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O Idiota · Primeira Parte

A chegada

Resumo da parte

Em um só dia, um homem sem dinheiro, sem posição e sem malícia entra em três casas (a do general Iepántchin, a dos Ívolguin, a de Nastácia Filíppovna) e em todas é chamado de idiota. Em todas também encontra uma negociação em curso: Totski quer comprar a liberdade de casar com setenta e cinco mil rublos, Gánia aceita uma noiva que despreza pelo dote, o general leva pérolas a uma mulher que não é a sua, Rogójin sobe o lance de dezoito para cem mil. Liev Nikoláievitch Míchkin é o único que não dá preço a nada. Ele lê rostos (o retrato, as filhas do general, a mulher que toma por lacaio) e diz o que vê, e a franqueza produz primeiro riso, depois confissão. A parte inteira caminha para a festa de aniversário, onde a mulher que todos negociam tira de cada um o seu papel, recebe do príncipe uma proposta de casamento, queima o dinheiro de Rogójin diante do homem que ia se casar com ela pelo dinheiro, e parte com o comprador. A pergunta que fica é a que a própria Nastácia formula ao sair: se a compaixão de quem não pede nada pode salvar alguém que se julga culpada.

Capítulo I: No trem

Resumo do capítulo

Numa manhã úmida de fins de novembro, o trem de Varsóvia chega a Petersburgo, e num vagão de terceira classe dois jovens viajam frente a frente desde a madrugada. Um é Liev Nikoláievitch Míchkin, louro, de capa suíça sem mangas e polainas, imprópria para o inverno russo, com uma trouxinha que guarda tudo o que tem: volta depois de mais de quatro anos na Suíça, onde se tratava de uma doença nervosa, uma espécie de epilepsia, que não foi curada; o benfeitor que pagava o tratamento, Pavlischov, morreu, o médico o sustentou do próprio bolso, e ele vem procurar a esposa do general Iepántchin, parente distante que não respondeu à sua carta, porque não conhece mais ninguém na Rússia. O narrador o apresenta pelo olhar:

Análise

Глаза его были большие, голубые и пристальные; во взгляде их было что-то тихое, но тяжелое, что-то полное того странного выражения, по которому некоторые угадывают с первого взгляда в субъекте падучую болезнь, os olhos dele eram grandes, azuis e fixos; havia no olhar algo de quieto, mas pesado, algo cheio daquela expressão estranha pela qual alguns adivinham, à primeira vista, o mal caduco no sujeito.

O narrador põe a doença no olhar antes de lhe dar nome, e esse olhar quieto e pesado é o que os outros vão ler em Míchkin o dia inteiro: uns verão um doente, outros alguém que vê longe demais. A descrição prepara a reação do vizinho, que o mede com o riso de quem se diverte com a desgraça alheia e acaba se afeiçoando a ele.

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Capítulo II: O criado e a guilhotina

Resumo do capítulo

O narrador apresenta a casa em que o príncipe vai bater. O general Ivan Fiódorovitch Iepántchin, de cinquenta e seis anos, filho de soldado e sem instrução, fez fortuna (casas, uma propriedade, ações em companhias) e cultiva a imagem de quem conhece o seu lugar e executa as ideias dos outros. Casou cedo com uma mulher sem beleza nem dote, da antiga e decaída família principesca dos Míchkin, a quem respeita e de quem tem medo; Ielisavieta Prokófievna Iepántchina é a última princesa da linhagem e preza a origem. As três filhas são bonitas, instruídas e sem pressa de casar: Alieksandra Ivánovna Iepántchina, de vinte e cinco anos, musicista; Adelaida Ivánovna Iepántchina, de vinte e três, pintora; e Aglaia Ivánovna Iepántchina, de vinte, a beldade da casa, por quem as irmãs, diz-se, estariam dispostas a sacrifícios.

Por volta das onze, o príncipe toca a campainha. O lacaio de libré desconfia da trouxinha e da capa, e o passa ao criado de quarto que anuncia as visitas ao general, um homem de mais de quarenta anos que conhece o próprio valor e se recusa a anunciá-lo sem o secretário. O príncipe prefere esperar ali, na antessala, a ficar sozinho na sala de recepção, e explica tudo com franqueza: não tem negócio urgente, quer apenas se apresentar, porque a esposa do general é a última dos Míchkin, além dele.

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Capítulo III: O general, a caligrafia e o retrato

Resumo do capítulo

O general Ivan Fiódorovitch Iepántchin recebe o príncipe com curiosidade e desconfiança: supõe que ele tenha algum objetivo e avisa que tem pouco tempo para conhecer gente. O príncipe responde que veio só para conhecê-los, admite que o parentesco não é razão, e se levanta para ir embora sem nenhum ressentimento; o olhar e o sorriso dele são tão sem rancor que o general muda de tom na mesma hora e lhe pede que espere, pois Ielisavieta Prokófievna Iepántchina talvez queira ver o homônimo.

