A obra de Aluísio Azevedo se caracteriza pelo método naturalista, a observação do meio e do corpo à maneira de Émile Zola, com o exemplo português de Eça de Queirós ao lado, e por um olho de desenhista, formado nos anos em que foi caricaturista. Os romances dele trabalham por quadros, multidões vistas de fora e figuras marcadas por um traço físico.
Essa matéria é a vida baixa do Rio de Janeiro, que ninguém tinha posto em romance antes, e é ela que, na leitura de Otto Maria Carpeaux, salva os romances e os faz também documento de sociologia histórica. O Cortiço é o exemplo mais claro: a estalagem nasce da lama como coisa viva e a multidão que mora ali pesa tanto quanto qualquer personagem.
Aluísio escreveu em duas frentes, os folhetins de enredo movimentado, pagos por capítulo, e os romances de observação do meio, e foi um dos raros escritores brasileiros a tentar viver só da literatura. Carpeaux o chama de "pouco original", "um Zola ou antes um Mirbeau do Rio de Janeiro", mas diz que os romances dele sugerem até hoje a impressão de "cheios de vida".
No Clavis: O Cortiço.