Clavis Libri

Júlio César · Ato IV

A discórdia no acampamento

Cena I: A lista dos condenados

Resumo da seção

Em Roma, Marco Antônio e Otávio sentam-se com Lépido para marcar quem deve morrer, e Lépido e Antônio aceitam incluir cada um um parente: o irmão de Lépido, o sobrinho de Antônio. Lépido sai para buscar o testamento de César, e Antônio o chama de homem insignificante, bom só para recados, e o compara a um burro que carrega ouro até onde o dono quer. Em seguida avisa Otávio de que Bruto e Cássio reúnem tropas e que é hora de fortalecer a aliança.

Análise

He shall but bear them as the ass bears gold, / To groan and sweat under the business, ele apenas carregará essas honras como o burro carrega ouro, para gemer e suar sob o serviço (IV.1)

Para discutir O que a conversa sobre Lépido mostra do modo como esses três pretendem dividir o poder entre si?

Cena II: Cássio chega a Sardes

Resumo da seção

Diante da tenda de Bruto, perto de Sardes, Lucílio conta que Cássio o recebeu com cortesia, mas sem a intimidade de antes. Bruto reconhece nisso um amigo que esfria e diz que o amor doente se enche de cerimônia forçada. Cássio chega com o exército e o acusa de tê-lo ofendido. Bruto pede que não briguem à vista dos soldados e leva a conversa para dentro da tenda, com a entrada guardada.

Análise

When love begins to sicken and decay / It useth an enforced ceremony., quando o amor começa a adoecer e a decair, recorre a uma cerimônia forçada (IV.2)

Cena III: A briga, Pórcia e o espectro

Resumo da seção

Na tenda, Cássio reclama que Bruto puniu um homem seu por suborno, e Bruto o acusa de vender cargos por ouro, lembrando que os conjurados mataram César por justiça. A discussão chega a ameaças, Cássio oferece o peito ao punhal, e os dois se reconciliam. Bruto revela que Pórcia morreu, chegam notícias das proscrições, e ele convence Cássio a marchar já a Filipos. Com os criados já adormecidos, Bruto vê o espectro de Júlio César, que promete reencontrá-lo em Filipos.

Análise

There is a tide in the affairs of men, / Which, taken at the flood, leads on to fortune;, há uma maré nos assuntos dos homens que, tomada na cheia, leva à fortuna (IV.3)

Para discutir Cássio propõe esperar o inimigo e Bruto decide marchar logo a Filipos. Que argumento de cada um lhe parece mais forte?

Tema central

Análise

O ato mostra os dois campos corroídos por dentro. Em Roma, os três que governam já escolhem quem matar sem demora, e Antônio, contra a defesa de Otávio, trata o aliado Lépido como animal de carga, a quem se tiram as honras quando o trabalho acaba. No acampamento, a amizade de Bruto e Cássio chega à beira da ruptura, e a briga gira em torno da própria causa: Bruto acusa Cássio de vender cargos por ouro e pergunta se os que mataram César por justiça podem agora sujar as mãos com suborno.

A reconciliação é rápida, e a notícia de Pórcia muda o tom da cena. Bruto conta a Cássio que ela morreu, e Cássio se espanta de ter sobrevivido à discussão daquela hora. Pouco depois Bruto pergunta a Messala se as cartas trazem algo dela e só então, ao ouvir a confirmação, diz que aceita a perda como um romano. A cena guarda os dois momentos lado a lado, sem explicar a diferença.

A decisão de marchar a Filipos mostra Bruto convencido de que a hora é boa e que a causa está madura, e o argumento dele (a maré que se perde se não for tomada) é bem construído, mas Cássio cede sem insistir na própria opinião. O fantasma que aparece em seguida não discute a decisão: apenas diz que se verão em Filipos, e Bruto, ao acordar os criados, vê que ninguém mais notou nada.