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Macbeth

Contexto

A época em que a obra foi escrita, de onde veio a história e o que isso muda na leitura.

Quando e para quem a peça foi escrita

William Shakespeare escreveu Macbeth por volta de 1606 para a sua companhia de atores, que desde 1603 se chamava Homens do Rei. O novo patrono era Jaime I, que em 1603 herdara a coroa da Inglaterra de Elizabeth I e já reinava na Escócia, como Jaime VI. Pela primeira vez, o mesmo homem governava os dois países, e uma peça sobre um rei escocês e sobre quem sucede a quem tocava num assunto que lhe interessava de perto. A companhia encenava no teatro do Globo, em Londres. O registro mais antigo de uma apresentação é de 1611: o médico Simon Forman, que a viu no Globo, anotou a cena das bruxas e a do fantasma no banquete (cena 4 do Ato III).

Um rei ameaçado e a fé nas bruxas

Em novembro de 1605, a Conspiração da Pólvora tentara explodir o Parlamento com o rei dentro, e matar um rei era, para aquela plateia, o crime dos crimes. O julgamento do padre jesuíta Henry Garnet, em 1606, tornou famoso o debate sobre falar de modo ambíguo para esconder a verdade, e o Porteiro do castelo de Macbeth faz piada com isso: imagina à porta do castelo um jesuíta que jurava dos dois lados e, mesmo com suas evasivas, não conseguiu entrar no Céu (cena 3 do Ato II).

O próprio Jaime levava a bruxaria a sério. Em 1590 e 1591, na Escócia, mulheres foram julgadas por supostamente provocar tempestades contra o navio em que ele voltava da Dinamarca, e em 1597 ele publicou um tratado sobre feitiçaria, a Daemonologie. Quando uma das bruxas da charneca promete atormentar o navio de um marinheiro com tempestades (cena 3 do Ato I), a plateia reconhecia um medo do seu tempo, e não só uma fantasia de teatro.

De onde veio a história

A fonte principal foi a Crônica da Inglaterra, Escócia e Irlanda, de Raphael Holinshed, na edição de 1587. Macbeth existiu: reinou na Escócia de 1040 a 1057. Os registros históricos mais antigos contam que Duncan morreu em combate, e não dormindo, e que Macbeth foi derrotado e morto, anos depois, por Malcolm, filho de Duncan. Na Escócia daquele tempo, o sucessor costumava ser escolhido entre os parentes do rei, e não era certo que o filho herdasse, o que ajuda a entender por que Macbeth reage à nomeação de Malcolm como herdeiro (cena 4 do Ato I).

Shakespeare mudou o que convinha ao seu público. Em Holinshed, Banquo ajuda Macbeth no crime; na peça, ele desconfia das bruxas e morre sem trair o rei. A razão é política: a tradição escocesa fazia de Banquo o antepassado da família Stuart, a de Jaime. Na cena em que as bruxas mostram a Macbeth uma fila de reis descendentes de Banquo, o último traz um espelho, e alguns carregam dois orbes e três cetros, o que muitos leitores entendem como a união das coroas de Inglaterra e Escócia (cena 1 do Ato IV).

Há ainda figuras reais na história inglesa. O rei Eduardo, que acolhe Malcolm e cura doentes com o toque (cena 3 do Ato IV), reinou de 1042 a 1066, e a ele se atribuía o rito do toque real, que reis ingleses continuaram a praticar. O general Siward, que traz o exército inglês, também foi um conde de verdade, que invadiu a Escócia em 1054.

O texto que chegou até nós

Macbeth só foi impresso em 1623, no Primeiro Fólio, o volume que dois colegas de Shakespeare organizaram sete anos depois da morte dele, e não há edição anterior. É uma das tragédias mais curtas do autor. Muitos estudiosos acreditam que partes do texto, como a cena em que Hécate repreende as bruxas (cena 5 do Ato III), foram acrescentadas depois da primeira versão, por outro dramaturgo.

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