Resumo da parte
A Terceira Parte é feita de pedidos para que o príncipe se declare. Ievguiêni Pávlovitch quer saber se a distorção das ideias é caso particular ou geral; Aglaia exige que ele não se rebaixe diante de gente que não vale o seu dedo mínimo; Hippolit pergunta, diante de todos, se é verdade que ele disse que a beleza salvará o mundo; no banco verde, Aglaia pede que ele seja seu amigo e cúmplice de uma fuga; na rua, de joelhos, Nastácia Filíppovna pergunta se ele é feliz. A resposta mais clara que Liev Nikoláievitch Míchkin dá em toda a parte é a que separa piedade de amor: de Nastácia ele só tem pena, e já não a ama. No centro de tudo está a noite da Explicação, em que um rapaz de dezoito anos, tísico e com poucas semanas de vida, lê aos convidados as razões pelas quais decidiu se matar ao nascer do sol, e põe no meio delas o Cristo morto do quadro da casa de Rogójin: um cadáver que a natureza moeu como uma máquina e diante do qual ele pergunta como os discípulos puderam acreditar na ressurreição. A objeção mais séria que o romance faz à fé fica dita por inteiro, e a parte não a responde com argumento: responde com a pistola sem cápsula, com o riso dos convidados e com a lembrança do príncipe de que aquela mosca no raio de sol, da qual Hippolit se sente excluído, ele mesmo a tinha chorado nas montanhas da Suíça.
Capítulo I: O liberal russo
Resumo do capítulo
O narrador abre com uma digressão sobre a falta de gente prática na Rússia, onde a timidez e a ausência de iniciativa própria passam por virtudes, e a usa para situar os Iepántchin: uma família respeitada que vive saindo dos trilhos sem querer. Ielisavieta Prokófievna Iepántchina se culpa pelo próprio gênio, teme que as filhas sejam niilistas, chora de noite pela mais velha, Alieksandra Ivánovna Iepántchina, de vinte e cinco anos e ainda solteira, e tem em Aglaia Ivánovna Iepántchina o seu tormento e o seu ídolo. O noivado de Adelaida Ivánovna Iepántchina com o príncipe Sch. lhe dera um mês de paz, até chegar o príncipe e, com ele, uma carta anônima dando a entender que Nastácia Filíppovna Barachkova e Aglaia se correspondem. Lisavieta Prokófievna arrasta Liev Nikoláievitch Míchkin para a datcha e o senta à mesa redonda, onde está toda a família, porque quer arrancar dele os segredos da filha sem perguntar diretamente; no caminho já se acusa de loucura por fazer isso.
Análise
Lisavieta Prokófievna age pelo medo de que a família seja ridícula, e o medo a faz agir de modo ridículo: corre à casa do príncipe feito uma gata desvairada e se envergonha disso no mesmo instante. A carta anônima a atinge porque toca no que ela já suspeitava, que Aglaia guarda segredos que dizem respeito a ele.
À mesa, Ievguiêni Pávlovitch Radomski, excitado e meio zombeteiro, sustenta que o liberal russo não é russo, porque saiu só de duas castas, a dos antigos proprietários de terra e a dos seminaristas, e expõe o que chama de descoberta sua:
Assinatura
A análise completa de cada parte de O Idiota está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.
