Resumo da cena
Dois coveiros cavam a cova de Ofélia, que se afogou, e discutem se quem procura a própria morte merece enterro cristão. O primeiro, pernóstico, argumenta que quem entra na água por vontade própria é responsável pelo ato, e o segundo admite que, se ela não fosse nobre, seria enterrada fora do ritual cristão. O primeiro lamenta que os poderosos tenham o privilégio de se afogar e enforcar mais que os outros cristãos. Cantando, ele joga caveiras para fora da cova. Hamlet e Horácio, que se aproximam, imaginam de quem seriam: de um político, de um cortesão, de um advogado, de um dono de terras. Hamlet conclui que a morte iguala todos, pois cada homem herda no fim apenas o próprio caixão.
Hamlet pergunta ao coveiro para quem é a cova, e ele responde com jogos de palavras que o príncipe admira. O coveiro diz que começou no ofício no dia em que o rei Hamlet venceu Fortimbrás, o mesmo em que nasceu o príncipe, e que Hamlet, mandado à Inglaterra por estar louco, não será notado lá, onde os homens são tão loucos quanto ele. Mostra então uma caveira que ficou vinte e três anos na terra: é a de Yorick, o bobo da corte, que uma vez derramou uma garrafa de vinho do Reno na cabeça do coveiro. Abalado, Hamlet a segura e lembra que Yorick o carregou nas costas mil vezes. Pergunta à caveira onde estão as piadas e as canções dela e pede que vá dizer à mãe dele que, por mais pintura que use, chegará a essa aparência. Pergunta a Horácio se Alexandre, o Grande, também estaria assim na terra e imagina as cinzas dele tapando um barril de cerveja.
Chega o cortejo de Ofélia, com o rei Cláudio, a rainha Gertrudes, Laertes e poucos cortesãos, e Hamlet e Horácio se escondem. O sacerdote explica que, por ordem do rei, concedem apenas guirlandas e o toque do sino, pois a morte foi duvidosa e, sem a ordem real, ela receberia pedras e cascalho. Laertes, indignado com os ritos mínimos, manda que a deitem na terra, para que dela brotem violetas, e diz ao padre que a irmã será um anjo quando ele estiver uivando. Hamlet entende que é Ofélia. Gertrudes joga flores e diz que desejava vê-la casada com seu filho. Laertes amaldiçoa quem a privou da razão e salta na cova; Hamlet se revela, "Hamlet, o Dinamarquês", e pula atrás dele. Lutam até serem separados. Hamlet diz que amou Ofélia mais que quarenta mil irmãos, pergunta a Laertes o que ele faria por ela e se retira. Cláudio diz que Hamlet está louco, pede a Gertrudes que o vigie e lembra a Laertes a conversa do dia anterior.
Análise
Hamlet chega ao cemitério com Horácio e fica tomado pela morte: as caveiras que o coveiro joga igualam poderosos e mendigos, e a de Yorick, o bobo do pai, faz da morte algo que ele conheceu. No cortejo de Ofélia, a acusação de Laertes o tira do esconderijo: quer recusar a culpa e mostrar que a amava, apresenta-se como "Hamlet, o Dinamarquês", como se nomeia um rei, e perde o controle ao pular na cova.
Oh, pobre Yorick! Eu o conheci, Horácio, um sujeito de graça infinita e imaginação fabulosa.
(V.1)
Assinatura
A análise completa de cada ato de Hamlet está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.