Clavis Libri · Caderno de estudos
Machado de Assis
Um caderno para ler o livro em 3 semanas: o que aconteceu, os temas, as citações, as questões e as perguntas para pensar.
Leia os capítulos da semana e depois responda à seção dela. Cada exercício tem um número; no fim do caderno, o gabarito traz a resposta com o mesmo número.
As perguntas "para discutir" não têm resposta certa: servem para pensar e conversar. As questões de múltipla escolha e a identificação das citações têm.
Semana 1 · Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, Prólogo a Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXIII: A sorte do primeiro carro
Ao ler, observe: Repare em como Rubião recebe a herança e em quem passa a cercá-lo quando chega ao Rio.
…tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade
Tílburi não era carro
Rubião vê a morte da irmã e do amigo como obra de Deus por linhas tortas: o que isso revela sobre ele?
Rubião muda as regras da aposta quando a sorte diz não: ele decide pela sorte ou já tinha decidido?
Semana 2 · Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita, Capítulo LXIV: A tia e a prima de Sofia a Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXX: A confidência na saída da missa
Ao ler, observe: Repare no que cada um que frequenta a casa de Rubião espera receber dele.
…uma censura mole, ao canto da boca
Que bom que era sentir-se um deus adorado
Rubião começa vexado e termina reimprimindo a notícia: o que o faz mudar de ideia?
Carlos Maria achava a moça fria e passa a gostar dela ao saber que é amado: o que isso sugere sobre a origem do afeto?
Semana 3 · Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Capítulo CXXI: Rubião confia na lágrima de Sofia a Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Capítulo CC: A morte do imperador
Ao ler, observe: Repare no que o narrador comenta, entre uma cena e outra, sobre a vaidade dos homens.
…espere que ainda a farei imperatriz
Guardem a minha coroa
Noivo e noiva veem, cada um da sua janela, o mesmo quadro: o que a simetria sugere sobre o casamento que começa?
Rubião morre coroado só para si mesmo: o narrador zomba dessa glória ou a respeita?
Depois de ler o livro inteiro
Para cada personagem, diga quem é e como muda do começo ao fim do livro.
| Personagem | Quem é | Como muda |
|---|---|---|
| P1 Rubião | ||
| P2 Sofia | ||
| P3 Cristiano Palha | ||
| P4 Quincas Borba (filósofo) | ||
| P5 Quincas Borba (cão) | ||
| P6 Carlos Maria |
Para cada tema, anote dois ou três momentos do livro em que ele aparece e escreva, em poucas linhas, o que o livro diz sobre ele.
Perguntas sobre a obra inteira. Escolha uma e responda num texto de 20 a 30 linhas.
A doutrina de Humanitas, que o filósofo expõe e Rubião só entende ao herdar, descreve o mundo do livro?
Rubião é vítima de quem o cerca, autor da própria ruína, ou as duas coisas?
O narrador deixa o leitor formar uma certeza e depois a desfaz: o que o romance pede de quem lê?
A vaidade de Rubião e a loucura dele são a mesma coisa, ou o livro as distingue?
O cão leva o nome do filósofo e acompanha Rubião até o fim: o que a fidelidade dele diz das fidelidades entre as pessoas do livro?
Palavras do livro que podem travar a leitura, explicadas. Para consultar quando aparecerem.
Corte. Residência do soberano e, por extensão, a cidade onde ele vive. No Império do Brasil, "a Corte" era o Rio de Janeiro, sede da corte imperial e capital do país desde a chegada da família real portuguesa, em 1808, até o fim do Império, em 1889. Os "jornais da Corte" eram, portanto, os jornais do Rio.
Botafogo. Bairro do Rio de Janeiro, a Corte do Império. Por volta de 1808 a elite da cidade, formada por nobres, comerciantes e funcionários da corte, já construía mansões na paróquia de Botafogo. Uma barca, em 1867, e os bondes puxados por animais, em 1871, ajudaram o bairro a crescer para o interior.
Tílburi. Carruagem leve, rápida e esportiva, de duas rodas, com um único banco para o condutor e um passageiro e uma capota de couro dobrável, sustentada por arcos de madeira. Foi inventada por volta de 1820 e construída em Londres pela oficina Tilbury, que lhe deu o nome. Na Inglaterra, saiu de moda por volta de 1850.
Conto. Neste sentido, "conto" é abreviação de conto de réis, moeda de conta que valia um milhão de réis, ou mil mil-réis, e se escrevia 1:000$000, com dois pontos depois dos milhões. Falava-se em "cinco contos" ou "dez contos" para somas grandes. Não é o conto como narrativa curta: aqui a palavra trata de dinheiro.
Deputado. Membro da Câmara dos Deputados, uma das duas casas da Assembleia Geral do Império. A Câmara era eletiva e temporária, com legislatura de quatro anos. A eleição era indireta: os cidadãos votavam em eleitores, e estes escolhiam os deputados. Para ser deputado exigia-se renda líquida anual de 400 mil-réis, e o imperador podia dissolver a Câmara.
Mil-réis. Unidade prática da moeda do Brasil: mil réis, escrita 1$000, com o cifrão depois dos milhares. Com a inflação, o real ficou pequeno demais, e os preços passaram a ser dados em mil-réis. Mil mil-réis formavam um conto. A moeda durou até 1942, quando o cruzeiro a substituiu, à razão de um cruzeiro por mil-réis.
Ministério. Conjunto dos ministros de Estado, o gabinete. Pela Constituição de 1824, o imperador os nomeava e demitia livremente, e eles assinavam os atos do Poder Executivo. O presidente do Conselho de Ministros, espécie de primeiro-ministro, foi criado formalmente em 1847. Cada pasta também se chama ministério, como o Ministério da Guerra.
Coupé. Carruagem fechada, derivada de uma berlina encurtada, de onde vem o nome (do francês couper, cortar). Tinha uma cabine para dois passageiros num só banco, com janela de vidro fixa na frente, e o cocheiro ia do lado de fora, à frente. Era considerada ideal para as senhoras fazerem compras e visitas sociais.
Apólice. Título da dívida pública: o governo vendia apólices a quem lhe emprestava dinheiro e pagava juros ao comprador. A primeira emissão de títulos públicos do Império do Brasil foi feita pelo Tesouro Nacional em 17 de março de 1828. Para um particular rico, comprar apólices era uma forma de aplicar o capital em juros.
Guerra franco-prussiana. Guerra entre a França de Napoleão III e a Prússia, de 19 de julho de 1870 a 28 de janeiro de 1871. Napoleão III foi capturado em Sedan em 1º de setembro de 1870, e o Segundo Império francês caiu. O Império Alemão foi proclamado em 18 de janeiro de 1871, e a França perdeu a Alsácia-Lorena.
Presidência de província. Cargo de presidente de província no Império. Pela Constituição de 1824 (art. 165), havia em cada província um presidente nomeado pelo imperador, que podia removê-lo quando julgasse conveniente ao bom serviço do Estado. Não tinha mandato fixo, e a nomeação seguia o aconselhamento do partido que estivesse no poder.
Gabarito
Machado recusa o pedido de uma trilogia com a Sofia na terceira parte: ela está inteira neste livro, e continuá-la seria repeti-la.
Rubião olha a enseada e compara o passado de professor com o presente de capitalista. Calça chinelas dadas por Cristiano Palha e acha que Deus escreve direito por linhas tortas.
O espírito de Rubião foge do pensamento vexante para uma canoa, mas o coração segue alegre: foi bom que a irmã Piedade morresse sem casar, pois poderia vir um filho herdeiro.
Ao tomar café em bandeja de prata, Rubião lembra os criados impostos por Cristiano Palha. Antes de soltar o Quincas Borba (cão), pensa em Sofia e se julga amado por ela.
Em 1867, Quincas Borba (filósofo) vive em Barbacena, com um grão de sandice. Rubião, irmão da viúva Piedade, que morrera, vira seu único amigo e o trata por seis meses.
Quincas Borba (filósofo) deu seu nome ao Quincas Borba (cão) por razão doutrinária e por querer sobreviver no nome dele. Diz a Rubião que vai morrer.
Quincas Borba (filósofo) explica Humanitas pela morte da avó, atropelada por uma sege cujo dono tinha fome: não há morte, e a guerra conserva. Rubião aceita ser discípulo.
Exausto, Quincas Borba (filósofo) descreve o mundo com elogios que espantam Rubião. Pergunta se o outro é seu amigo e ouve que é tanto quanto o cão.
Quincas Borba (filósofo) registra o testamento no tabelião, confia o Quincas Borba (cão) a Rubião e parte para o Rio, chorando pelo cachorro.
Rubião teme ser culpado se o amigo morrer na viagem. O Quincas Borba (cão) sofre a ausência do dono, o médico diz que a morte é certa, e na cidade zombam do professor sentinela de cachorro.
Do Rio chega uma carta em que Quincas Borba (filósofo) diz ser Santo Agostinho. Rubião julga o amigo louco, esconde a carta do médico por medo de anular o testamento e calcula o legado.
Nos jornais da Corte, Rubião lê a morte de Joaquim Borba dos Santos, o Quincas Borba (filósofo): suportou a doença com filosofia, delirou no fim e deixa muitos bens.
Sem alusão a demência na notícia, Rubião volta a tomar a carta por troça. Vendo o Quincas Borba (cão), decide dá-lo à comadre Angélica, pois a obrigação acabou.
Brás Cubas escreve a Rubião dando a morte do amigo e agradecimentos; as praxes do foro devolvem a cor ao professor. Ele manda o Quincas Borba (cão) de presente à comadre Angélica.
Aberto o testamento, Rubião é herdeiro universal de tudo, com uma só condição: guardar o Quincas Borba (cão), tratá-lo como pessoa, enterrá-lo entre flores e guardar seus ossos numa urna.
Rubião acha natural a cláusula, mas só pensa na herança, que calcula entre cem e trezentos contos. Hesita entre brilhar em Barbacena e mudar-se para o Rio.
Rubião lembra que deu o cachorro à comadre e corre até lá, temendo fuga ou roubo e a herança em risco por cláusula descumprida. Promete missas.
A comadre Angélica achava que o cão fora dado a ela. Rubião explica que é só depositário. No cercado, o Quincas Borba (cão) o recebe com festa e delírio.
De volta em casa, Rubião recorda a voz de Quincas Borba (filósofo) e entende, só agora, a alegoria das tribos famintas. Vê-se como vencedor e pensa num sinete com o lema.
Rubião manda rezar missa pelo amigo, embora soubesse ou pressentisse que ele não era católico, por ser prece dos vivos e para evitar escândalo. Muitos comparecem e veem sua compunção sincera.
Resolvidos os preliminares da herança, Rubião vai ao Rio, onde pretende se fixar.
No trem, Sofia e Cristiano Palha sentam-se diante de Rubião. Falam de escravos e Europa, e os olhos de Palha brilham quando Rubião diz que pode ir à Europa. Rubião conta a herança, que calcula em não menos de trezentos contos; Palha já não brilha, reflete, e pede discrição.
Na estação da Corte, os dois se despedem quase como íntimos. Cristiano Palha oferece a casa de Santa Teresa, e Rubião vai para a Hospedaria União.
Cristiano Palha visita Rubião na hospedaria, indica um advogado, parente seu, e o convida a jantar em Santa Teresa.
Constrangido diante de Sofia, Rubião lembra a promessa de ser forte e implacável e vai ao jantar. Ela, dona da casa, fala mais, e ele desce o morro meio tonto.
Rubião janta muitas vezes em Santa Teresa, tímido e com um fogo mal guardado. Alguém denuncia o testamento por demência de Quincas Borba (filósofo); a denúncia cai, e Palha festeja o fim do inventário.
Rubião muda-se para a casa de Botafogo, e Cristiano Palha o guia nas compras. Sofia às vezes vai junto, e Rubião demora as compras para tê-la perto.
O relato volta à sala, depois do café: Rubião bate com as borlas do chambre, lembra-se da obrigação diária e vai soltar o Quincas Borba (cão).
No jardim, Rubião se debate com a tentação por Sofia, mulher do amigo. Solto, o Quincas Borba (cão) festeja, apanha e perdoa, e o narrador descreve sua vida entre afagos e maus-tratos.
Rubião recebe para o almoço Carlos Maria e Freitas, conhecido num armazém, que se fez comensal assíduo e sai sempre com charutos nos bolsos.
Rubião pergunta se Freitas o acompanharia à Europa. Ele recusa, por ser amigo livre, e diz que a máscara risonha esconde um homem triste. Rubião ri.
Carlos Maria, lento, frio e superior, humilha Freitas durante o almoço, e Rubião, que o respeita mais, não ousa rir. Chegam uma cestinha e uma carta.
Sofia manda morangos e intima Rubião a jantar em Santa Teresa. Ele se perturba, os convivas supõem um amor adúltero, e ao fim chuta o Quincas Borba (cão).
Sozinho, Rubião relê o bilhete de Sofia, toma a assinatura por capitulação e acaba beijando o nome.
Em Santa Teresa, Sofia censura a demora de Rubião diante das visitas, entre elas D. Tônica, solteira. O Major Siqueira o afoga em histórias, até Cristiano Palha resgatá-lo.
O narrador retrata Sofia, cada vez mais bela, e Cristiano Palha, que adivinhou as falências de 1864, gasta tudo e a exibe decotada. Ela gosta de ser vista, mas guarda o coração.
À noite, enquanto uma senhora canta ao piano, Rubião contempla Sofia, que o olha de volta. Palha não vê a troca de olhares, mas D. Tônica vê.
D. Tônica vê em Rubião o esposo que o Céu lhe reservaria. Ao notar os olhares dele e de Sofia, sente a desesperança, mas insiste, e ele responde distraído.
Rubião está resoluto: a alma de Sofia parece convidar a dele a voar para as terras clandestinas, de onde em geral voltam velhas e cansadas, e algumas não voltam.
No jardim, ao luar, Sofia leva Rubião pelo braço. De repente loquaz, ele compara os olhos dela às estrelas, e ela não sabe se deve entender ou fingir que não entende.
As estrelas castas ouvem Rubião, antes recatado e agora libertino, propor a Sofia a compra da alma e do corpo, como um Diabo que tira as asas de arcanjo.
Sofia quer voltar à sala, mas Rubião a retém pelo braço e pela mão e lhe pede que fite o Cruzeiro às dez da noite. Ela suplica, ele afrouxa e ia beijar-lhe a mão quando uma voz o acorda.
O Major Siqueira entra no jardim. Sofia, serena, inventa a anedota do Padre Mendes para cobrir a demora, e Rubião, desajeitado, sustenta a mentira. O major fala sem parar, e D. Tônica vem buscar o pai.
Na casa da Rua do Senado, D. Tônica imagina denunciar Sofia ao marido e a rebaixa em pensamento. Passada a cólera, olha a alcova de solteira, pensa nos quarenta anos que se aproximam e chora na cama.
O narrador diz que a humilhação de D. Tônica foi tão verdadeira quanto a cólera: ela sentiu ímpetos de estrangular Sofia, mas eram imaginações.
Enquanto uma chora, outra ri. Rubião desce o morro ora exaltado, ora arrependido, acusando e defendendo Sofia. Lembra a dívida e as três letras que aceitou por Cristiano Palha e vai dar no Largo de São Francisco.
Um mendigo acorda nos degraus da igreja e fica de barriga para o ar, fitando o céu estrelado. Os dois se medem como majestades rivais e tranquilas, e cada um diz ao outro que não o atingirá.
Rubião, com inveja do mendigo, entra num tílburi e lembra o tempo em que era pobre: seguiu o cortejo de um escravo condenado, foi dar à praça da execução e gritou no instante fatal.
O cocheiro fala de cavalos e cachorros, e Rubião lembra o Quincas Borba (cão), a cláusula do testamento e o medo de perder os bens. Cogita que cão e Quincas Borba (filósofo) sejam a mesma criatura, por transmigração.
Em casa, o Quincas Borba (cão) o recebe com festa, e seu olhar lembra o do filósofo. Rubião o acaricia e o manda descer sem pancadas. Deitado, mistura o dia inteiro; o amor por Sofia vence o arrependimento, e ele só dorme antes das quatro.
Já de noite, Sofia conta a Cristiano Palha o que Rubião fez no jardim. Ele minimiza, mas confessa uma dívida com o amigo, e ela promete esfriar o trato aos poucos.
Sofia amanhece abatida, e Cristiano Palha lhe fala só de negócios. Sozinha no jardim, ela se culpa, teme que o major Siqueira espalhe o caso e pensa em sair da cidade.
Um rapaz a cumprimenta na rua, e Sofia o reconhece: é Carlos Maria, que dançou com ela num baile e elogiou seus olhos e ombros. Um carteiro cai, e ela ri.
O narrador defende o riso de Sofia com os deuses de Homero, que gargalham no meio de uma briga solene. Uma lembrança grotesca basta para quebrar a paixão mais séria.
Duas semanas depois, Cristiano Palha visita Rubião e dá com o Dr. Camacho. A menção à lua deixa ambos sem fala, e Rubião avisa que vai partir.
Cristiano Palha imagina por que Rubião parte: castigo, fuga da paixão ou casamento. A última hipótese o desaponta, e o narrador chama sua alma de colcha de retalhos.
Após o jardim, Rubião vive envergonhado e decide ir a Minas. O narrador compara esse remorso ao da carta de Quincas Borba (filósofo). Camacho o corta: deixe Minas para depois.
Camacho, bacharel de Recife, faz jornalismo político que troca de adjetivos conforme o governo e chega a deputado. Quer ser ministro, não consegue, e vive da advocacia.
Dias antes, Camacho seduz Rubião com política e um almoço: fundou uma folha pela guerra, e o ouvinte, lisonjeado, já sonha com um lugar na Câmara.
Rubião insiste em ir a Minas. Cristiano Palha e Camacho se entendem pelo olhar e o seguram: um propõe acompanhá-lo depois, o outro acena com a cadeira de deputado.
Rubião lê a Atalaia, gosta do artigo e corre ao escritório de Camacho. No caminho, arranca um menino da frente de um carro, fere a mão e recebe os agradecimentos da vizinhança.
Camacho exibe o retrato do Marquês de Paraná e diz que a Atalaia só precisa de mais dois sócios. Rubião, que viera apenas assinar, entra com cinco contos.
Na saída, Rubião cruza com uma baronesa cheirosa que procura Camacho e vê seu coupé. Apesar do próprio luxo, sente-se de novo o antigo professor de Barbacena.
O romance abre no meio da história: Rubião, de chambre, à janela da casa de Botafogo, olha a enseada e compara o professor de há um ano com o capitalista de agora. Só depois o livro recuará a Barbacena para contar como ele chegou ali. A frase que o narrador escolhe para resumir esse olhar é uma lista que vai do mais miúdo ao mais vasto: as chinelas de Túnis, a casa, o jardim, a enseada, os morros, o céu. Tudo cabe na mesma "sensação de propriedade".
O efeito é cômico e revelador. Rubião não admira a paisagem, possui a paisagem: o céu entra na conta como entram as chinelas. Elas, aliás, foram presente de Cristiano Palha, o recente amigo que logo o guiará nas compras e na vida da Corte, e pode-se notar que o detalhe já mistura, na primeira página, a riqueza de Rubião com a mão de quem lhe dá as coisas. Logo depois, ele conclui que Deus escreve direito por linhas tortas, porque a morte da irmã e a do amigo, que pareciam desgraças, acabaram numa herança. A conclusão sugere um homem que mede a vida dos outros pelo que ela lhe rendeu.
Pode-se ler a frase como a chave do tema do dinheiro no livro: a fortuna não muda o que Rubião é, muda o modo como ele enxerga o mundo, e a janela de Botafogo é o primeiro quadro dessa mudança. O narrador não o condena em voz alta. Deixa que a lista faça o trabalho, e essa ironia sem alarde acompanha o livro até o fim.
Rubião encontra Sofia na rua, com a tia e a prima, e se cumprimentam acanhadamente. À noite, depois do jantar, hesita em ir a Santa Teresa. Reflete e não adianta nada: lembra que ela sorriu, pouco, mas sorriu. Decide pôr o caso à sorte: se o primeiro carro que passar vier da direita, irá; se vier da esquerda, não. Vem logo um tílburi da esquerda, e está dito que não irá. Mas a consciência reage, e ele refina a regra: queria dizer um carro, e tílburi não era carro. Pouco depois voltam da direita muitas caleças de um enterro. Foi.
