Quem é
Rodrigo é um veneziano abastado e crédulo, rejeitado como pretendente de Desdêmona por Brabâncio, que já o proibira de rondar a casa. Iago vive da bolsa dele, lhe promete a mão de Desdêmona e o usa como peão: primeiro para acordar o senador, depois para provocar Cássio e, por fim, para emboscá-lo. Rodrigo nunca consegue nada. É morto por Iago na cena 1 do Ato V, e as cartas achadas no seu bolso entregam a trama.
Trajetória
Na cena 1 do Ato I, reclama de Iago, que usou a bolsa dele e sabia de tudo sem avisá-lo. Brabâncio o reconhece e o repreende: lembra que já o proibira de rondar a porta e que a filha não era para ele. Rodrigo e Iago gritam sob a janela e, quando o pai volta, Rodrigo vai com ele atrás de Otelo. Na cena 2 do Ato I, chega com o senador e os homens armados, e Iago o puxa para o seu lado.
Na cena 3 do Ato I, a sós com Iago, cogita se afogar por desespero amoroso. Iago o convence a vender as terras e seguir para Chipre, prometendo ajudá-lo a conquistar Desdêmona: é engano puro, e o dinheiro é isca. Na cena 1 do Ato II, Iago convence Rodrigo de que Desdêmona vai se cansar do Mouro e preferir Cássio, e o instrui a provocar Cássio na guarda. Rodrigo diz que fará o que ele mandar se Iago arranjar o ensejo. Na cena 3 do Ato II, é ele quem provoca Cássio, que o persegue e fere Montano.
Na cena 2 do Ato IV, Rodrigo cobra de Iago as joias que lhe confiou para dar a Desdêmona, metade das quais bastaria para corromper uma freira, e ameaça se apresentar à própria Desdêmona para pedi-las de volta. Iago o desarma com elogios e propõe a saída: matar Cássio, que uma comissão de Veneza quer pôr no lugar de Otelo, para que Otelo e Desdêmona não deixem Chipre. Rodrigo diz que quer ouvir mais motivos.
Na cena 1 do Ato V, posto na rua para emboscar Cássio, diz em aparte que não sente grande devoção pela ação. Iago, em outro aparte, calcula que ganha se um matar o outro e que Rodrigo vivo lhe cobraria o ouro e as joias que ele lhe surrupiou (vv. 14-17). A frase "tem que morrer" (v. 22) fecha o raciocínio sobre Cássio, não sobre Rodrigo.
Rodrigo ataca Cássio e é ferido por ele, e Iago o apunhala, e Rodrigo, caído, o chama de cachorro bestial. Na cena 2 do Ato V, Ludovico mostra três papéis achados no bolso dele: duas cartas, uma delas sobre a morte de Cássio, que ele devia executar, e uma folha repleta de queixas contra Iago, que ele queria enviar. Cássio acrescenta que, antes de morrer, Rodrigo disse que Iago o instilou e feriu.
Temas que encarna
O que Rodrigo gasta, bolsa, joias, terras, é o que financia o plano de Iago sem render nada ao pagador. A fala dele na cena 2 do Ato IV faz a conta: as joias que deviam ter comprado Desdêmona nunca chegaram, e é Iago que, para não perdê-lo, o desvia para a morte de Cássio.
As cartas de Rodrigo são uma prova material da trama contra Iago, e é por elas, com o que Rodrigo diz antes de morrer, que Ludovico e Cássio reconstroem a trama.
O plano de Iago desmorona por um acaso: uma emboscada mal-sucedida deixa Rodrigo vivo o bastante para falar, e as cartas não se perderam. O Amor de Rodrigo é a imagem invertida do de Otelo: quer posse sem ser visto e paga por promessas que Iago nunca precisa cumprir. É o primeiro a ser usado e, no momento em que cobra o que lhe devem, o primeiro condenado.
Relações
- Iago: o parceiro e credor de fato, que vive da bolsa de Rodrigo e o mata para impedi-lo de falar.
- Desdêmona: a mulher que ele deseja e a quem nunca consegue falar, e cujas joias ficam com Iago.
- Brabâncio: o senador que o proibiu de rondar a casa e o leva consigo atrás de Otelo.
- Cássio: o rival fabricado por Iago, que Rodrigo provoca na cena 3 do Ato II e tenta matar na cena 1 do Ato V.
- Otelo: o marido de Desdêmona, a quem Rodrigo vai atrás na cena 2 do Ato I e que entende a trama pela boca de Emília e depois pelas cartas dele, na cena 2 do Ato V.