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Símbolo

O lenço

O que é

Um lenço bordado de morangos, o primeiro presente que Otelo deu a Desdêmona. Na cena 4 do Ato III, Otelo conta que ele veio de uma egípcia que o deu à mãe dele com uma promessa: enquanto o guardasse, ela seria amada, e se o perdesse ou o desse a outra, o marido a olharia com ódio. A peça faz do pano uma joia que vale pela história que se conta dele.

A nota da tradução de Lawrence Flores Pereira observa que a dimensão mágica do lenço é invenção de Shakespeare: na fonte, a novela de Giraldi, o objeto era só uma isca para movimentar a farsa.

Onde aparece

Na cena 3 do Ato III, Desdêmona tenta enfaixar a testa de Otelo, ele recusa o lenço, e ela o deixa cair. Emília o acha e o entrega a Iago, que lhe pedira cem vezes que o furtasse, e Iago decide jogá-lo no quarto de Cássio. Em seguida Iago diz a Otelo que viu Cássio secar a barba com um lenço de morangos, e que isso, somado às outras provas, a acusa.

Iago explica por que um pano bordado basta como prova para quem já quer acreditar: Para o ciumento, são signos tão poderosos Quanto a Santa Escritura. (III.3, vv. 330-331)
Ato III: A tentação e o lenço

Na cena 4 do Ato III, Otelo pede o lenço, ouve que Desdêmona não o tem ali e reduz tudo a uma palavra repetida. Desdêmona só quer falar de Cássio, e Emília nota que Otelo parece com ciúme. Ao fim da cena, Cássio dá o lenço a Bianca para que ela copie o desenho.

Otelo reduz o pedido de Desdêmona a uma única palavra repetida, cortando toda tentativa dela de falar de Cássio: O lenço! (III.4, v. 95)
Ato III: A tentação e o lenço

Na cena 1 do Ato IV, Iago fala de "lenço" e de "mentindo" até Otelo, repetindo "o lenço, as confissões", cair em convulsão. Bianca joga o lenço no chão diante de Cássio, irritada por ter de copiá-lo, e Otelo, escondido, reconhece o pano que dera à esposa. Iago confirma que era mesmo o lenço dele e, na mesma cena, sugere estrangular Desdêmona.

A fala de Otelo se desintegra até a convulsão: possível… Confessa? O lenço? Diabo! (IV.1, v. 45)
Ato IV: A humilhação e o canto do salgueiro

Na cena 2 do Ato V, Otelo diz a Desdêmona que viu o lenço na mão de Cássio, e ela responde que ele o achou, que ela nunca o deu. Emília desfaz o engano ao dizer que o achou por acaso e o deu ao marido. Cássio conta depois que o encontrou no próprio quarto, onde, segundo ele, Iago confessou tê-lo jogado de propósito.

É Emília quem entrega a peça central do enredo: Eu o achei por acaso e dei ao meu marido, (V.2, v. 230)
Ato V: A emboscada, o assassinato e a revelação

O que significa

O lenço funciona como prova porque o ciúme já está pronto para recebê-lo. Na peça, o pano não convence Otelo sozinho: apenas embala uma convicção que a insinuação de Iago já fabricara sem nenhum objeto. O objeto muda de mãos várias vezes, de Desdêmona a Emília, a Iago, a Cássio, a Bianca, e em cada passagem ganha um sentido novo sem que ele próprio mude.

O lenço passa por muitas mãos em quatro cenas e em nenhuma delas é ele que muda: muda o que cada um diz que ele é. A prova que Otelo exige no Ato III é feita do mesmo material da insinuação, e só se desfaz quando Emília diz de onde ele veio.

Relações