A cena é de comédia pura e, ao mesmo tempo, descreve com exatidão como o desejo faz o que quer sem assumir a decisão. Rubião finge entregar a escolha à sorte, mas só aceita a sorte que lhe convém. A regra muda quando o resultado desagrada, e o tílburi, que a regra incluía, é excluído por uma definição de última hora. O que se pode ler aqui é que ele já tinha decidido, e que o acaso serve apenas de álibi: se der certo, a culpa não é dele.
O mecanismo é o mesmo que o livro usa em outras passagens, como a voz do cão que repete o conselho do major e o espírito do filósofo que Rubião suspeita estar no animal. O detalhe do enterro, além disso, carrega uma ironia discreta: as caleças que dão o sim a Rubião voltam de um enterro, e o texto não diz mais nada. O leitor sorri da trapaça e pode ler que a loucura de Rubião, mais tarde tão ostensiva, já começa nesses pequenos autoenganos, e o tema do desejo ganha uma de suas formas mais engraçadas.
1.10 a 1.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Sofia o recebe sem rancor e apresenta D. Maria Augusta e a filha, Maria Benedita, moça da roça. A mãe finge rabugice para adiar o casamento da filha.
Sofia não retém Rubião, que sai às nove. Chega Carlos Maria, e Rubião, no jardim, ouve-o elogiar Sofia diante do retrato.
Em casa, Rubião admira a naturalidade de Carlos Maria.
Rubião vê seu nome na Atalaia. Irritado, depois lisonjeado, recebe cumprimentos, repreende Camacho de leve e reimprime a notícia em outro jornal.
Maria Benedita aceita estudar francês e piano, e Cristiano Palha vence a tia com a promessa de um bom marido. Sofia a introduz na vida da cidade; a prima aprende depressa, mas recusa valsar.
Oito meses depois, em um baile, Maria Benedita cronometra a valsa de Sofia com Carlos Maria. Rubião é sócio de Cristiano Palha, e o moço declara-se a Sofia, dizendo ter passado uma hora entre o mar e a casa dela.
No baile de aniversário da mulher de Camacho, Rubião acompanha Carlos Maria ao gabinete dos sobretudos para sondá-lo, atormentado pelo ciúme de um rival. Homens falam de política; o moço sai com sono, e Rubião fica inquieto.
Em casa, Sofia chama o sarau de enfadonho, mas aceita o carinho do marido, que elogia a valsa de Carlos Maria. De manhã, à janela, procura na rua os sinais do homem da praia.
Cristiano Palha sai para a cidade e recomenda Maria Benedita, que acordou aborrecida com vontade de ir para a roça. Sofia arruma-lhe a gravata, e os dois se despedem com o adeus de mão do costume.
Sofia jura a si mesma esquecer o episódio e culpa-se por ter deixado o rapaz chegar ao fim. A declaração, porém, repete-se na memória dela como um trecho musical teimoso.
Na cama, Carlos Maria reconstrói o baile e sente a confissão como compromisso e estorvo. Ri da mentira sobre a praia, pois nem foi lá, e se abate. Conclui que não vale emendar, e pensa na educação como defeito de Sofia.
Carlos Maria vê entre as admiradoras a recente Sofia, que perde importância na fila. Querendo corrigir a mentira, sai a cavalo, quase passa pela casa dela e recua.
Carlos Maria monta bem, e a gente que passa mira o garbo e a tranquilidade régia dele. Ele recolhe todas as admirações, por ínfimas que sejam.
Maria Benedita diz não gostar de valsar e quer voltar para a roça. Sofia promete um noivo, que é Rubião. A prima, esperançosa, pensa em Carlos Maria.
Rubião não acha Carlos Maria em três idas à Rua dos Inválidos. O Major Siqueira elogia a casa e aconselha-o a casar. D. Tônica, filha do major, faz quarenta anos solteira.
Depois que o major sai, uma voz pergunta se ele não deveria mesmo casar. Rubião só vê o Quincas Borba (cão). Acha absurdo que a pergunta venha dele, ou do espírito do Quincas Borba (filósofo) no corpo do bicho, sorri com desdém e, por via das dúvidas, coça-lhe a nuca.
Rubião decide casar para matar a paixão. Nota que as pernas acompanharam o major sem ele perceber, sente a vida dispersa e passa o tempo lendo Dumas pai e Feuillet.
Antes da noiva, Rubião imagina o casamento: coches antigos, convidados ilustres, o internúncio, valsa e ceia, com as iniciais dele na gola da criadagem.
Nos sonhos, Rubião só casa com titulares do almanaque de Laemmert, e todas as noivas acabam com o rosto de Sofia. Chega a pensar na morte do marido dela. O Quincas Borba (cão) repete o conselho.
Cristiano Palha está de luto pela tia, mãe de Maria Benedita, e elogia a moça. Diz ter um palpite sobre Rubião, que se espanta e recusa.
Rubião supõe que Sofia quer casá-lo para se descartar dele. Depois decide que ela mentiu ao marido para não dar andamento ao projeto, e recupera a serenidade.
Entediado, Rubião visita o Freitas, doente, na Praia Formosa. Ao sair, deixa seis notas de vinte mil-réis na mão da mãe do Freitas e vai embora sem esperar agradecimento.
No tílburi, Rubião desce e caminha pela Praia Formosa, pela Gamboa e pela Saúde. Sente nostalgia dos farrapos e da vida escassa, mas a sensação dura pouco.
Rubião cruza com uma moça pobre e um menino e pensa em mulheres que poderia escolher para casar. Pensa até na filha do major, mas ouve a guitarra do pecado, tangida pelos dedos de Sofia, e perde a castidade do plano.
A vista do tílburi lembra Rubião do Freitas. Ele aprova o dinheiro que deu, mas a ideia de ter dado uma ou duas notas a mais passa pelo cérebro dele, e Rubião, zangado consigo, a sacode.
O cocheiro supõe que Rubião foi a um encontro amoroso e conta de um moço da Rua dos Inválidos, de bigodes e olhos grandes, que entrou numa casa da Rua da Harmonia, onde uma dama de véu chegou depois, sozinha.
Em casa, de luto, Rubião não esquece o cocheiro e imagina Sofia entrando na Rua da Harmonia. Vexado, mata formigas, e uma cigarra o distrai.
Rubião disfarça a inquietação e, ao ver os habituados, tem o impulso de lhes dar a mão a beijar.
No Flamengo, Sofia recebe Rubião entre as costureiras do luto e lhe fala da comissão pelas Alagoas, que a porá em evidência. Maria Benedita está no andar de cima.
Sozinho com as costureiras, Rubião ouve Cristiano Palha ao longe. Dondon, ao sair, diz que vai dar na Rua da Harmonia.
Transtornado, Rubião recusa chá e tílburi e sai, enquanto Cristiano Palha agradece ao diretor do banco. Sofia nota a mão fria dele.
Rubião corre atrás de um vulto de mulher que toma pela costureira e esbarra num homem sem pedir desculpa.
O homem é o diretor do banco, humilhado antes pelo ministro e restaurado pelas mesuras de Cristiano Palha. Por isso nem se zanga.
Rubião vê Dondon sair com um homem e, da janela, sonha com o que poderia ter sido, até pensar na ordem honorífica do Cruzeiro.
Sofia manda saber como ele passou. Rubião responde e se demora entre as flores, que parecem pedir-lhe que ponha fim ao desejo.
Rubião acha uma carta com a letra de Sofia para Carlos Maria, resiste a abri-la e decide entregá-la, para ler a verdade no rosto dela.
Almoçando só, Rubião recebe Camacho, que lhe oferece uma candidatura a deputado e o faz imaginar o juramento na Câmara.
Rubião custeia o enterro de Freitas e, por causa do coupé, os curiosos o tomam por homem de posição.
De noite, Rubião cruza com o coupé de um ministro e fica a ouvir os cavalos das ordenanças, mesmo depois de distantes.
Depois da missa de sétimo dia, Rubião leva a carta a Sofia e despeja o que sente, cada vez mais alto, até ela lhe tapar a boca.
Sofia pede arrependimento. Rubião recusa, entrega-lhe a carta endereçada a Carlos Maria e, mesmo vendo-a empalidecer, sai sem ouvi-la.
Sozinha, Sofia descobre que era a circular da comissão, pensa em Carlos Maria e, de raiva de si, quebra o mandarim de porcelana.
O narrador diz ao leitor que o cocheiro não deu nomes nem contou caso verdadeiro: a calúnia foi do leitor e de Rubião.
O narrador diz que as reflexões de Sofia tinham fundo de verdade e acrescenta uma quarta causa: talvez Carlos Maria tivesse outros amores.
Afastado meses do Flamengo, Rubião assina cinco contos na subscrição de Sofia e pede dez a Cristiano Palha, que guarda seus títulos, aconselha cautela e acaba cedendo.
Rubião sonha que Cristiano Palha açoita Sofia e Maria Benedita, manda enforcá-lo e sai em carruagem triunfal com Sofia e o Quincas Borba (cão).
Rubião faz os empréstimos, paga o papel da Atalaia a Camacho e ouve dele um artigo que adverte o partido contra seus aliados.
Rubião aplaude o artigo e sugere reforçar uma palavra. Camacho objeta ao som, mas aceita, e o amigo se sente meio autor.
O narrador lamenta não ter dado ao livro o método dos sumários antigos, em que o título já diz o que há no capítulo.
O narrador resume num título imaginário a operação mental: Rubião, satisfeito com a emenda, ruminou tantas frases que se teve por autor do que lera.
Capítulo de uma só frase: o narrador diz não saber se o capítulo seguinte poderia estar todo no título. Serve de pausa e de piscadela ao leitor antes da cena do aniversário.
Rubião evita Sofia, mas pede dois contos a Cristiano Palha e manda a Sofia um brilhante de aniversário. Depois do jantar, mais firme, ouve dela a explicação da carta, com uma lágrima, e a notícia de que Maria Benedita vai casar.
Rubião percebe que o noivo de Maria Benedita é Carlos Maria, e que tomara uma pessoa por outra. Já planeja carruagem e presente, dá os parabéns à moça, que cora de contentamento, e a olha sair como quem vê uma filha.
