Clavis Libri · Caderno de estudos

Quincas Borba

Machado de Assis

Um caderno para ler o livro em 3 semanas: o que aconteceu, os temas, as citações, as questões e as perguntas para pensar.

NomeTurmaData

Como usar

Leia os capítulos da semana e depois responda à seção dela. Cada exercício tem um número; no fim do caderno, o gabarito traz a resposta com o mesmo número.

As perguntas "para discutir" não têm resposta certa: servem para pensar e conversar. As questões de múltipla escolha e a identificação das citações têm.

Semana 1 · Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Prólogo a Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXIII: A sorte do primeiro carro

Semana 1

Ao ler, observe: Repare em como Rubião recebe a herança e em quem passa a cercá-lo quando chega ao Rio.

1.1O que aconteceu nesta semana? Conte com as suas palavras, na ordem dos acontecimentos.
1.2Quais destes temas aparecem nos capítulos da semana? Marque.
LoucuraDinheiro e riquezaAparência e realidadeDesejoLealdade e traiçãoAmbição
1.3Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
…tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade
1.4Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
Tílburi não era carro
1.5Da janela, Rubião olha as chinelas, a casa, o jardim, a enseada, os morros e o céu. Que sensação, segundo o narrador, reúne tudo isso, das chinelas ao céu? (Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo)
1.6Aberto o testamento, Rubião é nomeado herdeiro universal de tudo. Qual é a única condição imposta a ele? (Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião)
1.7Rubião pergunta a Freitas se ele o acompanharia à Europa e diz que ele é alegre. Que resposta Freitas dá sobre si mesmo? (Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião)
1.8Sofia quer voltar à sala e diz que podem ter dado pela nossa ausência. O que Rubião faz com essa palavra? (Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim)
1.9Sofia conta ao marido o que Rubião fez no jardim e sugere cortar relações com ele. O que Palha confessa, abraçando-a pela cintura? (Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho)
1.10Para discutir. (Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Capítulo I: Rubião à janela de Botafogo)

Rubião vê a morte da irmã e do amigo como obra de Deus por linhas tortas: o que isso revela sobre ele?

1.11Para discutir. (Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXIII: A sorte do primeiro carro)

Rubião muda as regras da aposta quando a sorte diz não: ele decide pela sorte ou já tinha decidido?

1.12E você? O dinheiro muda as pessoas ou só mostra quem elas já eram?

Semana 2 · Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXIV: A tia e a prima de Sofia a Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXX: A confidência na saída da missa

Semana 2

Ao ler, observe: Repare no que cada um que frequenta a casa de Rubião espera receber dele.

2.1O que aconteceu nesta semana? Conte com as suas palavras, na ordem dos acontecimentos.
2.2Quais destes temas aparecem nos capítulos da semana? Marque.
LoucuraDinheiro e riquezaAparência e realidadeDesejoLealdade e traiçãoAmbição
2.3Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
…uma censura mole, ao canto da boca
2.4Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
Que bom que era sentir-se um deus adorado
2.5Quando Rubião insiste em ir a Minas, Palha e Camacho se olham. Com que imagem o narrador descreve esse olhar? (Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita)
2.6Como Palha vence a resistência de D. Maria Augusta, que não queria que a filha aprendesse francês e piano? (Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração)
2.7Sofia promete à prima um noivo, mas não consegue dizer o nome de Rubião. Como o narrador explica isso? (Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa)
2.8Em casa, de luto, Rubião não consegue pensar em outra coisa desde que chegou. O que o persegue? (Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião)
2.9No Flamengo, Rubião despeja tudo o que sente diante de Sofia. De que momento ele diz que veio a sua desgraça? (Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos)
2.10Para discutir. (Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXVII: A notícia do salvamento)

Rubião começa vexado e termina reimprimindo a notícia: o que o faz mudar de ideia?

2.11Para discutir. (Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXX: A confidência na saída da missa)

Carlos Maria achava a moça fria e passa a gostar dela ao saber que é amado: o que isso sugere sobre a origem do afeto?

2.12E você? Como saber se alguém gosta de você ou do que você tem?

Semana 3 · Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXI: Rubião confia na lágrima de Sofia a Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CC: A morte do imperador

Semana 3

Ao ler, observe: Repare no que o narrador comenta, entre uma cena e outra, sobre a vaidade dos homens.

3.1O que aconteceu nesta semana? Conte com as suas palavras, na ordem dos acontecimentos.
3.2Quais destes temas aparecem nos capítulos da semana? Marque.
LoucuraDinheiro e riquezaAparência e realidadeDesejoLealdade e traiçãoAmbição
3.3Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
…espere que ainda a farei imperatriz
3.4Quem diz (ou pensa) esta passagem, em que situação, e o que ela revela?
Guardem a minha coroa
3.5Teófilo chega consternado: o jornal trocou "dúvida" por "dívida" no discurso dele. Segundo o narrador, o que valia menos, naquele instante, do que a troca de um u por um i? (Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido)
3.6Os comensais de Rubião o têm por discípulo de um grande filósofo, que nunca fala de filosofia. Que explicação a lenda dá para esse silêncio? (Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial)
3.7Rubião, de rosto novo, às vezes se sente o imperador dos franceses. Como o narrador diz que as duas personalidades convivem nele? (Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia)
3.8Um raio de sol rompe o nevoeiro, e Sofia cuida que pode sair. O que o sol diz ao raio, na imaginação do narrador? (Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira)
3.9Carlos Maria pede à mulher que confesse uma coisa e, depois, lhe pergunta se queria ser rainha-mãe da Suécia. O que ele pede que ela confesse? (Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono)
3.10Para discutir. (Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXIII: O mesmo quadro na janela da noiva)

Noivo e noiva veem, cada um da sua janela, o mesmo quadro: o que a simetria sugere sobre o casamento que começa?

3.11Para discutir. (Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CC: A morte do imperador)

Rubião morre coroado só para si mesmo: o narrador zomba dessa glória ou a respeita?

3.12E você? O que é mais difícil de perder: o dinheiro ou o respeito dos outros?

Depois de ler o livro inteiro

Personagens

Para cada personagem, diga quem é e como muda do começo ao fim do livro.

PersonagemQuem éComo muda
P1 Rubião
P2 Sofia
P3 Cristiano Palha
P4 Quincas Borba (filósofo)
P5 Quincas Borba (cão)
P6 Carlos Maria

Temas

Para cada tema, anote dois ou três momentos do livro em que ele aparece e escreva, em poucas linhas, o que o livro diz sobre ele.

T1Loucura
T2Dinheiro e riqueza
T3Aparência e realidade
T4Desejo
T5Lealdade e traição
T6Ambição

Fechamento

Perguntas sobre a obra inteira. Escolha uma e responda num texto de 20 a 30 linhas.

A doutrina de Humanitas, que o filósofo expõe e Rubião só entende ao herdar, descreve o mundo do livro?

Rubião é vítima de quem o cerca, autor da própria ruína, ou as duas coisas?

O narrador deixa o leitor formar uma certeza e depois a desfaz: o que o romance pede de quem lê?

A vaidade de Rubião e a loucura dele são a mesma coisa, ou o livro as distingue?

O cão leva o nome do filósofo e acompanha Rubião até o fim: o que a fidelidade dele diz das fidelidades entre as pessoas do livro?

Termos

Palavras do livro que podem travar a leitura, explicadas. Para consultar quando aparecerem.

Corte. Residência do soberano e, por extensão, a cidade onde ele vive. No Império do Brasil, "a Corte" era o Rio de Janeiro, sede da corte imperial e capital do país desde a chegada da família real portuguesa, em 1808, até o fim do Império, em 1889. Os "jornais da Corte" eram, portanto, os jornais do Rio.

Botafogo. Bairro do Rio de Janeiro, a Corte do Império. Por volta de 1808 a elite da cidade, formada por nobres, comerciantes e funcionários da corte, já construía mansões na paróquia de Botafogo. Uma barca, em 1867, e os bondes puxados por animais, em 1871, ajudaram o bairro a crescer para o interior.

Tílburi. Carruagem leve, rápida e esportiva, de duas rodas, com um único banco para o condutor e um passageiro e uma capota de couro dobrável, sustentada por arcos de madeira. Foi inventada por volta de 1820 e construída em Londres pela oficina Tilbury, que lhe deu o nome. Na Inglaterra, saiu de moda por volta de 1850.

Conto. Neste sentido, "conto" é abreviação de conto de réis, moeda de conta que valia um milhão de réis, ou mil mil-réis, e se escrevia 1:000$000, com dois pontos depois dos milhões. Falava-se em "cinco contos" ou "dez contos" para somas grandes. Não é o conto como narrativa curta: aqui a palavra trata de dinheiro.

Deputado. Membro da Câmara dos Deputados, uma das duas casas da Assembleia Geral do Império. A Câmara era eletiva e temporária, com legislatura de quatro anos. A eleição era indireta: os cidadãos votavam em eleitores, e estes escolhiam os deputados. Para ser deputado exigia-se renda líquida anual de 400 mil-réis, e o imperador podia dissolver a Câmara.

Mil-réis. Unidade prática da moeda do Brasil: mil réis, escrita 1$000, com o cifrão depois dos milhares. Com a inflação, o real ficou pequeno demais, e os preços passaram a ser dados em mil-réis. Mil mil-réis formavam um conto. A moeda durou até 1942, quando o cruzeiro a substituiu, à razão de um cruzeiro por mil-réis.

Ministério. Conjunto dos ministros de Estado, o gabinete. Pela Constituição de 1824, o imperador os nomeava e demitia livremente, e eles assinavam os atos do Poder Executivo. O presidente do Conselho de Ministros, espécie de primeiro-ministro, foi criado formalmente em 1847. Cada pasta também se chama ministério, como o Ministério da Guerra.

Coupé. Carruagem fechada, derivada de uma berlina encurtada, de onde vem o nome (do francês couper, cortar). Tinha uma cabine para dois passageiros num só banco, com janela de vidro fixa na frente, e o cocheiro ia do lado de fora, à frente. Era considerada ideal para as senhoras fazerem compras e visitas sociais.

Apólice. Título da dívida pública: o governo vendia apólices a quem lhe emprestava dinheiro e pagava juros ao comprador. A primeira emissão de títulos públicos do Império do Brasil foi feita pelo Tesouro Nacional em 17 de março de 1828. Para um particular rico, comprar apólices era uma forma de aplicar o capital em juros.

Guerra franco-prussiana. Guerra entre a França de Napoleão III e a Prússia, de 19 de julho de 1870 a 28 de janeiro de 1871. Napoleão III foi capturado em Sedan em 1º de setembro de 1870, e o Segundo Império francês caiu. O Império Alemão foi proclamado em 18 de janeiro de 1871, e a França perdeu a Alsácia-Lorena.

Presidência de província. Cargo de presidente de província no Império. Pela Constituição de 1824 (art. 165), havia em cada província um presidente nomeado pelo imperador, que podia removê-lo quando julgasse conveniente ao bom serviço do Estado. Não tinha mandato fixo, e a nomeação seguia o aconselhamento do partido que estivesse no poder.

Gabarito

Gabarito

Semana 1

1.1O que aconteceu.
Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Prólogo

Machado recusa o pedido de uma trilogia com a Sofia na terceira parte: ela está inteira neste livro, e continuá-la seria repeti-la.

Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Capítulo I: Rubião à janela de Botafogo

Rubião olha a enseada e compara o passado de professor com o presente de capitalista. Calça chinelas dadas por Cristiano Palha e acha que Deus escreve direito por linhas tortas.

Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Capítulo II: O espírito e o coração

O espírito de Rubião foge do pensamento vexante para uma canoa, mas o coração segue alegre: foi bom que a irmã Piedade morresse sem casar, pois poderia vir um filho herdeiro.

Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Capítulo III: Café, prata e lembrança de Sofia

Ao tomar café em bandeja de prata, Rubião lembra os criados impostos por Cristiano Palha. Antes de soltar o Quincas Borba (cão), pensa em Sofia e se julga amado por ela.

Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Capítulo IV: O enfermeiro e o filósofo

Em 1867, Quincas Borba (filósofo) vive em Barbacena, com um grão de sandice. Rubião, irmão da viúva Piedade, que morrera, vira seu único amigo e o trata por seis meses.

Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Capítulo V: O cão e o nome do filósofo

Quincas Borba (filósofo) deu seu nome ao Quincas Borba (cão) por razão doutrinária e por querer sobreviver no nome dele. Diz a Rubião que vai morrer.

Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Capítulo VI: A morte da avó e as batatas

Quincas Borba (filósofo) explica Humanitas pela morte da avó, atropelada por uma sege cujo dono tinha fome: não há morte, e a guerra conserva. Rubião aceita ser discípulo.

Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Capítulo VII: A pergunta sobre a amizade

Exausto, Quincas Borba (filósofo) descreve o mundo com elogios que espantam Rubião. Pergunta se o outro é seu amigo e ouve que é tanto quanto o cão.

Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Capítulo VIII: O testamento e a partida

Quincas Borba (filósofo) registra o testamento no tabelião, confia o Quincas Borba (cão) a Rubião e parte para o Rio, chorando pelo cachorro.

Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Capítulo IX: Remorso, cão triste e zombarias

Rubião teme ser culpado se o amigo morrer na viagem. O Quincas Borba (cão) sofre a ausência do dono, o médico diz que a morte é certa, e na cidade zombam do professor sentinela de cachorro.

Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Capítulo X: A carta de Santo Agostinho

Do Rio chega uma carta em que Quincas Borba (filósofo) diz ser Santo Agostinho. Rubião julga o amigo louco, esconde a carta do médico por medo de anular o testamento e calcula o legado.

Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Capítulo XI: A notícia nos jornais

Nos jornais da Corte, Rubião lê a morte de Joaquim Borba dos Santos, o Quincas Borba (filósofo): suportou a doença com filosofia, delirou no fim e deixa muitos bens.

Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Capítulo XII: Alívio e destino do cão

Sem alusão a demência na notícia, Rubião volta a tomar a carta por troça. Vendo o Quincas Borba (cão), decide dá-lo à comadre Angélica, pois a obrigação acabou.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XIII: Bilhete de Brás Cubas, cão despachado

Brás Cubas escreve a Rubião dando a morte do amigo e agradecimentos; as praxes do foro devolvem a cor ao professor. Ele manda o Quincas Borba (cão) de presente à comadre Angélica.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XIV: O testamento e a cláusula do cão

Aberto o testamento, Rubião é herdeiro universal de tudo, com uma só condição: guardar o Quincas Borba (cão), tratá-lo como pessoa, enterrá-lo entre flores e guardar seus ossos numa urna.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XV: Rubião sonha com a herança

Rubião acha natural a cláusula, mas só pensa na herança, que calcula entre cem e trezentos contos. Hesita entre brilhar em Barbacena e mudar-se para o Rio.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XVI: Medo de ter perdido o cão

Rubião lembra que deu o cachorro à comadre e corre até lá, temendo fuga ou roubo e a herança em risco por cláusula descumprida. Promete missas.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XVII: O reencontro no cercado

A comadre Angélica achava que o cão fora dado a ela. Rubião explica que é só depositário. No cercado, o Quincas Borba (cão) o recebe com festa e delírio.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XVIII: Ao vencedor, as batatas

De volta em casa, Rubião recorda a voz de Quincas Borba (filósofo) e entende, só agora, a alegoria das tribos famintas. Vê-se como vencedor e pensa num sinete com o lema.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XIX: Missa pelo finado

Rubião manda rezar missa pelo amigo, embora soubesse ou pressentisse que ele não era católico, por ser prece dos vivos e para evitar escândalo. Muitos comparecem e veem sua compunção sincera.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XX: Rumo ao Rio

Resolvidos os preliminares da herança, Rubião vai ao Rio, onde pretende se fixar.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XXI: No trem, os Palha

No trem, Sofia e Cristiano Palha sentam-se diante de Rubião. Falam de escravos e Europa, e os olhos de Palha brilham quando Rubião diz que pode ir à Europa. Rubião conta a herança, que calcula em não menos de trezentos contos; Palha já não brilha, reflete, e pede discrição.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XXII: Despedida na estação da Corte

Na estação da Corte, os dois se despedem quase como íntimos. Cristiano Palha oferece a casa de Santa Teresa, e Rubião vai para a Hospedaria União.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XXIII: Palha arruma o advogado

Cristiano Palha visita Rubião na hospedaria, indica um advogado, parente seu, e o convida a jantar em Santa Teresa.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XXIV: Primeiro jantar em Santa Teresa

Constrangido diante de Sofia, Rubião lembra a promessa de ser forte e implacável e vai ao jantar. Ela, dona da casa, fala mais, e ele desce o morro meio tonto.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XXV: Inventário e denúncia

Rubião janta muitas vezes em Santa Teresa, tímido e com um fogo mal guardado. Alguém denuncia o testamento por demência de Quincas Borba (filósofo); a denúncia cai, e Palha festeja o fim do inventário.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XXVI: Mudança e compras com os Palha

Rubião muda-se para a casa de Botafogo, e Cristiano Palha o guia nas compras. Sofia às vezes vai junto, e Rubião demora as compras para tê-la perto.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XXVII: De volta à sala de Botafogo

O relato volta à sala, depois do café: Rubião bate com as borlas do chambre, lembra-se da obrigação diária e vai soltar o Quincas Borba (cão).

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, Capítulo XXVIII: A tentação e o cão no jardim

No jardim, Rubião se debate com a tentação por Sofia, mulher do amigo. Solto, o Quincas Borba (cão) festeja, apanha e perdoa, e o narrador descreve sua vida entre afagos e maus-tratos.

Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião, Capítulo XXIX: Almoço de domingo e o parasita Freitas

Rubião recebe para o almoço Carlos Maria e Freitas, conhecido num armazém, que se fez comensal assíduo e sai sempre com charutos nos bolsos.

Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião, Capítulo XXX: O arquiteto de ruínas

Rubião pergunta se Freitas o acompanharia à Europa. Ele recusa, por ser amigo livre, e diz que a máscara risonha esconde um homem triste. Rubião ri.

Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião, Capítulo XXXI: Carlos Maria, o convidado superior

Carlos Maria, lento, frio e superior, humilha Freitas durante o almoço, e Rubião, que o respeita mais, não ousa rir. Chegam uma cestinha e uma carta.

Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião, Capítulo XXXII: Morangos de Sofia

Sofia manda morangos e intima Rubião a jantar em Santa Teresa. Ele se perturba, os convivas supõem um amor adúltero, e ao fim chuta o Quincas Borba (cão).

Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião, Capítulo XXXIII: O bilhete relido

Sozinho, Rubião relê o bilhete de Sofia, toma a assinatura por capitulação e acaba beijando o nome.

Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião, Capítulo XXXIV: Visitas em Santa Teresa

Em Santa Teresa, Sofia censura a demora de Rubião diante das visitas, entre elas D. Tônica, solteira. O Major Siqueira o afoga em histórias, até Cristiano Palha resgatá-lo.

Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião, Capítulo XXXV: Retrato de Sofia e de Palha

O narrador retrata Sofia, cada vez mais bela, e Cristiano Palha, que adivinhou as falências de 1864, gasta tudo e a exibe decotada. Ela gosta de ser vista, mas guarda o coração.

Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião, Capítulo XXXVI: Olhares na sala

À noite, enquanto uma senhora canta ao piano, Rubião contempla Sofia, que o olha de volta. Palha não vê a troca de olhares, mas D. Tônica vê.

Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião, Capítulo XXXVII: A esperança de D. Tônica

D. Tônica vê em Rubião o esposo que o Céu lhe reservaria. Ao notar os olhares dele e de Sofia, sente a desesperança, mas insiste, e ele responde distraído.

Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião, Capítulo XXXVIII: Rubião resoluto

Rubião está resoluto: a alma de Sofia parece convidar a dele a voar para as terras clandestinas, de onde em geral voltam velhas e cansadas, e algumas não voltam.

Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião, Capítulo XXXIX: A lua e as estrelas

No jardim, ao luar, Sofia leva Rubião pelo braço. De repente loquaz, ele compara os olhos dela às estrelas, e ela não sabe se deve entender ou fingir que não entende.

Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião, Capítulo XL: As castas estrelas

As estrelas castas ouvem Rubião, antes recatado e agora libertino, propor a Sofia a compra da alma e do corpo, como um Diabo que tira as asas de arcanjo.

Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim, Capítulo XLI: Dez minutos sublimes

Sofia quer voltar à sala, mas Rubião a retém pelo braço e pela mão e lhe pede que fite o Cruzeiro às dez da noite. Ela suplica, ele afrouxa e ia beijar-lhe a mão quando uma voz o acorda.

Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim, Capítulo XLII: O Padre Mendes

O Major Siqueira entra no jardim. Sofia, serena, inventa a anedota do Padre Mendes para cobrir a demora, e Rubião, desajeitado, sustenta a mentira. O major fala sem parar, e D. Tônica vem buscar o pai.

Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim, Capítulo XLIII: A raiva de D. Tônica

Na casa da Rua do Senado, D. Tônica imagina denunciar Sofia ao marido e a rebaixa em pensamento. Passada a cólera, olha a alcova de solteira, pensa nos quarenta anos que se aproximam e chora na cama.

Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim, Capítulo XLIV: Tiranos de intenção

O narrador diz que a humilhação de D. Tônica foi tão verdadeira quanto a cólera: ela sentiu ímpetos de estrangular Sofia, mas eram imaginações.

Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim, Capítulo XLV: Rubião entre remorso e esperança

Enquanto uma chora, outra ri. Rubião desce o morro ora exaltado, ora arrependido, acusando e defendendo Sofia. Lembra a dívida e as três letras que aceitou por Cristiano Palha e vai dar no Largo de São Francisco.

Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim, Capítulo XLVI: O mendigo e o céu

Um mendigo acorda nos degraus da igreja e fica de barriga para o ar, fitando o céu estrelado. Os dois se medem como majestades rivais e tranquilas, e cada um diz ao outro que não o atingirá.

Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim, Capítulo XLVII: O enforcado de outros tempos

Rubião, com inveja do mendigo, entra num tílburi e lembra o tempo em que era pobre: seguiu o cortejo de um escravo condenado, foi dar à praça da execução e gritou no instante fatal.

Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim, Capítulo XLVIII: Cocheiro, cavalo e metempsicose

O cocheiro fala de cavalos e cachorros, e Rubião lembra o Quincas Borba (cão), a cláusula do testamento e o medo de perder os bens. Cogita que cão e Quincas Borba (filósofo) sejam a mesma criatura, por transmigração.

Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim, Capítulo XLIX: O cão e o sono esquivo

Em casa, o Quincas Borba (cão) o recebe com festa, e seu olhar lembra o do filósofo. Rubião o acaricia e o manda descer sem pancadas. Deitado, mistura o dia inteiro; o amor por Sofia vence o arrependimento, e ele só dorme antes das quatro.

Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho, Capítulo L: Sofia conta, Palha confessa a dívida

Já de noite, Sofia conta a Cristiano Palha o que Rubião fez no jardim. Ele minimiza, mas confessa uma dívida com o amigo, e ela promete esfriar o trato aos poucos.

Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho, Capítulo LI: O dia seguinte de Sofia

Sofia amanhece abatida, e Cristiano Palha lhe fala só de negócios. Sozinha no jardim, ela se culpa, teme que o major Siqueira espalhe o caso e pensa em sair da cidade.

Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho, Capítulo LII: O rapaz que cumprimenta e o carteiro

Um rapaz a cumprimenta na rua, e Sofia o reconhece: é Carlos Maria, que dançou com ela num baile e elogiou seus olhos e ombros. Um carteiro cai, e ela ri.

Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho, Capítulo LIII: O riso e os deuses de Homero

O narrador defende o riso de Sofia com os deuses de Homero, que gargalham no meio de uma briga solene. Uma lembrança grotesca basta para quebrar a paixão mais séria.

Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho, Capítulo LIV: Camacho na sala de Botafogo

Duas semanas depois, Cristiano Palha visita Rubião e dá com o Dr. Camacho. A menção à lua deixa ambos sem fala, e Rubião avisa que vai partir.

Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho, Capítulo LV: Palha e a colcha de retalhos

Cristiano Palha imagina por que Rubião parte: castigo, fuga da paixão ou casamento. A última hipótese o desaponta, e o narrador chama sua alma de colcha de retalhos.

Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho, Capítulo LVI: Remorso curto e Camacho no caminho

Após o jardim, Rubião vive envergonhado e decide ir a Minas. O narrador compara esse remorso ao da carta de Quincas Borba (filósofo). Camacho o corta: deixe Minas para depois.

Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho, Capítulo LVII: Retrato do político Camacho

Camacho, bacharel de Recife, faz jornalismo político que troca de adjetivos conforme o governo e chega a deputado. Quer ser ministro, não consegue, e vive da advocacia.

Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LVIII: Camacho conquista Rubião

Dias antes, Camacho seduz Rubião com política e um almoço: fundou uma folha pela guerra, e o ouvinte, lisonjeado, já sonha com um lugar na Câmara.

Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LIX: Segurar Rubião na Corte

Rubião insiste em ir a Minas. Cristiano Palha e Camacho se entendem pelo olhar e o seguram: um propõe acompanhá-lo depois, o outro acena com a cadeira de deputado.

Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LX: A Atalaia e o menino da Rua da Ajuda

Rubião lê a Atalaia, gosta do artigo e corre ao escritório de Camacho. No caminho, arranca um menino da frente de um carro, fere a mão e recebe os agradecimentos da vizinhança.

Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXI: Cinco contos para a folha

Camacho exibe o retrato do Marquês de Paraná e diz que a Atalaia só precisa de mais dois sócios. Rubião, que viera apenas assinar, entra com cinco contos.

Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXII: A baronesa na escada

Na saída, Rubião cruza com uma baronesa cheirosa que procura Camacho e vê seu coupé. Apesar do próprio luxo, sente-se de novo o antigo professor de Barbacena.

Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXIII: A sorte do primeiro carro

Rubião encontra Sofia na rua e, à noite, deixa a sorte decidir se vai a Santa Teresa. O primeiro veículo diz não, mas ele corrige a regra, e as caleças de um enterro dizem sim.

1.2Temas da semana: Loucura, Dinheiro e riqueza, Aparência e realidade, Desejo, Lealdade e traição, Ambição.
1.3o narrador, Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo.

O romance abre no meio da história: Rubião, de chambre, à janela da casa de Botafogo, olha a enseada e compara o professor de há um ano com o capitalista de agora. Só depois o livro recuará a Barbacena para contar como ele chegou ali. A frase que o narrador escolhe para resumir esse olhar é uma lista que vai do mais miúdo ao mais vasto: as chinelas de Túnis, a casa, o jardim, a enseada, os morros, o céu. Tudo cabe na mesma "sensação de propriedade".

