A peça traz falas de preconceito racial: Iago, Rodrigo e Brabâncio falam da cor e da aparência de Otelo em tom de ofensa, e o próprio Otelo a lembra ao pensar por que Desdêmona o teria deixado. Os motivos que Iago apresenta para odiá-lo, porém, são o posto de tenente e a suspeita de adultério. Dizer se a peça trata de racismo é questão de leitura; o que se confere no texto são as falas a seguir.
Já na primeira cena, Iago grita a Brabâncio que "um carneiro preto, velho" está cobrindo a "ovelha branca" dele, e Rodrigo fala do "beiçudo". No Ato I, cena 2, Brabâncio, ao acusar Otelo de feitiçaria, pergunta como a filha trocaria o tutor pelo "peito escuro" de uma coisa como ele, "de algo que dá medo".
No Senado, no Ato I, cena 3, o Duque diz ao pai que "Em seu genro há mais beleza que negrura." Já no Ato III, cena 3, Iago diz a Otelo que Desdêmona recusou pretendentes "Dos que são de sua terra, cor e distinção" e que o desejo dela talvez venha a compará-lo "aos padrões do país".
Logo depois, sozinho, Otelo enumera as razões que podem ter feito a esposa deixá-lo: "Talvez por eu ser negro", por não ter a conversa dos cortesãos, ou por já ter descido o vale da idade. Na mesma peça, o Duque o chama de "Bravo Otelo" e o emprega contra os turcos, e Brabâncio o chama de "Ladrão imundo".