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Capítulo IV: O passado de Nastácia

Resumo do capítulo

O narrador interrompe a cena para explicar a família Iepántchin. As três filhas são fortes e de bom apetite; a mãe, cada vez mais caprichosa, descarrega no marido o que acumula. O general tem um sistema: não apressar as filhas a casar, deixando que a fortuna e a posição crescentes trabalhem por elas. Quando Alieksandra completa vinte e cinco anos, Afanassi Ivánovitch Totski, de cinquenta e cinco, riquíssimo, refinado, grande apreciador da beleza e sócio do general em alguns negócios, revela o desejo antigo de se casar e pede conselho sobre uma das filhas. Aglaia, a mais bela, não lhe cabe; Alieksandra, sensata e afável, talvez aceite. O caso avança às apalpadelas, porque há um obstáculo.

Dezoito anos antes, um vizinho pobre de Totski, o oficial reformado Filipp Alieksándrovitch Barachkov, perdeu a casa num incêndio em que morreu a mulher; enlouqueceu e morreu um mês depois. Totski, por generosidade, recolheu as duas filhas, de seis e sete anos; a menor morreu. Anos depois, de passagem, ele notou na casa do seu administrador uma menina de doze anos que prometia beleza incomum, e mudou-lhe a educação: governanta suíça, quatro anos de estudos, e depois a instalou numa casinha de campo, Otrádnoe, onde passou a visitá-la todo verão, por quatro anos. Quando lhe chegou o boato de que Totski se casaria em Petersburgo, Nastácia Filíppovna Barachkova largou a casinha e apareceu sozinha na cidade, diante dele, outra mulher: sabia leis, sabia o mundo, ria dele com sarcasmo e declarou que sempre o desprezara, até a náusea, e que vinha impedir o casamento.

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Capítulo V: O condenado diante do patíbulo

Resumo do capítulo

O general anuncia o príncipe à mulher como um pobre idiota, quase mendigo, com ataques, quer distraí-la das pérolas; ela, ciumenta da linhagem, se espanta, manda pôr um guardanapo no pescoço do visitante e perguntar se ele faz gestos nos ataques. O general foge para ver o conde; Ielisavieta Prokófievna Iepántchina sabe muito bem a que conde ele vai. O príncipe almoça com apetite, conversa bem, e ela o declara nada estranho. Na saleta, ela exige que ele conte coisas, porque quer ver como ele fala; Alieksandra cochicha a Aglaia Ivánovna Iepántchina que ele talvez seja um velhaco e não um idiota, e Aglaia acha baixo representar um papel. O príncipe conta a chegada à Suíça, depois de uma série de ataques, num torpor de que acordou em Basileia, ao ouvir zurrar um asno no mercado; o asno lhe agradou e tudo ficou claro. As moças riem, e a generala:

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Capítulo VI: Marie e as crianças

Resumo do capítulo

Pressionado a contar a Suíça, o príncipe fala das crianças da aldeia e de Marie, uma moça tísica seduzida e largada por um caixeiro-viajante, que a aldeia persegue até ele explicar às crianças que ela é só infeliz: elas passam a amá-la, e ela morre quase feliz. Depois ele diz que também o tomam por idiota e cumpre a promessa de dizer o que lê nos rostos das filhas do general. Sobre as crianças, conta que não lhes ensinava (havia o professor, Thibaut), estava com elas e não lhes escondia nada, e por isso os pais, o professor e até Schneider se voltaram contra ele. Thibaut tinha inveja:

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Capítulo VII: A beleza é um enigma

Resumo do capítulo

A generala está encantada: o príncipe as escolheu, e não o contrário, e o caráter dele é igual ao dela. Aglaia lembra que ele disse ter uma intenção ao falar dos rostos, e falta o dela. Ao falar da beleza de Aglaia, o príncipe a compara à de Nastácia Filíppovna, e a comparação traz à sala o retrato dela; Gánia, ferido pela indiscrição, pede-lhe em segredo que entregue um bilhete a Aglaia, que o lê, dita no álbum que não entra em regateio e o devolve sem resposta, porque Gánia queria uma garantia sem abrir mão do dinheiro da outra. Na rua, ao saber que o príncipe leu o bilhete a pedido dela, Gánia o insulta de inveja, cego para a inteligência que ele mostra. Falta o rosto de Aglaia Ivánovna Iepántchina:

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Capítulo VIII: A casa dos Ívolguin

