Clavis Libri · Caderno de estudos
William Shakespeare
Um caderno para ler o livro em 2 semanas: o que aconteceu, os temas, as citações, as questões e as perguntas para pensar.
Leia os capítulos da semana e depois responda à seção dela. Cada exercício tem um número; no fim do caderno, o gabarito traz a resposta com o mesmo número.
As perguntas "para discutir" não têm resposta certa: servem para pensar e conversar. As questões de múltipla escolha e a identificação das citações têm.
Semana 1 · Ato I: A rixa e o baile a Ato III: Mercúcio, Teobaldo e o banimento
Ao ler, observe: Repare na pressa com que tudo acontece entre Romeu e Julieta, e em quem tenta frear.
…um par de amantes nascidos sob estrela contrária ganha a vida
…era o rouxinol, e não a cotovia
Por que dois criados se arriscam numa briga que é dos patrões?
Capuleto, a mãe e a Ama reagem de modos diferentes à recusa de Julieta. O que cada reação mostra sobre o lugar dela na casa?
Semana 2 · Ato IV: A poção da morte aparente a Ato V: A tumba e a reconciliação
Ao ler, observe: Repare em como os adultos decidem pelos jovens sem ouvi-los.
…não demores a falar: anseio por morrer, se o que dizes não for um remédio
…vede que flagelo foi lançado sobre o vosso ódio, já que o céu encontra meio de matar as vossas alegrias com o amor!
Julieta diz ao frei que prefere a faca a casar com Páris: o que o frei enxerga nessa disposição, e o que ele faz com ela?
Romeu pede a Páris que fuja, e a luta acontece mesmo assim: o que a peça mostra de cada um nessa cena?
Depois de ler o livro inteiro
Para cada personagem, diga quem é e como muda do começo ao fim do livro.
| Personagem | Quem é | Como muda |
|---|---|---|
| P1 Romeu | ||
| P2 Julieta | ||
| P3 Frei Lourenço | ||
| P4 A Ama | ||
| P5 Mercúcio | ||
| P6 Teobaldo |
Para cada tema, anote dois ou três momentos do livro em que ele aparece e escreva, em poucas linhas, o que o livro diz sobre ele.
Perguntas sobre a obra inteira. Escolha uma e responda num texto de 20 a 30 linhas.
O Prólogo chama os amantes de estrela contrária e, no Ato V, Romeu desafia as estrelas: o que as cenas mostram de decisão e o que mostram de acaso?
Entre as famílias, o Príncipe, o frei e os próprios amantes, quem responde pelo que acontece na tumba?
Frei Lourenço adverte que tropeçam os que correm depressa: a pressa é dos amantes ou do mundo em volta deles?
No Ato I, Capuleto diz que a vontade dele é só parte do consentimento de Julieta; no Ato III, exige obediência. O que mudou entre uma cena e outra?
Por que a reconciliação das casas só chega com a morte dos filhos?
Palavras do livro que podem travar a leitura, explicadas. Para consultar quando aparecerem.
Rainha Mab. Personagem fantástica descrita por Mercúcio como a parteira das fadas. Percorre a noite num carro minúsculo e inspira em quem dorme sonhos conforme o desejo de cada um: os apaixonados sonham com amor, os cortesãos com mesuras, os advogados com honorários. As rodas do carro têm raios de patas de aranha, e a carroceria é uma casca de avelã. Não se sabe se vem do folclore ou foi invenção de Shakespeare.
Mascarado. Pessoa que vai a um baile de máscaras usando máscara e fantasia. Essas festas surgiram no Carnaval do século XV e ficaram famosas em Veneza; no século XVI, eram festejos com fantasias comuns na Itália. O anonimato da máscara permitia esconder a identidade e a posição social dos participantes.
Peregrino. Viajante que faz, em geral a pé, uma jornada a um lugar sagrado. Na Idade Média, os destinos mais comuns eram Roma, Jerusalém e Santiago de Compostela, além de locais ligados a túmulos de santos e a relíquias. A viagem era prática de devoção, e os primeiros peregrinos cristãos a faziam como ascese, confiando na providência divina.