O efeito é cômico e revelador. Rubião não admira a paisagem, possui a paisagem: o céu entra na conta como entram as chinelas. Elas, aliás, foram presente de Cristiano Palha, o recente amigo que logo o guiará nas compras e na vida da Corte, e pode-se notar que o detalhe já mistura, na primeira página, a riqueza de Rubião com a mão de quem lhe dá as coisas. Logo depois, ele conclui que Deus escreve direito por linhas tortas, porque a morte da irmã e a do amigo, que pareciam desgraças, acabaram numa herança. A conclusão sugere um homem que mede a vida dos outros pelo que ela lhe rendeu.

Pode-se ler a frase como a chave do tema do dinheiro no livro: a fortuna não muda o que Rubião é, muda o modo como ele enxerga o mundo, e a janela de Botafogo é o primeiro quadro dessa mudança. O narrador não o condena em voz alta. Deixa que a lista faça o trabalho, e essa ironia sem alarde acompanha o livro até o fim.

1.4o narrador, Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita.

Rubião encontra Sofia na rua, com a tia e a prima, e se cumprimentam acanhadamente. À noite, depois do jantar, hesita em ir a Santa Teresa. Reflete e não adianta nada: lembra que ela sorriu, pouco, mas sorriu. Decide pôr o caso à sorte: se o primeiro carro que passar vier da direita, irá; se vier da esquerda, não. Vem logo um tílburi da esquerda, e está dito que não irá. Mas a consciência reage, e ele refina a regra: queria dizer um carro, e tílburi não era carro. Pouco depois voltam da direita muitas caleças de um enterro. Foi.

A cena é de comédia pura e, ao mesmo tempo, descreve com exatidão como o desejo faz o que quer sem assumir a decisão. Rubião finge entregar a escolha à sorte, mas só aceita a sorte que lhe convém. A regra muda quando o resultado desagrada, e o tílburi, que a regra incluía, é excluído por uma definição de última hora. O que se pode ler aqui é que ele já tinha decidido, e que o acaso serve apenas de álibi: se der certo, a culpa não é dele.

O mecanismo é o mesmo que o livro usa em outras passagens, como a voz do cão que repete o conselho do major e o espírito do filósofo que Rubião suspeita estar no animal. O detalhe do enterro, além disso, carrega uma ironia discreta: as caleças que dão o sim a Rubião voltam de um enterro, e o texto não diz mais nada. O leitor sorri da trapaça e pode ler que a loucura de Rubião, mais tarde tão ostensiva, já começa nesses pequenos autoenganos, e o tema do desejo ganha uma de suas formas mais engraçadas.

1.5B. O narrador diz que, das chinelas de Túnis ao céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade. Rubião compara o professor de há um ano com o capitalista de agora, e a riqueza lhe parece natural, quase obra de Deus escrevendo direito por linhas tortas. A pergunta que fica: o que muda em quem passa a sentir tudo como seu?
1.6C. O testamento não deixa nada a ninguém, nem esmolas nem dívidas. Só impõe a Rubião guardar o cachorro, tratá-lo como se fosse o próprio testador, resguardá-lo de moléstias, fugas, roubo ou morte, dar-lhe sepultura decente com flores e guardar os ossos numa urna de madeira preciosa. Importa porque a herança inteira passa a depender do bicho.
1.7D. Freitas recusa a viagem porque é amigo livre e discordariam no itinerário. E acrescenta que traz a máscara risonha, mas é triste: um arquiteto de ruínas, que iria às ruínas de Atenas, ao teatro e aos tribunais de falências. Rubião ri e gosta dos modos francos dele. Fica a pergunta: por que o convidado que adula a todos se descreve assim?
1.8A. Sofia acode que podem dar pela nossa ausência, e Rubião estremece diante do possessivo, achando nele um princípio de cumplicidade. A palavra, que talvez fosse só defesa, vira esperança. A pergunta: quantas coisas um homem apaixonado ouve numa palavra que ela disse sem pensar?
1.9B. Quando Sofia diz que o melhor é acabar com as relações, Palha concorda em fazê-lo aos poucos e, de repente, agarrando-a pela cintura, diz que deve muito dinheiro a Rubião. Sofia lhe tapa a boca e olha assustada para o corredor. Importa porque, daí em diante, a amizade de Palha por Rubião e o cálculo dele não se separam.

1.10 a 1.12: perguntas abertas, sem gabarito.

Semana 2

2.1O que aconteceu.
Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXIV: A tia e a prima de Sofia

Sofia o recebe sem rancor e apresenta D. Maria Augusta e a filha, Maria Benedita, moça da roça. A mãe finge rabugice para adiar o casamento da filha.

Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXV: A visita curta e o retrato

Sofia não retém Rubião, que sai às nove. Chega Carlos Maria, e Rubião, no jardim, ouve-o elogiar Sofia diante do retrato.

Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXVI: Como ele diz aquelas coisas

Em casa, Rubião admira a naturalidade de Carlos Maria.

Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXVII: A notícia do salvamento

Rubião vê seu nome na Atalaia. Irritado, depois lisonjeado, recebe cumprimentos, repreende Camacho de leve e reimprime a notícia em outro jornal.

Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração, Capítulo LXVIII: Maria Benedita aprende as prendas

Maria Benedita aceita estudar francês e piano, e Cristiano Palha vence a tia com a promessa de um bom marido. Sofia a introduz na vida da cidade; a prima aprende depressa, mas recusa valsar.

Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração, Capítulo LXIX: Sociedade comercial e declaração no baile

Oito meses depois, em um baile, Maria Benedita cronometra a valsa de Sofia com Carlos Maria. Rubião é sócio de Cristiano Palha, e o moço declara-se a Sofia, dizendo ter passado uma hora entre o mar e a casa dela.

Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração, Capítulo LXX: Rubião sonda o rival

No baile de aniversário da mulher de Camacho, Rubião acompanha Carlos Maria ao gabinete dos sobretudos para sondá-lo, atormentado pelo ciúme de um rival. Homens falam de política; o moço sai com sono, e Rubião fica inquieto.

Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração, Capítulo LXXI: Sofia em casa, de manhã

Em casa, Sofia chama o sarau de enfadonho, mas aceita o carinho do marido, que elogia a valsa de Carlos Maria. De manhã, à janela, procura na rua os sinais do homem da praia.

Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração, Capítulo LXXII: Despedida à janela

Cristiano Palha sai para a cidade e recomenda Maria Benedita, que acordou aborrecida com vontade de ir para a roça. Sofia arruma-lhe a gravata, e os dois se despedem com o adeus de mão do costume.

Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração, Capítulo LXXIII: A frase que volta

Sofia jura a si mesma esquecer o episódio e culpa-se por ter deixado o rapaz chegar ao fim. A declaração, porém, repete-se na memória dela como um trecho musical teimoso.

Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração, Capítulo LXXIV: Carlos Maria reconstrói a véspera

Na cama, Carlos Maria reconstrói o baile e sente a confissão como compromisso e estorvo. Ri da mentira sobre a praia, pois nem foi lá, e se abate. Conclui que não vale emendar, e pensa na educação como defeito de Sofia.

Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração, Capítulo LXXV: Outras mulheres e o passeio a cavalo

Carlos Maria vê entre as admiradoras a recente Sofia, que perde importância na fila. Querendo corrigir a mentira, sai a cavalo, quase passa pela casa dela e recua.

Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração, Capítulo LXXVI: O cavaleiro admirado

Carlos Maria monta bem, e a gente que passa mira o garbo e a tranquilidade régia dele. Ele recolhe todas as admirações, por ínfimas que sejam.

Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa, Capítulo LXXVII: O noivo que Sofia não nomeia

Maria Benedita diz não gostar de valsar e quer voltar para a roça. Sofia promete um noivo, que é Rubião. A prima, esperançosa, pensa em Carlos Maria.

Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa, Capítulo LXXVIII: O major e o conselho de casar

Rubião não acha Carlos Maria em três idas à Rua dos Inválidos. O Major Siqueira elogia a casa e aconselha-o a casar. D. Tônica, filha do major, faz quarenta anos solteira.

Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa, Capítulo LXXIX: A voz que pergunta

Depois que o major sai, uma voz pergunta se ele não deveria mesmo casar. Rubião só vê o Quincas Borba (cão). Acha absurdo que a pergunta venha dele, ou do espírito do Quincas Borba (filósofo) no corpo do bicho, sorri com desdém e, por via das dúvidas, coça-lhe a nuca.

Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa, Capítulo LXXX: Pernas, unidade e leituras

Rubião decide casar para matar a paixão. Nota que as pernas acompanharam o major sem ele perceber, sente a vida dispersa e passa o tempo lendo Dumas pai e Feuillet.

Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa, Capítulo LXXXI: As pompas do casamento

Antes da noiva, Rubião imagina o casamento: coches antigos, convidados ilustres, o internúncio, valsa e ceia, com as iniciais dele na gola da criadagem.

Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa, Capítulo LXXXII: Noivas de título com o rosto de Sofia

Nos sonhos, Rubião só casa com titulares do almanaque de Laemmert, e todas as noivas acabam com o rosto de Sofia. Chega a pensar na morte do marido dela. O Quincas Borba (cão) repete o conselho.

Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa, Capítulo LXXXIII: O palpite de Palha

Cristiano Palha está de luto pela tia, mãe de Maria Benedita, e elogia a moça. Diz ter um palpite sobre Rubião, que se espanta e recusa.

Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa, Capítulo LXXXIV: Duas hipóteses sobre Sofia

Rubião supõe que Sofia quer casá-lo para se descartar dele. Depois decide que ela mentiu ao marido para não dar andamento ao projeto, e recupera a serenidade.

Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa, Capítulo LXXXV: Visita ao Freitas e as notas

Entediado, Rubião visita o Freitas, doente, na Praia Formosa. Ao sair, deixa seis notas de vinte mil-réis na mão da mãe do Freitas e vai embora sem esperar agradecimento.

Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa, Capítulo LXXXVI: A caminhada até a Saúde

No tílburi, Rubião desce e caminha pela Praia Formosa, pela Gamboa e pela Saúde. Sente nostalgia dos farrapos e da vida escassa, mas a sensação dura pouco.

Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa, Capítulo LXXXVII: A moça da Saúde

Rubião cruza com uma moça pobre e um menino e pensa em mulheres que poderia escolher para casar. Pensa até na filha do major, mas ouve a guitarra do pecado, tangida pelos dedos de Sofia, e perde a castidade do plano.

Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa, Capítulo LXXXVIII: Uma nota demais

A vista do tílburi lembra Rubião do Freitas. Ele aprova o dinheiro que deu, mas a ideia de ter dado uma ou duas notas a mais passa pelo cérebro dele, e Rubião, zangado consigo, a sacode.

Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa, Capítulo LXXXIX: O cocheiro e o moço da Rua dos Inválidos

O cocheiro supõe que Rubião foi a um encontro amoroso e conta de um moço da Rua dos Inválidos, de bigodes e olhos grandes, que entrou numa casa da Rua da Harmonia, onde uma dama de véu chegou depois, sozinha.

Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, Capítulo XC: Formigas mortas e uma cigarra

Em casa, de luto, Rubião não esquece o cocheiro e imagina Sofia entrando na Rua da Harmonia. Vexado, mata formigas, e uma cigarra o distrai.

Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, Capítulo XCI: Rubião quase dá a mão a beijar

Rubião disfarça a inquietação e, ao ver os habituados, tem o impulso de lhes dar a mão a beijar.

Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, Capítulo XCII: Sofia e a comissão de senhoras

No Flamengo, Sofia recebe Rubião entre as costureiras do luto e lhe fala da comissão pelas Alagoas, que a porá em evidência. Maria Benedita está no andar de cima.

Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, Capítulo XCIII: Dondon e a Rua da Harmonia

Sozinho com as costureiras, Rubião ouve Cristiano Palha ao longe. Dondon, ao sair, diz que vai dar na Rua da Harmonia.

Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, Capítulo XCIV: Rubião foge sem chá

Transtornado, Rubião recusa chá e tílburi e sai, enquanto Cristiano Palha agradece ao diretor do banco. Sofia nota a mão fria dele.

Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, Capítulo XCV: Atrás do vulto na Rua do Príncipe

Rubião corre atrás de um vulto de mulher que toma pela costureira e esbarra num homem sem pedir desculpa.

Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, Capítulo XCVI: O diretor do banco e os rapapés

O homem é o diretor do banco, humilhado antes pelo ministro e restaurado pelas mesuras de Cristiano Palha. Por isso nem se zanga.

Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, Capítulo XCVII: A costureira e o Cruzeiro

Rubião vê Dondon sair com um homem e, da janela, sonha com o que poderia ter sido, até pensar na ordem honorífica do Cruzeiro.

Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, Capítulo XCVIII: Bilhete de Sofia e o jardim

Sofia manda saber como ele passou. Rubião responde e se demora entre as flores, que parecem pedir-lhe que ponha fim ao desejo.

Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, Capítulo XCIX: A carta achada no canteiro

Rubião acha uma carta com a letra de Sofia para Carlos Maria, resiste a abri-la e decide entregá-la, para ler a verdade no rosto dela.

Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, Capítulo C: Camacho propõe a candidatura

Almoçando só, Rubião recebe Camacho, que lhe oferece uma candidatura a deputado e o faz imaginar o juramento na Câmara.

Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, Capítulo CI: O enterro de Freitas

Rubião custeia o enterro de Freitas e, por causa do coupé, os curiosos o tomam por homem de posição.

Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, Capítulo CII: Os cavalos do ministro

De noite, Rubião cruza com o coupé de um ministro e fica a ouvir os cavalos das ordenanças, mesmo depois de distantes.

Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos, Capítulo CIII: Rubião diz tudo no Flamengo

Depois da missa de sétimo dia, Rubião leva a carta a Sofia e despeja o que sente, cada vez mais alto, até ela lhe tapar a boca.

Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos, Capítulo CIV: A carta entregue e a saída

Sofia pede arrependimento. Rubião recusa, entrega-lhe a carta endereçada a Carlos Maria e, mesmo vendo-a empalidecer, sai sem ouvi-la.

Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos, Capítulo CV: Sofia, a circular e o mandarim

Sozinha, Sofia descobre que era a circular da comissão, pensa em Carlos Maria e, de raiva de si, quebra o mandarim de porcelana.

Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos, Capítulo CVI: O narrador defende o cocheiro

O narrador diz ao leitor que o cocheiro não deu nomes nem contou caso verdadeiro: a calúnia foi do leitor e de Rubião.

Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos, Capítulo CVII: A quarta causa de Carlos Maria

O narrador diz que as reflexões de Sofia tinham fundo de verdade e acrescenta uma quarta causa: talvez Carlos Maria tivesse outros amores.

Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos, Capítulo CVIII: Cinco contos e o pedido de dez

Afastado meses do Flamengo, Rubião assina cinco contos na subscrição de Sofia e pede dez a Cristiano Palha, que guarda seus títulos, aconselha cautela e acaba cedendo.

Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos, Capítulo CIX: Sonho com Sofia e Luís Napoleão

Rubião sonha que Cristiano Palha açoita Sofia e Maria Benedita, manda enforcá-lo e sai em carruagem triunfal com Sofia e o Quincas Borba (cão).

Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos, Capítulo CX: Empréstimos e o artigo de Camacho

Rubião faz os empréstimos, paga o papel da Atalaia a Camacho e ouve dele um artigo que adverte o partido contra seus aliados.

Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos, Capítulo CXI: A emenda do artigo

Rubião aplaude o artigo e sugere reforçar uma palavra. Camacho objeta ao som, mas aceita, e o amigo se sente meio autor.

Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos, Capítulo CXII: O sumário que o livro não tem

O narrador lamenta não ter dado ao livro o método dos sumários antigos, em que o título já diz o que há no capítulo.

Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos, Capítulo CXIII: Rubião autor de livros alheios

O narrador resume num título imaginário a operação mental: Rubião, satisfeito com a emenda, ruminou tantas frases que se teve por autor do que lera.

Capítulos CXIV a CXVIII: O noivado de Maria Benedita, Capítulo CXIV: O título que não cabe

Capítulo de uma só frase: o narrador diz não saber se o capítulo seguinte poderia estar todo no título. Serve de pausa e de piscadela ao leitor antes da cena do aniversário.

Capítulos CXIV a CXVIII: O noivado de Maria Benedita, Capítulo CXV: O brilhante de aniversário e a notícia

Rubião evita Sofia, mas pede dois contos a Cristiano Palha e manda a Sofia um brilhante de aniversário. Depois do jantar, mais firme, ouve dela a explicação da carta, com uma lágrima, e a notícia de que Maria Benedita vai casar.

Capítulos CXIV a CXVIII: O noivado de Maria Benedita, Capítulo CXVI: Rubião dá os parabéns à noiva

Rubião percebe que o noivo de Maria Benedita é Carlos Maria, e que tomara uma pessoa por outra. Já planeja carruagem e presente, dá os parabéns à moça, que cora de contentamento, e a olha sair como quem vê uma filha.

Capítulos CXIV a CXVIII: O noivado de Maria Benedita, Capítulo CXVII: O charuto e o Padre Chagas

O narrador promete a história curta do casamento de Maria Benedita e diz que, sem a epidemia das Alagoas, talvez não houvesse casamento: as catástrofes são úteis. Conta então o caso do bêbado que pede licença para acender o charuto no incêndio da choupana.

Capítulos CXIV a CXVIII: O noivado de Maria Benedita, Capítulo CXVIII: Dona Fernanda arranja o casamento

Maria Benedita ama Carlos Maria desde o baile da Rua dos Arcos e cala o segredo. Com a comissão das Alagoas, Dona Fernanda, prima dele, torna-se sua amiga e decide casá-la com o primo. Depois, na chácara, arranca-lhe a confissão sem nome: ama como se ama a Deus.

Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXIX: Dúvida ou dívida no discurso

Teófilo, marido de Dona Fernanda, chega arrasado: o jornal trocou dúvida por dívida em seu discurso. Consolado, adivinha que Maria Benedita gosta de Carlos Maria.

Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXX: A confidência na saída da missa

Na saída da missa, Dona Fernanda conta ao primo Carlos Maria que alguém o adora em segredo e, por fim, diz que é Maria Benedita. A prevenção dele vira simpatia, e nasce o namoro.

2.2Temas da semana: Loucura, Dinheiro e riqueza, Aparência e realidade, Desejo, Lealdade e traição, Ambição.
2.3o narrador, Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita.

Rubião tinha arrancado um menino da frente de um carro, ferido a mão e recebido os agradecimentos da vizinhança. Depois, vê o próprio nome na Atalaia, o jornal de Camacho, com a notícia do salvamento. Irrita-se, depois se lisonjeia. Recebe cumprimentos, ouve outros contarem as suas proezas, e cada gloriazinha oculta bota a cabeça de fora em torno da glória máxima dele. Vai agradecer a Camacho, não sem alguma censura pelo abuso de confiança, mas uma censura mole, ao canto da boca. Termina comprando exemplares para os amigos de Barbacena e fazendo reimprimir a notícia no Jornal do Comércio.

A censura mole é o ponto de virada do capítulo. Rubião começa vexado, porque não pediu que o expusessem, e termina como o maior divulgador de si mesmo. O que o faz mudar de ideia é o gosto da glória, e o narrador não precisa dizer mais nada: a repreensão que sai da boca dele é só um cumprimento mal disfarçado.

O episódio mostra como a Atalaia transforma uma boa ação instintiva em capital político. Rubião se atira aos cavalos sem pensar, e Camacho publica uma coluna inteira sobre um arranhão. O resultado é que o herói do dia deixa de ser um homem que salvou uma criança e passa a ser um futuro candidato com nome nos jornais: o elogio alimenta a ambição que Camacho já lhe acendera. Pode-se ler a frase como um sinal do que a ambição fará dele: um homem que critica quem o expõe e ao mesmo tempo corre a comprar os exemplares, e que só se dá conta do quanto gosta de ser visto depois que já foi.

2.4o narrador, Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido.

Na saída da missa, Dona Fernanda conta ao primo Carlos Maria que alguém o adora em segredo, e só no fim diz que é Maria Benedita. Ele, que achava a moça fria, passa da prevenção à simpatia, e nasce o namoro. Enquanto a prima fala de casas, de bailes e de colégios, ele nem a escuta: pensa na devota incógnita. O narrador registra o pensamento com uma frase de ironia evangélica: que bom que era sentir-se um deus adorado, e adorado à maneira do Evangelho, no aposento, de porta fechada, em secreto, e não nas sinagogas, à vista de todos.

A frase sugere o que Carlos Maria sente: não afeto por Maria Benedita, mas gosto de ser adorado. Pode-se ler que o que o seduz não é a pessoa, é a posição de deus, e isso ajudaria a explicar a velocidade da mudança: o que ele achava frio vira simpatia assim que ele sabe que é objeto de culto.

A passagem completa o retrato de narcisismo do personagem. Já na cena do baile o narrador dissera que ele tinha a adoração de si mesmo, e agora lhe dá a oportunidade de ser adorado de verdade por alguém que ele mal conhece. O casamento que nasce dessa vaidade vai ter, na janela de cada um dos noivos, o mesmo quadro visto de lados opostos: ele se imagina fazendo a mulher feliz, ela se imagina ajoelhada aos pés dele. Pode-se ler a frase como a origem do casamento e, também, como o aviso do desfecho: um deus não precisa corresponder a quem o adora, basta que o adorem.

2.5C. O narrador diz que o olhar foi como um bilhete de visita trocado entre as duas consciências: nenhuma disse o seu segredo, mas viram os nomes no cartão e se cumprimentaram. Os dois concluem, sem palavra, que é preciso impedir que Rubião saia da Corte, pois Minas podia retê-lo. A pergunta é o que dois homens que se entendem assim querem de um terceiro.
2.6D. Palha diz que, por mais supérfluas, as prendas são o mínimo de uma educação de sala, lembra a D. Maria Augusta que ela não viverá sempre e que os negócios dela andam atrapalhados, e conclui que Maria Benedita, bonita e de raras qualidades, pode achar marido rico. O estado dos negócios da tia e a ideia de um genro abastado fizeram mais que outras razões. Importa porque o casamento da moça vira assunto de todos.
2.7A. O narrador diz que Sofia não pôde soltar o nome de Rubião, embora já houvesse dito ao marido que o propusera, o que era mentira. Pergunta se seriam ciúmes e responde que seria singular uma mulher que não ama aquele homem não querer dá-lo de noivo à prima, mas a natureza é capaz de tudo: inventou o ciúme de Otelo e podia inventar o de quem não quer ceder o que não quer possuir. O texto descreve, e não decide.
2.8A. Rubião tenta esquecer a história do cocheiro, arrumando papéis, lendo ou brincando com o cão, mas a visão o persegue: imagina a dama entrando por uma porta da Rua da Harmonia e chega a se ver apertando o gasnate da costureira. A razão lhe diz que há muitas senhoras de boa figura, mas o efeito dura pouco. Essa suspeita é o motor dos capítulos seguintes: ele vai procurá-la em Dondon, na carta achada no jardim e no rosto de Sofia.
2.9B. Rubião diz que não esqueceu a viagem no trem de ferro, quando vinham os dois, com o marido dela no meio, e que desde aquele dia ela o prendeu. Reclama que ela não o despede nem o aceita e o anima com os bonitos modos, quando podia desenganá-lo logo.

2.10 a 2.12: perguntas abertas, sem gabarito.

Semana 3

3.1O que aconteceu.
Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXI: Rubião confia na lágrima de Sofia

Rubião se tranquiliza com o casamento, atribui ao acaso as olhadas de Sofia e se agarra à lágrima dela. O narrador avisa: há delitos virtuais que dormem.

Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXII: Carlos Maria a cavalo, noivo

Na manhã do casamento, Carlos Maria passeia a cavalo e vê na natureza a homenagem nupcial. Um papagaio interrompe, e ele se imagina fazendo a mulher feliz.

Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXIII: O mesmo quadro na janela da noiva

À janela, diante das ondas, Maria Benedita se vê ajoelhada aos pés do marido e pensa que ele a fará feliz: mesmo quadro do noivo, outro pensamento.

Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXIV: Despedida no paquete

Os noivos casam e, três meses depois, partem para a Europa. Dona Fernanda os despede sem chorar, contente de os ver felizes.

Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXV: Sofia doente, entre lembranças

Sofia finge-se doente e não vai a bordo. No quarto, entre presentes de Rubião, recorda a frase dele sobre fazê-la imperatriz e lê numa página de romance a frase de que ele merece ser amado, e se perde em si mesma.

Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXVI: Palha pede conversa

Rubião e Cristiano Palha voltam do paquete cuidosos e calados. Palha diz que há tempos quer falar-lhe de coisa importante.

Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXVII: Rubião navega de cor

Na primeira vez que entra num paquete, Rubião, sem noções de geografia, imagina o mar e os países além da barra e viaja de cor.

Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXVIII: Palha propõe separar a sociedade

Cristiano Palha, apoiado em Camacho, diz que vai liquidar o negócio para dirigir um banco e quer desfazer a sociedade já. Rubião pergunta se há motivo oculto, e aceita a razão.

Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXIX: O banco que não existia

O narrador revela que não havia banco: Palha inventou a razão porque a verdade não serviria. Prospera com ações, apólices e fornecimentos de guerra e já pensa em palacete e baronia.

Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXX: O major se queixa dos Palha

Na Rua dos Barbonos, o Major Siqueira se queixa de que os Palha não o convidaram ao aniversário nem ao casamento. Rubião fala em confusão, e D. Tônica tenta amenizar.

Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXXI: Jantar prometido, sem convite

Rubião trata pai e filha com simpatia, evita defender os Palha e promete jantar sem convite. D. Tônica o vê sair da janela.

Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXXII: Conservas e o vestido adiado

Rubião sai, e D. Tônica propõe comprar conservas para o jantar dele com o dinheiro do vestido, que adia. O pai relê o único romance da casa.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXXXIII: A lenda e os comensais

A lenda de Rubião, ricaço e discípulo de filósofo, atrai comensais, que lhe devem dinheiro e jantam às seis em ponto, com ou sem o dono.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXXXIV: Charutos e os dois bustos

Sem o dono em casa, os convivas vão ao gabinete pegar charutos e encontram sobre a secretária os bustos de Napoleão I e Napoleão III.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXXXV: Protetor das letras

Rubião protege as letras, paga duas sociedades rivais, uma católica e uma protestante, sem notar, e assina jornais sem lê-los.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXXXVI: O cobrador

O cobrador recebe o semestre e comenta na rua que aquele homem detesta a folha e paga, enquanto tantos a adoram e não pagam.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXXXVII: Visões na loja do Bernardo

Sentado na loja do Bernardo, Rubião gasta as manhãs em visões deliciosas. Uma vez levanta-se para ver alguém que não existe e reconhece a ilusão.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXXXVIII: Sofia depura as amizades

Sofia, louvada pela imprensa, corrige o marido servil e corta as amizades modestas, até passar pelos velhos conhecidos de olhar desviado.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXXXIX: O convite à Tijuca

Rubião convida Sofia à Tijuca, só os dois. Ela adia para o domingo seguinte e imagina o passeio a cavalo, com um beijo na nuca.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXL: O corcel da imaginação

A imaginação de Sofia é comparada a um corcel que galga morros e volta à cavalariça.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXLI: As rosas do jardim

Esfriado o ardor, Sofia adia o passeio, atira as linhas na cestinha que Rubião lhe dera e ouve de duas rosas que a culpa é dela.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXLII: Conversar com os botões

Sofia ouve outras plantas e recebe a mesma resposta; o narrador diz que conversar com os botões tem sentido real.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXLIII: A queda do cavalo

No passeio à Tijuca, os três vão juntos. Na descida, Sofia, distraída, chicoteia o cavalo com raiva e cai de amazona.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXLIV: O joelho e o juramento

Em casa, Sofia mostra o joelho pisado ao marido e quer jurar que nada se viu. Cristiano Palha jura e brinca com a perna dela.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXLV: O barbeiro Lucien

Em janeiro de 1870, Rubião chama o barbeiro Lucien e, em marcha para a lua, nem o vê chegar ao gabinete dos Napoleões.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXLVI: A barba de Napoleão III

Lucien deixa a Rubião só a pêra e os bigodes, copiando o busto de Napoleão III. Rubião, satisfeito, paga vinte mil-réis sem troco.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, Capítulo CXLVII: Rumo à lua, por Compiègne

Sozinho, Rubião se imagina em Compiègne, governando e ouvindo ministros. Nem os ganidos do Quincas Borba (cão) o despertam.

Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia, Capítulo CXLVIII: Rubião sem barba e o imperador

Descido da lua, Rubião vê-se de rosto novo, e todos o aprovam. Só Camacho defende que não se altera o rosto. Rubião alterna entre si mesmo e o imperador dos franceses.

Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia, Capítulo CXLIX: A luva caída

No fim da semana, Rubião visita Sofia para saber do joelho. Ela acha o rosto novo melhor e supõe ser a causa. Ao apanharem a luva, as caras se batem no ar, e os dois riem.

Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia, Capítulo CL: Rubião entra no coupé

Sofia aceita a mão de Rubião para subir ao coupé e vai dizer até logo, mas ele entra atrás e senta-se ao lado dela. O lacaio fecha a portinhola, e o carro parte.

Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia, Capítulo CLI: As cortinas baixas

Sofia perde a voz, pede que o carro pare, mas teme o escândalo. Na Rua Bela da Princesa, Rubião baixa as cortinas, para que ninguém os veja, e fica calado ao lado dela.

Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia, Capítulo CLII: Repugnância e súplicas

Sofia sente aversão, pensa em contar tudo ao marido e pede que Rubião desça, oferecendo até ajoelhar-se. Ele, tranquilo, elogia a própria mãe e os cavalos. Ela não entende por que ele entrou.

Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia, Capítulo CLIII: O amante imaginário e a duquesa

Rubião fala a Sofia como amante, evoca um encontro na caleça e a soleira beijada, pede que o chame de Luís. Promete título de duque ao marido dela, oferece o solitário, que ela recusa, e apeia.

Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia, Capítulo CLIV: Dois contrastes na rua

Separados, Rubião volta à realidade e tenta sacudir a personalidade emprestada. Sofia, passado o susto, mergulha no devaneio e imagina, com saudade, quem seria o homem da caleça.

Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia, Capítulo CLV: A notícia da mania

Espalha-se a notícia da mania de Rubião. Alguns testam o boato levando a conversa à França e ao imperador, e ele resvala ao abismo e os convence.

Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia, Capítulo CLVI: A guerra e a mesa de Luculo

Com a guerra franco-prussiana, as crises de Rubião ficam mais agudas e frequentes. Ele lê toda notícia como vitória. Os comensais, promovidos a marechais, não o contrariam, e a mesa pobre lhe parece régia.

Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia, Capítulo CLVII: A compaixão de Sofia

Sofia, vendo no mal de Rubião o efeito do amor por ela, sente uma compaixão feita de simpatia e egoísmo. Evita outra cena de coupé, escuta-o nas horas lúcidas e perdoa-lhe, crendo-se autora do mal.

Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia, Capítulo CLVIII: A carta de Maria Benedita

Dona Fernanda pergunta por que ninguém trata Rubião. Cristiano Palha minimiza, e o deputado Teófilo sugere um curador. A carta de Maria Benedita, feliz e mãe, deixa Sofia com despeito, que ela disfarça.

Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia, Capítulo CLIX: A manhã chuvosa

Na manhã de chuva, Sofia revolve a carta, Carlos Maria, Maria Benedita, D. Fernanda e o olhar admirado de Teófilo no vestido cor de palha. Os nomes relampejam no céu de possibilidades.

Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, Capítulo CLX: O sol recusa luz ao desejo de Sofia

A chuva cessa e um raio de sol rompe o nevoeiro, mas o narrador faz o sol chamá-lo de volta, para não alumiar o desejo de Sofia. O céu se fecha de novo.

Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, Capítulo CLXI: O pesadelo de Sofia

Reclusa, Sofia lê a Revista dos Dois Mundos e dorme. Sonha que Carlos Maria é morto diante dela e acorda aos gritos; Cristiano Palha se comove.

Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, Capítulo CLXII: O passeio que apaga os cuidados

No dia seguinte, claro e quente, Sofia sai a visitas e passeio. A agitação da Rua do Ouvidor lhe espanta da alma os cuidados da véspera.

Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, Capítulo CLXIII: Vontade reduzida a veleidade

O que parecia vontade imperiosa em Sofia vira veleidade. O narrador diz que o pecado de pensamento vira costume, com refúgio moral no corpo sem mácula.

Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, Capítulo CLXIV: Fuga de Rubião e insistência de Sofia

Sofia foge de Rubião numa livraria e o encontra no saguão de Dona Fernanda, que acha que ele pode sarar. Cristiano Palha reclama do incômodo, mas Sofia insiste.

Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, Capítulo CLXV: A casa da Rua do Príncipe

Cristiano Palha instala Rubião e o Quincas Borba (cão) numa casinha da Rua do Príncipe. Os amigos de Botafogo sentem a mudança como exílio e ouvem de Palha que o amigo precisa de repouso.

Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, Capítulo CLXVI: O abandono dos amigos

Rubião nota que os amigos não o seguiram à casa nova e, nas primeiras semanas, sente-se abandonado. Procura algum mal que lhes tenha feito e não acha.

Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, Capítulo CLXVII: O diagnóstico do Dr. Falcão

O Dr. Falcão, deputado e médico, examina Rubião a pedido de Dona Fernanda e crê que ele pode sarar. Pelo delírio, conclui que ele e Sofia se amaram, e a suspeita se volta contra Dona Fernanda.

Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, Capítulo CLXVIII: A desconfiança que a noite não apaga

O Dr. Falcão mantém na manhã seguinte a suspeita sobre Dona Fernanda e parafraseia Hamlet: ali andou dedo de amor. Discreto, não conta a ninguém.

Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, Capítulo CLXIX: A volta de Carlos Maria e Maria Benedita

Carlos Maria e Maria Benedita voltam ao Rio, e Dona Fernanda os leva à Tijuca. Maria Benedita diz que são felizes; Carlos Maria se irrita com a confidência.

Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, Capítulo CLXX: O sorriso pálido e o perdão

A sós, Maria Benedita pergunta o que o marido tem, e Carlos Maria só sorri. Ela se culpa pela tagarelice e promete ser menos expansiva; ele a absolve com um gesto.

Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, Capítulo CLXXI: Rubião invade a sala do casal

Rubião aparece na varanda, anuncia a queda do Ministério e oferece uma pasta a Carlos Maria. Sai gesticulando pelo jardim, e Maria Benedita não contém o riso.

Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono, Capítulo CLXXII: A queda do Ministério e o primo Teófilo

Maria Benedita lembra ao marido que o primo Teófilo pode entrar no novo Ministério e comenta que Rubião, parado na rua, olha para cima, à espera de condução.

Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono, Capítulo CLXXIII: Ministro ou ordenança

Carlos Maria pede à mulher que confesse que o adoraria mesmo como ordenança de ministro e lhe pergunta, sem explicar, se queria ser rainha-mãe da Suécia. Depois volta à revista inglesa e à estatueta de Narciso.

Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono, Capítulo CLXXIV: Rubião barrado e Teófilo abatido

Rubião não sobe à casa de Dona Fernanda: o criado diz que ela está doente, mas é Teófilo quem chegou abatido, deixado de fora das combinações do novo Ministério. Embaixo, a criadagem conjetura.

Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono, Capítulo CLXXV: O gabinete de trabalho

Teófilo desabafa contra a intriga e mostra a Dona Fernanda o gabinete de papéis, onde pergunta de que vale tanto esforço. Ela propõe uma viagem à Europa; ele recusa, mas se anima com a ideia de colheita futura.

Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono, Capítulo CLXXVI: A carta do presidente do conselho

Ao almoço, Teófilo recebe por uma ordenança a carta do presidente do conselho, que o convoca para as duas da tarde. Apesar de o gabinete estar completo, as borboletas da esperança voltam a volear diante dele.

Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono, Capítulo CLXXVII: A presidência de primeira ordem

Teófilo volta satisfeito: o marquês lhe pediu que aceite uma presidência de primeira ordem e assuma a chefia da maioria na Câmara. Dona Fernanda concorda que ele não podia recusar e o casal prepara a trouxa.

Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono, Capítulo CLXXVIII: A despedida dos livros

Dona Fernanda fica no Rio com o filho, separada do marido por quatro meses. Teófilo se despede do gabinete como de santos e amigos, e ela, que promete espanar os livros, sente-se venturosa.

Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono, Capítulo CLXXIX: Rubião, o cão e a frieza de Camacho

Sem notícia de Dona Fernanda, Rubião vive entre o Quincas Borba (cão) e um criado a quem ele dá o título de marquês. Quando volta do delírio, procura os amigos, mas Camacho o recebe com frieza, e ele se retira magoado.

Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono, Capítulo CLXXX: O noivado de Dona Tônica

Rubião encontra o Major Siqueira e vai com ele à nova casa, nos Cajueiros. O major anuncia o noivado de Dona Tônica com Rodrigues, viúvo e empregado do Ministério da Guerra, e ela, esquecida de Rubião, já sonha com um filho.

Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono, Capítulo CLXXXI: O coche no Campo e a primeira rosa de verão

Durante o discurso do major sobre a batalha de Monte-Caseros, Rubião aplaude e promete condecoração ao major, e depois uma fitinha para a casaca do genro. O major o conduz à porta, sem violência mas tenaz, com a história de um coche no Campo, e Rodrigues chega, bem recebido por Dona Tônica.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CLXXXII: O imperador na Rua da Ajuda

Rubião passa gesticulando para uma imperatriz invisível, seguido por moleques que gritam "Ó gira!". A mãe arranca o pequeno Deolindo do grupo.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CLXXXIII: O menino salvo e o salvador

O pai de Deolindo reconhece no louco o homem que salvou o filho sob um carro. A mãe se culpa pela zombaria do menino.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CLXXXIV: A rua vira palácio

Rubião chega à casa de Dona Fernanda ainda imperador, com a rua feita paço. Quem o vê esquece a própria miséria por um instante.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CLXXXV: Rubião vai para a casa de saúde

Cumprindo enfim a promessa que tardava, Cristiano Palha e o Dr. Falcão internam Rubião numa casa de saúde, e ele os convida para uma revista militar.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CLXXXVI: O palpite do Dr. Falcão

Ao sair, o Dr. Falcão conclui que Rubião foi amante da mulher de Palha.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CLXXXVII: O cão trancado em casa

O Quincas Borba (cão) tenta seguir o dono e é trancado pelo criado. A pedido de Rubião, Dona Fernanda procura Sofia.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CLXXXVIII: A visita à casa da Rua do Príncipe

Na casa abandonada, Sofia mal disfarça o asco, e Dona Fernanda se comove com o cão magro.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CLXXXIX: Sofia e as obras de Botafogo

Livre da casa, Sofia retoma as boas maneiras e convida Dona Fernanda a ver o palacete de Botafogo.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CXC: O nascimento da filha de Maria Benedita

Dona Fernanda corre à Tijuca para o parto de Maria Benedita e Carlos Maria, e esquece Rubião por um tempo.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CXCI: Três contos e duzentos

O diretor promete a cura em seis ou oito meses. Sofia evita a visita e conta que Cristiano Palha apurou três contos e duzentos dos bens dele.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CXCII: O baile de Botafogo

Passam os meses, e em outubro Sofia inaugura os salões de Botafogo com um baile, usando um colar dos primeiros presentes de Rubião.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CXCIII: O desaparecimento

Chega a carta do diretor: Rubião sumiu da casa de saúde. Dona Fernanda consegue que o marido peça buscas à polícia.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CXCIV: A lucidez e os cem mil-réis

Dias antes, Cristiano Palha achou Rubião são, deu-lhe cem mil-réis e pediu ao diretor que não precipitasse a alta.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CXCV: Barbacena e as batatas

Rubião e o cão chegam a Barbacena, e ele grita o lema que havia esquecido. Ninguém o recebe.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CXCVI: A tempestade

Uma tempestade desaba sobre Barbacena, e Rubião e o cão andam sem destino sob a chuva.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CXCVII: A noite ao relento

Com fome e frio, os dois vagam a noite toda. Rubião toma as estrelas por lustres de salão e adormece com o cão junto de si.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CXCVIII: A manhã das batatas

Ao ver a rua banhada de sol, Rubião repete o lema.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CXCIX: O delírio diante da comadre

A comadre Angélica o abriga, e Rubião, com febre, fala do rei da Prússia capturado. Curiosos se juntam à porta.

Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CC: A morte do imperador

Rubião morre poucos dias depois, pondo na cabeça uma coroa que só ele vê, e as últimas palavras deixam o lema pela metade.

3.2Temas da semana: Loucura, Dinheiro e riqueza, Aparência e realidade, Desejo, Lealdade e traição, Ambição.
3.3Rubião, Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido.

Sofia não foi a bordo na partida dos noivos: adoeceu, ou fingiu, porque ir lhe pareceu vergonha. Deixa-se estar no quarto, com um romance recente dado por Rubião, e olha as tetéias e jóias que também vieram dele. Entre as recordações, volta uma frase que ouviu na noite do casamento da prima, dita em voz baixa por ele: "A senhora é já a rainha de todas; espere que ainda a farei imperatriz." Ela não entende. Pensa que seria uma aliciação de grandeza para torná-la amante, mas descarta a ideia por demasiado vaidosa: Rubião já não é o homem encolhido de antes, mas não se mostra tão cheio de si.

A frase é enigmática para Sofia e límpida para o leitor que conhece o fim. Rubião promete uma coroa, e a imagem da imperatriz será o centro do delírio que o dominará mais adiante, quando ele se tomar por Napoleão III e a imperatriz imaginária for Eugênia e Sofia numa só criatura. Em retrospecto, pode-se ler a promessa não como cortejo político nem figura de retórica, mas como um primeiro sinal, dito em tom galante, do que a ambição e o desejo farão com ele.

Há ainda uma ironia sobre o que Sofia ouve. Ela procura, com cuidado, a intenção por trás da frase, e é esse cálculo que a impede de ouvi-la como o que é, uma fantasia que ainda não se sabe fantasia. Ao descartar a hipótese de que ele fale a sério, descarta justamente a mais certa. Vê-se aqui o germe da coroa que, na hora da morte, só ele verá. Pode-se ler a passagem como uma das mais sutis preparações do livro, em que a loucura aparece primeiro como galanteio e só depois como diagnóstico.

3.4Rubião, Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião.

A comadre Angélica abriga Rubião, que está febril e fala do rei da Prússia capturado. Poucos dias depois ele morre, e o narrador diz que não morreu súdito nem vencido. Antes de a agonia começar, pôs a coroa na cabeça, e não era um chapéu velho ou uma bacia onde os espectadores pudessem apalpar a ilusão: ele pegou em nada, levantou nada e cingiu nada, só ele via a insígnia imperial, pesada de ouro, rútila de brilhantes e outras pedras preciosas. Fez esforço para erguer meio corpo, o corpo caiu de novo, o rosto conservou talvez uma expressão gloriosa. Murmurou: "Guardem a minha coroa. Ao vencedor..." E a frase ficou pela metade.

É a última fala de Rubião, e junta as duas fórmulas que atravessaram o livro, a coroa e as batatas. A coroa o acompanha desde o busto de Napoleão III e a promessa a Sofia de que ainda a faria imperatriz. As batatas são a conclusão da alegoria do filósofo. Na hora da morte, a primeira lhe é entregue em mão e a segunda lhe escapa: o lema interrompido é a frase que não se completa, e o vencedor da fábula não chega a ter o prêmio.

Pode-se perguntar se o texto zomba da glória ou a respeita, e a resposta mais honesta é que faz as duas coisas, como quase sempre. Rubião morre coroado só para si mesmo, e esse isolamento é a forma final de uma ambição que sempre dependeu do que os outros viam. Aqui ninguém mais vê a insígnia, e talvez seja justamente nesse vazio que o personagem alcança o que mais quis: ser imperador sem precisar que ninguém o reconheça.

3.5C. Teófilo explica que, num debate sobre um crédito do Ministério da Marinha, a frase correta era "na dúvida, abstém-te"; com a troca de letra, ela parece conselho de calote. O narrador mostra a medida da aflição: tudo valia menos que a letra trocada. Maria Benedita, que se julgava a mais triste, vê ali outra tristeza tão grande, e Dona Fernanda aproveita para falar de casá-la.
3.6A. A lenda diz que Rubião herdou de um filósofo imensos bens, e explica o silêncio dele pelo método do mestre. Os "discípulos" que vão à casa de manhã e de tarde não são discípulos, mas comensais: roem fome, à espera, e ouvem calados e risonhos os discursos do anfitrião.
3.7C. O narrador compara Rubião ao espírito florentino que Dante viu abraçado por uma serpente, a ponto de não se saber se eram um ou dois, e diz que em Rubião eram ainda dois. Quando era só Rubião, não passava do homem do costume, e quando subia a imperador, era só imperador: equilibravam-se, um sem outro, ambos integrais.
3.8B. O narrador faz o sol perceber que Sofia o quer como lanterna de Diógenes, e o faz chamar o raio de volta: que ame, se lhe parece, mas sem ele de archote. O raio obedece, e a chuva volta. Logo adiante, o texto diz que o que parecia vontade imperiosa dela se reduziu a veleidade pura.
3.9B. Maria Benedita conta que o primo Teófilo parece entrar no Ministério, e Carlos Maria, rindo, pede que ela confesse que o adoraria mesmo como ordenança de ministro. Ela se joga nos braços dele, e ele, sério, lembra que Bernadotte foi rei e pergunta, sem explicar, se ela queria ser a rainha-mãe da Suécia. Depois volta à revista inglesa sobre a estatueta de Narciso.

3.10 a 3.12: perguntas abertas, sem gabarito.

Personagens

P1Rubião.

Professor de Barbacena, em Minas, que se torna o enfermeiro e único amigo do filósofo Quincas Borba (filósofo) e herda dele a fortuna inteira, com uma só condição: cuidar do cão Quincas Borba (cão) como se fosse pessoa. O livro abre com ele já rico, à janela de Botafogo, e só depois recua para contar de onde veio o dinheiro. No Rio, cai nas mãos do casal Cristiano Palha e Sofia, deseja a mulher do amigo, é explorado por quem o cerca, enlouquece convencido de que é imperador e volta a Barbacena, onde morre. É o protagonista do romance e o ponto onde se cruzam todos os seus temas.

Como muda

O livro abre no capítulo I com Rubião à janela de Botafogo, comparando o passado de professor com o presente de capitalista: as chinelas dadas por Cristiano Palha, o café em bandeja de prata, o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade. Só depois o texto recua a Barbacena.

Lá, ele trata do filósofo doente por seis meses (capítulo IV) e, ouvindo a explicação de Humanitas, aceita ser discípulo (capítulo VI). Quando o doente lhe pergunta se é seu amigo, responde que é, tanto ou mais do que o cão (capítulo VII).

No capítulo VIII, o filósofo registra o testamento, confia o cão a Rubião e parte para o Rio. A carta em que ele diz ser Santo Agostinho chega no capítulo X: Rubião a julga loucura, esconde-a do médico por medo de que o testamento seja anulado e calcula o legado. O remorso que sente é de pouca dura, e o texto o diz.

Nos jornais da Corte ele lê a morte do amigo (capítulo XI), e no capítulo XII, sem alusão a demência na notícia, volta a tomar a carta por troça e resolve dar o cão à comadre Angélica, pois a obrigação acabou. O bilhete de Brás Cubas, no capítulo XIII, confirma a morte e o devolve à cor, graças às praxes do foro.

Aberto o testamento (capítulo XIV), é herdeiro universal, com a condição de guardar o cão, tratá-lo como pessoa, enterrá-lo entre flores e guardar os ossos numa urna. Rubião acha a cláusula natural e só pensa na soma, que calcula entre cem e trezentos contos (capítulo XV). Lembrando que deu o cachorro, corre à comadre, teme a cláusula descumprida e a herança em risco (capítulo XVI), e no cercado explica que é só depositário (capítulo XVII).

É no capítulo XVIII que a doutrina ganha sentido para ele: recordando a voz do filósofo, entende só agora a alegoria das tribos famintas, vê-se como vencedor e pensa num sinete com o lema.

No trem para o Rio, conta aos Palha a herança, que calcula em não menos de trezentos contos, e Palha, que brilhara com a Europa e agora reflete, pede discrição (capítulo XXI). Palha lhe indica um advogado, parente seu (capítulo XXIII), e o convida a jantar em Santa Teresa, onde Rubião, constrangido diante de Sofia, desce o morro meio tonto (capítulo XXIV). Alguém denuncia o testamento por demência do filósofo, a denúncia cai, e Palha festeja o fim do inventário (capítulo XXV). Já em Botafogo, Palha o guia nas compras, e Rubião as demora para ter Sofia por perto (capítulo XXVI).

No jardim de Botafogo, debate-se com a tentação por Sofia, mulher do amigo, enquanto solta o cão (capítulo XXVIII). Recebe à mesa o parasita Freitas e o frio Carlos Maria (capítulo XXIX, capítulo XXXI); os morangos de Sofia e o convite a jantar o perturbam (capítulo XXXII), e sozinho ele relê o bilhete, toma a assinatura por capitulação e beija o nome (capítulo XXXIII).

Ao luar, em Santa Teresa, de repente loquaz, compara os olhos de Sofia às estrelas (capítulo XXXIX) e lhe propõe a compra da alma e do corpo (capítulo XL). Retém-na pelo braço e pede que fite o Cruzeiro às dez da noite (capítulo XLI), até que o Major Siqueira entra no jardim e ele sustenta, desajeitado, a anedota que Sofia inventa para cobrir a demora (capítulo XLII).

Na descida do morro, entre remorso e esperança, lembra a dívida e as três letras que aceitou por Palha (capítulo XLV). No Largo de São Francisco encontra um mendigo (capítulo XLVI), inveja-o e, no tílburi, lembra o enforcado de outros tempos (capítulo XLVII). Cogita que o cão e o filósofo sejam a mesma criatura, por transmigração (capítulo XLVIII), e em casa o amor por Sofia vence o arrependimento (capítulo XLIX).

Envergonhado, decide ir a Minas, mas Camacho o corta no caminho (capítulo LVI) e, tendo-o conquistado dias antes com política e um almoço (capítulo LVIII), segura-o na Corte com Palha, num olhar combinado (capítulo LIX). Depois de tirar um menino de baixo de um carro (capítulo LX), entra com cinco contos na Atalaia, a folha de Camacho (capítulo LXI).

Deixa a sorte decidir se vai a Santa Teresa e, quando o primeiro veículo diz não, corrige a regra (capítulo LXIII); lá ouve Carlos Maria elogiar Sofia diante do retrato (capítulo LXV) e, em casa, admira a naturalidade do rival (capítulo LXVI). Vê o próprio nome na Atalaia, irritado e depois lisonjeado, e reimprime a notícia em outro jornal (capítulo LXVII).

Sócio de Palha sem entender os números (capítulo LXIX), leva Carlos Maria ao gabinete dos sobretudos, no baile de aniversário da mulher de Camacho, para sondá-lo, atormentado pelo ciúme de um rival (capítulo LXX). O conselho de casar vem do Major Siqueira (capítulo LXXVIII) e volta como voz que ele cogita vir do cão, onde estaria o espírito do filósofo, mas descarta e, por via das dúvidas, lhe coça a nuca (capítulo LXXIX). Decide casar para matar a paixão (capítulo LXXX), mas nos sonhos só casa com titulares do almanaque, e todas as noivas acabam com o rosto de Sofia (capítulo LXXXII).

Palha tem um palpite, que Rubião é quem casa com a prima de Sofia, e o amigo se espanta e recusa (capítulo LXXXIII). Na Praia Formosa, visita o Freitas doente e deixa seis notas de vinte mil-réis à mãe dele (capítulo LXXXV), caminha pela Saúde com nostalgia dos farrapos (capítulo LXXXVI) e, pensando nas mulheres que poderia escolher, ouve a guitarra do pecado, tangida pelos dedos de Sofia (capítulo LXXXVII).

A anedota do cocheiro sobre um moço da Rua dos Inválidos e uma dama de véu (capítulo LXXXIX) vira nele suspeita: procura provas nas costureiras do luto de Sofia (capítulo XCIII), corre atrás de um vulto de mulher (capítulo XCV) e acha no canteiro uma carta com a letra dela para Carlos Maria, que decide entregar para ler a verdade no rosto da dona (capítulo XCIX). Camacho lhe oferece a candidatura a deputado (capítulo C), e o coupé o faz passar por homem de posição no enterro de Freitas, que ele custeia (capítulo CI).

