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O Idiota · Quarta Parte

O desfecho

Resumo da parte

O fio que atravessa esta parte é a compaixão do príncipe posta à prova até o fim, e o que ela faz com as pessoas em volta. Nos quatro primeiros capítulos, a história do general Ívolguin funciona como um pequeno modelo do romance: um velho que roubou, mente para não se ver e cai no instante em que ia confessar, tratado pelo príncipe com uma delicadeza que alivia e, ao mesmo tempo, o humilha. Depois o livro se volta para o noivado com Aglaia, que se faz e se desfaz na mesma noite (o ouriço, o pedido em público, o pedido de desculpas), e para a reunião em que o príncipe, convencido de estar entre amigos, fala do Cristo russo, quebra o vaso que temia quebrar e cai num ataque diante da sociedade. O centro da parte é o encontro das duas mulheres: Aglaia e Nastácia Filíppovna exigem que ele escolha, e ele não escolhe; fica com a que mais sofre. A partir daí tudo corre para o fim: o casamento marcado por compaixão e não por desejo, a fuga da noiva no adro da igreja, a noite em que o príncipe e Rogójin velam juntos o corpo de Nastácia Filíppovna, e a palavra do título, dita pelo médico suíço que o recebe de volta.

Capítulo I: A casa dos Ívolguin em crise

Resumo do capítulo

Uma semana depois da conversa no banco verde, o narrador para a história para falar das pessoas "comuns", as que formam a maioria de qualquer sociedade e que o romancista não pode deixar de fora sem ferir a verossimilhança. Divide-as em dois tipos: as limitadas, que se julgam originais sem hesitar e por isso são mais felizes, e as "bem mais inteligentes", que desconfiam da própria mediania e não se conformam. É nesse segundo grupo que põe Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin, a irmã Varvara Ardaliónovna Ívolguina e o marido dela, Ptítzin. Vária volta da casa dos Iepántchin com a notícia de que o príncipe é noivo formal de Aglaia, e a conversa entre os irmãos mostra por que Gánia a perdeu: calculou onde o cálculo afastava. A crise da casa vem do pai, o general Ívolguin, que anda fora de si há uma semana e, ao que parece, roubou os quatrocentos rublos de Liébediev, e que entra furioso na sala, seguido da família inteira, quando Gánia e Vária falavam de Hippolit.

Análise

умный «обыкновенный» человек, даже если б и воображал себя мимоходом (а пожалуй, и во всю свою жизнь) человеком гениальным и оригинальнейшим, тем не менее сохраняет в сердце своем червячка сомнения, который доводит до того, что умный человек кончает иногда совершенным отчаянием; если же и покоряется, то уже совершенно отравившись вогнанным внутрь тщеславием., o homem "comum" inteligente, mesmo que de passagem (e talvez pela vida inteira) se imaginasse um homem genial e originalíssimo, ainda assim guarda no coração um vermezinho de dúvida, que o leva a ponto de às vezes acabar no completo desespero; e, se se resigna, é já inteiramente envenenado pela vaidade recalcada.

O retrato explica o que move Gánia em toda a parte: ele não sofre por ser medíocre, sofre por saber disso e não aceitar. Daí o lema que repete a si mesmo (se é para ser canalha, que seja até o fim) e o recuo de sempre na hora do salto, porque é inteligente demais para o gesto louco e honesto demais para a baixeza grande. O narrador conta também que ele devolveu ao príncipe os cem mil queimados e depois se arrependeu mil vezes, ainda que se envaidecesse disso.

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Capítulo II: A maldição do general

Resumo do capítulo

Hippolit está há cinco dias na casa de Ptítzin, aonde Gánia o trouxe calculando que o rapaz o ajudaria contra o príncipe, e já se sente melhor: tosse menos e engordou. O general, que há três dias nem bebe, entra exigindo que Ptítzin escolha entre ele e aquele "parafuso" que lhe fura a alma e quer fazê-lo crer no ateísmo. Hippolit explica que o velho veio lhe falar de um certo capitão Ieropiegov e que ele só disse em voz alta que talvez esse capitão nunca tivesse existido. Gánia confirma, sem rodeios, que não existiu, e o general, que já suportou ofensas muito piores, desaba.