O narrador promete a história curta do casamento de Maria Benedita e diz que, sem a epidemia das Alagoas, talvez não houvesse casamento: as catástrofes são úteis. Conta então o caso do bêbado que pede licença para acender o charuto no incêndio da choupana.
Maria Benedita ama Carlos Maria desde o baile da Rua dos Arcos e cala o segredo. Com a comissão das Alagoas, Dona Fernanda, prima dele, torna-se sua amiga e decide casá-la com o primo. Depois, na chácara, arranca-lhe a confissão sem nome: ama como se ama a Deus.
Teófilo, marido de Dona Fernanda, chega arrasado: o jornal trocou dúvida por dívida em seu discurso. Consolado, adivinha que Maria Benedita gosta de Carlos Maria.
Na saída da missa, Dona Fernanda conta ao primo Carlos Maria que alguém o adora em segredo e, por fim, diz que é Maria Benedita. A prevenção dele vira simpatia, e nasce o namoro.
Rubião tinha arrancado um menino da frente de um carro, ferido a mão e recebido os agradecimentos da vizinhança. Depois, vê o próprio nome na Atalaia, o jornal de Camacho, com a notícia do salvamento. Irrita-se, depois se lisonjeia. Recebe cumprimentos, ouve outros contarem as suas proezas, e cada gloriazinha oculta bota a cabeça de fora em torno da glória máxima dele. Vai agradecer a Camacho, não sem alguma censura pelo abuso de confiança, mas uma censura mole, ao canto da boca. Termina comprando exemplares para os amigos de Barbacena e fazendo reimprimir a notícia no Jornal do Comércio.
A censura mole é o ponto de virada do capítulo. Rubião começa vexado, porque não pediu que o expusessem, e termina como o maior divulgador de si mesmo. O que o faz mudar de ideia é o gosto da glória, e o narrador não precisa dizer mais nada: a repreensão que sai da boca dele é só um cumprimento mal disfarçado.
O episódio mostra como a Atalaia transforma uma boa ação instintiva em capital político. Rubião se atira aos cavalos sem pensar, e Camacho publica uma coluna inteira sobre um arranhão. O resultado é que o herói do dia deixa de ser um homem que salvou uma criança e passa a ser um futuro candidato com nome nos jornais: o elogio alimenta a ambição que Camacho já lhe acendera. Pode-se ler a frase como um sinal do que a ambição fará dele: um homem que critica quem o expõe e ao mesmo tempo corre a comprar os exemplares, e que só se dá conta do quanto gosta de ser visto depois que já foi.
Na saída da missa, Dona Fernanda conta ao primo Carlos Maria que alguém o adora em segredo, e só no fim diz que é Maria Benedita. Ele, que achava a moça fria, passa da prevenção à simpatia, e nasce o namoro. Enquanto a prima fala de casas, de bailes e de colégios, ele nem a escuta: pensa na devota incógnita. O narrador registra o pensamento com uma frase de ironia evangélica: que bom que era sentir-se um deus adorado, e adorado à maneira do Evangelho, no aposento, de porta fechada, em secreto, e não nas sinagogas, à vista de todos.
A frase sugere o que Carlos Maria sente: não afeto por Maria Benedita, mas gosto de ser adorado. Pode-se ler que o que o seduz não é a pessoa, é a posição de deus, e isso ajudaria a explicar a velocidade da mudança: o que ele achava frio vira simpatia assim que ele sabe que é objeto de culto.
A passagem completa o retrato de narcisismo do personagem. Já na cena do baile o narrador dissera que ele tinha a adoração de si mesmo, e agora lhe dá a oportunidade de ser adorado de verdade por alguém que ele mal conhece. O casamento que nasce dessa vaidade vai ter, na janela de cada um dos noivos, o mesmo quadro visto de lados opostos: ele se imagina fazendo a mulher feliz, ela se imagina ajoelhada aos pés dele. Pode-se ler a frase como a origem do casamento e, também, como o aviso do desfecho: um deus não precisa corresponder a quem o adora, basta que o adorem.
2.10 a 2.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Rubião se tranquiliza com o casamento, atribui ao acaso as olhadas de Sofia e se agarra à lágrima dela. O narrador avisa: há delitos virtuais que dormem.
Na manhã do casamento, Carlos Maria passeia a cavalo e vê na natureza a homenagem nupcial. Um papagaio interrompe, e ele se imagina fazendo a mulher feliz.
À janela, diante das ondas, Maria Benedita se vê ajoelhada aos pés do marido e pensa que ele a fará feliz: mesmo quadro do noivo, outro pensamento.
Os noivos casam e, três meses depois, partem para a Europa. Dona Fernanda os despede sem chorar, contente de os ver felizes.
Sofia finge-se doente e não vai a bordo. No quarto, entre presentes de Rubião, recorda a frase dele sobre fazê-la imperatriz e lê numa página de romance a frase de que ele merece ser amado, e se perde em si mesma.
Rubião e Cristiano Palha voltam do paquete cuidosos e calados. Palha diz que há tempos quer falar-lhe de coisa importante.
Na primeira vez que entra num paquete, Rubião, sem noções de geografia, imagina o mar e os países além da barra e viaja de cor.
Cristiano Palha, apoiado em Camacho, diz que vai liquidar o negócio para dirigir um banco e quer desfazer a sociedade já. Rubião pergunta se há motivo oculto, e aceita a razão.
O narrador revela que não havia banco: Palha inventou a razão porque a verdade não serviria. Prospera com ações, apólices e fornecimentos de guerra e já pensa em palacete e baronia.
Na Rua dos Barbonos, o Major Siqueira se queixa de que os Palha não o convidaram ao aniversário nem ao casamento. Rubião fala em confusão, e D. Tônica tenta amenizar.
Rubião trata pai e filha com simpatia, evita defender os Palha e promete jantar sem convite. D. Tônica o vê sair da janela.
Rubião sai, e D. Tônica propõe comprar conservas para o jantar dele com o dinheiro do vestido, que adia. O pai relê o único romance da casa.
A lenda de Rubião, ricaço e discípulo de filósofo, atrai comensais, que lhe devem dinheiro e jantam às seis em ponto, com ou sem o dono.
Sem o dono em casa, os convivas vão ao gabinete pegar charutos e encontram sobre a secretária os bustos de Napoleão I e Napoleão III.
Rubião protege as letras, paga duas sociedades rivais, uma católica e uma protestante, sem notar, e assina jornais sem lê-los.
O cobrador recebe o semestre e comenta na rua que aquele homem detesta a folha e paga, enquanto tantos a adoram e não pagam.
Sentado na loja do Bernardo, Rubião gasta as manhãs em visões deliciosas. Uma vez levanta-se para ver alguém que não existe e reconhece a ilusão.
Sofia, louvada pela imprensa, corrige o marido servil e corta as amizades modestas, até passar pelos velhos conhecidos de olhar desviado.
Rubião convida Sofia à Tijuca, só os dois. Ela adia para o domingo seguinte e imagina o passeio a cavalo, com um beijo na nuca.
A imaginação de Sofia é comparada a um corcel que galga morros e volta à cavalariça.
Esfriado o ardor, Sofia adia o passeio, atira as linhas na cestinha que Rubião lhe dera e ouve de duas rosas que a culpa é dela.
Sofia ouve outras plantas e recebe a mesma resposta; o narrador diz que conversar com os botões tem sentido real.
No passeio à Tijuca, os três vão juntos. Na descida, Sofia, distraída, chicoteia o cavalo com raiva e cai de amazona.
Em casa, Sofia mostra o joelho pisado ao marido e quer jurar que nada se viu. Cristiano Palha jura e brinca com a perna dela.
Em janeiro de 1870, Rubião chama o barbeiro Lucien e, em marcha para a lua, nem o vê chegar ao gabinete dos Napoleões.
Lucien deixa a Rubião só a pêra e os bigodes, copiando o busto de Napoleão III. Rubião, satisfeito, paga vinte mil-réis sem troco.
Sozinho, Rubião se imagina em Compiègne, governando e ouvindo ministros. Nem os ganidos do Quincas Borba (cão) o despertam.
Descido da lua, Rubião vê-se de rosto novo, e todos o aprovam. Só Camacho defende que não se altera o rosto. Rubião alterna entre si mesmo e o imperador dos franceses.
No fim da semana, Rubião visita Sofia para saber do joelho. Ela acha o rosto novo melhor e supõe ser a causa. Ao apanharem a luva, as caras se batem no ar, e os dois riem.
Sofia aceita a mão de Rubião para subir ao coupé e vai dizer até logo, mas ele entra atrás e senta-se ao lado dela. O lacaio fecha a portinhola, e o carro parte.
Sofia perde a voz, pede que o carro pare, mas teme o escândalo. Na Rua Bela da Princesa, Rubião baixa as cortinas, para que ninguém os veja, e fica calado ao lado dela.
Sofia sente aversão, pensa em contar tudo ao marido e pede que Rubião desça, oferecendo até ajoelhar-se. Ele, tranquilo, elogia a própria mãe e os cavalos. Ela não entende por que ele entrou.
Rubião fala a Sofia como amante, evoca um encontro na caleça e a soleira beijada, pede que o chame de Luís. Promete título de duque ao marido dela, oferece o solitário, que ela recusa, e apeia.
Separados, Rubião volta à realidade e tenta sacudir a personalidade emprestada. Sofia, passado o susto, mergulha no devaneio e imagina, com saudade, quem seria o homem da caleça.
Espalha-se a notícia da mania de Rubião. Alguns testam o boato levando a conversa à França e ao imperador, e ele resvala ao abismo e os convence.
Com a guerra franco-prussiana, as crises de Rubião ficam mais agudas e frequentes. Ele lê toda notícia como vitória. Os comensais, promovidos a marechais, não o contrariam, e a mesa pobre lhe parece régia.
Sofia, vendo no mal de Rubião o efeito do amor por ela, sente uma compaixão feita de simpatia e egoísmo. Evita outra cena de coupé, escuta-o nas horas lúcidas e perdoa-lhe, crendo-se autora do mal.
Dona Fernanda pergunta por que ninguém trata Rubião. Cristiano Palha minimiza, e o deputado Teófilo sugere um curador. A carta de Maria Benedita, feliz e mãe, deixa Sofia com despeito, que ela disfarça.