Frei. Tratamento dado a um frade, membro de uma ordem mendicante que faz votos de pobreza, castidade e obediência e vive de esmolas, em geral num convento. Vem do latim frater, irmão. Os franciscanos, fundados por são Francisco de Assis em 1210, e os dominicanos, de 1216, são as grandes ordens mendicantes. Usa-se só antes do primeiro nome: frei João.
Cela. Quarto pequeno, de mobília mínima, usado por um monge, uma freira ou um eremita para morar e rezar. Pode ficar dentro de um mosteiro ou convento, ou ser uma construção isolada. As primeiras celas surgiram no deserto do Egito, em meados do século III, com os primeiros eremitas cristãos. Não tem relação com a cela de prisão.
Duelo. Combate combinado entre duas pessoas com armas iguais, regido por um código de honra: lutava-se para obter satisfação e recuperar a reputação ofendida, não necessariamente para matar. Os primeiros códigos publicados surgiram na Itália renascentista, e a espada, em especial a rapieira, era a arma típica. Era reservado aos homens da nobreza e, mais tarde, aos cavalheiros.
Banimento. Punição que expulsa alguém de sua terra, sem direito de voltar. No direito romano, o exílio podia ser uma alternativa à pena de morte. Nas cidades italianas medievais era sentença comum: o poeta Dante foi condenado ao exílio por Florença em 1302 e, se voltasse sem pagar a multa, podia ser queimado vivo.
Peste. Doença infecciosa causada pela bactéria Yersinia pestis, transmitida sobretudo por pulgas. A Peste Negra devastou a Europa de 1346 a 1353, e a doença esteve presente em algum lugar do continente em todos os anos até 1671. Temendo o contágio, isolava-se o doente: Veneza fixou em 1448 a espera de quarenta dias, origem de quarentena; na Londres de 1665, a casa de um morto de peste era trancada por quarenta dias.
Mântua. Cidade e Estado do norte da Itália, governado pela família Gonzaga a partir de 1328. Tornou-se marquesado em 1433 e ducado em 1530, e como ducado foi um Estado independente, com governo próprio, até 1797. Sob os Gonzaga, foi um dos principais centros de arte, cultura e música do norte italiano.
Boticário. Profissional que preparava e vendia remédios antes de existir o farmacêutico, em estabelecimentos chamados boticas. Fornecia medicamentos a médicos, cirurgiões e pacientes e também vendia venenos, guardados em recipientes de formato especial para evitar acidentes. Foi substituído, com o tempo, pelo farmacêutico e pelo químico.
Gabarito
Antes de qualquer personagem entrar em cena, o Coro conta ao público como a peça termina. Ele apresenta duas famílias de igual nobreza em Verona, cuja velha inimizade volta a sujar de sangue as mãos dos cidadãos, e anuncia que dessas casas nasce um par de amantes de estrela contrária, cuja morte porá fim à discórdia dos pais. Quem assiste não vem saber o que acontece, e sim ver como acontece.
A frase põe a peça sob o signo do destino. "Estrela contrária" sugere um astro hostil aos dois, como se o desfecho já estivesse escrito no céu, e a imagem volta mais tarde: Romeu pressente, a caminho do baile, uma consequência ainda pendurada nas estrelas e, no Ato V, desafia as estrelas ao saber da morte de Julieta. O verbo inglês da frase, "take", também pode ser ouvido como tirar a própria vida, além de receber a vida, isto é, nascer. Pode-se ler nisso um nascimento e uma morte anunciados de uma só vez, embora a tradução acima fique com a primeira possibilidade.
O verso também diz de onde os amantes vêm: eles nascem da rixa, e é a morte deles que a encerra. Tudo o que se vê depois pode ser lido com esta pergunta na cabeça, que o Prólogo deixa aberta: o que ali é obra do céu e o que é obra dos adultos que alimentam o ódio?
