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Macbeth · Ato III

O rei dominado pelo medo

Cena I: Macbeth encomenda a morte de Banquo

Resumo da seção

Banquo desconfia de que o novo rei jogou sujo para chegar ao trono, mas guarda a esperança de que a profecia sobre seus descendentes também se cumpra. Macbeth o convida para o banquete da noite e fica sabendo que ele cavalga com o filho Fleance. Sozinho, admite que a profecia o corrói e convence dois assassinos ressentidos com a vida a matar pai e filho ainda esta noite.

Análise

Macbeth: Se assim for, pelos herdeiros de Banquo aviltei-me! Em prol da causa deles assassinei o nobre Duncan! Rancores derramei no cálice de minha paz, tão-somente por eles [...]
Macbeth

Cena II: O casal e a serpente ferida

Resumo da seção

Lady Macbeth manda chamar o marido, e os dois admitem que a coroa não trouxe paz: ela insiste que o que está feito está feito, ele responde que só feriram a serpente e que já não dorme sem pesadelos. Macbeth pede que a esposa trate Banquo com especial deferência, mas esconde o plano e só anuncia um ato terrível antes do fim do dia.

Análise

Macbeth: O que fizemos foi cortar talhos na serpente; não a matamos. [...] Melhor seria estar com os mortos a quem nós, sequiosos de uma paz nossa, mandamos para a paz eterna, do que deitar com essa tortura da mente, num êxtase inquieto.
Macbeth

Para discutir Macbeth esconde o plano de Lady Macbeth e pede que ela fique inocente até aplaudir: o que isso mostra sobre o lugar de cada um no casal agora?

Cena III: O ataque no caminho do palácio

Resumo da seção

Num parque junto à estrada do palácio, três assassinos esperam ao anoitecer, o terceiro mandado pelo próprio Macbeth. Banquo chega a pé com Fleance, que leva uma tocha, e comenta que vai chover. Os assassinos o atacam, e Banquo morre depois de mandar o filho fugir. A luz se apaga, Fleance escapa, e os assassinos saem para contar só a metade do que fizeram.

Análise

Foge, meu bom Fleance, foge, foge, foge! Poderás me vingar. (III.3)

Cena IV: O banquete e o fantasma de Banquo

Resumo da seção

No salão, o primeiro assassino avisa Macbeth, à porta, que Banquo está morto numa vala, mas que Fleance escapou. De volta à mesa, Macbeth vê o fantasma de Banquo sentado em seu lugar, que os convidados não enxergam. Lady Macbeth tenta acobertar o ataque e o repreende por covardia, até despachar os nobres. Sozinho com ela, ele nota a ausência de Macduff e decide procurar As Bruxas de novo.

Análise

Macbeth: Então voltam os meus piores temores. Do contrário, eu estaria em perfeita segurança, íntegro como o mármore, sólido como uma rocha, tão livre e liberado como o ar que nos circunda. Agora, porém, estou confinado, coibido, contido, amarrado por dúvidas intrusas, encurralado em pavorosas suspeitas.
Macbeth

Para discutir Só Macbeth vê o fantasma de Banquo: que explicações a cena deixa abertas para isso?

Cena V: Hécate repreende as bruxas

Resumo da seção

No pântano, entre trovões, Hécate repreende As Bruxas por terem tratado com Macbeth sem a chamar, e por servirem alguém que ama os próprios fins, e não a elas. Manda que a encontrem ao amanhecer no Aqueronte, onde Macbeth virá. Promete preparar ilusões que o levem a desprezar o Destino e a confiar demais em si mesmo, e sai, chamada por seu espírito.

Análise

a excessiva confiança é o maior inimigo do homem (III.5)

Cena VI: Lennox fala nas entrelinhas

Resumo da seção

Em algum lugar da Escócia, Lennox comenta com outro lorde, em tom irônico, a versão oficial das mortes de Duncan e de Banquo, que deixa Macbeth bem na história, e chama-o de tirano. Conta que Macduff caiu em desgraça por faltar ao banquete. O lorde responde que Macduff foi à Inglaterra pedir ao rei Eduardo apoio a Malcolm, e que Macbeth já prepara a guerra.

Análise

Para discutir Lennox elogia Macbeth em frases que dizem o contrário: o que ele consegue dizer assim, e o que não poderia dizer abertamente?

Tema central

Análise

O ato abre com um rei que tem tudo e não tem segurança. Macbeth diz que carregar a coroa não é nada, e que o importante é carregá-la em segurança, e Lady Macbeth diz, sozinha, que nada se ganha quando o desejo é satisfeito sem contentamento. A conquista do Ato II não fechou nada: o crime exige outro crime, e o medo passa a ser o motor de Macbeth, com Banquo e a profecia sobre os filhos dele como alvo.

Os papéis do casal se invertem. No começo da peça é Lady Macbeth quem empurra e Macbeth quem hesita, e aqui ele decide sozinho, contrata assassinos e pede à esposa que preserve a ignorância até aplaudir o feito. Ela, por sua vez, repete fórmulas de consolo, "o que está feito está feito".

O plano passa a ser só dele, e ela, que no banquete ainda conduz a cena e despacha os nobres, fica à margem do que ele decide.

O banquete dá corpo à culpa. Macbeth vê Banquo no lugar dele, e os convidados não veem nada. Lady Macbeth tenta apagar a cena chamando-a de pintura do medo e perguntando se ele é homem, a mesma pergunta que usou para empurrá-lo ao primeiro crime. Quando os lordes saem, Macbeth admite estar atolado em sangue a ponto de não poder recuar nem avançar e decide ir às bruxas pelos piores meios, o que prepara a queda.

As cenas finais mudam o ponto de vista. Hécate promete que a confiança excessiva o perderá, e Lennox mostra que a corte já entendeu o que aconteceu e só não pode dizê-lo. Macbeth acredita que controla o tempo, e a peça passa a mostrar que o mundo ao redor já se organiza contra ele, entre sobrenatural e política.