Resumo do capítulo

O apartamento de Gánia tem seis ou sete cômodos e é caro para a família; há dois meses a mãe e a irmã alugam quartos mobiliados com refeição, e Gánia, que sente isso como humilhação diante da sociedade em que quer brilhar, só aguenta porque está decidido a mudar tudo em breve. O pai, general reformado, dorme num cubículo junto à cozinha com o filho caçula, Nikolai Ardaliónovitch Ívolguin, Kólia, de treze anos, que vigia o pai. A mãe, Nina Alieksándrovna, tem dignidade e firmeza; a irmã, Varvara Ardaliónovna Ívolguina, Vária, de vinte e três anos, é ainda mais enérgica; Ptítzin, um rapaz sério que empresta dinheiro a juros, a corteja e é amigo de Gánia. O príncipe fica no quarto do meio. Gánia lhe pede que não fale do que houve com Aglaia nem do que verá ali.

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Capítulo IX: Nastácia chega de surpresa

Resumo do capítulo

Todos se calam. É a primeira visita de Nastácia Filíppovna Barachkova à família, no dia em que prometeu decidir, e Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin a lê como a própria decisão. Ela entra rindo, Gánia a apresenta à irmã, e as duas trocam um olhar estranho; ele ameaça Vária com os olhos e ela sorri de leve. Nastácia mal ouve Nina Alieksándrovna, pergunta onde ficam os inquilinos e se aquilo dá lucro, e ri do rosto de Gánia, que se desfigura de ódio. É o príncipe quem se aproxima e lhe sussurra que beba água e não olhe daquele jeito; Gánia o agarra pelo ombro e, no instante seguinte, ri e o apresenta como um tipo preciosíssimo. Nastácia descobre que tomou um príncipe por lacaio, pede desculpas e quer saber por que ele ficou petrificado. Ele fala do retrato, dos Iepántchin, de Rogójin no trem, e de que a imaginava assim:

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Capítulo X: Os dezoito mil e a bofetada

Resumo do capítulo

Entra Parfen Semeónovitch Rogójin com o bando da manhã (Liébediev, Zaliójev, um homem de punhos enormes, um estudante de medicina), gritando a Gánia que é um Judas e um canalha. Ao ver Nastácia ali, empalidece até os lábios: então era verdade, é o fim. Lembra a Gánia os duzentos rublos do pai que perdeu para ele no jogo, com trapaça, e diz que ele iria de gatinhas até a ilha Vassílievski por três rublos; veio comprá-lo, comprar todos. Pergunta a Nastácia, como a uma divindade e com a coragem de um condenado, se ela vai se casar com Gánia. Ela, vendo a mãe e a irmã, responde com seriedade que de modo nenhum. Rogójin, fora de si de alegria, oferece a Gánia três mil para desistir e então, aconselhado por Liébediev, se volta para ela:

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Capítulo XI: A confissão de Gánia

Resumo do capítulo

Nikolai Ardaliónovitch Ívolguin vai consolar o príncipe no quarto, fala de um amigo ainda mais infeliz que quer lhe apresentar, e acha um absurdo que uma bofetada só se lave com sangue, como no drama Mascarada, de Lérmontov. Varvara Ardaliónovna Ívolguina vem agradecer e observa que o príncipe tem influência sobre Nastácia. Então entra Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin, pede perdão de coração, oferece-se para beijar a mão do príncipe, e os dois se abraçam; Gánia diz não entender como o tomou por idiota. Vária o perdoa e o adverte: Nastácia riu dele, e aquilo não vale setenta e cinco mil. Gánia fica e se abre com o príncipe: vai se casar, agora sem hesitar. Ela é vaidosa como um funcionário preterido, o despreza por aceitar uma mulher sustentada pelo dinheiro, e não percebe que outro a enganaria pior, com palavras liberais; mesmo assim casará com ele, porque acha que ele a ama loucamente e, a seu modo, também o ama:

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Capítulo XII: A caminho da festa

Resumo do capítulo

Num café com bilhar da Litéinaia, o general Ardalion Alieksándrovitch Ívolguin espera o príncipe com uma garrafa e o Indépendance Belge. O príncipe lhe entrega a nota de vinte e cinco rublos para trocar, e o general a embolsa; o príncipe lhe pede que o leve à casa de Nastácia Filíppovna naquela noite: precisa estar lá, tem um assunto, embora não seja convidado. O general fica exaltado: era justamente a ideia dele, uma campanha contra ela, para impor a sua vontade de pai na festa. Às nove sairão. Mas o general pede outra garrafa e mais outra, conta histórias sem fim, e só sai cambaleando, já tarde. Na rua, com o degelo e o vento podre, mostra os andares iluminados dos antigos camaradas, fala das treze balas no peito e de Pirogov, que por ele teria telegrafado a Paris, e decide passar antes na casa de um velho amigo, o general Sokolóvitch. Na porta está escrito outro nome:

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Capítulo XIII: A festa de aniversário

Resumo do capítulo

Subindo, o príncipe não sabe o que fará lá: poderia dizer a Nastácia Filíppovna Barachkova que Gánia não a ama, que ama o dinheiro, mas isso não lhe parece certo, e há outra pergunta, capital, que ele não ousa formular e o faz corar. O apartamento é luxuoso; o narrador explica que Nastácia aceitou o luxo sem depender dele, e que nela havia uma mistura de gostos que desagradava a Totski. Na sala estão Afanassi Ivánovitch Totski e o general Ivan Fiódorovitch Iepántchin, ambos ansiosos pelo anúncio; Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin, sombrio, que contou a cena da bofetada e defendeu o príncipe; Ptítzin, que passou a tarde ajudando Rogójin a juntar cem mil; Fierdischenko; um velho professor, um jovem tímido, uma atriz animada de quarenta anos, Dária Alieksêievna, e uma bela alemã que não fala russo. As pérolas do general foram recebidas com frieza. O príncipe, não convidado, é anunciado, e Nastácia se alegra. Fierdischenko explica o seu papel na casa:

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Capítulo XIV: O jogo das confissões

Resumo do capítulo

Fierdischenko começa perguntando ao príncipe se não é verdade que há mais ladrões que não ladrões; o príncipe cora e diz que ele exagera. Fierdischenko conta: três anos antes, numa casa de campo onde jantava, pegou três rublos da mesinha de costura da filha do dono, sem saber por quê, voltou à mesa, e, quando suspeitaram da criada, Dária, pregou-lhe com gosto que confessasse, sentindo prazer em pregar com o dinheiro no bolso; à noite bebeu tudo numa garrafa de Lafite. A criada foi despedida no dia seguinte, e ele nunca sentiu remorso. Nastácia mostra nojo, e ele, ressentido, insinua que quem brilha e tem carruagem fez coisas piores. Ptítzin se recusa a contar. O general Ivan Fiódorovitch Iepántchin conta a sua: alferes, morava com uma velha viúva de oitenta anos, sozinha no mundo, que lhe roubou um galo; mudou de casa, e ela ficou com a tigela dele em troca de um pote que ele quebrara; ele voltou para insultá-la:

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Capítulo XV: Os cem mil de Rogójin

Resumo do capítulo

A criada Kátia anuncia uns dez homens bêbados; Nastácia Filíppovna Barachkova manda entrar todos e pede aos convidados que fiquem como testemunhas. Todos entendem que tudo foi calculado. Totski fica para não sair sem esclarecer as coisas; o general fica por cavalheirismo e cochicha se ela não enlouqueceu, em sentido médico. Entra o bando de Parfen Semeónovitch Rogójin, aumentado por um velho ex-redator que empenhou os dentes de ouro e um tenente que pede esmola em estilo romântico; intimidam-se com o luxo, com a estátua de Vênus, com a presença do general. Rogójin, quase sóbrio, passou a tarde com agiotas a qualquer juro para juntar os cem mil; ao ver Nastácia, tudo deixa de existir para ele. Põe na mesa um maço embrulhado na Gazeta da Bolsa e espera, de mãos caídas, como quem espera a sentença. Ela conta a todos como ele a regateou naquela manhã, de dezoito a quarenta e a cem mil:

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Capítulo XVI: A herança e o pacote no fogo

Resumo do capítulo

Ptítzin confirma: a tia do príncipe, que ele nunca conheceu, irmã mais velha da mãe, sobrinha pobre de um rico comerciante de Moscou chamado Papúchin, herdou tudo quando o tio morreu sem herdeiros, depois de perder os dois filhos, e antes de morrer, de hidropisia, deixou testamento ao príncipe: um milhão e meio, talvez mais. Todos o cumprimentam, pedem champanhe, e entendem de repente que ele acaba de pedir Nastácia em casamento. Dizem depois que foi nesse momento que ela perdeu a razão. Ela anuncia às criadas que vai casar com um príncipe de um milhão e meio, e se volta para Totski e o general como princesa, com o idiota de lambuja. Rogójin geme que o príncipe desista, que ele também a toma, e o príncipe diz que ele a ama muito. Ela testa o príncipe: não terá vergonha de que a mulher dele tenha sido sustentada por Totski? Não, porque ela não estava lá por vontade própria. E ele lhe diz que ela quis se perder porque, orgulhosa e infeliz, se julga culpada sem ser, que precisa de cuidados e ele cuidará dela, que ao ver o retrato reconheceu um rosto, como se ela o chamasse.

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