Na manhã de chuva, Sofia revolve a carta, Carlos Maria, Maria Benedita, D. Fernanda e o olhar admirado de Teófilo no vestido cor de palha. Os nomes relampejam no céu de possibilidades.
A chuva cessa e um raio de sol rompe o nevoeiro, mas o narrador faz o sol chamá-lo de volta, para não alumiar o desejo de Sofia. O céu se fecha de novo.
Reclusa, Sofia lê a Revista dos Dois Mundos e dorme. Sonha que Carlos Maria é morto diante dela e acorda aos gritos; Cristiano Palha se comove.
No dia seguinte, claro e quente, Sofia sai a visitas e passeio. A agitação da Rua do Ouvidor lhe espanta da alma os cuidados da véspera.
O que parecia vontade imperiosa em Sofia vira veleidade. O narrador diz que o pecado de pensamento vira costume, com refúgio moral no corpo sem mácula.
Sofia foge de Rubião numa livraria e o encontra no saguão de Dona Fernanda, que acha que ele pode sarar. Cristiano Palha reclama do incômodo, mas Sofia insiste.
Cristiano Palha instala Rubião e o Quincas Borba (cão) numa casinha da Rua do Príncipe. Os amigos de Botafogo sentem a mudança como exílio e ouvem de Palha que o amigo precisa de repouso.
Rubião nota que os amigos não o seguiram à casa nova e, nas primeiras semanas, sente-se abandonado. Procura algum mal que lhes tenha feito e não acha.
O Dr. Falcão, deputado e médico, examina Rubião a pedido de Dona Fernanda e crê que ele pode sarar. Pelo delírio, conclui que ele e Sofia se amaram, e a suspeita se volta contra Dona Fernanda.
O Dr. Falcão mantém na manhã seguinte a suspeita sobre Dona Fernanda e parafraseia Hamlet: ali andou dedo de amor. Discreto, não conta a ninguém.
Carlos Maria e Maria Benedita voltam ao Rio, e Dona Fernanda os leva à Tijuca. Maria Benedita diz que são felizes; Carlos Maria se irrita com a confidência.
A sós, Maria Benedita pergunta o que o marido tem, e Carlos Maria só sorri. Ela se culpa pela tagarelice e promete ser menos expansiva; ele a absolve com um gesto.
Rubião aparece na varanda, anuncia a queda do Ministério e oferece uma pasta a Carlos Maria. Sai gesticulando pelo jardim, e Maria Benedita não contém o riso.
Maria Benedita lembra ao marido que o primo Teófilo pode entrar no novo Ministério e comenta que Rubião, parado na rua, olha para cima, à espera de condução.
Carlos Maria pede à mulher que confesse que o adoraria mesmo como ordenança de ministro e lhe pergunta, sem explicar, se queria ser rainha-mãe da Suécia. Depois volta à revista inglesa e à estatueta de Narciso.
Rubião não sobe à casa de Dona Fernanda: o criado diz que ela está doente, mas é Teófilo quem chegou abatido, deixado de fora das combinações do novo Ministério. Embaixo, a criadagem conjetura.
Teófilo desabafa contra a intriga e mostra a Dona Fernanda o gabinete de papéis, onde pergunta de que vale tanto esforço. Ela propõe uma viagem à Europa; ele recusa, mas se anima com a ideia de colheita futura.
Ao almoço, Teófilo recebe por uma ordenança a carta do presidente do conselho, que o convoca para as duas da tarde. Apesar de o gabinete estar completo, as borboletas da esperança voltam a volear diante dele.
Teófilo volta satisfeito: o marquês lhe pediu que aceite uma presidência de primeira ordem e assuma a chefia da maioria na Câmara. Dona Fernanda concorda que ele não podia recusar e o casal prepara a trouxa.
Dona Fernanda fica no Rio com o filho, separada do marido por quatro meses. Teófilo se despede do gabinete como de santos e amigos, e ela, que promete espanar os livros, sente-se venturosa.
Sem notícia de Dona Fernanda, Rubião vive entre o Quincas Borba (cão) e um criado a quem ele dá o título de marquês. Quando volta do delírio, procura os amigos, mas Camacho o recebe com frieza, e ele se retira magoado.
Rubião encontra o Major Siqueira e vai com ele à nova casa, nos Cajueiros. O major anuncia o noivado de Dona Tônica com Rodrigues, viúvo e empregado do Ministério da Guerra, e ela, esquecida de Rubião, já sonha com um filho.
Durante o discurso do major sobre a batalha de Monte-Caseros, Rubião aplaude e promete condecoração ao major, e depois uma fitinha para a casaca do genro. O major o conduz à porta, sem violência mas tenaz, com a história de um coche no Campo, e Rodrigues chega, bem recebido por Dona Tônica.
Rubião passa gesticulando para uma imperatriz invisível, seguido por moleques que gritam "Ó gira!". A mãe arranca o pequeno Deolindo do grupo.
O pai de Deolindo reconhece no louco o homem que salvou o filho sob um carro. A mãe se culpa pela zombaria do menino.
Rubião chega à casa de Dona Fernanda ainda imperador, com a rua feita paço. Quem o vê esquece a própria miséria por um instante.
Cumprindo enfim a promessa que tardava, Cristiano Palha e o Dr. Falcão internam Rubião numa casa de saúde, e ele os convida para uma revista militar.
Ao sair, o Dr. Falcão conclui que Rubião foi amante da mulher de Palha.
O Quincas Borba (cão) tenta seguir o dono e é trancado pelo criado. A pedido de Rubião, Dona Fernanda procura Sofia.
Na casa abandonada, Sofia mal disfarça o asco, e Dona Fernanda se comove com o cão magro.
Livre da casa, Sofia retoma as boas maneiras e convida Dona Fernanda a ver o palacete de Botafogo.
Dona Fernanda corre à Tijuca para o parto de Maria Benedita e Carlos Maria, e esquece Rubião por um tempo.
O diretor promete a cura em seis ou oito meses. Sofia evita a visita e conta que Cristiano Palha apurou três contos e duzentos dos bens dele.
Passam os meses, e em outubro Sofia inaugura os salões de Botafogo com um baile, usando um colar dos primeiros presentes de Rubião.
Chega a carta do diretor: Rubião sumiu da casa de saúde. Dona Fernanda consegue que o marido peça buscas à polícia.
Dias antes, Cristiano Palha achou Rubião são, deu-lhe cem mil-réis e pediu ao diretor que não precipitasse a alta.
Rubião e o cão chegam a Barbacena, e ele grita o lema que havia esquecido. Ninguém o recebe.
Uma tempestade desaba sobre Barbacena, e Rubião e o cão andam sem destino sob a chuva.
Com fome e frio, os dois vagam a noite toda. Rubião toma as estrelas por lustres de salão e adormece com o cão junto de si.
Ao ver a rua banhada de sol, Rubião repete o lema.
A comadre Angélica o abriga, e Rubião, com febre, fala do rei da Prússia capturado. Curiosos se juntam à porta.
Rubião morre poucos dias depois, pondo na cabeça uma coroa que só ele vê, e as últimas palavras deixam o lema pela metade.
Sofia não foi a bordo na partida dos noivos: adoeceu, ou fingiu, porque ir lhe pareceu vergonha. Deixa-se estar no quarto, com um romance recente dado por Rubião, e olha as tetéias e jóias que também vieram dele. Entre as recordações, volta uma frase que ouviu na noite do casamento da prima, dita em voz baixa por ele: "A senhora é já a rainha de todas; espere que ainda a farei imperatriz." Ela não entende. Pensa que seria uma aliciação de grandeza para torná-la amante, mas descarta a ideia por demasiado vaidosa: Rubião já não é o homem encolhido de antes, mas não se mostra tão cheio de si.
A frase é enigmática para Sofia e límpida para o leitor que conhece o fim. Rubião promete uma coroa, e a imagem da imperatriz será o centro do delírio que o dominará mais adiante, quando ele se tomar por Napoleão III e a imperatriz imaginária for Eugênia e Sofia numa só criatura. Em retrospecto, pode-se ler a promessa não como cortejo político nem figura de retórica, mas como um primeiro sinal, dito em tom galante, do que a ambição e o desejo farão com ele.
Há ainda uma ironia sobre o que Sofia ouve. Ela procura, com cuidado, a intenção por trás da frase, e é esse cálculo que a impede de ouvi-la como o que é, uma fantasia que ainda não se sabe fantasia. Ao descartar a hipótese de que ele fale a sério, descarta justamente a mais certa. Vê-se aqui o germe da coroa que, na hora da morte, só ele verá. Pode-se ler a passagem como uma das mais sutis preparações do livro, em que a loucura aparece primeiro como galanteio e só depois como diagnóstico.
A comadre Angélica abriga Rubião, que está febril e fala do rei da Prússia capturado. Poucos dias depois ele morre, e o narrador diz que não morreu súdito nem vencido. Antes de a agonia começar, pôs a coroa na cabeça, e não era um chapéu velho ou uma bacia onde os espectadores pudessem apalpar a ilusão: ele pegou em nada, levantou nada e cingiu nada, só ele via a insígnia imperial, pesada de ouro, rútila de brilhantes e outras pedras preciosas. Fez esforço para erguer meio corpo, o corpo caiu de novo, o rosto conservou talvez uma expressão gloriosa. Murmurou: "Guardem a minha coroa. Ao vencedor..." E a frase ficou pela metade.
É a última fala de Rubião, e junta as duas fórmulas que atravessaram o livro, a coroa e as batatas. A coroa o acompanha desde o busto de Napoleão III e a promessa a Sofia de que ainda a faria imperatriz. As batatas são a conclusão da alegoria do filósofo. Na hora da morte, a primeira lhe é entregue em mão e a segunda lhe escapa: o lema interrompido é a frase que não se completa, e o vencedor da fábula não chega a ter o prêmio.
Pode-se perguntar se o texto zomba da glória ou a respeita, e a resposta mais honesta é que faz as duas coisas, como quase sempre. Rubião morre coroado só para si mesmo, e esse isolamento é a forma final de uma ambição que sempre dependeu do que os outros viam. Aqui ninguém mais vê a insígnia, e talvez seja justamente nesse vazio que o personagem alcança o que mais quis: ser imperador sem precisar que ninguém o reconheça.
