Cena I: As bruxas marcam o encontro
Resumo da seção
Em meio a trovões e relâmpagos, As Bruxas combinam o próximo encontro: depois do fim da batalha, antes do pôr do sol, no pântano, onde vão se deparar com Macbeth. Cada uma atende ao chamado de seu bicho, e a cena termina com um verso em coro que mistura o belo e o podre.
Análise
Todas as bruxas:O belo é podre, e o podre, belo sabe ser; / Ambos pairam na cerração e na imundície do ar.
Para discutir A peça abre com as bruxas falando de Macbeth antes de ele aparecer: o que isso muda na maneira como o encontramos depois?
Cena II: O relato da batalha
Resumo da seção
No acampamento perto de Forres, Duncan e o filho Malcolm ouvem de um Capitão ferido que Macbeth e Banquo derrotaram o rebelde Macdonwald e resistiram ao ataque dos noruegueses. Ross e Angus trazem o resto: o Barão de Cawdor traiu o reino e lutou ao lado do inimigo. Duncan o condena à morte e dá o título a Macbeth.
Análise
O que ele perdeu, o nobre Macbeth ganhou.
(I.2)
Cena III: A profecia na charneca
Resumo da seção
Na charneca, As Bruxas falam de vinganças miúdas, até que um tambor anuncia Macbeth e Banquo. Elas saúdam Macbeth como Barão de Glamis, de Cawdor e futuro rei, prometem a Banquo filhos reis e somem. Ross e Angus chegam e nomeiam Macbeth Barão de Cawdor. Banquo desconfia da verdade parcial, e Macbeth, perturbado, já imagina um assassinato.
Análise
Bruxas:Menos importante que Macbeth, e mais poderoso. [...] Filhos teus serão reis, embora tu não o sejas.
Para discutir Banquo avisa que os instrumentos do mal às vezes dizem a verdade para trair no que importa: como Macbeth lida com esse aviso?
Cena IV: Duncan nomeia o herdeiro
Resumo da seção
No palácio, Malcolm conta que o antigo Cawdor morreu arrependido. Duncan recebe Macbeth e Banquo com agradecimentos e promessas, nomeia Malcolm Príncipe de Cumberland e anuncia que irá a Inverness, o castelo de Macbeth. Em aparte, Macbeth vê no título do príncipe um degrau em seu caminho e pede às estrelas que escondam a luz.
Análise
Macbeth:Estrelas, escondam o seu brilho; não permitam que a luz veja meus profundos e escuros desejos.
Para discutir Duncan diz que não há arte de ler o caráter no rosto e, em seguida, agradece a Macbeth e o cobre de promessas: o que a cena sugere sobre como o rei julga os homens à sua volta?
Cena V: A carta e a invocação
Resumo da seção
Em Inverness, Lady Macbeth lê a carta em que o marido conta o encontro com as bruxas. Acha a natureza dele boa demais para o caminho curto até a coroa. Ao saber que Duncan dormirá ali, invoca espíritos para que a esvaziem de piedade. Quando Macbeth chega, ela assume o comando: ele deve parecer inocente e deixar com ela o plano da noite.
Análise
Lady Macbeth:Vinde vós, espíritos que sabem escutar os pensamentos mortais, liberai-me aqui de meu sexo e preenchei-me, da cabeça aos pés, com a mais medonha crueldade, até haver ela de mim tomado conta. [...] Vinde vós aos meus seios de mulher e sugai meu leite, que agora é fel, vós, espíritos servis e assassinos, seja onde for que, em vossa invisível matéria, atendeis às vis turbulências da Natureza.
Para discutir Lady Macbeth descreve o marido como ambicioso, mas bom demais para o atalho: que imagem de Macbeth a cena nos dá, vinda só dela?
Cena VI: Duncan chega ao castelo
Resumo da seção
Diante do castelo, Duncan elogia o ar agradável do lugar, e Banquo nota as andorinhas que fazem ninho ali, sinal de ar delicado. Lady Macbeth recebe o rei com palavras de humildade e serviço, e ele, que pergunta pelo anfitrião, deixa-se conduzir por ela para dentro.
Análise
Este Castelo tem localização das mais aprazíveis. O ar daqui é revigorante e doce, atraente aos nossos sentidos humanos.
(I.6)
Cena VII: A decisão do casal
Resumo da seção
Num aposento do castelo, Macbeth pesa o assassinato: Duncan é seu parente, seu rei e seu hóspede, e só a ambição o empurra. Quando Lady Macbeth chega, ele recua. Ela o acusa de covardia, desafia sua virilidade e expõe o plano: embebedar os camareiros e pôr neles a culpa. Macbeth se convence e decide esconder o que sabe o coração atrás de uma cara serena.
Análise
Macbeth:Imploro-te, paz! Atrevo-me a fazer tudo o que é próprio de um homem. Quem se atreve a mais, homem não é.
Para discutir Macbeth diz que se atreve a tudo o que é próprio de um homem, e Lady Macbeth responde que ele era mais homem quando propôs o plano: o que cada um entende aqui por ser homem?
Tema central
Análise
A peça não espera para mostrar o que o encontro com as bruxas provoca. Na Cena III, logo depois de a primeira promessa se cumprir com o título de Cawdor, Macbeth fala de um pensamento que acolhe um assassínio ainda fantasioso e que o deixa paralisado, e se pergunta se a Sorte poderia coroá-lo sem que ele precisasse agir. O crime nasce como imagem, antes de qualquer pressão de fora.
Banquo e Macbeth ouvem a mesma profecia e a leem de modo oposto. Banquo desconfia de que o mal ofereça verdades pequenas para trair nas grandes, e Macbeth, ao saber da nomeação de Malcolm, passa a ver o herdeiro como um obstáculo que ele deve pisar. A profecia não fala em matar, e é ele quem completa o raciocínio.
Lady Macbeth faz o que Macbeth não faz: dá nome ao que ele deseja. Na carta, descreve o marido como alguém que quer a grandeza, mas sem a maldade que ela exige, e na Cena VII, quando ele recua dizendo que o rei o honrou, responde com um único argumento, o de que recuar é ser covarde. Ele não cede por ter sido refutado, e sim por ter sido envergonhado.
O ato está cheio de aparências que cobrem outra coisa. O belo que é podre, o Cawdor que parecia cavalheiro e era traidor, as roupas emprestadas, o castelo de ar doce onde o rei vai dormir, a cara serena que esconde o coração falso. Duncan acabou de dizer que não se lê o caráter no rosto e entra, de braços abertos, na casa de quem planeja matá-lo.