Quem foi
Nasceu no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, filho de um pintor de paredes e de uma lavadeira açoriana, e perdeu a mãe ainda menino. Não frequentou universidade: aprendeu o ofício de tipógrafo, passou à revisão e ao jornalismo, e fez carreira de funcionário público no ministério da Agricultura. Casou-se em 1869 com Carolina Augusta Xavier de Novais, companheira de trinta e cinco anos. Em 1897 fundou a Academia Brasileira de Letras e foi o primeiro presidente dela. Morreu no Rio em 1908, quatro anos depois da mulher, sem praticamente ter saído da cidade.
A obra
Escreveu de tudo: poesia, teatro, crônica, crítica, cerca de duzentos contos e nove romances. Os primeiros romances seguem o gosto da época; a partir de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de 1881, vem a fase que o consagrou, com Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memorial de Aires, e os contos e novelas como O Alienista.
Por que se lê
Machado escreve sobre a sociedade do Rio no Segundo Reinado, mas o que interessa a ele é o que move as pessoas por baixo das boas maneiras: o interesse, a vaidade, o medo de perder o lugar. O narrador conversa com o leitor, ironiza, se interrompe, e deixa a cada um a tarefa de julgar o que viu. Quincas Borba mostra um homem honesto e ingênuo que herda dinheiro e uma filosofia, e é devorado pelos amigos; O Alienista, a ciência que, confiante no próprio método, acaba internando a cidade inteira.