Vale ler Machado de Assis porque ele conta histórias sobre vaidade, interesse, ciúme e medo de perder o lugar que continuam reconhecíveis, e as conta com uma voz que não se parece com a de outros autores. Muitos o consideram o maior escritor brasileiro de todos os tempos, e estudiosos o colocam entre os grandes romancistas e contistas do mundo.
Escritores e críticos de fora do Brasil o elogiaram: o crítico Harold Bloom o incluiu entre os cem maiores gênios da literatura, Salman Rushdie, Carlos Fuentes e Woody Allen manifestaram entusiasmo por sua ficção, e Susan Sontag defendeu sua reputação. Influenciou autores como Carlos Drummond de Andrade e Graciliano Ramos, no Brasil, e o português José Saramago.
Há também uma razão histórica. Segundo Sidney Chalhoub, o funcionário e o escritor compartilhavam uma visão crítica da elite escravista, e a obra de Machado, de Helena a Dom Casmurro, acompanha a crise do paternalismo no Império. Tudo isso vem de alguém que, segundo a professora Maria Augusta da Costa Vieira (USP), nunca saiu do país, nem sequer do próprio estado.
Quem nunca leu pode começar por um conto, como O Alienista ou Missa do Galo, ou por Memórias Póstumas de Brás Cubas, em que um defunto narra a própria vida e trata o leitor com desembaraço.
No Clavis: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba.