Clavis Libri · Caderno de estudos · Folha do aluno
Machado de Assis
Um caderno para ler o livro em 3 semanas: o que aconteceu, os temas, as citações, as questões e as perguntas para pensar.
Leia os capítulos da semana e depois responda à seção dela. Cada exercício tem um número; o gabarito fica com o professor.
As perguntas "para discutir" não têm resposta certa: servem para pensar e conversar. As questões de múltipla escolha e a identificação das citações têm.
Semana 1 · Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Prólogo a Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXIII: A sorte do primeiro carro
Ao ler, observe: Repare em como Rubião recebe a herança e em quem passa a cercá-lo quando chega ao Rio.
…tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade
Tílburi não era carro
Rubião vê a morte da irmã e do amigo como obra de Deus por linhas tortas: o que isso revela sobre ele?
Rubião muda as regras da aposta quando a sorte diz não: ele decide pela sorte ou já tinha decidido?
Semana 2 · Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXIV: A tia e a prima de Sofia a Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXX: A confidência na saída da missa
Ao ler, observe: Repare no que cada um que frequenta a casa de Rubião espera receber dele.
…uma censura mole, ao canto da boca
Que bom que era sentir-se um deus adorado
Rubião começa vexado e termina reimprimindo a notícia: o que o faz mudar de ideia?
Carlos Maria achava a moça fria e passa a gostar dela ao saber que é amado: o que isso sugere sobre a origem do afeto?
Semana 3 · Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXI: Rubião confia na lágrima de Sofia a Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CC: A morte do imperador
Ao ler, observe: Repare no que o narrador comenta, entre uma cena e outra, sobre a vaidade dos homens.
…espere que ainda a farei imperatriz
Guardem a minha coroa
Noivo e noiva veem, cada um da sua janela, o mesmo quadro: o que a simetria sugere sobre o casamento que começa?
Rubião morre coroado só para si mesmo: o narrador zomba dessa glória ou a respeita?
Depois de ler o livro inteiro
Para cada personagem, diga quem é e como muda do começo ao fim do livro.
| Personagem | Quem é | Como muda |
|---|---|---|
| P1 Rubião | ||
| P2 Sofia | ||
| P3 Cristiano Palha | ||
| P4 Quincas Borba (filósofo) | ||
| P5 Quincas Borba (cão) | ||
| P6 Carlos Maria |
Para cada tema, anote dois ou três momentos do livro em que ele aparece e escreva, em poucas linhas, o que o livro diz sobre ele.
Perguntas sobre a obra inteira. Escolha uma e responda num texto de 20 a 30 linhas.
A doutrina de Humanitas, que o filósofo expõe e Rubião só entende ao herdar, descreve o mundo do livro?
Rubião é vítima de quem o cerca, autor da própria ruína, ou as duas coisas?
O narrador deixa o leitor formar uma certeza e depois a desfaz: o que o romance pede de quem lê?
A vaidade de Rubião e a loucura dele são a mesma coisa, ou o livro as distingue?
O cão leva o nome do filósofo e acompanha Rubião até o fim: o que a fidelidade dele diz das fidelidades entre as pessoas do livro?
Palavras do livro que podem travar a leitura, explicadas. Para consultar quando aparecerem.
Corte. Residência do soberano e, por extensão, a cidade onde ele vive. No Império do Brasil, "a Corte" era o Rio de Janeiro, sede da corte imperial e capital do país desde a chegada da família real portuguesa, em 1808, até o fim do Império, em 1889. Os "jornais da Corte" eram, portanto, os jornais do Rio.
Botafogo. Bairro do Rio de Janeiro, a Corte do Império. Por volta de 1808 a elite da cidade, formada por nobres, comerciantes e funcionários da corte, já construía mansões na paróquia de Botafogo. Uma barca, em 1867, e os bondes puxados por animais, em 1871, ajudaram o bairro a crescer para o interior.
Tílburi. Carruagem leve, rápida e esportiva, de duas rodas, com um único banco para o condutor e um passageiro e uma capota de couro dobrável, sustentada por arcos de madeira. Foi inventada por volta de 1820 e construída em Londres pela oficina Tilbury, que lhe deu o nome. Na Inglaterra, saiu de moda por volta de 1850.
Conto. Neste sentido, "conto" é abreviação de conto de réis, moeda de conta que valia um milhão de réis, ou mil mil-réis, e se escrevia 1:000$000, com dois pontos depois dos milhões. Falava-se em "cinco contos" ou "dez contos" para somas grandes. Não é o conto como narrativa curta: aqui a palavra trata de dinheiro.
Deputado. Membro da Câmara dos Deputados, uma das duas casas da Assembleia Geral do Império. A Câmara era eletiva e temporária, com legislatura de quatro anos. A eleição era indireta: os cidadãos votavam em eleitores, e estes escolhiam os deputados. Para ser deputado exigia-se renda líquida anual de 400 mil-réis, e o imperador podia dissolver a Câmara.
Mil-réis. Unidade prática da moeda do Brasil: mil réis, escrita 1$000, com o cifrão depois dos milhares. Com a inflação, o real ficou pequeno demais, e os preços passaram a ser dados em mil-réis. Mil mil-réis formavam um conto. A moeda durou até 1942, quando o cruzeiro a substituiu, à razão de um cruzeiro por mil-réis.
Ministério. Conjunto dos ministros de Estado, o gabinete. Pela Constituição de 1824, o imperador os nomeava e demitia livremente, e eles assinavam os atos do Poder Executivo. O presidente do Conselho de Ministros, espécie de primeiro-ministro, foi criado formalmente em 1847. Cada pasta também se chama ministério, como o Ministério da Guerra.
Coupé. Carruagem fechada, derivada de uma berlina encurtada, de onde vem o nome (do francês couper, cortar). Tinha uma cabine para dois passageiros num só banco, com janela de vidro fixa na frente, e o cocheiro ia do lado de fora, à frente. Era considerada ideal para as senhoras fazerem compras e visitas sociais.
Apólice. Título da dívida pública: o governo vendia apólices a quem lhe emprestava dinheiro e pagava juros ao comprador. A primeira emissão de títulos públicos do Império do Brasil foi feita pelo Tesouro Nacional em 17 de março de 1828. Para um particular rico, comprar apólices era uma forma de aplicar o capital em juros.
Guerra franco-prussiana. Guerra entre a França de Napoleão III e a Prússia, de 19 de julho de 1870 a 28 de janeiro de 1871. Napoleão III foi capturado em Sedan em 1º de setembro de 1870, e o Segundo Império francês caiu. O Império Alemão foi proclamado em 18 de janeiro de 1871, e a França perdeu a Alsácia-Lorena.
Presidência de província. Cargo de presidente de província no Império. Pela Constituição de 1824 (art. 165), havia em cada província um presidente nomeado pelo imperador, que podia removê-lo quando julgasse conveniente ao bom serviço do Estado. Não tinha mandato fixo, e a nomeação seguia o aconselhamento do partido que estivesse no poder.