Não existe uma frase oficial, e a mais bonita é escolha do leitor, mas três passagens sobre o amor merecem ser lidas: o fim de Crime e Castigo, a ideia do amor ativo e a definição do inferno pelo stárets Zósima, em Os Irmãos Karamázov.
A primeira é do Epílogo de Crime e Castigo. Raskólnikov, na Sibéria, cai chorando aos pés de Sônia, e o narrador diz: "O amor os ressuscitou: o coração de um encerrava fontes infinitas de vida para o coração do outro." É a frase em que o livro troca a teoria pela vida, mas o Evangelho de Sônia fica fechado e a renovação é remetida a uma nova história que o romance não conta. Por isso ela sustenta duas leituras: a de que o amor basta, ou a de que o livro só o anuncia.
A segunda é de Zósima a uma senhora que diz amar a humanidade, mas confessa que deixaria de amar diante da ingratidão de quem cuida. Em tradução nossa, ele diz que "o amor ativo, comparado ao amor sonhado, é coisa dura e assustadora", e que o amor ativo "é trabalho e perseverança". É bonita porque não consola.
A terceira é a pergunta que Zósima faz a si mesmo, o que é o inferno, e a resposta dele: "O sofrimento de já não poder amar". Quem procura consolo ficará com a primeira passagem; quem prefere a lucidez, com as outras duas.
No Clavis: Crime e Castigo.
Fontes
- Wikipedia (inglês): Crime and Punishment
- Wikisource (russo): Crime e Castigo, Epílogo, capítulo II (texto original)
- Wikisource (russo): Os Irmãos Karamázov, Livro II, capítulo IV (texto original)
- Wikisource (russo): Os Irmãos Karamázov, Livro VI, capítulo III (texto original)
- Wikipedia (inglês): The Brothers Karamazov