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Capítulo III: O general procura o príncipe

Resumo do capítulo

O narrador volta alguns dias para explicar a crise do general Ardalion Alieksándrovitch Ívolguin. Em outros tempos, uma explosão dessas terminaria em nada: o velho brigava, pedia um respeito impossível, sumia de casa e voltava arrependido para Nina Alieksándrovna, que o perdoava calada. Desta vez todos parecem saber de alguma coisa e temer dizê-la. Na véspera da conversa que o general pediu ao príncipe, dois homens lhe pedem o que não podem dizer: o general, que o aborda aos prantos falando de respeito e de direitos, e Liébediev, que conta ter achado a carteira, deixado-a onde o velho a achasse e, ao vê-la sumir e reaparecer no próprio casaco, passado a exibi-la diante dele. O príncipe acalma o general com uma frase oca e faz Liébediev entregar-lhe o dinheiro, pedindo que o velho apenas perceba que a carteira já não está na aba, e fica preocupado com a hora do destino. O narrador desiste de explicar tudo pelas causas:

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Capítulo IV: O pajem de Napoleão

Resumo do capítulo

No dia marcado, o príncipe se atrasa e encontra o general à espera, transformado: contido, digno, de quem tomou uma decisão. Ele devolve um livro com um artigo de memórias de um soldado sobre os franceses em Moscou, que chama de mentiroso, e anuncia que deixou a casa de Liébediev, porque o amigo teve o desplante de lhe dizer que perdera uma perna em 1812, ainda criança, e a enterrara no cemitério de Vagánkovo com lápide e missa anual. O motivo da ofensa aparece logo: Liébediev respondia assim à história do próprio general, a de que fora pajem de Napoleão Bonaparte. O príncipe se atrapalha, e o general, condescendente, conta tudo: aos dez anos, em Moscou, furou a multidão, cruzou o olhar com Napoleão, virou pajem de câmara, ouviu de noite o choro e os gemidos do imperador, aconselhou-o a voltar para casa e a escrever a Josefina, e recebeu dele, no álbum da irmã, o conselho de nunca mentir. O príncipe, para escapar do rubor, elogia a ideia de que a verdade às vezes parece impossível:

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Capítulo V: O ouriço e o pedido de Aglaia

Resumo do capítulo

O narrador corrige Vária: ela exagerou a certeza do noivado, talvez para envenenar um pouco mais o coração do irmão, porque nos Iepántchin só havia insinuações. Mas é verdade que todos ali tiveram de repente a mesma ideia, a de que se decidia o destino de Aglaia Ivánovna Iepántchina, e todos juraram que já sabiam desde o cavaleiro pobre. Ielisavieta Prokófievna Iepántchina não consegue sequer formular a pergunta: o príncipe é bom ou não presta? Para ela é um idiota doente, sem posição nem posto, e o que mais a aflige é o próprio coração, que lhe pergunta o que falta a ele. Ivan Fiódorovitch Iepántchin acha, entre reticências, que o nome do príncipe sustentaria um nome de família em decadência; Alieksandra Ivánovna Iepántchina diz que o príncipe nunca foi bobo. Lisavieta Prokófievna corre a Petersburgo consultar a velha Bielokónskaia, madrinha de Aglaia, que a trata com desdém, acha que fizeram de uma mosca um elefante e lembra que o príncipe sustenta uma amante abertamente.

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Capítulo VI: A véspera da reunião solene

Resumo do capítulo

Os Iepántchin marcam para a noite seguinte uma reunião pequena, de "amigos da casa", para apresentar o noivo à velha princesa Bielokónskaia, que logo deixará a cidade: os pais, incapazes de decidir sozinhos se há algo de estranho no casamento, querem que a sociedade receba o príncipe das mãos da protetora poderosa, onde qualquer estranheza pareceria menor. Todos na casa temem a impressão que Liev Nikoláievitch Míchkin vai causar e supõem que ele, por simplicidade, não percebe; ele percebe, mas o que o abate é Aglaia Ivánovna Iepántchina, cada vez mais sombria e caprichosa. Quando ele diz que gostaria de rever Ievguiêni Pávlovitch Radomski, ela sai da sala irritada; tarde da noite, ao acompanhá-lo, pede que só venha quando os convidados chegarem, zomba das palavras de colégio que ele usa, pede que quebre o vaso chinês da mãe, e por fim avisa:

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Capítulo VII: O discurso e o vaso quebrado

Resumo do capítulo

Enquanto olha Aglaia conversar com o príncipe N. e com Ievguiêni Pávlovitch, Liev Nikoláievitch Míchkin ouve um velho anglófilo, Ivan Petróvitch, pronunciar o nome de Pavlischov, o benfeitor que o criou. Ivan Fiódorovitch Iepántchin, que quer mostrar o noivo às pessoas importantes, apresenta os dois: Ivan Petróvitch é primo das senhoras que cuidaram do príncipe em menino, lembra-se dele doente, lembra que a mais velha o surrava e a mais nova o mimava. O príncipe se exalta de gratidão, ri de si mesmo como do idiota que foi, e de repente ouve que Pavlischov, no fim da vida, largou tudo para se converter ao catolicismo e quase virar jesuíta, por influência de um abade Gourot. O dignitário idoso atribui casos assim ao cansaço e à elegância da pregação romana. O príncipe responde que o catolicismo é uma fé não cristã, e não para mais:

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Capítulo VIII: As duas rivais frente a frente

Resumo do capítulo

Liev Nikoláievitch Míchkin acorda depois do ataque com o pressentimento de que algo definitivo acontecerá naquele dia. Vera Liébedieva chora ao vê-lo, e ele lhe beija a mão, comovido pela compaixão da moça. Nikolai Ardaliónovitch Ívolguin exige saber o que lhe escondem, e o príncipe lhe conta o roubo do pai com toda a delicadeza: talvez o que mata o velho seja o horror da própria falta, de que nem todos seriam capazes. Kólia rompe por dentro com Gánia, Vária e Ptítzin e se oferece ao príncipe como servo fiel. Os Iepántchin passam para visitá-lo a mando de Ielisavieta Prokófievna Iepántchina, que, mudando de caminho no passeio, decide entrar porque ele está doente e não é um estranho, diga Aglaia o que disser.

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Capítulo IX: Duas semanas de boatos

Resumo do capítulo

Passam-se duas semanas, e o narrador admite que vai se limitar a expor os fatos, porque em muitos casos ele mesmo não consegue explicá-los. Já no começo de julho, Pávlovsk inteira conta uma anedota: um príncipe que fez escândalo numa casa honrada, renegou a noiva e vai casar em público com uma mulher perdida. A versão mais aceita é a dos mexeriqueiros sensatos: o príncipe, meio tolo e niilista, teria quebrado de propósito o vaso e insultado os dignitários para provar que não há mulheres perdidas nem virtuosas, só a mulher livre. O casamento está mesmo marcado: Liev Nikoláievitch Míchkin entregou os preparativos a Lukian Timofêievitch Liébediev e a Keller, que será o seu padrinho, enquanto Burdovski será o de Nastácia Filíppovna; foi ela quem quis a pressa, e ele consentiu como se lhe pedissem uma coisa comum.

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Capítulo X: O casamento interrompido

Resumo do capítulo

O casamento se apressa, e acontece cerca de uma semana depois da visita de Ievguiêni Pávlovitch; corria o boato de que a visita fora inspirada pelos próprios Iepántchin, que não iriam além dessa tentativa. Vera Liébedieva chora às escondidas e quase não aparece. Nikolai Ardaliónovitch Ívolguin enterra o pai. Na véspera, Nastácia Filíppovna oscila entre a vitória sobre Aglaia e o medo do mal que fará ao príncipe; na manhã do casamento, sai pálida da casa onde se vestiu, corre para o meio da multidão e agarra as mãos de Rogójin, pedindo que a leve embora. Avisado na igreja, o príncipe aceita a fuga como sintoma do estado dela e não se diz traído, recebe em casa os curiosos como amigos e, à noite, combina com Vera o trem das sete: de manhã parte para Petersburgo sem dizer a ninguém o que vai fazer.

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Capítulo XI: A noite ao lado do corpo

Resumo do capítulo

Às nove da manhã, Liev Nikoláievitch Míchkin toca a campainha de Parfen Semeónovitch Rogójin em Petersburgo. A criada da mãe diz que ele não está; o zelador diz que está, depois que viajou para Pávlovsk. Da calçada em frente, o príncipe tem a impressão de ver o rosto de Rogójin na fresta de uma persiana branca. Vai então ao antigo apartamento de Nastácia Filíppovna Barachkova, na casa de uma viúva de professor, onde ninguém a viu e onde a família inteira, sabendo do casamento, o recebe como a um prodígio; vai à casa de uma alemã amiga dela, que brigou com ela; volta três vezes à casa de Rogójin, que não abre. Hospeda-se no mesmo hotel onde teve o ataque semanas antes e, à noite, pede para ver os quartos de Nastácia Filíppovna:

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Capítulo XII: Conclusão, o que restou

Resumo do capítulo

A viúva do professor corre a Pávlovsk e assusta Dária Alieksêievna; as duas recorrem a Lukian Timofêievitch Liébediev, e Vera conta o que sabe. Na manhã seguinte, por volta das onze, o apartamento de Parfen Semeónovitch Rogójin é aberto diante da polícia, de Liébediev, das senhoras e do irmão dele, Semion Semeónovitch, depois que o zelador declara ter visto o patrão entrar às escondidas com um visitante. Os fios do livro se fecham: Rogójin, depois de dois meses de febre, é condenado a quinze anos de trabalhos forçados; Hippolit morre; Aglaia se casa com um falso conde polonês e cai nas mãos de um confessor católico; e o príncipe, devolvido ao sanatório de Schneider, na Suíça, já não reconhece os Iepántchin, que o visitam e choram por ele.

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