Ao amanhecer, depois da noite que passaram juntos, Julieta tenta reter Romeu no quarto. Ele precisa partir para Mântua antes do dia. Ela diz que ainda não é dia: o que ele ouviu foi o rouxinol, ave da noite, e não a cotovia, que canta de manhã. Romeu responde que foi a cotovia, que as nuvens já têm riscos de luz no leste, e que precisa partir para viver ou ficar e morrer.
A cena transforma a luz e a noite em argumento. Enquanto os dois são capazes de acreditar que é noite, ainda estão juntos. O jogo muda no meio da cena: quando Romeu diz que ficará, se ela quiser, Julieta é quem se assusta e manda que vá embora. Quando a luz cresce, a dor cresce junto. É uma das cenas mais famosas da peça, e se pode ver por quê: ela faz de uma questão de pássaros uma questão de vida ou morte.
Há ainda o que vem logo depois. Na despedida, Julieta tem um pressentimento sombrio: diz que, vendo Romeu embaixo, é como se o visse morto no fundo de uma tumba. A frase sobre o rouxinol é o último momento de paz dos dois; em seguida chegam a Senhora Capuleto, a ordem de casar com Páris e a recusa de Julieta. Pode-se ler a cena como o último gesto de um amor em que os dois ainda decidem alguma coisa, antes de a peça empurrá-los de vez para o desfecho.
1.10 a 1.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Na cela de Frei Lourenço, Páris fala do casamento de quinta-feira, e Julieta responde com frases de duplo sentido, dizendo uma coisa a quem ouve e outra a quem sabe. Quando Páris sai, ela fica a sós com o frei e ameaça se matar. A frase citada faz parte dessa cena: ela pede que ele não demore, pois deseja morrer se o que ele disser não for remédio. O frei então propõe a poção que a fará parecer morta por quarenta e duas horas, enquanto uma carta avisa Romeu.
O que se vê nela é uma pessoa que já decidiu e só pede a forma. Julieta não pergunta o que fazer; ela diz que preferiria a faca a casar com Páris e mede o conselho pelo critério de ser ou não remédio. A palavra liga a fala ao símbolo da poção: é ao mesmo tempo o veneno que mata e o remédio que salva, como o frei dizia ao colher ervas no Ato II. O frade enxerga a disposição dela e a usa.
Fica a pergunta de como ele a usa. Pode-se ler que o frei, que antes pedira vagar, encontra na decisão da menina o instrumento para o plano mais arriscado, e que a peça mostra uma Julieta sozinha diante de quem deveria protegê-la: a mãe a abandonou, a Ama aconselhou o que ela não pode aceitar, e o único adulto que a escuta é o que lhe oferece o risco. Ela aceita, e é a partir daí que o ato mostra o quanto isso a isola.
No cemitério, Páris espalha flores na tumba de Julieta; Romeu chega para arrombá-la, e os dois lutam: Páris morre. Romeu o deita no jazigo, beija Julieta e bebe o veneno. Frei Lourenço chega tarde; Julieta acorda, recusa fugir e se mata com a adaga de Romeu. Vêm a guarda, o Príncipe e as famílias, o frei conta tudo, e Capuleto e Montéquio selam a paz. A frase é do Príncipe, dirigida aos dois pais diante dos corpos.
Ele diz que o ódio das famílias recebeu um flagelo, e que o céu achou meio de matar a alegria delas com o amor. A frase põe a culpa no ódio, e a punição vem pelo que mais amavam, os filhos. O Príncipe lê o conjunto como castigo ao ódio das famílias e também à sua própria tolerância com as brigas: na mesma fala, diz que perdeu dois parentes e que todos foram punidos. A frase não absolve ninguém.
Pode-se ler que a peça fecha aqui o que o Prólogo abriu: a morte dos amantes põe fim à discórdia dos pais. A reconciliação chega tarde e em forma de monumento, com a promessa de uma estátua de ouro para cada um dos filhos, e pode-se ler que as casas fazem na morte dos filhos o que não fizeram em vida. A frase do Príncipe deixa a pergunta com quem lê: se esse flagelo vem do céu ou foi construído pelos adultos que alimentaram a rixa, e por que a paz só se faz sobre os corpos dos jovens.
2.10 a 2.12: perguntas abertas, sem gabarito.
Romeu é o filho de Montéquio e chega à peça bem longe do amante que o título promete: o pai conta que ele passa as manhãs no bosque, entre lágrimas e suspiros, e que ao nascer do dia se tranca no quarto, fecha as janelas e faz de si uma noite artificial. A causa é Rosalina, uma mulher que jurou castidade, que ninguém vê em cena e de quem ele fala em paradoxos de poeta. É primo de Benvólio, amigo de Mercúcio e, depois da cela do frei, marido secreto de Julieta.
Como muda
Na cena 1 do Ato I, Romeu aparece depois da briga de rua e responde ao que vê com contradições empilhadas, "amor briguento" e "ódio amoroso". Benvólio arranca dele a confissão: ele ama quem não o aceita e não consegue esquecê-la.
Na cena 2 do Ato I, Benvólio propõe curá-lo com outro rosto, e a lista de convidados que Romeu lê para um criado que não sabe ler traz o nome de Rosalina. Ele aceita ir ao baile, mas só para ver a sua dama brilhar acima de qualquer outra.
Na cena 4 do Ato I, a caminho do baile, recusa-se a dançar e escolhe carregar a tocha. Interrompe o longo discurso de Mercúcio sobre a rainha Mab, dizendo que ele fala de nada, e confessa que o espírito dele pressente uma consequência ainda pendurada nas estrelas, que vai começar com a festa daquela noite.
Na cena 5 do Ato I, vê Julieta e esquece Rosalina. Os dois conversam em versos de peregrino e santa, e ela diz que ele beija pela cartilha. Só depois, pela Ama, ele descobre quem ela é e conclui que a sua vida passou a ser dívida do inimigo.
Na cena 1 do Ato II, pula o muro do pomar dos Capuleto e não responde ao chamado de Benvólio e Mercúcio, que o procuram pela rua. Na cena 2 do Ato II, ouve Julieta lamentar da janela que ele tenha o nome de um Montéquio, revela-se e troca juras com ela. Julieta acha tudo rápido demais, e combinam que, se ele pensa em casamento, responda no dia seguinte, pelo mensageiro que ela enviará às nove, com o lugar e a hora.
Na cena 3 do Ato II, procura o frei ao amanhecer, sem ter dormido, e pede que o case com Julieta no mesmo dia. Diz já ter esquecido Rosalina, e o frei estranha a mudança, lembra que o amor dos moços mora nos olhos e não no coração, mas aceita, na esperança de reconciliar as duas casas, e o manda ir devagar.
Na cena 4 do Ato II, na rua, Romeu devolve trocadilho por trocadilho a Mercúcio, que o saúda por ter voltado a ser ele mesmo, e manda dizer a Julieta, pela Ama, que esteja à tarde na cela de Frei Lourenço; promete uma escada de cordas para a noite. Na cena 6 do Ato II, diante do frei, diz que nenhuma dor anula a alegria de um minuto com ela.
Na cena 1 do Ato III, Teobaldo o chama de vilão, e Romeu, já parente dos Capuleto em segredo, recusa o duelo e diz que o ama mais do que Teobaldo pode imaginar, até que saiba a razão. Mercúcio chama isso de submissão desonrosa e toma o duelo para si; Romeu tenta apartar os dois, e Mercúcio é ferido sob o braço dele. Depois do ferimento de Mercúcio, Romeu culpa a beleza de Julieta por ter amolecido o aço da sua coragem; quando Benvólio traz a notícia da morte, invoca a fúria de olhos de fogo, mata Teobaldo quando este volta e diz ser o bobo da fortuna. O Príncipe Escalo o bane em vez de condená-lo à morte.