3.10 a 3.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Professor de Barbacena, em Minas, que se torna o enfermeiro e único amigo do filósofo Quincas Borba (filósofo) e herda dele a fortuna inteira, com uma só condição: cuidar do cão Quincas Borba (cão) como se fosse pessoa. O livro abre com ele já rico, à janela de Botafogo, e só depois recua para contar de onde veio o dinheiro. No Rio, cai nas mãos do casal Cristiano Palha e Sofia, deseja a mulher do amigo, é explorado por quem o cerca, enlouquece convencido de que é imperador e volta a Barbacena, onde morre. É o protagonista do romance e o ponto onde se cruzam todos os seus temas.
Como muda
O livro abre no capítulo I com Rubião à janela de Botafogo, comparando o passado de professor com o presente de capitalista: as chinelas dadas por Cristiano Palha, o café em bandeja de prata, o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade. Só depois o texto recua a Barbacena.
Lá, ele trata do filósofo doente por seis meses (capítulo IV) e, ouvindo a explicação de Humanitas, aceita ser discípulo (capítulo VI). Quando o doente lhe pergunta se é seu amigo, responde que é, tanto ou mais do que o cão (capítulo VII).
No capítulo VIII, o filósofo registra o testamento, confia o cão a Rubião e parte para o Rio. A carta em que ele diz ser Santo Agostinho chega no capítulo X: Rubião a julga loucura, esconde-a do médico por medo de que o testamento seja anulado e calcula o legado. O remorso que sente é de pouca dura, e o texto o diz.
Nos jornais da Corte ele lê a morte do amigo (capítulo XI), e no capítulo XII, sem alusão a demência na notícia, volta a tomar a carta por troça e resolve dar o cão à comadre Angélica, pois a obrigação acabou. O bilhete de Brás Cubas, no capítulo XIII, confirma a morte e o devolve à cor, graças às praxes do foro.
Aberto o testamento (capítulo XIV), é herdeiro universal, com a condição de guardar o cão, tratá-lo como pessoa, enterrá-lo entre flores e guardar os ossos numa urna. Rubião acha a cláusula natural e só pensa na soma, que calcula entre cem e trezentos contos (capítulo XV). Lembrando que deu o cachorro, corre à comadre, teme a cláusula descumprida e a herança em risco (capítulo XVI), e no cercado explica que é só depositário (capítulo XVII).
É no capítulo XVIII que a doutrina ganha sentido para ele: recordando a voz do filósofo, entende só agora a alegoria das tribos famintas, vê-se como vencedor e pensa num sinete com o lema.
No trem para o Rio, conta aos Palha a herança, que calcula em não menos de trezentos contos, e Palha, que brilhara com a Europa e agora reflete, pede discrição (capítulo XXI). Palha lhe indica um advogado, parente seu (capítulo XXIII), e o convida a jantar em Santa Teresa, onde Rubião, constrangido diante de Sofia, desce o morro meio tonto (capítulo XXIV). Alguém denuncia o testamento por demência do filósofo, a denúncia cai, e Palha festeja o fim do inventário (capítulo XXV). Já em Botafogo, Palha o guia nas compras, e Rubião as demora para ter Sofia por perto (capítulo XXVI).
No jardim de Botafogo, debate-se com a tentação por Sofia, mulher do amigo, enquanto solta o cão (capítulo XXVIII). Recebe à mesa o parasita Freitas e o frio Carlos Maria (capítulo XXIX, capítulo XXXI); os morangos de Sofia e o convite a jantar o perturbam (capítulo XXXII), e sozinho ele relê o bilhete, toma a assinatura por capitulação e beija o nome (capítulo XXXIII).
Ao luar, em Santa Teresa, de repente loquaz, compara os olhos de Sofia às estrelas (capítulo XXXIX) e lhe propõe a compra da alma e do corpo (capítulo XL). Retém-na pelo braço e pede que fite o Cruzeiro às dez da noite (capítulo XLI), até que o Major Siqueira entra no jardim e ele sustenta, desajeitado, a anedota que Sofia inventa para cobrir a demora (capítulo XLII).
Na descida do morro, entre remorso e esperança, lembra a dívida e as três letras que aceitou por Palha (capítulo XLV). No Largo de São Francisco encontra um mendigo (capítulo XLVI), inveja-o e, no tílburi, lembra o enforcado de outros tempos (capítulo XLVII). Cogita que o cão e o filósofo sejam a mesma criatura, por transmigração (capítulo XLVIII), e em casa o amor por Sofia vence o arrependimento (capítulo XLIX).
Envergonhado, decide ir a Minas, mas Camacho o corta no caminho (capítulo LVI) e, tendo-o conquistado dias antes com política e um almoço (capítulo LVIII), segura-o na Corte com Palha, num olhar combinado (capítulo LIX). Depois de tirar um menino de baixo de um carro (capítulo LX), entra com cinco contos na Atalaia, a folha de Camacho (capítulo LXI).
Deixa a sorte decidir se vai a Santa Teresa e, quando o primeiro veículo diz não, corrige a regra (capítulo LXIII); lá ouve Carlos Maria elogiar Sofia diante do retrato (capítulo LXV) e, em casa, admira a naturalidade do rival (capítulo LXVI). Vê o próprio nome na Atalaia, irritado e depois lisonjeado, e reimprime a notícia em outro jornal (capítulo LXVII).
Sócio de Palha sem entender os números (capítulo LXIX), leva Carlos Maria ao gabinete dos sobretudos, no baile de aniversário da mulher de Camacho, para sondá-lo, atormentado pelo ciúme de um rival (capítulo LXX). O conselho de casar vem do Major Siqueira (capítulo LXXVIII) e volta como voz que ele cogita vir do cão, onde estaria o espírito do filósofo, mas descarta e, por via das dúvidas, lhe coça a nuca (capítulo LXXIX). Decide casar para matar a paixão (capítulo LXXX), mas nos sonhos só casa com titulares do almanaque, e todas as noivas acabam com o rosto de Sofia (capítulo LXXXII).
Palha tem um palpite, que Rubião é quem casa com a prima de Sofia, e o amigo se espanta e recusa (capítulo LXXXIII). Na Praia Formosa, visita o Freitas doente e deixa seis notas de vinte mil-réis à mãe dele (capítulo LXXXV), caminha pela Saúde com nostalgia dos farrapos (capítulo LXXXVI) e, pensando nas mulheres que poderia escolher, ouve a guitarra do pecado, tangida pelos dedos de Sofia (capítulo LXXXVII).
A anedota do cocheiro sobre um moço da Rua dos Inválidos e uma dama de véu (capítulo LXXXIX) vira nele suspeita: procura provas nas costureiras do luto de Sofia (capítulo XCIII), corre atrás de um vulto de mulher (capítulo XCV) e acha no canteiro uma carta com a letra dela para Carlos Maria, que decide entregar para ler a verdade no rosto da dona (capítulo XCIX). Camacho lhe oferece a candidatura a deputado (capítulo C), e o coupé o faz passar por homem de posição no enterro de Freitas, que ele custeia (capítulo CI).
No Flamengo, diz tudo a Sofia, cada vez mais alto, entrega a carta e sai sem ouvi-la (capítulo CIII, capítulo CIV). Quando o narrador diz ao leitor que o cocheiro não deu nomes nem contou caso verdadeiro (capítulo CVI), a calúnia fica sendo do leitor e de Rubião.
Assina cinco contos na subscrição de Sofia e pede dez a Palha, que guarda seus títulos, aconselha cautela e cede (capítulo CVIII); paga o papel da Atalaia a Camacho (capítulo CX) e, ao sugerir reforçar uma palavra do artigo, sente-se meio autor (capítulo CXI), até o narrador resumir a operação: teve-se por autor de livros alheios (capítulo CXIII).
Manda um brilhante a Sofia, ouve dela a explicação da carta, com uma lágrima, e a notícia de que Maria Benedita vai casar (capítulo CXV); percebe que o noivo é Carlos Maria e que tomara uma pessoa por outra, e dá os parabéns à moça (capítulo CXVI). Tranquilizado, atribui ao acaso as olhadas de Sofia e se agarra à lágrima (capítulo CXXI).
Na volta do paquete, Palha pede conversa (capítulo CXXVI) e propõe desfazer a sociedade para dirigir um banco; Rubião pergunta se há motivo oculto, aceita a razão e o dispensa de pagar dívidas (capítulo CXXVIII). O narrador revela depois que o banco não existia (capítulo CXXIX). Na Rua dos Barbonos, ouve do Major Siqueira que os Palha não o convidaram ao aniversário nem ao casamento, fala em confusão em vez de lhe dar razão e promete jantar sem convite (capítulo CXXX, capítulo CXXXI).
Em volta dele cresce a lenda do ricaço e discípulo de filósofo, e os comensais jantam às seis em ponto, com ou sem o dono (capítulo CXXXIII); protege as letras, paga duas sociedades rivais sem notar (capítulo CXXXV) e gasta as manhãs na loja do Bernardo em visões deliciosas, uma vez levantando-se para ver alguém que não existe (capítulo CXXXVII). Convida Sofia à Tijuca, só os dois (capítulo CXXXIX); ela adia, e no passeio, com os três juntos, Sofia cai do cavalo (capítulo CXLIII).
Em janeiro de 1870 chama o barbeiro Lucien e, em marcha para a lua, nem o vê chegar (capítulo CXLV); fica com a pêra e os bigodes copiados do busto de Napoleão III e responde em português ao barbeiro, cuidando falar francês (capítulo CXLVI). Sozinho, imagina-se em Compiègne, governando e ouvindo ministros (capítulo CXLVII).
Desce da lua com o rosto novo e alterna entre si mesmo e o imperador dos franceses (capítulo CXLVIII). Quando visita Sofia, as caras se batem no ar na hora de apanhar a luva (capítulo CXLIX); entra no coupé dela (capítulo CL), baixa as cortinas (capítulo CLI) e, tranquilo, elogia a própria mãe e os cavalos enquanto ela suplica que desça (capítulo CLII); fala-lhe como amante, evoca um encontro que nunca houve e promete título de duque ao marido (capítulo CLIII).