Capítulo II: O escândalo no vauxhall
Resumo do capítulo
Antes de saírem, Liev Nikoláievitch Míchkin agarra a mão de Ievguiêni Pávlovitch Radomski e lhe diz, num estado estranho, que o considera o mais nobre dos homens; depois, voltando-se a todos, pede desculpas pelo que fez três dias antes, diz que esteve doente até os vinte e quatro anos, que na sociedade é demais, que lhe falta o gesto e a medida, que as palavras dele não correspondem às ideias e por isso as humilham, e que não tem direito de falar das ideias elevadas, porque faria todos rirem. Todos ficam constrangidos com a explosão sem motivo aparente. Aglaia Ivánovna Iepántchina interrompe, fora de si:
Análise
Capítulo III: A pistola e o bilhete
Resumo do capítulo
A família volta para casa quase correndo. Para Ielisavieta Prokófievna Iepántchina e as filhas mais velhas, o escândalo provou que Ievguiêni Pávlovitch Radomski tem ligações com Nastácia Filíppovna Barachkova. Ivan Fiódorovitch Iepántchin, que chega de Petersburgo, conversa às escondidas com o príncipe Sch., e todos sobem para os aposentos da mãe, deixando Liev Nikoláievitch Míchkin sozinho no terraço. É ali que Aglaia Ivánovna Iepántchina o encontra, finge surpresa, oferece chá e, sem transição, pergunta o que ele faria se fosse desafiado para um duelo. Ele diz que teria muito medo, mas que covarde é quem tem medo e foge, e não quem tem medo e fica. Ela fala de Púchkin morto em duelo, de soldados que miram em meio homem, e ensina como se carrega uma pistola:
Análise
Capítulo IV: A estrela Absinto
Resumo do capítulo
O terraço de Liev Nikoláievitch Míchkin está cheio de gente bebendo champanhe: os conhecidos se juntaram por acaso, e Keller, ao chegar, anunciou o aniversário e exigiu o vinho. Estão Hippolit Tieriêntiev, que chegou primeiro e se sente melhor do que nunca, Burdovski, que o acompanha e balbucia que se arrepende da carta, Lukian Timofêievitch Liébediev com a família, o general Ardalion Alieksándrovitch Ívolguin como presidente do debate, Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin e Ptítzin, Keller, Fierdischenko, Nikolai Ardaliónovitch Ívolguin e, para espanto do príncipe, Ievguiêni Pávlovitch Radomski. Vera Lukiánovna deseja ao príncipe uma vida feliz a partir daquele dia. Ievguiêni Pávlovitch o puxa de lado: arranjou as coisas com o oficial, viaja de manhã a Petersburgo por causa da morte do tio e quer, antes, uma conversa franca; diz que veio buscar a amizade do príncipe, porque ele não mente, e confessa rindo que talvez também tenha vindo arrancar algo dele. Hippolit, febril, pergunta quantas horas faltam para o sol nascer, bebe o terceiro copo e quer saber se o príncipe já ouviu falar da estrela Absinto.
Análise
Capítulo V: A Explicação necessária
Resumo do capítulo
É a madrugada em que Hippolit Tieriêntiev vai ler aos convidados o manuscrito que escreveu na véspera, a Minha explicação necessária. Ele entrega a decisão de ler a uma moeda, porque precisa que até a leitura pareça imposta de fora, e a abre confessando que mentiu sobre o prazo que os médicos lhe deram, contando o sonho com o bicho venenoso e defendendo que a felicidade está em descobrir a vida, não na descoberta. Antes disso, ele acorda assustado de um cochilo de sete minutos, como se tivesse perdido a hora de algo de que depende o seu destino. Aliviado ao saber que o sol ainda não nasceu, diz que acaba de sonhar com Parfen Semeónovitch Rogójin e provoca Liev Nikoláievitch Míchkin diante de todos:
Análise
Capítulo VI: O quadro na casa de Rogójin
Resumo do capítulo
A Explicação continua. Hippolit Tieriêntiev conta que se trancou no quarto havia cinco meses, que a mãe tremia diante das ordens dele, que atormentou Nikolai Ardaliónovitch Ívolguin, o Kólia, e o vizinho Súrikov, a quem provava que a pobreza era culpa dele, e que em março riu diante do cadáver do bebê que Súrikov deixara morrer de frio; Súrikov, sem raiva, apontou-lhe a porta, e desde então tira o chapéu ao vê-lo. Numa noite de março, Hippolit apanha a carteira que um passante deixa cair na rua, corre atrás dele por uma escada escura até o quinto andar e entra num quarto miserável: um médico de província que perdeu o posto por intrigas, a mulher recém-parida, um bebê e uma menina dormindo sob uma casaca. O médico o recebe aos gritos, até ver a carteira com todos os documentos dele. Hippolit, que tosse sem parar, ouve a história, anota tudo e procura um antigo colega de ginásio, Bakhmútov, de quem sempre foi inimigo, e cujo tio pode resolver o caso. Bakhmútov o resolve; o médico ganha um posto em outra província. Na despedida, sobre a ponte, Hippolit faz um discurso sobre a esmola individual e o velho general de nome alemão que visitava os comboios de deportados para a Sibéria:
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Capítulo VII: O tiro que não sai
Resumo do capítulo
Hippolit Tieriêntiev lê o fim: tem uma pequena pistola de bolso, comprada quando menino, e decidiu morrer no parque, ao nascer do sol, para não incomodar ninguém; deixa uma cópia da Explicação a Liev Nikoláievitch Míchkin e outra a Aglaia Ivánovna Iepántchina, e lega o esqueleto à Academia de Medicina. Não reconhece juízes acima de si: diz que, se matasse dez pessoas, o tribunal ficaria sem ação diante de um condenado com duas semanas de prazo, e se espanta de que a ideia não ocorra a outros na mesma situação, nem que seja por brincadeira. Mas sabe que vai ser julgado, e quer deixar uma palavra livre:
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Capítulo VIII: O banco verde
Resumo do capítulo
No banco verde, Aglaia Ivánovna Iepántchina propõe ao príncipe que seja seu amigo e cúmplice de uma fuga de casa, mente que ama Gánia para medir o que ele sente, descobre pela boca dele que só tem pena de Nastácia Filíppovna e já não a ama, e acaba por lhe jogar na cara o ciúme que sente das cartas da rival, antes de anunciar à mãe que vai se casar com Gánia. Ela começa rindo e se indignando de encontrar Liev Nikoláievitch Míchkin dormindo no banco em que marcaram de se ver. Ele conta o tiro de Hippolit Tieriêntiev, e ela quer saber tudo, sobretudo o que disse Ievguiêni Pávlovitch Radomski; acha que a pistola tinha mesmo de falhar, porque combina mais com Hippolit, e quer a cópia da confissão. O príncipe diz que Hippolit queria que todos o cercassem e pedissem que vivesse, e que talvez pensasse nela; Aglaia confessa que aos treze anos quis se envenenar umas trinta vezes, imaginando a família chorando junto ao caixão, e depois o repreende pela crueldade de julgar a alma de Hippolit assim:
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Capítulo IX: Os quatrocentos rublos
Resumo do capítulo
Ielisavieta Prokófievna Iepántchina leva Liev Nikoláievitch Míchkin para casa e, sem forças, se arrepende de ter começado o interrogatório: ela mesma não sabe por que Aglaia não poderia encontrá-lo no parque. O príncipe conta, com calma, que se encontraram às sete por um bilhete dela e falaram uma hora de assuntos que só dizem respeito a Aglaia. Aglaia Ivánovna Iepántchina, entrando, agradece por ele não a ter julgado capaz de mentir ali, e a mãe se despede com respeito. Em casa, Vera Lukiánovna pede que ele não expulse Hippolit Tieriêntiev nem ria dele, e diz que ele tem os olhos felizes. Nikolai Ardaliónovitch Ívolguin, o Kólia, que velou o doente, está encantado com a coragem da Explicação, revela que Hippolit mentiu ao dizer que os dois fizeram a mala juntos e conta que o pai, o general Ardalion Alieksándrovitch Ívolguin, o acordou às seis da manhã, ainda bêbado, para avisar que diante de Fierdischenko é preciso ter cuidado com o que se diz.
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Capítulo X: As cartas
Resumo do capítulo
À noite, depois do banco verde, o príncipe lê as três cartas em que Nastácia Filíppovna põe Aglaia num altar, descreve um Cristo sozinho com uma criança e anuncia o casamento que a levará a Rogójin; ao sair sem relógio pelo parque, encontra a própria Nastácia Filíppovna, que se ajoelha na rua, pergunta se ele é feliz e foge antes da resposta. Rogójin a leva, e minutos depois o príncipe dá a ele a resposta que negou a ela. Liev Nikoláievitch Míchkin entende por que adiou até a noite a leitura das três cartas: tinha sonhado de novo com a mulher criminosa, de lágrimas nos cílios, que o chamava. Lê-las é como lembrar um sonho absurdo em que a razão aceitou tudo, e ele quase acredita na possibilidade e até na justificação daquele sonho:
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