Na cena 3 do Ato III, recebe do frei a notícia do banimento e a chama de tortura: não há mundo fora dos muros de Verona.
Romeu rejeita a filosofia que o frade oferece e, quando a Ama conta como Julieta chora, saca a espada contra si mesmo. O frei o repreende e arma o plano: passar a noite com Julieta, partir para Mântua antes do amanhecer e esperar o perdão. Na cena 5 do Ato III, despede-se dela ao amanhecer, entre o rouxinol e a cotovia; Julieta o vê como um morto no fundo de uma tumba, e ele responde que também a vê pálida. Desce e parte.
Na cena 1 do Ato V, em Mântua, acorda de um sonho bom e recebe de Baltasar a notícia de que Julieta morreu. Não há carta do frei. Romeu desafia as estrelas, manda alugar cavalos e vai atrás de um boticário miserável, a quem paga quarenta ducados por veneno, apesar da lei de Mântua que pune essa venda com a morte.
Na cena 3 do Ato V, arromba a tumba dos Capuleto e manda Baltasar embora com uma carta para o pai. Páris o enfrenta, e Romeu pede que fuja. A luta acontece mesmo assim, e Páris cai pedindo para ser deitado ao lado de Julieta. Romeu o reconhece, cumpre o pedido, pede perdão ao corpo de Teobaldo, beija Julieta e bebe o veneno.
Julieta é a filha única de Capuleto e da Senhora Capuleto, ainda sem catorze anos quando a peça começa: a Ama, que a amamentou, jura na cena 3 do Ato I que o aniversário dela cai na véspera do Lammas-tide, a duas semanas e uns dias dali. Já tem pretendente escolhido, Páris, e a primeira resposta que o texto lhe dá é prudente: vai olhar para ver se gosta.
Como muda
Na cena 3 do Ato I, a mãe pergunta o que ela pensa de se casar, e Julieta diz que é uma honra com que ainda não sonha. Quanto a Páris, promete olhar para gostar e não se comprometer além do que o consentimento da mãe permitir.
Na cena 5 do Ato I, dança com um desconhecido e responde em versos de peregrino e santa; quando ele a beija, diz que ele beija pela cartilha. Pergunta o nome dele à Ama e, antes de saber quem é, diz que, se ele for casado, a sua cova será o seu leito de núpcias. Ao descobrir que é um Montéquio, conclui que o seu único amor nasceu do seu único ódio, visto cedo demais sem conhecer e conhecido tarde demais.
Na cena 2 do Ato II, à janela, lamenta que Romeu tenha o nome de um Montéquio e pergunta o que há num nome.
Quando Romeu se revela, ela teme a pressa do pacto, que lhe parece rápido demais, como o relâmpago que acaba antes de alguém dizer que relampejou, e combina que, se ele pensa em casamento, responda no dia seguinte, pelo mensageiro que ela enviará às nove, com o lugar e a hora.
Na cena 5 do Ato II, espera o recado e se desespera porque a Ama leva três horas para voltar e ainda enrola antes de contar. Quando a Ama por fim fala, Julieta corre à cela de Frei Lourenço, e na cena 6 do Ato II os dois dizem que a alegria deles não cabe em palavras, antes de o frei levá-los à igreja.
Na cena 2 do Ato III, espera a noite em que Romeu virá ao seu quarto, e a Ama chega com as cordas e a deixa crer que ele morreu. Ao saber que Romeu matou Teobaldo e foi banido, Julieta o amaldiçoa, corrige-se na hora e conclui que a palavra banido matou dez mil Teobaldos. Manda um anel a Romeu pela Ama.
Na cena 5 do Ato III, tenta reter Romeu ao amanhecer, e na despedida diz ter uma alma de mau presságio, que o vê como um morto no fundo de uma tumba. A mãe aparece falando de vingança e promete mandar envenenar Romeu em Mântua; Julieta responde com frases que a mãe entende num sentido e ela, noutro. Quando a mãe anuncia o casamento com Páris na quinta-feira, Julieta o recusa. Capuleto ameaça deserdá-la, a mãe diz que acabou com ela, e a Ama, depois de defendê-la diante do pai, aconselha a casar com Páris. Julieta jura que dali em diante a Ama e o coração dela serão dois e vai ao frade, decidida a morrer se não houver outro remédio.