No Flamengo, diz tudo a Sofia, cada vez mais alto, entrega a carta e sai sem ouvi-la (capítulo CIII, capítulo CIV). Quando o narrador diz ao leitor que o cocheiro não deu nomes nem contou caso verdadeiro (capítulo CVI), a calúnia fica sendo do leitor e de Rubião.

Assina cinco contos na subscrição de Sofia e pede dez a Palha, que guarda seus títulos, aconselha cautela e cede (capítulo CVIII); paga o papel da Atalaia a Camacho (capítulo CX) e, ao sugerir reforçar uma palavra do artigo, sente-se meio autor (capítulo CXI), até o narrador resumir a operação: teve-se por autor de livros alheios (capítulo CXIII).

Manda um brilhante a Sofia, ouve dela a explicação da carta, com uma lágrima, e a notícia de que Maria Benedita vai casar (capítulo CXV); percebe que o noivo é Carlos Maria e que tomara uma pessoa por outra, e dá os parabéns à moça (capítulo CXVI). Tranquilizado, atribui ao acaso as olhadas de Sofia e se agarra à lágrima (capítulo CXXI).

Na volta do paquete, Palha pede conversa (capítulo CXXVI) e propõe desfazer a sociedade para dirigir um banco; Rubião pergunta se há motivo oculto, aceita a razão e o dispensa de pagar dívidas (capítulo CXXVIII). O narrador revela depois que o banco não existia (capítulo CXXIX). Na Rua dos Barbonos, ouve do Major Siqueira que os Palha não o convidaram ao aniversário nem ao casamento, fala em confusão em vez de lhe dar razão e promete jantar sem convite (capítulo CXXX, capítulo CXXXI).

Em volta dele cresce a lenda do ricaço e discípulo de filósofo, e os comensais jantam às seis em ponto, com ou sem o dono (capítulo CXXXIII); protege as letras, paga duas sociedades rivais sem notar (capítulo CXXXV) e gasta as manhãs na loja do Bernardo em visões deliciosas, uma vez levantando-se para ver alguém que não existe (capítulo CXXXVII). Convida Sofia à Tijuca, só os dois (capítulo CXXXIX); ela adia, e no passeio, com os três juntos, Sofia cai do cavalo (capítulo CXLIII).

Em janeiro de 1870 chama o barbeiro Lucien e, em marcha para a lua, nem o vê chegar (capítulo CXLV); fica com a pêra e os bigodes copiados do busto de Napoleão III e responde em português ao barbeiro, cuidando falar francês (capítulo CXLVI). Sozinho, imagina-se em Compiègne, governando e ouvindo ministros (capítulo CXLVII).

Desce da lua com o rosto novo e alterna entre si mesmo e o imperador dos franceses (capítulo CXLVIII). Quando visita Sofia, as caras se batem no ar na hora de apanhar a luva (capítulo CXLIX); entra no coupé dela (capítulo CL), baixa as cortinas (capítulo CLI) e, tranquilo, elogia a própria mãe e os cavalos enquanto ela suplica que desça (capítulo CLII); fala-lhe como amante, evoca um encontro que nunca houve e promete título de duque ao marido (capítulo CLIII).

A mania se espalha, e quem a testa levando a conversa à França o vê resvalar ao abismo (capítulo CLV); com a guerra franco-prussiana as crises ficam mais agudas, e os comensais, promovidos a marechais, não o contrariam (capítulo CLVI). Palha o muda, com o cão, para uma casinha da Rua do Príncipe (capítulo CLXV), e os amigos de Botafogo não o seguem (capítulo CLXVI). O Dr. Falcão, que o examina, crê que ele pode sarar (capítulo CLXVII).

Invade a varanda de Carlos Maria e Maria Benedita para anunciar a queda do Ministério e oferecer uma pasta (capítulo CLXXI). Quando volta do delírio e procura os amigos, Camacho o recebe com frieza (capítulo CLXXIX), e o Major Siqueira o conduz à porta com a história de um coche no Campo (capítulo CLXXXI).

Passa pela Rua da Ajuda gesticulando para uma imperatriz invisível, seguido por moleques, e o pai de um menino reconhece nele o homem que salvou o filho (capítulo CLXXXII, capítulo CLXXXIII). Palha, com o Dr. Falcão, o interna numa casa de saúde (capítulo CLXXXV); Palha apura três contos e duzentos dos bens dele (capítulo CXCI) e, dias antes de ele sumir, o acha são, dá-lhe cem mil-réis e pede ao diretor que não precipite a alta (capítulo CXCIV).

Rubião some da casa de saúde (capítulo CXCIII) e volta a Barbacena com o cão, onde grita o lema que havia esquecido e ninguém o recebe (capítulo CXCV). Uma tempestade o apanha (capítulo CXCVI); passa a noite ao relento, toma as estrelas por lustres de salão (capítulo CXCVII), repete o lema ao sol da manhã (capítulo CXCVIII) e é abrigado pela comadre Angélica, com febre, falando do rei da Prússia capturado (capítulo CXCIX).

Morre poucos dias depois, pondo na cabeça uma coroa que só ele vê (capítulo CC).

O cão adoece, foge atrás do dono e amanhece morto na rua, e o narrador deixa ao leitor chorar ou rir (capítulo CCI).

P2Sofia.

Mulher de Cristiano Palha, a bela casada que Rubião conhece no trem para o Rio e que passa a dominar o desejo dele. Mora em Santa Teresa, depois no Flamengo, e acaba inaugurando os salões do palacete de Botafogo; aprende a gostar de ser vista e guarda o coração, e o narrador lhe dá, capítulo a capítulo, uma vida interior própria. No prólogo de 1889, Machado recusa o pedido de continuar o livro com a Sofia numa terceira parte de trilogia, porque ela está toda aqui.

Como muda

Rubião, ainda em Botafogo, lembra Sofia e se julga amado por ela (capítulo III). Ela entra em cena no trem, sentada com Palha diante dele, calada: quem fala de escravos e da Europa é Palha, e ela só move os olhos e diz apenas "Não, senhor", quando Rubião lhe pergunta se já foi à Europa (capítulo XXI).

No primeiro jantar em Santa Teresa, ela é a dona da casa e fala mais que ele (capítulo XXIV); manda morangos e um bilhete que intima Rubião a jantar por ordem do marido (capítulo XXXII). O narrador a retrata cada vez mais bela, exibida decotada por Palha, que adivinhou as falências de 1864 e gasta tudo com ela: Sofia gosta de ser vista, mas guarda o coração (capítulo XXXV).

À noite, enquanto uma senhora canta ao piano, Rubião a contempla e ela o olha de volta (capítulo XXXVI). No jardim, ao luar, leva-o pelo braço e, quando ele fala, não sabe se deve entender ou fingir que não entende (capítulo XXXIX).

Quer voltar à sala e suplica que ele a solte (capítulo XLI); quando o Major Siqueira surge, é ela quem inventa a anedota do Padre Mendes para cobrir a demora (capítulo XLII).

Já de noite, conta a Palha o que Rubião fez no jardim, e ele, depois de minimizar, confessa dever muito dinheiro ao amigo, e o narrador revela que o bilhete dos morangos fora redigido por ele e apenas copiado por ela; ela promete esfriar o trato aos poucos (capítulo L). No dia seguinte amanhece abatida, culpa-se e teme que o major espalhe o caso (capítulo LI). Na rua, um rapaz a cumprimenta: é Carlos Maria, que dançou com ela num baile, e um carteiro cai, e ela ri (capítulo LII).

Recebe Rubião sem rancor e lhe apresenta a tia e a prima, Maria Benedita, moça da roça (capítulo LXIV); introduz a prima na vida da cidade (capítulo LXVIII). Num baile, dança com Carlos Maria, que se declara a ela (capítulo LXIX); em casa, chama o sarau de enfadonho, aceita o carinho do marido e de manhã procura na rua os sinais do homem da praia (capítulo LXXI). Jura esquecer o episódio, mas a declaração volta à memória como um trecho musical teimoso (capítulo LXXIII).

Quando promete à prima um noivo e é o próprio Rubião, não consegue soltar o nome dele: não o quer, mas não suporta dá-lo à moça (capítulo LXXVII).

Recebe Rubião no Flamengo, entre as costureiras do luto, e lhe fala da comissão de senhoras pelas Alagoas (capítulo XCII). Quando ele lhe despeja o que sente e entrega a carta, ela pede arrependimento e vê que ele sai sem ouvi-la (capítulo CIII, capítulo CIV); sozinha, descobre que era a circular da comissão, pensa em Carlos Maria e, de raiva de si, quebra o mandarim de porcelana (capítulo CV).

Depois do brilhante de aniversário, explica a carta a Rubião com uma lágrima e lhe conta o noivado de Maria Benedita, pensando que aquele homem a adora (capítulo CXV). Quando os noivos partem para a Europa, finge-se doente e, no quarto, entre presentes dele, recorda a promessa de fazê-la imperatriz (capítulo CXXV).

Louvada pela imprensa, depura as amizades, corrige o marido servil e passa pelos velhos conhecidos de olhar desviado (capítulo CXXXVIII). Quando Rubião a convida à Tijuca, adia o passeio (capítulo CXXXIX), a imaginação galopa como corcel e volta à cavalariça (capítulo CXL), as rosas e outras plantas lhe dizem que a culpa é dela (capítulo CXLI, capítulo CXLII); no passeio, cai do cavalo (capítulo CXLIII) e, em casa, mostra o joelho pisado ao marido, que jura que nada se viu (capítulo CXLIV).

Rubião entra no coupé dela (capítulo CL); ela perde a voz, teme o escândalo (capítulo CLI), sente aversão e suplica que ele desça (capítulo CLII), e o ouve falar de um encontro que nunca houve, com a sinceridade de quem viu (capítulo CLIII). Passado o susto, mergulha no devaneio e imagina quem seria o homem da caleça (capítulo CLIV); vendo no mal dele o efeito do amor por ela, sente compaixão, feita de simpatia e egoísmo, e lhe perdoa (capítulo CLVII). A carta de Maria Benedita, feliz e mãe, lhe dá despeito (capítulo CLVIII), e na manhã chuvosa deixa-se estar sinceramente defunta, e então os nomes passam como relâmpagos (capítulo CLIX).

O sol manda o raio de volta para não alumiar o desejo dela (capítulo CLX); sonha que Carlos Maria é morto diante dela e acorda aos gritos (capítulo CLXI), e a vontade imperiosa vira veleidade (capítulo CLXIII). Foge de Rubião numa livraria, mas insiste, apesar da queixa de Palha, quando Dona Fernanda acha que ele pode sarar (capítulo CLXIV).

No fim, Palha e o Dr. Falcão internam Rubião, depois de Sofia ter deixado esquecida a promessa que fizera (capítulo CLXXXV); na casa abandonada da Rua do Príncipe mal disfarça o asco (capítulo CLXXXVIII) e, livre dela, retoma as boas maneiras e convida Dona Fernanda a ver o palacete de Botafogo (capítulo CLXXXIX). Evita a visita ao internado e conta que Palha apurou três contos e duzentos dos bens dele (capítulo CXCI), e em outubro inaugura os salões com um baile, usando um colar dos primeiros presentes de Rubião (capítulo CXCII).

P3Cristiano Palha.

Marido de Sofia, o homem que Rubião conhece no trem e que passa a guiá-lo em cada etapa do Rio: o advogado, a casa, as compras, o inventário, a sociedade comercial. Prospera com ações, apólices e fornecimentos de guerra, sonha com palacete e baronia, e a confiança do herdeiro lhe rende sócio, crédito e, por fim, o controle dos bens: quando o livro termina, ele já apurou três contos e duzentos dos bens de Rubião.

Como muda

Palha aparece primeiro como nome: as chinelas que Rubião calça no capítulo I foram dadas por ele, e no capítulo III Rubião lembra os criados que ele impôs à casa de Botafogo. A cena que o define é a do trem: ele e Sofia sentam diante de Rubião, os olhos de Palha brilham quando o professor diz que fica na Corte e talvez vá à Europa; ao ouvir a herança, que Rubião calcula em não menos de trezentos contos, ele já não brilha, reflete, e só então pede discrição (capítulo XXI).

Na estação da Corte, oferece a casa de Santa Teresa (capítulo XXII); indica ao amigo um advogado, parente seu, e o convida a jantar (capítulo XXIII). Festeja o fim do inventário (capítulo XXV), guia Rubião nas compras para a casa de Botafogo (capítulo XXVI) e o resgata das histórias do Major Siqueira (capítulo XXXIV).

O narrador o retrata gastando tudo com a mulher e exibindo-a decotada, e compara os olhos de Sofia à lanterna de uma hospedaria sem cômodos para hóspedes (capítulo XXXV). Quando Sofia lhe conta o episódio do jardim, ele minimiza e só depois confessa que deve muito dinheiro ao amigo (capítulo L).

No dia seguinte, só fala de negócios com a mulher (capítulo LI). Quando visita Rubião em Botafogo e dá com Camacho na sala, a menção à lua os deixa sem fala (capítulo LIV); imagina por que o amigo parte, e o narrador chama a alma dele de colcha de retalhos (capítulo LV). Palha e Camacho se entendem por um olhar e seguram Rubião na Corte, um propondo acompanhá-lo, outro acenando com a cadeira de deputado (capítulo LIX).

