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O Idiota

Contexto

A época em que a obra foi escrita, de onde veio a história e o que isso muda na leitura.

Um romance escrito fora da Rússia

O Idiota foi escrito no exterior, por um autor que fugia de credores. Segundo a biografia de Joseph Frank, o casal deixou a Rússia em abril de 1867, quando os credores já tinham aberto um processo que podia levar Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski à prisão por dívida, numa viagem planejada para três meses que durou quatro anos. Quando começou a procurar o romance seguinte, ele já devia quatro mil rublos a Katkov, o editor do Mensageiro Russo, e pedia empréstimos pessoais a Apollon Máikov. Durante a composição o casal mudou de residência cinco vezes, passando por Genebra, Vevey, Milão e Florença, e os sete primeiros capítulos saíram no Mensageiro Russo em janeiro de 1868. O romance saiu em folhetim em 1868 e 1869.

A ideia: um homem positivamente belo

Frank conta que Dostoiévski descartou em 4 de dezembro um primeiro rascunho inteiro e passou duas semanas fazendo seis planos por dia, até fixar a ideia central numa carta à sobrinha Sofia Ivánova.

Na carta, ele resume a ideia como retratar um homem positivamente belo, admite que se lançou ao romance como quem aposta na roleta, esperando que a ideia amadurecesse durante a escrita, e se acusa por isso.

Entre os precedentes literários que ele cita para essa figura estão Dom Quixote e Mr. Pickwick, que funcionam por serem ridículos, e o risco que assumia era escrever um homem bom sem esse escudo cômico. Frank chama O Idiota de romance mais pessoal de Dostoiévski, o único em que ele narra por dentro do personagem principal a experiência do pelotão de fuzilamento simulado.

A morte de Sofia

Em Genebra nasceu e morreu a primeira filha do casal, Sofia. Frank dá as datas: ela nasceu em 5 de março de 1868, foi batizada em 4 de maio e morreu de uma inflamação pulmonar em 12 de maio, com menos de três meses, depois de pegar frio num passeio recomendado pelo próprio médico.

Numa carta escrita depois da morte da filha, Dostoiévski diz que aquele ser de três meses já era para ele uma pessoa, recusa o consolo de que terá outros filhos e pergunta onde está a criança pela qual teria aceitado ser crucificado.

O Holbein de Basileia

Instalados em Genebra, os dois visitaram o museu de Basileia, e Anna Grigórievna registrou o impacto de uma tela de Hans Holbein, o Cristo morto (1521-1522), a mesma que reaparece na sala de Rogójin (capítulo IV da Segunda Parte).

aqui toda a compleição [de Cristo] é macilenta, as costelas e os ossos estão à mostra, as mãos e os pés crivados de chagas, todas azuladas e inchadas, como um cadáver em decomposição.
Joseph Frank

O pelotão de 1849 e a epilepsia

O condenado que Míchkin descreve no almoço dos Iepántchin (capítulo V da Primeira Parte) tem um modelo no autor. Em 22 de dezembro de 1849, na praça Semiónovski, Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski vestiu a mortalha com os outros condenados do círculo de Petrachévski, e o indulto do tsar só foi anunciado depois que os três primeiros já estavam amarrados aos postes. A epilepsia que Míchkin carrega também é do autor: na volta do casamento de 1857, ele teve uma crise que o médico diagnosticou como epilepsia.

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