Quem foi
Romancista francês que assinava com pseudônimo. Detestava a cidade natal e a família burguesa em que cresceu, admirava Napoleão e amou a Itália a ponto de pedir que o epitáfio o chamasse de milanês.
Vida e obra
Entrou para o exército napoleônico ainda jovem, passou pela Itália em 1800 e acompanhou a campanha da Rússia em 1812. Com a queda do Império, viveu em Milão, depois em Paris, escrevendo crítica, viagens e o ensaio Do Amor (1822), com a teoria da "cristalização", o desejo que cobre o objeto amado de qualidades que ele não tem.
O Vermelho e o Negro saiu em 1830, inspirado num processo criminal real lido nos jornais. No ano seguinte, Stendhal tornou-se cônsul da França em Civitavecchia, nos Estados Pontifícios, e lá escreveu boa parte do que veio depois; A Cartuxa de Parma (1839) nasceu numa longa licença em Paris. Morreu em Paris, em 1842, pouco lido em vida. Dizia escrever para os leitores de 1880, e acertou.
Por que ler
Stendhal analisa a ambição e o amor com uma frieza quase clínica e uma ironia que não poupa ninguém. Escreve seco, de propósito: dizia ler o Código Civil para não cair no ornamento. O resultado é um retrato da França da Restauração em que cada carreira tem preço.