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A Morte de Ivan Ilitch

Discussões

Perguntas abertas que a novela deixa, para levar à aula, ao grupo de leitura ou para pensar sozinho.

Capítulos I a III: O velório e a vida

No gabinete cada colega pensa primeiro na promoção; no velório Piotr Ivánovitch se benze, consola a viúva e termina a noite no carteado. O que cada um desses gestos de decoro poupa a ele?

Gerássim é o único que, no velório, fala da própria morte junto com a do morto. Por que essa frase cabe ao criado, e a nenhum dos colegas?

Ivan Ilitch esquece os atos da juventude que lhe davam nojo, e no casamento se refugia no serviço quando a vida em casa deixa de ser agradável. O que os dois movimentos têm em comum?

O narrador diz que Ivan Ilitch casou por gosto e porque os de cima aprovavam a escolha, e se recusa a ficar com uma só das razões. Por que ele faz questão de juntá-las?

Ivan Ilitch acha a casa nova única, e o narrador mostra que ela é igual às de toda a gente que quer parecer rica. O que ele precisa não ver para ser feliz nela?

A queda na escada é contada no meio da decoração e esquecida em seguida pelo próprio Ivan Ilitch. O que muda na leitura desse episódio para quem já viu, no capítulo I, como a vida dele termina?

Capítulos IV a VII: A doença e a mentira

Ivan Ilitch reconhece no médico o ar que ele próprio assumia diante dos réus. O que ele descobre de si ao estar, pela primeira vez, do lado de quem espera a resposta?

Prascóvia Fiódorovna diz aos conhecidos que o marido não segue o tratamento e atormenta a família. O que essa versão da doença lhe permite não ver?

Ivan Ilitch passa a tarde tentando fixar o rim e a noite corrigindo o apêndice pela imaginação. O que o nome do órgão lhe garantia, e o que ele perde quando deixa de pensar no órgão?

O silogismo de Caio é correto e Ivan Ilitch nunca o contestou. Por que as lembranças da infância servem a ele de prova contra uma conclusão que ele próprio aceita?

A sala de visitas, que tapava a ideia da morte enquanto ele arrumava o álbum, a revela quando a mulher fala em se machucar. O que os biombos que ele procura têm em comum com a vida que levou?

Ivan Ilitch quer gritar que parem de mentir e nunca o faz, e diante de Shebek é ele quem representa. O que o impede de quebrar a mentira que o atormenta?

A força e a saúde dos outros ofendem Ivan Ilitch, e as de Gerássim o acalmam. O que Gerássim faz, ou deixa de fazer, que os outros não fazem?

Capítulos VIII a XII: A morte

Na cena antes do teatro todos se calam ao mesmo tempo ao olhar para Ivan Ilitch, e é Lisa quem rompe o silêncio. O que o silêncio ameaçava revelar, e a quem?

Na noite do capítulo IX, Ivan Ilitch ouve que o tribunal vem aí e responde que não é culpado. Que lugar ele ocupa agora no tribunal em que sempre esteve do lado de quem julga, e que lugar ele se recusa a ocupar?

A voz da alma pergunta se ele viveu mesmo bem e agradavelmente, e as alegrias se desfazem quanto mais perto do presente. Por que só as lembranças da infância resistem?

Ivan Ilitch sorri ao recusar a ideia de que viveu errado, como se alguém pudesse ver o sorriso e ser enganado. Para quem é esse sorriso, se ele está sozinho de rosto para a parede?

A comunhão traz a Ivan Ilitch alívio e esperança, e a pergunta da mulher, se não está melhor, os desfaz. O que a pergunta dela tem que a comunhão não tinha?

Lisa pergunta à mãe de que elas têm culpa, e o livro não responde. O que Lisa vê e o que não vê na raiva do pai?

No fim, Ivan Ilitch descobre que ainda se pode fazer aquilo e, perguntando-se o que é, se acalma sem responder. O que ele faz em seguida pode ser lido como a resposta?

Os presentes ouvem o fim de uma agonia de duas horas, e para Ivan Ilitch tudo aconteceu num instante. O que a novela ganha ao contar a mesma morte dos dois lados?

A obra inteira

O livro começa pelo velório e só depois conta a vida. O que o leitor vê na biografia dos capítulos II e III que não veria se ela viesse primeiro?

Ivan Ilitch reconhece no médico famoso o ar que ele mesmo assumia diante dos réus. O que a doença lhe ensina sobre o ofício que exercia?

A mentira de que ele está só doente o atormenta, e ele mesmo representa diante de Shebek. Quem mente a quem na casa dos Golovin?

Gerássim é o único que fala da morte sem rodeio, do velório ao terceiro mês. Por que o livro dá essa fala a um criado de copa, e não a um colega ou à família?

O que prende Ivan Ilitch no saco preto é a certeza de que a vida dele foi boa. Por que a defesa da vida correta impede a passagem?

Ao cair no buraco, ele diz que ainda se pode fazer aquilo, pergunta o que é aquilo e se cala. O gesto que vem em seguida responde à pergunta?

A confissão e a comunhão trazem alívio e esperança, e a pergunta da mulher os desfaz. Que peso o livro dá ao rito, e que peso dá à pena que ele sente no fim?

O narrador chama a vida de Ivan Ilitch de a mais comum e a mais terrível. O livro acusa um homem ou descreve uma classe?