Homero e Hesíodo são os dois grandes poetas da Grécia arcaica, e os gregos os citavam juntos. Hesíodo viveu na Beócia, por volta de 700 a.C., e compôs no mesmo hexâmetro e na mesma língua épica de Homero, mas com outro propósito. Em vez de narrar heróis e guerras, a Teogonia conta a origem dos deuses e do mundo, do Caos até o reinado de Zeus, e Os Trabalhos e os Dias trata do trabalho no campo e da justiça.
O historiador Heródoto, no século V a.C., dá a fórmula que fixou a dupla: Hesíodo e Homero viveram uns quatrocentos anos antes dele, e foram eles que fizeram para os gregos a genealogia dos deuses, deram aos deuses os seus nomes, repartiram entre eles as honras e as artes e mostraram as suas formas. A religião grega, nesse sentido, devia aos dois poetas a sua imagem dos deuses.
Por isso a filosofia os atacou juntos. Xenófanes acusou os dois de atribuir aos deuses roubo, adultério e engano, e Platão, na República, censura os mitos que Hesíodo e Homero contaram sobre os deuses.
A tradição antiga chegou a imaginar um duelo entre eles, o Certame de Homero e Hesíodo, em que os dois competem num concurso de poesia. Na lenda, o público prefere Homero, mas o rei dá a vitória a Hesíodo, porque ele canta a agricultura e a paz, e não a guerra e a matança.