Durante a Primeira Guerra e até 1922, sim, e de forma declarada. Depois disso Mann passou a defender a república e, nos anos 1930, tornou-se um dos adversários mais conhecidos do nazismo. A resposta honesta é que ele foi conservador numa fase e mudou de posição, sem renegar por completo o que escrevera.
No começo da guerra, Mann escreveu que o conflito foi sentido como purificação e libertação. Em Considerações de um apolítico (1918), livro de 500 a 600 páginas, conforme a fonte, defendeu a "cultura" alemã contra a "civilização" ocidental, tratou a democratização como estranha à natureza alemã e polemizou com o irmão Heinrich, de posição mais liberal.
A virada pública veio em 1922. Depois do assassinato do ministro das Relações Exteriores Walther Rathenau por extremistas de direita, em 24 de junho, Mann fez a conferência "Sobre a república alemã", pedindo que os intelectuais apoiassem a República de Weimar. A Wikipédia em português o descreve como um "republicano da razão" (Vernunftrepublikaner). Em 17 de outubro de 1930, em Berlim, fez o "Apelo à razão", em que condenou o nazismo. Em 1933 saiu da Alemanha e não voltou a morar lá, e a partir de outubro de 1940 falou aos alemães por transmissões mensais da BBC. A Fundação Konrad Adenauer resume o trajeto: ele se tornou o mais importante defensor da democracia entre os escritores alemães e, nos Estados Unidos, abandonou as últimas dúvidas sobre sua posição anterior. A Montanha Mágica foi escrita nesse intervalo, entre 1912 e 1924, e a Wikipédia observa que as ideias de Mann sobre política e humanismo mudaram durante a escrita.
A virada não foi um corte limpo. Segundo a Wikipédia em inglês, Mann nunca desautorizou por completo o livro de 1918, que via como etapa importante da sua formação, e o livro não foi traduzido para o inglês enquanto ele viveu, o que, segundo um estudioso citado pela Wikipedia em inglês, foi intencional.
No Clavis: A Montanha Mágica.