Não há data certa. A maioria dos estudiosos situa Homero no século VIII a.C., por volta de 750 a.C., e a Odisseia talvez um pouco depois da Ilíada. Heródoto, no século V a.C., dizia que Homero tinha vivido uns quatrocentos anos antes dele. A guerra que os poemas narram seria bem anterior: a Troia destruída que as escavações identificaram é datada por volta de 1200 a.C.
Período homérico é o nome que os historiadores dão aos séculos que vão da queda dos palácios micênicos, por volta de 1200 a 1100 a.C., até o século VIII a.C. Também é chamado de Idade das Trevas grega, porque a escrita dos palácios, o Linear B, se perdeu, as cidades encolheram e o comércio diminuiu. A sociedade se organizava em torno das famílias e dos chefes locais, e muito do que se imagina dela vem dos próprios poemas, daí o nome.
No fim desse período, no século VIII a.C., a Grécia se reergue: os gregos adaptam o alfabeto dos fenícios, nascem as cidades-estado, começa a colonização do Mediterrâneo e são contados os primeiros Jogos Olímpicos, em 776 a.C. É nesse mundo que os poemas ganham a forma que conhecemos.
Por isso a Ilíada e a Odisseia misturam épocas. Guardam memórias do mundo micênico, como Micenas rica em ouro e o elmo de dentes de javali, e as cobrem com costumes do tempo do poeta, séculos depois.