A peça se chama A tragédia de Otelo, o Mouro de Veneza: o título junta o nome do protagonista, o rótulo de Mouro e a cidade a que ele serve como general. Dentro da peça, vários personagens o chamam de Mouro, ora com desprezo, ora com respeito.
Iago faz do rótulo zombaria já na primeira cena: diz que será "só o alferes de Vossa Mourecência!". Brabâncio o usa para acusar, ao dizer que Otelo enfeitiçou a filha e que ela não trocaria o tutor pelo "peito escuro" de uma coisa como ele. No Senado, porém, um senador o recebe como "o valoroso Mouro". E o próprio Otelo, no Ato III, cena 3, enumera entre as razões para a esposa o ter deixado: "Talvez por eu ser negro".
A parte "de Veneza" diz a quem ele serve. No Ato I, cena 3, o Duque o convoca de noite porque precisa dele contra os turcos: "Bravo Otelo, temos de usá-lo imediatamente". No fim, é Veneza, por meio de Ludovico, que lhe tira o comando e o entrega a Cássio. Iago diz a Rodrigo, no Ato IV, cena 2, que Otelo, se for trocado por Cássio, partiria "para a Mauritânia".
O título junta, assim, o homem e o rótulo, o general que Veneza emprega e que os outros chamam de Mouro. No fim, quando Ludovico pergunta por "esse homem temerário e infeliz", Otelo responde: "Aquele que já foi Otelo? Aqui estou."