A mania se espalha, e quem a testa levando a conversa à França o vê resvalar ao abismo (capítulo CLV); com a guerra franco-prussiana as crises ficam mais agudas, e os comensais, promovidos a marechais, não o contrariam (capítulo CLVI). Palha o muda, com o cão, para uma casinha da Rua do Príncipe (capítulo CLXV), e os amigos de Botafogo não o seguem (capítulo CLXVI). O Dr. Falcão, que o examina, crê que ele pode sarar (capítulo CLXVII).
Invade a varanda de Carlos Maria e Maria Benedita para anunciar a queda do Ministério e oferecer uma pasta (capítulo CLXXI). Quando volta do delírio e procura os amigos, Camacho o recebe com frieza (capítulo CLXXIX), e o Major Siqueira o conduz à porta com a história de um coche no Campo (capítulo CLXXXI).
Passa pela Rua da Ajuda gesticulando para uma imperatriz invisível, seguido por moleques, e o pai de um menino reconhece nele o homem que salvou o filho (capítulo CLXXXII, capítulo CLXXXIII). Palha, com o Dr. Falcão, o interna numa casa de saúde (capítulo CLXXXV); Palha apura três contos e duzentos dos bens dele (capítulo CXCI) e, dias antes de ele sumir, o acha são, dá-lhe cem mil-réis e pede ao diretor que não precipite a alta (capítulo CXCIV).
Rubião some da casa de saúde (capítulo CXCIII) e volta a Barbacena com o cão, onde grita o lema que havia esquecido e ninguém o recebe (capítulo CXCV). Uma tempestade o apanha (capítulo CXCVI); passa a noite ao relento, toma as estrelas por lustres de salão (capítulo CXCVII), repete o lema ao sol da manhã (capítulo CXCVIII) e é abrigado pela comadre Angélica, com febre, falando do rei da Prússia capturado (capítulo CXCIX).
Morre poucos dias depois, pondo na cabeça uma coroa que só ele vê (capítulo CC).
O cão adoece, foge atrás do dono e amanhece morto na rua, e o narrador deixa ao leitor chorar ou rir (capítulo CCI).
Mulher de Cristiano Palha, a bela casada que Rubião conhece no trem para o Rio e que passa a dominar o desejo dele. Mora em Santa Teresa, depois no Flamengo, e acaba inaugurando os salões do palacete de Botafogo; aprende a gostar de ser vista e guarda o coração, e o narrador lhe dá, capítulo a capítulo, uma vida interior própria. No prólogo de 1889, Machado recusa o pedido de continuar o livro com a Sofia numa terceira parte de trilogia, porque ela está toda aqui.
Como muda
Rubião, ainda em Botafogo, lembra Sofia e se julga amado por ela (capítulo III). Ela entra em cena no trem, sentada com Palha diante dele, calada: quem fala de escravos e da Europa é Palha, e ela só move os olhos e diz apenas "Não, senhor", quando Rubião lhe pergunta se já foi à Europa (capítulo XXI).
No primeiro jantar em Santa Teresa, ela é a dona da casa e fala mais que ele (capítulo XXIV); manda morangos e um bilhete que intima Rubião a jantar por ordem do marido (capítulo XXXII). O narrador a retrata cada vez mais bela, exibida decotada por Palha, que adivinhou as falências de 1864 e gasta tudo com ela: Sofia gosta de ser vista, mas guarda o coração (capítulo XXXV).
À noite, enquanto uma senhora canta ao piano, Rubião a contempla e ela o olha de volta (capítulo XXXVI). No jardim, ao luar, leva-o pelo braço e, quando ele fala, não sabe se deve entender ou fingir que não entende (capítulo XXXIX).
Quer voltar à sala e suplica que ele a solte (capítulo XLI); quando o Major Siqueira surge, é ela quem inventa a anedota do Padre Mendes para cobrir a demora (capítulo XLII).
Já de noite, conta a Palha o que Rubião fez no jardim, e ele, depois de minimizar, confessa dever muito dinheiro ao amigo, e o narrador revela que o bilhete dos morangos fora redigido por ele e apenas copiado por ela; ela promete esfriar o trato aos poucos (capítulo L). No dia seguinte amanhece abatida, culpa-se e teme que o major espalhe o caso (capítulo LI). Na rua, um rapaz a cumprimenta: é Carlos Maria, que dançou com ela num baile, e um carteiro cai, e ela ri (capítulo LII).
Recebe Rubião sem rancor e lhe apresenta a tia e a prima, Maria Benedita, moça da roça (capítulo LXIV); introduz a prima na vida da cidade (capítulo LXVIII). Num baile, dança com Carlos Maria, que se declara a ela (capítulo LXIX); em casa, chama o sarau de enfadonho, aceita o carinho do marido e de manhã procura na rua os sinais do homem da praia (capítulo LXXI). Jura esquecer o episódio, mas a declaração volta à memória como um trecho musical teimoso (capítulo LXXIII).
Quando promete à prima um noivo e é o próprio Rubião, não consegue soltar o nome dele: não o quer, mas não suporta dá-lo à moça (capítulo LXXVII).
Recebe Rubião no Flamengo, entre as costureiras do luto, e lhe fala da comissão de senhoras pelas Alagoas (capítulo XCII). Quando ele lhe despeja o que sente e entrega a carta, ela pede arrependimento e vê que ele sai sem ouvi-la (capítulo CIII, capítulo CIV); sozinha, descobre que era a circular da comissão, pensa em Carlos Maria e, de raiva de si, quebra o mandarim de porcelana (capítulo CV).
Depois do brilhante de aniversário, explica a carta a Rubião com uma lágrima e lhe conta o noivado de Maria Benedita, pensando que aquele homem a adora (capítulo CXV). Quando os noivos partem para a Europa, finge-se doente e, no quarto, entre presentes dele, recorda a promessa de fazê-la imperatriz (capítulo CXXV).
Louvada pela imprensa, depura as amizades, corrige o marido servil e passa pelos velhos conhecidos de olhar desviado (capítulo CXXXVIII). Quando Rubião a convida à Tijuca, adia o passeio (capítulo CXXXIX), a imaginação galopa como corcel e volta à cavalariça (capítulo CXL), as rosas e outras plantas lhe dizem que a culpa é dela (capítulo CXLI, capítulo CXLII); no passeio, cai do cavalo (capítulo CXLIII) e, em casa, mostra o joelho pisado ao marido, que jura que nada se viu (capítulo CXLIV).
Rubião entra no coupé dela (capítulo CL); ela perde a voz, teme o escândalo (capítulo CLI), sente aversão e suplica que ele desça (capítulo CLII), e o ouve falar de um encontro que nunca houve, com a sinceridade de quem viu (capítulo CLIII). Passado o susto, mergulha no devaneio e imagina quem seria o homem da caleça (capítulo CLIV); vendo no mal dele o efeito do amor por ela, sente compaixão, feita de simpatia e egoísmo, e lhe perdoa (capítulo CLVII). A carta de Maria Benedita, feliz e mãe, lhe dá despeito (capítulo CLVIII), e na manhã chuvosa deixa-se estar sinceramente defunta, e então os nomes passam como relâmpagos (capítulo CLIX).
O sol manda o raio de volta para não alumiar o desejo dela (capítulo CLX); sonha que Carlos Maria é morto diante dela e acorda aos gritos (capítulo CLXI), e a vontade imperiosa vira veleidade (capítulo CLXIII). Foge de Rubião numa livraria, mas insiste, apesar da queixa de Palha, quando Dona Fernanda acha que ele pode sarar (capítulo CLXIV).
No fim, Palha e o Dr. Falcão internam Rubião, depois de Sofia ter deixado esquecida a promessa que fizera (capítulo CLXXXV); na casa abandonada da Rua do Príncipe mal disfarça o asco (capítulo CLXXXVIII) e, livre dela, retoma as boas maneiras e convida Dona Fernanda a ver o palacete de Botafogo (capítulo CLXXXIX). Evita a visita ao internado e conta que Palha apurou três contos e duzentos dos bens dele (capítulo CXCI), e em outubro inaugura os salões com um baile, usando um colar dos primeiros presentes de Rubião (capítulo CXCII).
Marido de Sofia, o homem que Rubião conhece no trem e que passa a guiá-lo em cada etapa do Rio: o advogado, a casa, as compras, o inventário, a sociedade comercial. Prospera com ações, apólices e fornecimentos de guerra, sonha com palacete e baronia, e a confiança do herdeiro lhe rende sócio, crédito e, por fim, o controle dos bens: quando o livro termina, ele já apurou três contos e duzentos dos bens de Rubião.
Como muda
Palha aparece primeiro como nome: as chinelas que Rubião calça no capítulo I foram dadas por ele, e no capítulo III Rubião lembra os criados que ele impôs à casa de Botafogo. A cena que o define é a do trem: ele e Sofia sentam diante de Rubião, os olhos de Palha brilham quando o professor diz que fica na Corte e talvez vá à Europa; ao ouvir a herança, que Rubião calcula em não menos de trezentos contos, ele já não brilha, reflete, e só então pede discrição (capítulo XXI).
Na estação da Corte, oferece a casa de Santa Teresa (capítulo XXII); indica ao amigo um advogado, parente seu, e o convida a jantar (capítulo XXIII). Festeja o fim do inventário (capítulo XXV), guia Rubião nas compras para a casa de Botafogo (capítulo XXVI) e o resgata das histórias do Major Siqueira (capítulo XXXIV).
O narrador o retrata gastando tudo com a mulher e exibindo-a decotada, e compara os olhos de Sofia à lanterna de uma hospedaria sem cômodos para hóspedes (capítulo XXXV). Quando Sofia lhe conta o episódio do jardim, ele minimiza e só depois confessa que deve muito dinheiro ao amigo (capítulo L).
No dia seguinte, só fala de negócios com a mulher (capítulo LI). Quando visita Rubião em Botafogo e dá com Camacho na sala, a menção à lua os deixa sem fala (capítulo LIV); imagina por que o amigo parte, e o narrador chama a alma dele de colcha de retalhos (capítulo LV). Palha e Camacho se entendem por um olhar e seguram Rubião na Corte, um propondo acompanhá-lo, outro acenando com a cadeira de deputado (capítulo LIX).
