Resumo da cena
Cláudio e Gertrudes recebem no salão Rosencrantz e Guildenstern, amigos de infância de Hamlet, e pedem que fiquem na corte, distraiam o príncipe e descubram o que o aflige, com a promessa de uma recompensa digna de um rei. Cláudio diz que não imagina outra causa para a transformação dele além da morte do pai. Os dois aceitam e observam que os reis poderiam simplesmente ordenar. Em seguida Polônio anuncia que os emissários enviados à Noruega voltaram com sucesso e que ele descobriu a verdadeira causa da loucura de Hamlet. Cláudio diz ansiar por ouvir a explicação, e Gertrudes comenta que talvez a causa principal seja a morte do pai e o casamento apressado dela. Polônio pede que antes entrem os emissários. Voltimand e Cornélio contam que o rei da Noruega, ao saber que o sobrinho Fortimbrás armava tropas, mandou sustá-las, descobriu que iriam contra a Dinamarca e o repreendeu. Fortimbrás jurou nunca atacar Cláudio, e o tio, contente, lhe deu uma renda anual de três mil coroas e autorização para usar as mesmas tropas contra os poloneses. O rei norueguês pede agora que esse exército possa atravessar o território dinamarquês, em carta que traz as condições de segurança e pagamento. Cláudio diz que lerá com calma e responderá depois.
Polônio, depois de um longo rodeio em que elogia a concisão sem conseguir ser conciso, afirma que Hamlet enlouqueceu de amor por Ofélia, filha dele. Lê uma carta de amor que o príncipe escreveu a ela, com os versos "Duvida que as estrelas sejam fogo, / Duvida que o sol tenha luz e calor; / Duvida da verdade como um jogo, / Mas não duvides, nunca, do meu amor". Conta que mandou a filha trancar-se e recusar visitas, presentes e intermediários e que, repelido, Hamlet caiu na tristeza, depois na falta de sono, na fraqueza e por fim na loucura. Como prova, propõe soltar Ofélia diante de Hamlet numa galeria, enquanto ele e o rei espiam atrás de uma tapeçaria; se o príncipe não a amar e mesmo assim estiver louco, Polônio deixará o cargo de conselheiro. Hamlet entra lendo, e os reis se retiram para deixá-lo com Polônio. O príncipe o chama de peixeiro, diz que ser honesto neste mundo é ser um homem entre dez mil, pergunta se ele tem uma filha e o aconselha a não deixá-la andar ao sol, e diz que lê "palavras, palavras, palavras", insultando os velhos. Polônio comenta que há lógica naquela loucura e sai decidido a organizar o encontro com Ofélia.
Rosencrantz e Guildenstern chegam, e Hamlet os recebe com alegria. Diz que a Dinamarca é uma prisão, que nada é bom ou mau a não ser pelo pensamento e que poderia viver numa casca de noz como rei dos espaços infinitos, não fossem seus pesadelos. Percebe que foram chamados e consegue que confessem que os reis os mandaram buscar. Então diz que perdeu toda a alegria, que a terra lhe parece um promontório estéril e o céu uma mistura de vapores, e que o homem, tão admirável, já não o agrada. Ao ver os dois sorrirem, ouve de Rosencrantz que, se é assim, os atores terão má acolhida: são os trágicos da cidade que ele costumava ouvir, e vêm oferecer seus serviços. Hamlet afirma que está louco só para o noroeste e que, quando o vento sopra do sul, sabe distinguir um falcão de uma garça. Ao entrar Polônio, finge loucura de novo, chama-o de Jefté, o juiz de Israel que teve uma filha única e a amava muito, e Polônio entende que ele ainda fala de Ofélia. Hamlet recebe os atores e pede a um deles uma fala sobre Pirro, soldado grego, e Príamo, rei de Troia. O ator recita como Pirro, de espada erguida sobre o velho rei, hesita um instante antes de golpeá-lo, e depois chega a Hécuba, mulher de Príamo, correndo e chorando pelo palácio em chamas. Hamlet o interrompe, pede a Polônio que acomode bem os atores, pois são a crônica do tempo, e diz que, se cada um fosse tratado como merece, ninguém escaparia da chibata. Pede ao chefe da trupe a peça O assassinato de Gonzago para aquela noite, com uma fala de doze ou dezesseis linhas que ele escreverá. Sozinho, chama-se de escravo e canalha: o ator chorou por Hécuba, que nada lhe é, enquanto ele, com o pai assassinado, nada faz. Depois se contém e planeja fazer os atores encenarem diante do rei algo parecido com a morte do pai, para observar sua reação, porque teme que o espectro seja um demônio com o rosto querido e quer provas mais certas do que a palavra do fantasma.
Análise
Assinatura
A análise completa de cada ato de Hamlet está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.