muralhas e bastiões pensados para resistir à artilharia, diante da ameaça dos otomanos, que atacavam a ilha com frequência.

Sibila. Profetisa da Antiguidade grega e romana, que anunciava mensagens divinas em estado de transe extático. A mais importante para os romanos era a Sibila de Cumas, perto de Nápoles, que segundo a lenda vendeu os livros sibilinos a Tarquínio, o Soberbo, último rei de Roma. Os romanos reconheciam dez sibilas, listadas pelo estudioso Varrão no século I a.C.

Chifres. No imaginário europeu da época moderna, o marido traído era o cornudo, de quem se dizia que usava chifres. A imagem vem do cervo que, vencido por um rival, perde suas fêmeas. Era motivo de zombaria pública contra o marido. A expressão existe em várias línguas: cornuto em italiano, porter des cornes em francês, corno em português.

Canção do salgueiro. Balada popular inglesa, conservada num manuscrito da Biblioteca Britânica (Add. MS 15117), em oito estrofes. O salgueiro era, na tradição, emblema de luto e de amor rejeitado. Na versão antiga, quem canta é um homem que sofre com a crueldade e a infidelidade da amada. Shakespeare adaptou a balada, trocando o cantor por uma mulher.