Clavis Libri

Tema em Otelo

Amor

O amor como vínculo que move a obra: amor romântico, amor cortês, amor de pai e de filho, amor a Deus.

O tema na obra

Na cena 3 do Ato I, Otelo resume o cortejo dizendo que ela o amou pelos perigos que ele passou e ele a ela pela compaixão que ela teve das penas dele, e Desdêmona responde ao pai que o dever dela está dividido, como o da mãe estivera. Na cena 1 do Ato II, o reencontro em Chipre é o ponto mais alto de contentamento da peça, e Otelo teme a própria felicidade antes de qualquer motivo de ciúme: se a morte viesse agora, seria a máxima alegria.

Na cena 3 do Ato III, antes de Iago formular qualquer dúvida sobre Desdêmona, Otelo já formula o que está em jogo: quando deixar de amá-la, será o Caos novamente. Na cena 3 do Ato IV, Desdêmona canta a canção do salgueiro, pede que, se morrer, a envolvam nos lençóis nupciais e fecha a noite com um verso sobre não pagar o mal com o mal.

Na cena 2 do Ato V, Otelo beija a esposa adormecida e diz que a matará e depois a amará. Desdêmona nega até o fim e, no último fôlego, poupa o marido. As últimas palavras dele repetem o gesto que abriu o assassinato: um beijo.

O amor da peça é uma linguagem de entrega que não muda entre o Ato II e o Ato V: o que muda é o que Otelo faz com ela. A mesma voz que dizia "Caos novamente" diz "te matarei e depois te amarei", e Desdêmona mantém o amor até a última fala.

Onde aparece

Passagens

Otelo resume o cortejo em duas linhas:

O resumo que Otelo dá do próprio cortejo, que se tornaria a fórmula mais citada da peça sobre amor e narrativa: Que ela me amou pelos perigos que passei, / E eu a amei pela sua pena das minhas penas. (I.3, v. 168-169)
Ato I: Veneza, a denúncia noturna e o juízo do senado

No auge, ele teme que nada se iguale a esse instante:

O reencontro de Otelo com Desdêmona é o ponto mais alto de contentamento de toda a peça, e ele mesmo desconfia da própria sorte: Que há entre inferno e céu. Se a morte viesse agora, / Seria a máxima alegria, pois eu temo (II.1, v. 186-187)
Ato II: Chipre, a tempestade e a queda de Cássio

Antes de Iago levantar qualquer dúvida sobre Desdêmona, ele já fala da ruína:

Antes de Iago formular qualquer dúvida sobre Desdêmona, Otelo já enuncia o que está em jogo se o amor acabar, e a palavra que ele escolhe nomeia o abismo anterior a toda forma: Rica criatura! Que eu caia em perdição, Mas eu te amo! E quando eu deixar de te amar, Vai ser o Caos novamente. (III.3, vv. 91-93)
Ato III: A tentação e o lenço

Suas últimas palavras repetem o gesto que abriu o crime:

As últimas palavras repetem o gesto que abriu o assassinato: Eu te beijei, depois te matei: só o que deixo, / Matar a mim mesmo e morrer com um beijo. (V.2, vv. 363-364)
Ato V: A emboscada, o assassinato e a revelação