Torna-se sócio de Rubião (capítulo LXIX), elogia a valsa de Carlos Maria sem suspeitar de nada (capítulo LXXI) e se despede de Sofia à janela com o adeus de mão do costume (capítulo LXXII). Em luto pela tia, diz ter um palpite sobre Rubião e Maria Benedita (capítulo LXXXIII). Ao diretor do banco, que se humilhara diante do ministro, ele restaura a dignidade com mesuras, e é por esses rapapés que o homem ruminará depois (capítulo XCIV, capítulo XCVI).

Quando Rubião assina cinco contos na subscrição de Sofia e lhe pede dez, Palha, que guarda os títulos dele e vê o capital diminuir, aconselha cautela e acaba cedendo (capítulo CVIII). Rubião lhe pede ainda dois contos antes de mandar um brilhante a Sofia (capítulo CXV).

Na volta do paquete, ele diz que há tempos quer falar de coisa importante (capítulo CXXVI), propõe desfazer a sociedade para dirigir um banco, invoca Camacho como argumento e ouve de Rubião que não pague as dívidas (capítulo CXXVIII).

O narrador revela então que o banco não existia: Palha inventou a razão porque a verdade não serviria (capítulo CXXIX). O major se queixa de que os Palha não o convidaram ao aniversário nem ao casamento (capítulo CXXX).

Na cena do joelho de Sofia, ele jura que nada se viu e brinca com a perna dela, orgulhoso de possuí-la (capítulo CXLIV). Minimiza a doença de Rubião quando Dona Fernanda pergunta por que ninguém o trata (capítulo CLVIII), comove-se com o pesadelo de Sofia (capítulo CLXI) e reclama do incômodo de Rubião, mas a mulher insiste (capítulo CLXIV). Instala o amigo e o cão numa casinha da Rua do Príncipe e diz aos que sentem o exílio que o amigo precisa de repouso (capítulo CLXV).

Depois de tardar na promessa, ele interna Rubião com o Dr. Falcão (capítulo CLXXXV); apura três contos e duzentos dos bens dele (capítulo CXCI) e, dias antes do desaparecimento do internado, o acha são, lhe dá cem mil-réis e pede ao diretor que não precipite a alta (capítulo CXCIV).

P4Quincas Borba (filósofo).

Joaquim Borba dos Santos, um dos dois Quincas Borba que o título comporta, herdado das Memórias Póstumas de Brás Cubas: o náufrago da existência que ali aparecia mendigo, herdeiro inopinado e inventor de uma filosofia, e que o romance reencontra em Barbacena, em 1867, com um grão de sandice. Inventor de Humanitas, tem Rubião como único amigo e enfermeiro, deixa-lhe tudo no testamento e morre no Rio, em casa de Brás Cubas (capítulo XIII).

Como muda

Em Barbacena, o filósofo cortejara em vão a viúva Piedade, que um pleuris levou; o irmão dela, Rubião, vira seu único amigo e o trata por seis meses (capítulo IV). Ele deu seu nome ao cão Quincas Borba (cão) por razão doutrinária e para sobreviver no nome dele, e diz a Rubião que vai morrer (capítulo V).

Explica Humanitas pela morte da avó, atropelada por uma sege cujo dono tinha fome: não há morte, a guerra conserva, ao vencido ódio ou compaixão, ao vencedor as batatas (capítulo VI).

Exausto, descreve o mundo com elogios que espantam Rubião e pergunta se o outro é seu amigo (capítulo VII). Registra o testamento no tabelião, confia o cão a Rubião e parte para o Rio, chorando pelo cachorro (capítulo VIII).

Do Rio chega uma carta em que ele se diz Santo Agostinho (capítulo X), e nos jornais da Corte Rubião lê a notícia da morte do filósofo, que suportou a doença com filosofia, delirou no fim e deixa muitos bens (capítulo XI). O bilhete de Brás Cubas diz que ele faleceu em casa dele, onde aparecera esfrangalhado e sórdido (capítulo XIII).

O testamento faz de Rubião herdeiro universal com uma só condição: cuidar do cão como se cão não fosse, mas pessoa humana (capítulo XIV).

Depois da morte, o filósofo continua no livro por quatro vias: na lembrança de Rubião, que só entende a alegoria das tribos depois de herdar (capítulo XVIII); na denúncia que tenta anular o testamento por demência dele (capítulo XXV); no cão, onde Rubião cogita que o espírito dele tenha transmigrado (capítulo XLVIII); e na voz que pergunta se Rubião não deveria casar (capítulo LXXIX). No fim, o lema que ele ensinara volta, gritado em Barbacena pelo discípulo, já sem o sentido da alegoria (capítulo CXCV).

P5Quincas Borba (cão).

O cachorro que Quincas Borba (filósofo) batiza com o próprio nome e confia a Rubião, e que o testamento obriga o herdeiro a tratar como pessoa. Acompanha Rubião de Barbacena ao Rio, vive entre afagos e maus-tratos, é tido por ele como vigia e consolo e talvez como alma do amigo morto, e volta com o dono a Barbacena, onde morre depois dele. O livro divide o título entre os dois Quincas, e no último capítulo (capítulo CCI) o narrador pergunta, sem resolver, qual deles dá o nome ao livro.

Como muda

O filósofo deu ao cão o seu nome por razão doutrinária e para sobreviver no nome dele (capítulo V). Parte para o Rio chorando por ele e o deixa com Rubião (capítulo VIII); o cão sofre a ausência do dono, e na cidade zombam do professor sentinela de cachorro (capítulo IX). Sabida a morte do dono, Rubião decide dá-lo à comadre Angélica, pois a obrigação acabou (capítulo XII), e manda-o de presente com o nome do dono (capítulo XIII).

Quando o testamento revela a cláusula (capítulo XIV), Rubião corre à comadre e o reencontra no cercado, onde o cão o recebe com festa e delírio (capítulo XVII). Em Botafogo, é Rubião quem o solta todos os dias; no jardim, no meio da tentação por Sofia, o narrador descreve o cão que festeja, apanha e perdoa: gosta de ser amado e se contenta de crer que o é (capítulo XXVIII).

Perturbado pelos morangos de Sofia, Rubião chuta o cão (capítulo XXXII); na noite do jardim, em casa, recebe dele a festa de sempre, com um olhar que lembra o do filósofo (capítulo XLIX). Antes, no tílburi, cogitara que cão e filósofo fossem a mesma criatura por transmigração (capítulo XLVIII). Mais tarde, o cão o fita com tom de censura quando Rubião entra na sociedade com Palha, e Rubião ri da suposição, mas lhe coça as orelhas (capítulo LXIX); a voz que aconselha Rubião a casar parece vir dele, ideia que Rubião acha absurda e descarta, mas por via das dúvidas lhe coça a nuca (capítulo LXXIX, capítulo LXXXII).

Em seguida o cão atravessa a loucura do dono: os ganidos dele não despertam Rubião do delírio imperial (capítulo CXLVII), muda-se com ele para a Rua do Príncipe (capítulo CLXV), vive com ele e um criado a quem Rubião dá o título de marquês (capítulo CLXXIX). Quando Rubião é internado, o cão tenta segui-lo e é trancado pelo criado (capítulo CLXXXVII), e na casa abandonada é o cão magro que comove Dona Fernanda (capítulo CLXXXVIII).

Chega com Rubião a Barbacena (capítulo CXCV), vaga sob a tempestade e dorme junto dele ao relento (capítulo CXCVII), e é abrigado com ele pela comadre Angélica (capítulo CXCIX). Depois da morte do dono, adoece, foge atrás dele e amanhece morto na rua (capítulo CCI).

P6Carlos Maria.

Rapaz lento, frio e superior que come à mesa de Rubião e dança com Sofia. Primo de Dona Fernanda, vê a si mesmo como o centro da admiração alheia e inventa, com a facilidade de quem não se importa, a frase da praia que faz Sofia pensar nele o resto do livro. Casa com Maria Benedita sem tê-la amado antes e, já casado, irrita-se ao ouvi-la dizer que são felizes.

Como muda

Aparece no almoço de domingo de Rubião, onde humilha o parasita Freitas e é respeitado por Rubião, que não ousa rir (capítulo XXIX, capítulo XXXI). Na rua, um rapaz cumprimenta Sofia e ela o reconhece: dançaram num baile, e ele elogiou os olhos e os ombros dela (capítulo LII). Rubião o ouve elogiar Sofia diante do retrato, e Rubião admira a naturalidade com que ele diz aquelas coisas (capítulo LXV, capítulo LXVI).

No baile, valsa com Sofia e se declara, dizendo ter passado uma hora entre o mar e a casa dela (capítulo LXIX). Na cama, reconstrói a cena, ri da mentira, porque nem foi à praia, e conclui que não vale emendar: há bonitos sonetos mentirosos (capítulo LXXIV).

Outras admiradoras fazem Sofia perder importância na fila dele (capítulo LXXV); ele monta bem, e a gente que passa mira o garbo e a tranquilidade régia dele (capítulo LXXVI). A carta que Rubião acha no canteiro é endereçada a ele (capítulo XCIX), e Sofia, ao saber que era a circular da comissão, pensa nele (capítulo CV). O narrador acrescenta uma quarta causa para o fracasso dela: talvez ele tivesse outros amores (capítulo CVII).

Rubião percebe que o noivo de Maria Benedita é ele (capítulo CXVI). Dona Fernanda, na saída da missa, conta ao primo que alguém o adora em segredo e, por fim, que é Maria Benedita; a prevenção dele vira simpatia, e nasce o namoro (capítulo CXX).

Na manhã do casamento, passeia a cavalo e vê na natureza a homenagem nupcial (capítulo CXXII); os noivos casam e, três meses depois, partem para a Europa (capítulo CXXIV). Sofia sonha que ele é morto diante dela (capítulo CLXI). Volta ao Rio com a mulher e se irrita de ouvi-la dizer que são felizes (capítulo CLXIX); a sós, só sorri quando ela pergunta o que ele tem (capítulo CLXX).

Quando Rubião delirante invade a varanda e lhe oferece uma pasta, Maria Benedita não contém o riso (capítulo CLXXI); ele pede à mulher que confesse que o adoraria mesmo como ordenança de ministro e volta à revista inglesa e à estatueta de Narciso, do Museu de Nápoles (capítulo CLXXIII). A filha nasce na Tijuca (capítulo CXC).

Temas

T1Loucura: a dúvida sobre a sanidade do filósofo, que a carta de Santo Agostinho deixa aberta (capítulo X), a voz que Rubião cogita ser do cão e descarta (capítulo LXXIX), a barba de Napoleão III (capítulo CXLVI), o delírio no coupé (capítulo CLIII), a mania que se espalha (capítulo CLV), o desfile na Rua da Ajuda (capítulo CLXXXII) e a coroa que só Rubião vê (capítulo CC). Aparece em: Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo; Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa; Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial; Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia; Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira; Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono; Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião.
T2Dinheiro e riqueza: o testamento (capítulo XIV), a confidência no trem (capítulo XXI), a sociedade com Palha (capítulo LXIX), os dez contos (capítulo CVIII), a sociedade desfeita por um banco inexistente (capítulo CXXVIII, capítulo CXXIX) e os bens apurados enquanto Rubião está internado (capítulo CXCI). Aparece em: Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo; Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião; Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião; Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho; Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita; Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração; Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa; Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos; Capítulos CXIV a CXVIII: O noivado de Maria Benedita; Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido; Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial; Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião.
T3Aparência e realidade: Sofia exposta como vitrine (capítulo XXXV), o cocheiro e a calúnia que o narrador devolve ao leitor (capítulo LXXXIX, capítulo CVI), a lágrima de Sofia em que Rubião acredita (capítulo CXV), o banco que não existia (capítulo CXXIX) e a lua de mel da grandeza que acaba (capítulo CXXXVIII). Aparece em: Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião; Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim; Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita; Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração; Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa; Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião; Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos; Capítulos CXIV a CXVIII: O noivado de Maria Benedita; Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido; Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial; Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia; Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira; Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono; Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião.
T4Desejo: a tentação no jardim (capítulo XXVIII), a proposta sob a lua (capítulo XL), as noivas de título com o rosto de Sofia (capítulo LXXXII), o amor de Maria Benedita, que ama como se ama a Deus (capítulo CXVIII), o delírio de amante no coupé (capítulo CLIII) e o desejo de Sofia que vira veleidade (capítulo CLXIII). Aparece em: Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião; Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião; Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim; Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho; Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração; Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa; Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião; Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos; Capítulos CXIV a CXVIII: O noivado de Maria Benedita; Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido; Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial; Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia; Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira.
T5Lealdade e traição: a dívida que Palha confessa à mulher (capítulo L), o olhar entre Palha e Camacho (capítulo LIX), o major que vê desprezo nos Palha (capítulo CXXX), os amigos que não seguem Rubião à Rua do Príncipe (capítulo CLXV), a frieza de Camacho (capítulo CLXXIX) e o baile de Sofia com o colar de Rubião (capítulo CXCII). Aparece em: Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião; Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião; Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim; Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho; Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita; Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração; Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido; Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira; Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono; Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião.
T6Ambição: a Atalaia (capítulo LXI), a candidatura a deputado (capítulo C), a emenda do artigo (capítulo CXI) e a crise de Teófilo com o Ministério (capítulo CLXXV, capítulo CLXXVII). Aparece em: Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião; Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho; Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita; Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião; Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos; Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono.

Fechamento: perguntas abertas, sem gabarito.