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Perguntas · Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

Por que Dostoiévski foi condenado à morte?

Dostoiévski foi condenado à morte em 1849 por participar do círculo de Petrachévski, um grupo que discutia o socialismo francês e a libertação dos servos na Rússia de Nicolau I. As acusações foram ter lido em voz alta e feito circular a carta proibida de Bielínski a Gógol, não ter denunciado um texto subversivo de Grigóriev e participar de conversas sobre imprimir e distribuir obras contra o governo numa litografia caseira.

Desde 1847 ele frequentava as reuniões de sexta-feira de Mikhail Petrachévski e se juntou a um grupo menor e mais radical, em torno de Nikolai Spiéchniev, que planejava montar uma gráfica clandestina. Um agente da polícia infiltrado registrou as últimas reuniões, e Dostoiévski foi preso na madrugada de 23 de abril de 1849. Passou oito meses na fortaleza de Pedro e Paulo.

Em 16 de novembro, o tribunal civil-militar condenou ao fuzilamento quinze acusados, ele entre eles. O tsar Nicolau I comutou as penas, mas mandou que a comutação só fosse anunciada no último instante. Em 22 de dezembro de 1849, pelo calendário russo, na praça Semiónovski, os condenados vestiram as mortalhas, os três primeiros foram amarrados aos postes, e só então o rufar dos tambores anunciou o indulto. Dostoiévski, ex-oficial, reconheceu o toque antes dos outros; um companheiro enlouqueceu ali mesmo. Naquela noite escreveu ao irmão que a vida era uma dádiva e que renasceria. A pena ficou em quatro anos de trabalhos forçados, seguidos de serviço como soldado.

As fontes divergem na contagem: uma registra quinze condenados à morte pelo tribunal; outra escreve que Nicolau condenou Dostoiévski, Petrachévski e catorze outros, ou seja, dezesseis. Entre uma e outra, a Auditoria-Geral considerou que todos os réus deveriam ter sido condenados à morte, e foi ao tsar que coube comutar as penas.

Fontes

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