Torna-se sócio de Rubião (capítulo LXIX), elogia a valsa de Carlos Maria sem suspeitar de nada (capítulo LXXI) e se despede de Sofia à janela com o adeus de mão do costume (capítulo LXXII). Em luto pela tia, diz ter um palpite sobre Rubião e Maria Benedita (capítulo LXXXIII). Ao diretor do banco, que se humilhara diante do ministro, ele restaura a dignidade com mesuras, e é por esses rapapés que o homem ruminará depois (capítulo XCIV, capítulo XCVI).
Quando Rubião assina cinco contos na subscrição de Sofia e lhe pede dez, Palha, que guarda os títulos dele e vê o capital diminuir, aconselha cautela e acaba cedendo (capítulo CVIII). Rubião lhe pede ainda dois contos antes de mandar um brilhante a Sofia (capítulo CXV).
Na volta do paquete, ele diz que há tempos quer falar de coisa importante (capítulo CXXVI), propõe desfazer a sociedade para dirigir um banco, invoca Camacho como argumento e ouve de Rubião que não pague as dívidas (capítulo CXXVIII).
O narrador revela então que o banco não existia: Palha inventou a razão porque a verdade não serviria (capítulo CXXIX). O major se queixa de que os Palha não o convidaram ao aniversário nem ao casamento (capítulo CXXX).
Na cena do joelho de Sofia, ele jura que nada se viu e brinca com a perna dela, orgulhoso de possuí-la (capítulo CXLIV). Minimiza a doença de Rubião quando Dona Fernanda pergunta por que ninguém o trata (capítulo CLVIII), comove-se com o pesadelo de Sofia (capítulo CLXI) e reclama do incômodo de Rubião, mas a mulher insiste (capítulo CLXIV). Instala o amigo e o cão numa casinha da Rua do Príncipe e diz aos que sentem o exílio que o amigo precisa de repouso (capítulo CLXV).
Depois de tardar na promessa, ele interna Rubião com o Dr. Falcão (capítulo CLXXXV); apura três contos e duzentos dos bens dele (capítulo CXCI) e, dias antes do desaparecimento do internado, o acha são, lhe dá cem mil-réis e pede ao diretor que não precipite a alta (capítulo CXCIV).
Joaquim Borba dos Santos, um dos dois Quincas Borba que o título comporta, herdado das Memórias Póstumas de Brás Cubas: o náufrago da existência que ali aparecia mendigo, herdeiro inopinado e inventor de uma filosofia, e que o romance reencontra em Barbacena, em 1867, com um grão de sandice. Inventor de Humanitas, tem Rubião como único amigo e enfermeiro, deixa-lhe tudo no testamento e morre no Rio, em casa de Brás Cubas (capítulo XIII).
Como muda
Em Barbacena, o filósofo cortejara em vão a viúva Piedade, que um pleuris levou; o irmão dela, Rubião, vira seu único amigo e o trata por seis meses (capítulo IV). Ele deu seu nome ao cão Quincas Borba (cão) por razão doutrinária e para sobreviver no nome dele, e diz a Rubião que vai morrer (capítulo V).
Explica Humanitas pela morte da avó, atropelada por uma sege cujo dono tinha fome: não há morte, a guerra conserva, ao vencido ódio ou compaixão, ao vencedor as batatas (capítulo VI).
Exausto, descreve o mundo com elogios que espantam Rubião e pergunta se o outro é seu amigo (capítulo VII). Registra o testamento no tabelião, confia o cão a Rubião e parte para o Rio, chorando pelo cachorro (capítulo VIII).
Do Rio chega uma carta em que ele se diz Santo Agostinho (capítulo X), e nos jornais da Corte Rubião lê a notícia da morte do filósofo, que suportou a doença com filosofia, delirou no fim e deixa muitos bens (capítulo XI). O bilhete de Brás Cubas diz que ele faleceu em casa dele, onde aparecera esfrangalhado e sórdido (capítulo XIII).
O testamento faz de Rubião herdeiro universal com uma só condição: cuidar do cão como se cão não fosse, mas pessoa humana (capítulo XIV).
Depois da morte, o filósofo continua no livro por quatro vias: na lembrança de Rubião, que só entende a alegoria das tribos depois de herdar (capítulo XVIII); na denúncia que tenta anular o testamento por demência dele (capítulo XXV); no cão, onde Rubião cogita que o espírito dele tenha transmigrado (capítulo XLVIII); e na voz que pergunta se Rubião não deveria casar (capítulo LXXIX). No fim, o lema que ele ensinara volta, gritado em Barbacena pelo discípulo, já sem o sentido da alegoria (capítulo CXCV).
O cachorro que Quincas Borba (filósofo) batiza com o próprio nome e confia a Rubião, e que o testamento obriga o herdeiro a tratar como pessoa. Acompanha Rubião de Barbacena ao Rio, vive entre afagos e maus-tratos, é tido por ele como vigia e consolo e talvez como alma do amigo morto, e volta com o dono a Barbacena, onde morre depois dele. O livro divide o título entre os dois Quincas, e no último capítulo (capítulo CCI) o narrador pergunta, sem resolver, qual deles dá o nome ao livro.
Como muda
O filósofo deu ao cão o seu nome por razão doutrinária e para sobreviver no nome dele (capítulo V). Parte para o Rio chorando por ele e o deixa com Rubião (capítulo VIII); o cão sofre a ausência do dono, e na cidade zombam do professor sentinela de cachorro (capítulo IX). Sabida a morte do dono, Rubião decide dá-lo à comadre Angélica, pois a obrigação acabou (capítulo XII), e manda-o de presente com o nome do dono (capítulo XIII).
Quando o testamento revela a cláusula (capítulo XIV), Rubião corre à comadre e o reencontra no cercado, onde o cão o recebe com festa e delírio (capítulo XVII). Em Botafogo, é Rubião quem o solta todos os dias; no jardim, no meio da tentação por Sofia, o narrador descreve o cão que festeja, apanha e perdoa: gosta de ser amado e se contenta de crer que o é (capítulo XXVIII).
Perturbado pelos morangos de Sofia, Rubião chuta o cão (capítulo XXXII); na noite do jardim, em casa, recebe dele a festa de sempre, com um olhar que lembra o do filósofo (capítulo XLIX). Antes, no tílburi, cogitara que cão e filósofo fossem a mesma criatura por transmigração (capítulo XLVIII). Mais tarde, o cão o fita com tom de censura quando Rubião entra na sociedade com Palha, e Rubião ri da suposição, mas lhe coça as orelhas (capítulo LXIX); a voz que aconselha Rubião a casar parece vir dele, ideia que Rubião acha absurda e descarta, mas por via das dúvidas lhe coça a nuca (capítulo LXXIX, capítulo LXXXII).
Em seguida o cão atravessa a loucura do dono: os ganidos dele não despertam Rubião do delírio imperial (capítulo CXLVII), muda-se com ele para a Rua do Príncipe (capítulo CLXV), vive com ele e um criado a quem Rubião dá o título de marquês (capítulo CLXXIX). Quando Rubião é internado, o cão tenta segui-lo e é trancado pelo criado (capítulo CLXXXVII), e na casa abandonada é o cão magro que comove Dona Fernanda (capítulo CLXXXVIII).
Chega com Rubião a Barbacena (capítulo CXCV), vaga sob a tempestade e dorme junto dele ao relento (capítulo CXCVII), e é abrigado com ele pela comadre Angélica (capítulo CXCIX). Depois da morte do dono, adoece, foge atrás dele e amanhece morto na rua (capítulo CCI).
Rapaz lento, frio e superior que come à mesa de Rubião e dança com Sofia. Primo de Dona Fernanda, vê a si mesmo como o centro da admiração alheia e inventa, com a facilidade de quem não se importa, a frase da praia que faz Sofia pensar nele o resto do livro. Casa com Maria Benedita sem tê-la amado antes e, já casado, irrita-se ao ouvi-la dizer que são felizes.
Como muda
Aparece no almoço de domingo de Rubião, onde humilha o parasita Freitas e é respeitado por Rubião, que não ousa rir (capítulo XXIX, capítulo XXXI). Na rua, um rapaz cumprimenta Sofia e ela o reconhece: dançaram num baile, e ele elogiou os olhos e os ombros dela (capítulo LII). Rubião o ouve elogiar Sofia diante do retrato, e Rubião admira a naturalidade com que ele diz aquelas coisas (capítulo LXV, capítulo LXVI).
No baile, valsa com Sofia e se declara, dizendo ter passado uma hora entre o mar e a casa dela (capítulo LXIX). Na cama, reconstrói a cena, ri da mentira, porque nem foi à praia, e conclui que não vale emendar: há bonitos sonetos mentirosos (capítulo LXXIV).
Outras admiradoras fazem Sofia perder importância na fila dele (capítulo LXXV); ele monta bem, e a gente que passa mira o garbo e a tranquilidade régia dele (capítulo LXXVI). A carta que Rubião acha no canteiro é endereçada a ele (capítulo XCIX), e Sofia, ao saber que era a circular da comissão, pensa nele (capítulo CV). O narrador acrescenta uma quarta causa para o fracasso dela: talvez ele tivesse outros amores (capítulo CVII).
Rubião percebe que o noivo de Maria Benedita é ele (capítulo CXVI). Dona Fernanda, na saída da missa, conta ao primo que alguém o adora em segredo e, por fim, que é Maria Benedita; a prevenção dele vira simpatia, e nasce o namoro (capítulo CXX).
Na manhã do casamento, passeia a cavalo e vê na natureza a homenagem nupcial (capítulo CXXII); os noivos casam e, três meses depois, partem para a Europa (capítulo CXXIV). Sofia sonha que ele é morto diante dela (capítulo CLXI). Volta ao Rio com a mulher e se irrita de ouvi-la dizer que são felizes (capítulo CLXIX); a sós, só sorri quando ela pergunta o que ele tem (capítulo CLXX).
Quando Rubião delirante invade a varanda e lhe oferece uma pasta, Maria Benedita não contém o riso (capítulo CLXXI); ele pede à mulher que confesse que o adoraria mesmo como ordenança de ministro e volta à revista inglesa e à estatueta de Narciso, do Museu de Nápoles (capítulo CLXXIII). A filha nasce na Tijuca (capítulo CXC).
Fechamento: perguntas abertas, sem gabarito.