O tema na obra
Na cena 3 do Ato II, Cássio perde o posto de tenente numa noite de bebedeira e chora o nome, não o ferimento: reputação, reputação, reputação. Iago lhe diz que reputação é imposição infundada e falsa, e a cena deixa ver a honra como algo que existe só na opinião alheia.
Na cena 3 do Ato III, uma palavra, "honesto", vira prova de caráter na boca de Iago, e Otelo, convencido de que já sabe a verdade, se despede da profissão de soldado num só verso. Na cena 1 do Ato IV, ele enuncia a régua com que já condena a esposa, que um homem com chifres é um monstro, e bate em Desdêmona diante de Ludovico: a testemunha transforma a violência doméstica em escândalo público.
Na cena 2 do Ato V, Otelo pede que, nas cartas a Veneza, falem dele como é, sem abrandar e sem malícia. A nota da tradução cita T. S. Eliot para ler nesse discurso um homem que se anima a si mesmo e que já deixou de pensar em Desdêmona.
A honra, na peça, é um bem que se perde por palavra alheia. Cássio a perde numa noite e chora o nome, Otelo a vê ruir por uma insinuação e responde com a sentença antes da prova, e no fim tenta recuperá-la pedindo que o retratem sem abrandar.
Onde aparece
- Cena 3 do Ato II: Cássio perde o posto e chora a reputação.
- Cena 3 do Ato III: Otelo se despede da profissão e passa a exigir prova.
- Cena 1 do Ato IV: a régua dos chifres e a bofetada diante de Ludovico.
- Cena 2 do Ato V: Otelo pede que falem dele como é.
Passagens
Cássio resume a perda em três palavras:
Sozinho com Iago depois da queda, Cássio resume a perda em três palavras repetidas:Reputação, reputação, reputação! Perdi toda a reputação!(II.3, v. 259)
Otelo se despede do ofício que o definia:
Convencido de que já sabe a verdade, Otelo se despede da própria vida militar num só verso:Adeus — a profissão de Otelo não é mais.(III.3, v. 364)
No fim, ele quer ser descrito sem malícia e sem abrandamento:
Otelo recusa o pretexto do ciúme e pede um retrato sem retoque:Falem de mim como sou. Não abrandem nada, / Nem usem de malícia.(V.2, vv. 347-348)