Na cena 1 do Ato IV, encontra Páris na cela do frei e lhe responde com frases de duplo sentido. A sós com o frei, mostra uma faca e diz que se mata se não houver remédio; ele propõe a poção que a fará parecer morta por quarenta e duas horas, e ela aceita sem medo. Na cena 2 do Ato IV, volta para casa e, de joelhos, pede perdão ao pai pela desobediência e promete obedecer; Capuleto, aliviado, quer adiantar o casamento para a manhã seguinte, mas a Senhora Capuleto lembra que só será na quinta.
Na cena 3 do Ato IV, pede à Ama e à mãe que a deixem a sós, enumera o que pode dar errado, da poção ser veneno a acordar na cripta antes da chegada de Romeu, vê o fantasma de Teobaldo e bebe, brindando a Romeu.
Na cena 5 do Ato IV, é encontrada morta na manhã das bodas. Na cena 3 do Ato V, acorda na tumba e pergunta ao frei por Romeu; quando ele foge ao barulho da guarda, recusa-se a ir com ele. Encontra o marido morto com a taça na mão, beija os lábios dele na esperança de achar algum veneno, e se mata com a adaga dele.
Frei Lourenço é um frade franciscano de Verona, confessor de Romeu (que o chama de pai espiritual) e de Julieta. Colhe ervas ao amanhecer e sabe que a mesma planta pode dar veneno e remédio. É quem casa os dois, quem arma o plano da poção e quem chega tarde demais à tumba.
Como muda
Na cena 3 do Ato II, medita sobre os poderes e os perigos das ervas quando Romeu aparece, sem ter dormido. Estranha que ele tenha esquecido Rosalina tão depressa e lembra que o amor dos moços mora nos olhos e não no coração, mas aceita casá-los, na esperança de que a união reconcilie as duas casas, e o manda ir devagar.
Na cena 6 do Ato II, antes da cerimônia, pede ao céu que o ato não traga tristeza depois e avisa que os prazeres violentos têm fins violentos, e que o mel mais doce enjoa pelo próprio sabor. Aconselha moderação e leva os dois à igreja.
Na cena 3 do Ato III, conta a Romeu que o Príncipe o poupou da morte e o baniu, e chama o banimento de misericórdia; Romeu o chama de tortura e rejeita a filosofia que o frade oferece. Quando Romeu saca a espada, o frei o repreende (diz que ele tem lágrimas de mulher e fúria de fera) e lista o que lhe resta: Julieta vive, Teobaldo o teria matado e foi morto, a lei que ameaçava de morte o fez exilado. Arma o plano: passar a noite com Julieta, partir antes de a ronda ser posta e ir a Mântua até poder anunciar o casamento e reconciliar as famílias.
Na cena 1 do Ato IV, ouve Páris falar do casamento marcado para quinta-feira e diz, à parte, que gostaria de não saber por que o casamento deveria ser adiado. Julieta ameaça se matar, e ele propõe a poção que a fará parecer morta por quarenta e duas horas, com uma carta para avisar Romeu.
Na cena 5 do Ato IV, quando a casa descobre a noiva morta, consola os pais com palavras sobre o céu e diz que está melhor casada a que morre casada jovem; manda secar as lágrimas e organiza o cortejo, sabendo que ela vive.
Na cena 2 do Ato V, sabe por Frei João que a carta não chegou: o outro frade foi trancado numa casa suspeita de peste. Vê o perigo, pede uma alavanca e vai sozinho à tumba, onde Julieta acordará em poucas horas; pretende escrever de novo a Romeu e escondê-la na cela.
