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Símbolo

O sangue de César

O que é

O sangue de Júlio César e as feridas abertas no corpo dele. Antes do crime, ele aparece no sonho de Calpúrnia, em que a estátua de César jorra sangue como uma fonte; no Senado, os conspiradores banham as mãos nele; no funeral, Marco Antônio mostra ao povo o corpo e o manto rasgado pelos punhais. A peça inteira discute o que esse sangue é: sacrifício por Roma, como quer Bruto, ou carnificina, como diz Antônio.

Onde aparece

Na cena 1 do Ato II, Bruto recusa matar Antônio junto com César, para que o crime não pareça um açougue.

Let us be sacrificers, but not butchers, Caius., sejamos sacrificadores, não açougueiros, Caio (II.1)
Ato II: A conspiração e a manhã dos Idos

Na cena 2 do Ato II, César conta o sonho da mulher, e Décio Bruto o reinterpreta como sinal de glória.

She dreamt tonight she saw my statue, / Which like a fountain with an hundred spouts / Did run pure blood, ela sonhou esta noite que via minha estátua, que, como uma fonte de cem bicas, jorrava sangue puro (II.2)
Ato II: A conspiração e a manhã dos Idos

Na cena 1 do Ato III, depois do golpe, Bruto manda os conspiradores banharem os braços no sangue; sozinho com o corpo, Antônio chama os assassinos de açougueiros.

Stoop, Romans, stoop, / And let us bathe our hands in Caesar's blood, abaixai-vos, romanos, abaixai-vos, e banhemos as mãos no sangue de César (III.1)
Ato III: O assassinato e o Fórum
O, pardon me, thou bleeding piece of earth, / That I am meek and gentle with these butchers., oh, perdoa-me, pedaço de terra que sangra, por eu ser manso e gentil com esses açougueiros (III.1)
Ato III: O assassinato e o Fórum

Na cena 2 do Ato III, Antônio desce ao lado do corpo, mostra o manto e as feridas e vira o povo contra os conspiradores.

Show you sweet Caesar's wounds, poor poor dumb mouths, / And bid them speak for me., mostro-vos as feridas do doce César, pobres, pobres bocas mudas, e peço que falem por mim (III.2)
Ato III: O assassinato e o Fórum

O que significa

O sangue é o lugar onde a peça decide quem tem razão. Bruto quer que a morte de César seja lida como um rito, feito por sacrificadores e não por açougueiros, e por isso manda banhar as mãos no sangue e sair à praça gritando liberdade. O mesmo gesto, porém, cumpre o sonho de Calpúrnia ao pé da letra, e Antônio só precisa mostrar o corpo para que o rito volte a ser crime. As feridas, que ele chama de bocas mudas, convencem mais que qualquer discurso, e o povo que aplaudiu Bruto sai a queimar as casas dos conspiradores.

Bruto perde a disputa sobre o sangue antes de perder a guerra. Ele acreditou que um gesto bem nomeado bastaria para mudar o sentido do que fez; Antônio sabe que diante do corpo o nome não vale, e deixa as feridas falarem.

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