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Perguntas · William Shakespeare

É difícil ler Shakespeare?

Para a maioria dos leitores, é, pelo menos no começo, e não adianta prometer o contrário. A dificuldade não está em ideias inalcançáveis, e sim na língua e na forma: Shakespeare escreveu para o palco, há mais de quatrocentos anos, num inglês de outra época.

A Folger Shakespeare Library, que edita as peças, aponta o que pesa. Algumas palavras sumiram e outras mudaram de sentido: affected queria dizer "ter preferência por" e owes queria dizer "possui". A ordem das palavras é muitas vezes invertida, com o objeto antes do verbo, como em "Him I hit". Interrupções longas separam o sujeito do verbo, palavras são omitidas, os trocadilhos têm duplo sentido e as metáforas ficam escondidas. A isso se soma a forma: boa parte dos diálogos está em verso branco, decassílabos sem rima.

A Folger recomenda ler como um ator: repetir as falas até achar o sentido, consultar o dicionário, e, quando uma frase trava, reagrupar as palavras na ordem normal do inglês e imaginar a cena a partir das indicações de palco. Para quem lê em português, o conselho prático é parecido: uma edição com explicações ao pé da página, uma cena por vez, e depois assistir à peça encenada.

Para começar, vale escolher uma peça de enredo que você já conhece, como Romeu e Julieta ou Macbeth, e deixar Hamlet, a peça mais longa de Shakespeare, para depois. O objetivo das primeiras leituras é acompanhar a história; o resto vem com a repetição.

No Clavis: Romeu e Julieta, Macbeth, Hamlet.

Fontes

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