Na cena 3 do Ato V, chega tarde: Romeu e Páris estão mortos. Julieta acorda, e o frei, ouvindo a guarda, a chama para sair, promete entregá-la a um convento de freiras e foge sem ela. A guarda o prende com a alavanca e a pá, trêmulo e a chorar. Diante do Príncipe, conta tudo desde o casamento, diz que a Ama sabe dele e se oferece à lei: o Príncipe responde que sempre o teve por homem santo.
A Ama é quem amamentou Julieta: conta na cena 3 do Ato I que a desmamou no dia do terremoto, onze anos antes, e chama a menina de cordeirinha e de joaninha. É a confidente do casamento secreto e a mensageira entre os amantes.
Como muda
Na cena 3 do Ato I, perde-se em lembranças da infância de Julieta enquanto a mãe tenta falar de casamento, e elogia Páris quando ele é apresentado.
Na cena 5 do Ato I, interrompe o beijo dos amantes para dizer a Julieta que a mãe a chama, e conta a Romeu que a mãe dela é a senhora da casa: é por ela que ele descobre que Julieta é uma Capuleto. Depois, a pedido de Julieta, vai saber o nome do desconhecido e volta com a notícia: Romeu, um Montéquio, filho único do grande inimigo.
Na cena 4 do Ato II, humilhada por Mercúcio na rua, cumpre mesmo assim o recado: avisa Romeu que levar Julieta a um paraíso de tolos seria um comportamento grosseiro, recebe dele a mensagem de que ela esteja à tarde na cela de Frei Lourenço e a ordem de esperar atrás do muro da abadia, onde o criado dele trará as cordas. Na saída, diz que Páris quer Julieta, mas que ela preferiria ver um sapo.
Na cena 5 do Ato II, faz Julieta esperar três horas e enrola antes de dar a resposta, entre queixas das costas e elogios a Romeu, mas por fim a manda à cela de Frei Lourenço, onde a espera um marido, e vai buscar a escada.
Na cena 2 do Ato III, chega com as cordas e, desnorteada, deixa Julieta crer que Romeu morreu. Só depois conta que foi Teobaldo, "o melhor amigo que tive", e que Romeu foi banido. Na cena 3 do Ato III, acha Romeu caído no chão e o manda levantar por Julieta, e entrega o anel.
Na cena 5 do Ato III, avisa os amantes ao amanhecer de que a mãe vem ao quarto. Quando Capuleto ataca a filha, defende Julieta diante dele e ouve do patrão que se cale. Mas, quando Julieta pede consolo, aconselha casar com Páris: Romeu está banido, Páris é mais bonito, Romeu é um pano de prato perto dele. Julieta jura que dali em diante a Ama e o coração dela serão dois.
Na cena 3 do Ato IV, é dispensada para a noite; na cena 5 do Ato IV, é a primeira a encontrar Julieta imóvel na cama, depois de tentar acordá-la com brincadeiras. Sai depois do lamento e não volta à peça: só é citada pelo frei, que diz ao Príncipe que ela sabe do casamento.
Mercúcio é amigo de Romeu e parente do Príncipe Escalo e de Páris, mas não é Montéquio nem Capuleto, embora conste da lista de convidados dos Capuleto no Ato I, cena 2, e a maldição dele cai sobre as duas casas. É a voz mais zombeteira do grupo: faz graça com o amor, com os duelistas de manual e com a Ama, e tem uma resposta pronta até para a própria ferida.
Como muda
Na cena 4 do Ato I, a caminho do baile, tenta tirar Romeu da tristeza com zombaria, dizendo que estão queimando luz. Quando Romeu fala de um sonho, responde com o longo discurso da rainha Mab, a parteira das fadas que visita os sonhos de cada um: o amante sonha com amor, o advogado com honorários, o soldado com degolar estrangeiros. Romeu o interrompe, dizendo que ele fala de nada, e Mercúcio concorda que sonhos são filhos de um cérebro ocioso.
Na cena 1 do Ato II, convoca Romeu pela rua com zombarias grosseiras sobre Rosalina, sem saber que essa paixão já acabou.
