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Perguntas · Machado de Assis

Qual é a ironia de Machado de Assis?

A ironia de Machado de Assis é a de um narrador que fala com polidez e deixa o leitor perceber outra coisa por baixo: o interesse, a vaidade e o medo de perder o lugar que movem seus personagens. Em vez de condenar abertamente, ele expõe, e quem julga é o leitor.

Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, o livro é dedicado "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver". No capítulo XVII, o narrador conta que Marcela "amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos", e o amor passa a ter preço. Em Quincas Borba, o filósofo resume sua doutrina em "ao vencedor, as batatas", e o romance mostra o que essa frase custa a quem a ouve com boa-fé.

Ela aparece também nas crônicas. Em "Bons Dias!", de 19 de maio de 1888, o narrador é um senhor de escravos que se gaba de ter libertado um jovem e continua a tratá-lo a pontapés: o alvo da sátira é o narrador, não o autor.

Estudos definem a ironia literária como questionamento. O narrador irônico duplica o ponto de vista, o do personagem envolvido na cena e o do narrador que a observa de longe, e por isso pode rir também de si mesmo.

No Clavis: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba.

Fontes

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