Na cena 4 do Ato II, imagina Romeu "já morto, atravessado por um olho negro de moça", e pergunta se um homem assim enfrenta Teobaldo, que mandou um desafio à casa dele; descreve Teobaldo como o capitão das cortesias, que luta como quem canta, seguindo o compasso, e despeja a sua irritação sobre os que se preocupam mais com as formas novas de falar e de esgrimir do que com o essencial. Quando Romeu volta a trocar trocadilhos com ele, Mercúcio o saúda: agora sim é Romeu. Logo depois humilha a Ama com insinuações grosseiras.
Na cena 1 do Ato III, num dia quente, Benvólio quer evitar encrenca, e Mercúcio responde com uma lista de brigas absurdas que o próprio Benvólio já arrumou, por tosse na rua e por sapato amarrado com fita velha. Quando Teobaldo chega, Mercúcio pede uma palavra e um golpe; quando Teobaldo o acusa de andar em companhia de Romeu, responde que companhia é coisa de menestréis e mostra o arco do seu violino: a espada. Teobaldo chama Romeu de vilão, Romeu recusa o duelo, e Mercúcio chama a recusa de "submissão calma, desonrosa, vil" e saca a espada no lugar dele.
Ferido sob o braço de Romeu, que se meteu entre os dois para apartar, diz primeiro que é um arranhão, "não tão fundo quanto um poço nem tão largo quanto a porta de uma igreja, mas basta". Diz que, se perguntarem por ele no dia seguinte, o acharão um homem grave. Pergunta a Romeu por que se meteu entre os dois, e Romeu responde que pensou fazer o melhor. Pede a Benvólio que o leve para dentro de uma casa e repete a praga sobre as duas casas. Morre fora de cena, e é Benvólio quem traz a notícia.
Teobaldo é sobrinho da Senhora Capuleto, chama Capuleto de tio e é primo de Julieta. É o duelista da casa: Mercúcio o descreve como o capitão das cortesias, que luta como quem canta, seguindo o compasso, e o chama de rei dos gatos. Diz odiar a palavra paz como odeia o inferno.
Como muda
Na cena 1 do Ato I, chega à briga quando Benvólio já está tentando apartar os criados, desafia-o. Benvólio diz que só mantém a paz, e Teobaldo responde que odeia a palavra como odeia o inferno, todos os Montéquio e o próprio Benvólio; a briga começa; o Príncipe Escalo ameaça de morte quem perturbar de novo as ruas.
Na cena 5 do Ato I, reconhece pela voz um Montéquio e quer matá-lo ali mesmo; Capuleto pergunta se é o jovem Romeu, e Teobaldo confirma. Capuleto o contém, elogia Romeu e chama Teobaldo de menino atrevido, e Teobaldo sai jurando que a intrusão de agora, doce na aparência, vai virar fel. Na cena 4 do Ato II, manda um desafio à casa de Romeu.
Na cena 1 do Ato III, procura Romeu na praça e o chama de vilão, e Romeu recusa o duelo. Quando Mercúcio toma o desafio para si, Teobaldo o fere com um golpe sob o braço de Romeu e foge. Volta logo depois, com Mercúcio morto, e é morto por Romeu.
A morte dele define as cenas seguintes. Na cena 2 do Ato III, a Ama o chama de o melhor amigo que teve, e Julieta, que chora o primo, conclui que o marido vive e que a palavra banido pesa mais. Na cena 4 do Ato III, Capuleto marca o casamento de Julieta com Páris em festa pequena, por respeito ao morto. Na cena 3 do Ato IV, Julieta, sozinha com o frasco, imagina o corpo de Teobaldo ainda fresco na tumba e vê o fantasma dele procurando Romeu. Na cena 3 do Ato V, ao deitar Páris no jazigo, Romeu fala com o corpo de Teobaldo: pergunta que favor maior poderia lhe fazer do que, com a mesma mão que o matou, cortar a vida do inimigo dele, e lhe pede perdão.
Fechamento: perguntas abertas, sem gabarito.